Design de um top 10 [35] Amém, Kendrick

Não sei se vocês estão sabendo, mas KENDRICK LAMAR CONSEGUIU O #1 COM HUMBLE, destronando finalmente “Shape Of You” do #1, onde ficou tantas semanas que eu já esqueci o número. Lambs felizes, fãs do K-Dot e todo mundo que gosta de boa música pulando de alegria e evidentemente o chart deu uma bela (e boa) bagunçada com a entrada das faixas de “DAMN.” no Hot 100 – merecidíssimo, porque o álbum é monstruoso (sim, vou resenhá-lo aqui, Kendrick merece, conseguiu fazer um álbum comercial e incrível, sem perder o prumo), e já está bombando nos streams (que ajudaram o K-Dot a chegar neste momento).

Este momento do mês é o que marca a transição para os singles do verão: teoricamente, vão aos poucos saindo as midtempos e as faixas mais lentinhas do chart para os pancadões uptempo e as promessas de hit da estação. Mas, a julgar pela dominação urban em 2016-17, não duvido nada de que os hits este ano sejam algum rap que vai viralizar, um batidão urban pra fazer todos dançarem nas festas; e algum DJ vai lançar um hit farofa. É o que a música pop vem apresentando ultimamente – essa divisão entre rap, urban e EDM mais “orgânico” a la Chainsmokers é o que está mandando nos charts, e não parece sumir tão cedo (ao contrário do tropical house, que já está decaindo).

(ou sei lá, será que é hora de uma nova explosão latina? TRUMP CHORA)

Hora de ver o que aconteceu nesta semana, em que finalmente uma mulher voltou a figurar no top 10 do Hot 100.

Top 10 Billboard Hot 100 (06.05.2017)

#1 Humble  – Kendrick Lamar

#2 Shape Of You – Ed Sheeran

#3 That’s What I Like  – Bruno Mars

#4 DNA – Kendrick Lamar

#5 Mask Off  – Future

#6 ISpy – Kyle feat. Lil Yachty

#7 Stay – Zedd feat. Alessia Cara

#8 Something Just Like This – The Chainsmokers feat. Coldplay

#9 Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat. Justin Bieber

#10 XO TOUR Llif3 – Lil Uzi Vert

 

Humble” é o segundo #1 do Kendrick Lamar, primeiro solo (o outro foi o remix da infame “Bad Blood” de famigerada história), que teve seu pulo de #3 para #1 impulsionadíssimo pelos streamings. A faixa está em primeiro lugar no chart específico há três semanas e só faz bater recordes. Ainda no top 10 do Digital Charts e crescendo nas rádios, a faixa ainda tem MUITO a crescer e render. Não é apenas um hit, é um baita viral e uma música impressionante que mostra, além do flow impecável do Kendrick, como ele sabe fazer sim hits sem perder a essência (ou seja, chega de featurings bizarros como “The Greatest” e “Don’t Wanna Know”).

Aliás, o cidadão colocou todas as músicas do “DAMN.” no Hot 100, e “.”, uma celebração à cultura negra, estreou na quarta posição do Hot 100. Amém, Streams; amém Kendrick!

 

Enquanto isso, uma mulher está de volta ao top 10 do Hot 100 – Alessia Cara, como featuring da faixa “Stay“, do DJ Zedd. Foi um retorno para os dois artistas às faixas mais consumidas na semana. A última visita do rapaz foi com “Break Free” da Ariana no já distante 2014; enquanto Alessia tinha curtido o gostinho do top 10 com “Scars to Your Beautiful”, ano passado. Uma volta merecida – a música é bem solar, fresh, bem amor adolescente (que combina com a voz juvenil da Alessia), apesar da batida parecer com toda essa pegada “orgânica” Chainsmokers, ao contrário das farofas yoki que o próprio Zedd apresentou antes (que já estavam datadíssimas, aliás).

Com bom desempenho nos charts dance, o fato é que a música ainda pode render mais e pelo menos chegar bem ao verão. É a cara do fim de tarde, quando termina o passeio na praia e a turma tá indecisa se volta pra casa ou estende a saída pela noite.

 

E esse hit, viral e tendência maravilhoso que é “Despacito“? A música do Luis Fonsi com o Daddy Yankee (que conseguiram o primeiro top 10 no Hot 100, corre que é histórico!) já tinha explodido nas rádios latinas, e fazia uma transição bacana para o crossover pop (lembrando que é uma faixa totalmente em espanhol), quando saiu na semana passada um remix com o Justin Bieber (cantando em espanhol) e a música deu um boom absurdo. Eu não queria admitir, mas que a inclusão do Bieber ajudou muito pra “Despacito” chegar à nona posição na Billboard subindo 39 posições (!), mas a faixa voltou para os charts digitais, cresceu nos streamings e deu um boost no chart de rádio ❤ lembrando que a versão que chegou ao top 10 é a remix porque os números foram responsáveis por mais da metade dos pontos da faixa no top 10.

Aliás, este é um momento histórico para a música latina – a última vez em que uma música toda cantada em espanhol chegou ao top 10 do Hot 100 foi com… Com…? Ricky Martin? Enrique Iglesias? J-Lo? 

ELES MESMOS – A MACARENA. Isso, há 21 anos atrás, direto do túnel do tempo. Só que Macarena chegou às 14 semanas em primeiro lugar nas paradas (socorro). Será que “Despacito” tem lenha pra queimar?

Por falar em “Despacito”, hora de deixar aqui a música para que vocês contribuam com mais pontos para a próxima semana 😉

 

Sci-fi de segunda (e isso é uma boa coisa) – Ariana Grande e o vídeo de Break Free

Ariana Grande Break Free Video

O segundo single do “My Everything” já tem seu clipe! “Break Free”, pop/EDM com featuring do DJ Zedd traz uma Ariana Grande inspirada em Jane Fonda em “Barbarella” (quem acompanha o Instagram da moça sabe que ela andava postando fotos da atriz durante a produção do vídeo), vivendo uma heroína intergalática num cenário meio trash e com uma boa dose de humor involuntário, cortesia do diretor do vídeo, Chris Marrs Piliero.

Alguns podem achar o clipe uma boa porcaria, mas eu particularmente gostei bastante. Sou fã de uma coisa trash com (d)efeitos especiais, e a pegada meio filme B de sci-fi meets Star Wars meets Barbarella caiu bem com a música mais eletrônica. E em época de “Guardiões da Galáxia” bombando nos cinemas, o timing de lançamento de um vídeo tendo o espaço como pano de fundo foi bem interessante.

Acredito até mesmo que deu uma melhorada na música, que não é uma das melhores do catálogo da Ariana – mas é catchy. Critiquei quando foi lançada, mas hoje ouço sempre e sei cantar todinha! O vídeo pode até soar divisivo (mais uma vez) para os fãs de música pop e grandes produções, mas acho que essa pegada “vintage-tosca” caiu bem à música e à própria expressão da Ariana no clipe, que pareceu bem mais confortável.

Dá pra ver que preferi o vídeo de “Break Free” ao de “Problem”, né? Mas como música, o lead-single ainda é bem melhor.

Tire suas conclusões assistindo ao vídeo aqui:

Ariana Grande e EDM? Ouça “Break Free” (featuring Zedd)

ariana-grande-break-freeEsta semana vem sendo dominada por notícias de Ariana Grande e seu esperado novo CD, “My Everything”, que já tem capa e tracklist cheia de featurings, incluindo a já mandatória participação de Big Sean, e as presenças de Childish Gambino e The Weeknd. Mas o segundo single tem um featuring mais eletrônico, do DJ Zedd, produtor da faixa “Break Free” – uma música EDM, estilo que já tinha sido apresentado na faixa “Better Left Unsaid”, do “Yours Truly” (música essa um primor de produção amadora), mas que agora é lançado como música de trabalho nas mãos de um DJ bombado.

A faixa é meio que um choque, depois do R&B/pop throwback 90’s do primeiro álbum, e pra completar, tem um ar de datado (o que é uma contradição absurda pra quem lançou um CD numa pegada retrô mas com faixas bem moderninhas e atuais).  Lembra alguma coisa feita entre 2011 e 2013, e o break final é algo que a Gaga mataria pra por no “ARTPOP”, mas o refrão tem algo grower, e mesmo que você torça o nariz na primeira ouvida, acaba se rendendo e ouve outra vez – além de ficar com a parte do “This is the moment I say I don’t want it” na cabeça. Se torna um guilty pleasure, e às vezes os guilty pleasures se tornam sucesso porque você ouve com culpa, mas ouve.

Eu particularmente prefiro (e me apaixonei pelo som da) Arianinha no R&B/hip hop/pop, porque eu vejo nela um diferencial e um tchan na qualidade das músicas e na escolha dos produtores que eu não consigo observar nas peers teens do momento, além do som que ela apresentou no “Yours Truly” se relatar a várias demografias de ouvintes, mas “Break Free” tem seu mérito, principalmente pelo apelo comercial. E como ela tem uma base de fãs fanática e muita gente que começou a curti-la por causa de “Problem” (aí sim uma música que tem mais a cara da Ariana), a canção pode fazer o maior sucesso.

Se “Break Free” será finalmente o #1 da moça? Não sei, porque justamente o estilo urban que ajudou a trazer de volta é o que está bombando, e EDM está em visível decadência. Mas o nome dela começa a juntar olhares, e talvez ela possa agarrar seu topo na Billboard… Isto é, se Ariana não quiser tornar as coisas mais “problemáticas” com um vídeo divisivo.

Já ouviu a música? Gostou? Confira aqui “Break Free”!