Lançamentos da semana: do pior para o melhor

Essa quinta-e-sexta-feira teve uma quantidade tão grande de lançamentos pop que a gente tem até que respirar em pensar quais são as músicas e que artistas lançaram alguma coisa. Mas eu decidi juntar tudo num post só, com o velho combo de singles, só que com um diferencial: do pior material lançado até a melhor música divulgada neste fim de semana.

Esse é o meu top 4, veremos se será parecido com o de vocês 😉

4. “Switch”, Iggy Azalea feat. Anitta

Um dia a Iggy foi uma rapper ascendente com um som bacana, e que prometia ser a grande revelação na cena, a julgar pelas antigas mixtapes. O “The New Classic”, primeiro CD, foi aquele rap para neófitos, mais pop que qualquer outra coisa, que apesar do sucesso, não se converteu depois numa segunda era bem sucedida – pelo contrário, depois daquele CD, a queda da australiana foi uma das coisas mais rápidas e frenéticas já vista na popsfera.

Atualmente a mulher ainda está tentando lançar alguma coisa para o segundo CD, “Digital Distortion”, e até agora o que eu tenho consciência que foi single mesmo foi “Team“, que teve uma certa divulgação e algum buzz. O resto foi lançado daquele jeito, e nada foi tão interessante. Pra completar, todo single que a Iggy vinha apresentando parecia sem sal, sem apelo; e pior – agora com “Switch”, sem personalidade alguma.

Esse ritmo tropical já cansado, essa música batida, a Iggy cantando por cima do featuring … Aliás, Anitta foi desperdiçadíssima na faixa: parece uma backing vocal qualquer e o vocal ficou abafado por tanta camada e efeito que eu só percebi que era ela mesmo porque o timbre, mesmo em inglês (um bom inglês até), se sobressaiu. Mas sinceramente, se colocassem a Iggy com autotune no lugar não fazia diferença alguma.

Para a brasileira, o featuring valeu a pena para apresentá-la ao mercado americano de uma forma mais “oficial” (mesmo que o nome dela já esteja rodando aqui e ali, em matérias da Billboard e interações com artistas no twitter e no instagram), mas pra Iggy Azalea, é mais uma oportunidade desperdiçada numa música que é bem ruinzinha e esquecível.

(curiosamente, a parte mais marcante pra mim foi o pré-refrão da Anitta. A única coisa que tá na minha cabeça até agora de “Switch”)

nota: ⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Crying on the Cheap Thrills of You”, Camila Cabello

Quando você sai em carreira solo de uma boyband/girlband, onde geralmente as canções eram bem polidas e produzidas para gerar uma sonoridade generalista (pra não dizer outra palavra) e puxada para o público jovem, o que se espera é que o artista em questão mostre o motivo pelo qual ele ou ela se sentiu pronto/a para dar o jump e mostrar “identidade musical”. O Zayn, com o “Mind of Mine”, fez isso – quem imaginava que o menino do One Direction lançaria aquele petardo de álbum alt-R&B todo moody e misterioso?

Pois bem, depois de ver o vídeo de “Crying on the Club”, da Camila Cabello, duas coisas ficaram na minha mente. Uma é: alguém cancela a Sia, porque essa música é mais um derivado da fórmula “Cheap Thrills”/”The Greatest”, e pior, a faixa me lembra “Shape of You”, ou seja, música mais genérica não há! Pra piorar a situação, o delivery vocal da Camila tá muito parecido com o da Rihanna (como todas as últimas 1500 pop starlets tentam fazer – e a Pitchfork pontuou muito bem recentemente). Zero personalidade numa música que mesmo grudenta, é bem safe, bem “o que tá tocando por aí.

Aí a cidadã me lança um clipe (chatérrimo, aliás), onde a intro é com uma midtempo pop mega dramática, com um letrão daqueles, os vocais impecáveis; pra combar com “Cheap Thrills parte 3”. Quem é a gravadora da Cabello, minha gente, que não colocou “I Have Questions” de lead? Isso seria um tapa na cara maravilhoso de quem acha que a menina não tem identidade musical!

(btw, a melhor coisa de “Crying on the Shape of the Club” é o sample de “Genie on the Bottle” haha)

nota: ⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Swish Swish”, Katy Perry feat. Nicki Minaj

Primeiramente, mais uma música da Katy que não aconteceu, né? Eu tô impressionada com a era dela, porque nada deu certo – até mesmo o vídeo de “Bon Appétit”, que fez um barulho nas redes sociais, não ajudou no desempenho da faixa nos charts. Daqui a pouco a mulher lança o álbum e a gente só vai ouvir a imprensa caindo em cima e o público realmente desinteressado na Katy.

(ou seja, ela nunca conseguiu firmar uma base de fãs que a seguem aonde vai, a fã-base sólida e fiel que outras colegas tem aos montes, como a Lady Gaga, por exemplo)

Pois bem, “Swish Swish” é o single promocional do “Witness”, o novo álbum da californiana (que tem essa capa bem “teoria da conspiração”), e deve ser sobre a Taylor Swift né, só pra confirmar… Mas enfim, a faixa passa longe do “pop com propósito” ou daquele treco inominável que era “Bon Appétit”: é um dance-pop que lembrou uma versão mais pesada de “Walking On Air” (que a KATY NÃO LANÇOU COMO SINGLE NA ERA PRISM, desperdício!), uma letra debochada que rememora a velha Katy de “One of The Boys” e que tem um clima menos infantil que boa parte dos singles da moça desde “Teenage Dream”. É um pop adulto, divertido, despretensioso, com uma letra fácil e cheia de shades e um bom momento da Nicki Minaj, que como rapper anda tendo um ano criativamente tenso (aquela resposta à diss da Remy Ma foi ridícula…).

Infelizmente, apesar de crescer na gente igual bolo no forno, “Swish Swish” não chega perto daquele soco no estômago de outros singles da Katy Perry – sabe, aquela sensação de OMG QUE HINO de quando a gente ouvia “Teenage Dream”, “Hot ‘n Cold” e “Dark Horse”? Tá faltando aqui e nas outras faixas que ela trouxe nessa era. E o pior é que as músicas dessa nova era poderiam ser melhor trabalhadas, ou até retrabalhada com ganchos menores, mas o resultado final infelizmente é muito aquém do que a Katy poderia oferecer como uma das maiores hitmakers da década.

nota: ⭐⭐⭐/5 de ⭐⭐⭐⭐⭐

1. “Bad Liar”, Selena Gomez

Quando a gente fala de evolução dos artistas, não é apenas evolução de imagem (mais edgy, mais madura, ou conceitual); dizemos também sobre a evolução do som deles.

Neste momento, não dá pra pensar na Selena Gomez como aquela cantora fofa do pop adolescente da banda “Selena Gomez & The Scene como a mesma pessoa que canta “Bad Liar”, lead single do seu segundo álbum solo. “Bad Liar” é um pop fresco, diferente de tudo que tá tocando por aí. É uma música única por não ser tropical house, urban, EDM, ou um derivado da Sia.

A faixa, escrita por Selena junto com os hitmakers do momento Julia Michaels e Justin Tranter, usa de forma inteligente o sample de “Psycho Killer” do Talking Heads pra criar uma história de amor meio confusa entre Selena e o boy, com estrutura meio sincopada, alguns trechos falados, gemidos bem colocados, o refrão mais grudento do primeiro semestre e uma interpretação impecável da Selena. O que é essa menina hoje, que puta intérprete! É uma artista que conhece suas limitações, sabe trabalhar com elas e o que fazer com a própria voz.

O resultado é um dos melhores singles pop do ano, que recebeu praise da Pitchfork com uma “Best New Track” e a bênção do David Byrne, vocalista e guitarrista do Talking Heads e um dos artistas mais cultuados da indústria.”Bad Liar” mostrou uma evolução grande e surpreendente (a Interscope confia mesmo na Selena, porque a música tem risco, mesmo sendo extremamente pop), e me fez ficar ainda mais curiosa com o que  ela vai oferecer na sua segunda empreitada solo.

(agora, é fato que a Selena capturou o delivery vocal TODINHO da Julia Michaels no começo da faixa né haha)

⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

Bonus track: “Strip That Down” (Liam Payne feat. Quavo)

Né… Enfim…

Zayn, Niall e Harry possuem vozes distintas e marcantes no ouvido do público comum, na hora de divulgar o material solo… Porque o Liam é lindo, mas tem o vocal tão marcante quanto um boi pastando.

Pra piorar, parece alguma coisa que o Justin Timberlake rejeitou e foi passada pelo Nick Jonas, que nem quis gravar; e ficou dentro do guarda-roupa do Justin Bieber. Que horror.

 

E você,  o que achou dos lançamentos da semana? Concorda com a ordem que eu listei aqui ou preferia outra música nas primeiras posições?

A transição inteligente de Selena Gomez em “Revival”

Cover CD Selena Gomez Revival Selena Gomez não é a melhor cantora a surgir da Disney. Com um vocal limitado e sem a potência de sua amiga Demi Lovato ou mesmo Miley Cyrus, seus álbuns anteriores junto com a banda The Scene sempre tiveram como base o dance-pop, com faixas que funcionavam bem com a voz da jovem. Trabalhos sólidos, mas ainda com aquela marca de “estrela Disney”. A transição para artista adulta começou aos poucos, com o primeiro álbum solo, “Stars Dance”, um esforço pop/dance/EDM um tanto irregular, que apesar de feito de forma inteligente, mostrando as facetas mais maduras da Selena e um pouco de sensualidade, soou datado – especialmente quando a Miley 2.0 explodiu com “Bangerz”.

Um namoro conturbado com Justin Bieber e uma série de fofocas de tabloides, além de uma carreira ainda em ascensão no cinema de alguma forma dividiram as atenções da Selena, mas a troca de gravadora e um tempo longe dos holofotes, cuidando da saúde (ela tem lúpus e passou por um tratamento) deu um senso interessante à jovem. Agora contratada pela Interscope e com mais liberdade criativa, Selena decidiu continuar a transição para artista adulta de uma forma diferente de suas peers da Disney. Enquanto Miley associou sua imagem com controvérsias, aliando as polêmicas à música (ou seja, não expondo A e cantando B) e conseguiu se desvencilhar da imagem de “estrela teen” com sucesso; e Demi ainda tateia sua imagem adulta mesmo com músicas ainda meio adolescentes; Selena segue um caminho muito particular (e inteligente) com seu novo álbum, “Revival” – ela pretende expor os dilemas de uma jovem mulher crescendo em meio a relacionamentos complicados e tentando superar os problemas que a vida apresenta. Como qualquer outra pessoa de 23 anos.

Mais detalhes no faixa-a-faixa a seguir:

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Design de um top 10 [24] O ano de Abel, parte 2

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Semana passada eu tinha comentado sobre o #1 de “Can’t Feel My Face”, do The Weeknd, e como a faixa mais importante daquele top 10 era “The Hills”, o single anterior do “Beauty Behind the Madness” – já que estava crescendo de forma consistente e poderia disputar com “What Do You Mean?” o primeiro lugar na Billboard Hot 100.
Pois é, parece que Abel Tesfaye ganhou a briga dos canadenses mais uma vez – mas com um detalhe especial: “The Hills” foi o single anterior, e com uma pegada menos comercial que CFMF, mostrando que o sucesso de The Weeknd é algo especial: os americanos abraçaram o cantor, com seu repertório meio creepy, as letras pesadas e o ar misterioso, não importando que tipo de música ele venha lançando. Contanto que seja música boa, evidentemente.
Top 10 Billboard Hot 100 (06/10/2015)
#1 The Hills – The Weeknd
#2 What Do You Mean? – Justin Bieber
#3 Can’t Feel My Face – The Weeknd
#4 Watch Me – Silentó
#5 Good For You – Selena Gomez feat A$AP Rocky
#6 Locked Away – R. City feat. Adam Levine
#7 679 – Fetty Wap feat. Remy Boyz
#8 Cheerleader – OMI
#9 Hotline Bling – Drake
#10 Lean On – Major Lazer & DJ Snake feat. MO
Substituir a si mesmo na liderança do Hot 100 não é algo comum. The Weeknd, com “The Hills” e “Can’t Feel My Face”, entra num grupo seleto de artistas que inclui os Beatles com TRÊS músicas, Boyz II Men, Usher, Ja Rule e Taylor Swift, ano passado. “The Hills” conseguiu vencer a disputa com o primeiro single do novo álbum do Bieber graças ao crescimento da faixa nas rádios (onde ainda não alcançou o peak, o que é incrível em se tratando de uma música que foi lançada antes do segundo single), onde está entre as maiores subidas (perdendo para a Taylor Swift, um monstro nesta era, e o Drake com “Hotline Bling”, que pode subir muito e entrar nessa bagunça do top 3 na próxima semana). Além disso, a faixa está em primeiro lugar nos charts de Stream e ficou em segundo lugar no Digital Charts (até a chegada do Drake, quem vinha liderando o iTunes era o próprio Bieber).
Um dos motivos pelos quais “The Hills” vem conseguindo esse sucesso absurdo, ao meu ver, diz respeito ao boost dado por “Can’t Feel My Face”, que puxou as músicas do The Weeknd lançadas anteriormente e criou uma curiosidade, uma procura, sobre o material do canadense. Como “The Hills” já estava tocando nas rádios, é uma música muito boa, já tinha audiência, as pessoas vão abraçar essa música – e considerando que o cantor já vem numa crescente de visibilidade com o público pop desde o ano passado (com “Love me Harder” e depois “Earned It agora em 2015), a faixa vai saciar a necessidade dos ouvintes que já começam a cansar de “Can’t Feel My Face”. É só a Republic deixar rolar e no tempo certo, escolher as músicas certas para lançar como próximos singles e terão uma era brilhante em mãos.
Outro destaque do chart desta semana é a menina Selena Gomez, que conseguiu o melhor peak da carreira com “Good For You” sem sair de casa para performar. A música, com o featuring do rapper A$AP Rocky, chegou a quinta posição, após duas semanas seguidas em sétimo. Selena já lançou música e vídeo do novo single, “Same Old Love” (um pop com batidas eletrônicas e uma pegadinha urban que parece vir da mesma “família” do lead-single), por isso, creio que este #5 seja o peak – afinal de contas, a música já está caindo nas rádios (com lentidão, podemos dizer). No chart digital, a faixa está em #23, enquanto SOL já aparece em #17. Apesar da divulgação nula, parece que o novo trabalho da Selena foi abraçado pelos americanos.
Agora, imagina se a moça tivesse performado num VMA ou nos principais programas de auditório americanos? Não duvido de que ela teria conseguido posições bem melhores…
Enquanto isso, outras movimentações interessantíssimas são a da tropical e gostosinha “Locked Away”, do duo R. City (ou Rock City), com um featuring delicinha do Adam Levine. O R. City é uma dupla de irmãos produtores do meio urban, que já trabalhou com gente como Sean Kingston, Rihanna, Mary J. Blige, Miley Cyrus, Nicki Minaj e até Ariana Grande, e que volta e meia lança álbuns e mixtapes. Esse single (que tem sample do clássico “Do That To Me One More Time”, do Capitain and Tenille)  subiu três posições, alcançando o peak de #6 na Billboard. A música parece seguir na mesma linha “caribenha” do hit “Cheerleader”, mas a faixa é mais romântica e agradável, me lembrando um fim de tarde com a pessoa amada, bem fim de festa (e de certa forma, fim do verão americano né). É a segunda música do Adam Levine fora do Maroon 5 a chegar ao top 10 (a outra foi “Stereo Hearts” com o Gym Class Heroes em 2011).
Já a outra movimentação do chart, desta vez bem mais marcante, foi a subida meteórica de “Hotline Bling”, do Drake. Single que até o momento ainda não sei de que material é (não tá na mixtape dele com o Future, “What a Time To Be Alive”, não parece estar no futuro álbum solo do Drake, “Views from the 6”, é música avulsa?), é promessa de mais um hit do canadense (é impressão minha ou os canadenses estão dominando os charts?) e chegou à nona colocação após pular sete posições no chart. A música é outra delicinha (um hip hop com uma pegadinha pop), e até o lançamento de “Infinity”, single promocional do One Direction, liderava o chart digital, onde subiu feito foguete no lançamento. Na semana, chegou à terceira posição no chart digital, e o sexto lugar nos charts de stream (considerando que você só pode encontrar a faixa nos serviços de stream como Apple Music e o Spotify), além de começar uma trajetória bacana nas rádios – o debut nos charts de Rádio foi na 33ª posição.
A faixa tem muito potencial, e se tiver lançamento de um vídeo bacana para aumentar as views no Youtube, pode ter um caminho mais bem sucedido que a última faixa a chegar ao top 10 do Drake, “Hold On, We’re Going Home”, em 2013. Cara, nunca pensei que iria dizer que 2013 era muito tempo.
E você? O que achou das últimas movimentações nos charts da Billboard?

Design de um top 10 [23] O ano de Abel

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Já dá pra dizer que 2015 é o ano do The Weeknd, não é? Álbum lançado em #1, quatro músicas no top 10 da Billboard, um #1 e entrada numa lista importante: a de artistas que ficaram uma semana em #1 e #2 no Hot 100 – o canadense é o décimo sexto artista a conseguir esse feito desde a criação do Hot 100, em 1958; e o décimo a fazer isso com duas músicas na qual ele é o artista principal – desde o Black Eyed Peas em 2009.

Tudo isso com os dois singles do “Beauty Behind the Madness”, já resenhado pelo blog, e que está na segunda semana em #1 na parada de álbuns da Billboard. Não dá pra negar que os americanos estão amando Abel Tesfaye.

Mas além da dominação de The Weeknd, o Hot 100 está bem diferente dos últimos meses. Finalmente as músicas vem se movimentando nos charts, após um 2015 praticamente estático, com uma ou duas músicas dominando o primeiro lugar. Parece que a própria indústria deixou pra esquentar agora no segundo semestre, e temos um ano bem diverso de canções. Qualquer estilo pode fazer sucesso.

Top 10 Billboard Hot 100 (26/09/2015)

1. Can’t Feel My Face – The Weeknd
2. The Hills – The Weeknd
3. What Do You Mean? – Justin Bieber
4. Watch Me (Whip / Nae Nae)  – Silentó
5. Cheerleader – OMI
6. Lean On – Major Lazer & DJ Snake feat. MO
7. Good For You = – Selena Gomez feat. A$AP Rocky
8. 679 – Fetty Wap feat. Remy Boyz
9. Locked Away – R.City feat. Adam Levine
10. Photograph – Ed Sheeran

Liderando por três semanas não consecutivas o Hot 100 da Billboard, The Weeknd tirou do topo Justin Bieber, que tinha conseguido o topo na última semana com “What do You Mean?” após uma estreia hypadíssima e vendas digitais bem altas. Mas “Can’t Feel My Face” voltou ao topo especialmente pela força da música nas rádios (ainda lidera o chart específico) e ao acumulado nos charts de Streaming e digital. A música do Bieber ainda é a mais vendida no chart digital, mas a audiência nas rádios não foi o suficiente para manter o #1. (atualmente, a faixa está em 15º na parada das rádios. )

Mas o elemento mais importante do top 10 hoje é o segundo lugar, “The Hills”. O single anterior do BBTM demorou pra fazer sucesso, mas agora está subindo de forma consistente nas rádios e no chart digital. Enquanto “Can’t Feel My Face” chegou ao peak, TH ainda tem muito o que crescer – e ser o rival de “What do you Mean” na disputa pelo #1 na Billboard (porque com a divulgação massiva que o Scooter Braun está preparando para o Bieber, a expectativa é de que a faixa suba ainda mais – porque a trajetória mal começou. E a força do Bieber estará nos streams, com os fãs assistindo ao clipe e ouvindo a música no Spotify).

Enquanto isso, em notícias de rivalidades, nem toda a promoção e apresentações de Demi Lovato estão fazendo com que o primeiro single do álbum “Confident”, “Cool for The Summer”, consiga o top 10. O peak até agora foi de #11, e com a música perdendo o timing, é melhor a Demi correr com o segundo single. Já sua ex-ex-melhor amiga Selena Gomez, que mal sai de casa para se apresentar, continua mais uma semana em sétimo lugar com “Good For You”. A faixa chegou ao topo da Pop Songs da Billboard e ainda tem fôlego nas rádios. Já o segundo single, “Same Old Love”, já começa a fazer sua trajetória nas rádios americanas. Impressionante como os americanos aceitaram bem mais a música da Selena, bem menos “legal para o verão” e com nenhuma divulgação a não ser os dois vídeos e capas de revista. Não sei qual é o plano da Interscope, mas se a moça continuar entregando materiais tão interessantes quanto os dois primeiros singles, pode continuar só acompanhando a Taylor Swift nas premiações que tá ótimo 😉

O que você achou das movimentações dos charts esta semana? Qual a sua música preferida deste top 10?

Onde foi parar a Disney Star que estava aqui? “Good For You”, Selena Gomez feat. A$AP Rocky

A Disney já deu ao mundo várias estrelas, desde os participantes do Clube do Mickey até os atores/cantores que protagonizam seus seriados voltados ao público infantojuvenil. O fato é que após o sucesso da geração de Hilary Duff e Lindsay Lohan, as estrelas da Disney que conseguiram carreiras dignas de registro foram o trio Miley Cyrus-Selena Gomez-Demi Lovato.

Mas as adolescentes crescem e têm que enfrentar as agruras de uma indústria cada vez mais sedenta pelo novo – e enquanto Miley, após dois álbuns irregulares sob o crivo da Hollywood Records, se reinventou com o “Bangerz” e se dissociou da imagem que tinha na Disney, as suas amigas de emissora lutam para descolar do rótulo teen. Enquanto Demi Lovato ainda procura uma identidade própria, em meio a álbuns problemáticos e músicas de apelo juvenil, Selena Gomez – que já tinha mostrado um material bem sólido (mesmo direcionado aos adolescentes) com a banda The Scene, e se lançado como artista solo com o “Stars Dance”, um álbum até bom, mas que se fosse lançado dois anos antes faria mais barulho – começou a dar mostras de maturidade com o single “The Heart Wants What it Wants”, da sua coletânea que encerrou o contrato com a Hollywood. Uma midtempo pop madura e competente, com uma letra pessoal e o uso adequado de sua voz, que possui limitações.

Agora, nova contratada da Interscope, Selena parece disposta a tirar de vez o rótulo de “artista teen” e entrar no jogo dos tronos da música pop com o primeiro single de seu novo álbum solo, a sensual “Good For You”.

Misturando pop e um pouco de urban, tem uma ambientação bem misteriosa, com os vocais da Selena bem etéreos, utilizados novamente de forma orgânica e bem colocados (ótima produção). A letra é isso mesmo que você está pensando, um convite para o sexo, e as batidas acompanham o pedido sexy da Selena de uma forma que quando acaba a música, você começa a perguntar cadê seu namorado e a barra de pole dance. Porque a música é da linha fuck music mesmo. O rap do A$AP está no local certo, e tem uma quebra bem gostosa dela cantando para os versos dele, com direito a gemidos na segunda parte do rap.

O refrão não é instantâneo, mas quanto mais você ouve, mais fica na sua cabeça. No geral, “Good For You” não é catchy de primeira, mas é grower as fuck, e uma jogada arriscada da Selena em lançar um primeiro single com esse tempo – já que não é uma uptempo quebração urban ou uma farofa de verão. É uma música mais suave, menos energética; mas isso não significa que a faixa não seja comercial. Pelo contrário, tem muito potencial. Como a música será lançada dia 22 oficialmente e o vídeo no dia 23, já vai aproveitar os streamings e o início das vendas digitais, e com a base sólida de fãs vindos da Disney para sustentar esse lançamento, acho que “Good For You” tem chance de estourar logo nas primeiras semanas. Os próximos passos serão conquistar o público que ainda a vê como Disney Star (ou a ex-namorada do Justin Bieber) e mostrar que é artista adulta. E essa faixa oferece à Selena muito mais possibilidades de se mostrar como uma estrela pop A-list competitiva do que uma “Come and Get It”, por exemplo.

Por fim, Selena Gomez se mostra numa lógica diferente de suas peers. Enquanto Miley aparentemente quer misturar o urban e o hip hop com o pop e empacotar tudo isso em seu pacote de polêmicas (as quais ela consegue lidar com segurança, já que Miley sempre corre risco de se tornar uma caricatura mas consegue de alguma forma virar o jogo em relação à imagem que vem construindo), Selena tem sua dose de controvérsias, só que apenas inclui esses elementos como parte de uma personalidade mais “múltipla” (já que ela precisa agradar a dois públicos, por também ser atriz), e a sua música seria um elemento a mais dessa personalidade (tentando explicar melhor, ao contrário da Miley, que vende sua música e sua imagem de forma intercambiáveis – ou seja, música e imagem caminham juntas – Selena consegue dividir essas duas imagens como se a imagem que ela vende musicalmente não seja a mesma que ela vende para lançar seu próximo filme.), que é menos agressiva e contundente. Já Demi Lovato ainda procura algo que a possa diferenciar de suas amigas da Disney e se firmar no mundo pop.

É bom correr, porque o passo da Selena foi muito largo – e muito bom, pela primeira ouvida.

 

Design de Um Top 10 [10] Com um número fechado, vem novas responsabilidades

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Chegamos à décima edição do “Design de um Top 10”! Jamais pensei que essa série teria futuro no blog (por conta de minha natureza proteladora), mas estou muito feliz em ter conseguido manter o “Design” ativo desde que o “Duas Tintas de Música” foi criado. Por isso, esta edição #10 tem uma pequena novidade: além dos textos curtos sobre os singles de destaque da semana, também teremos o vídeo das músicas pra você entender porque essas faixas chegaram aonde estão na Billboard.

Mas primeiro, confira o Top 10 do Hot 100, que conta com novos moradores, boas mexidas e um #1 que promete morar no topo.

Top 10 Billboard Hot 100 (13/12/2014)

1. Blank Space – Taylor Swift
2. All About That Bass – Meghan Trainor
3. Take Me to Church – Hozier
4. Shake It Off – Taylor Swift
5. Animals – Maroon 5
6. The Heart Wants What It Wants – Selena Gomez
7. I’m Not the Only One – Sam Smith
8. Uptown Funk – Mark Ronson feat. Bruno Mars +9
9. Habits (Stay High) – Tove Lo
10. Love Me Harder – Ariana Grande & The Weeknd

Taylor Swift continua dominando as paradas com o segundo single do “1989”, a ótima “Blank Space”. Apesar de não ter os streams do Spotify no sustento da música, as visualizações do Youtube já ajudam bastante no streaming. Sem contar a primeira posição no iTunes, de onde não sai nem por decreto; e das rádios, onde apresenta as maiores subidas.

Mas Taylor é a pessoa do momento, a gente já falou demais dela; hora de destacar outros três singles que estão com ótimo desempenho na Billboard…

Hozier“Take Me to Church” – Hozier

Um morador já conhecido do top 10 da Billboard é o irlandês Hozier, que manteve a terceira posição com a faixa que o apresentou à América, “Take Me To Church”, uma midtempo rock com uma pegada melancólica e uma letra que fala de um amor extremamente dependente (e talvez nocivo?) mas que o eu-lírico não tem a menor intenção de se desprender dele. É sempre uma surpresa ver os ouvintes americanos, que gostam de coisas conhecidas e familiares, abraçarem de forma tão aberta uma faixa longe do pop mais palatável. Tem um tempinho que uma faixa rock chegou ao top 10, né? Mas a época é perfeita para isso: esse tipo de música é bem típica da época, mais própria a aceitar baladas e midtempos que faixas mais up (apesar de termos alguns exemplares aqui que fogem a regra). Por isso, o sucesso da faixa faz parte de uma tendência – mas é inegável que a música é muito boa. Boa não, espetacular. Fiquei completamente hipnotizada pela música e a letra é insana, cheia de metáforas sobre religiosidade e amor tóxico. Por isso que tem muito crítico apostando na música como uma surpresa no Grammy 2015 (apesar de ter sido lançada na Irlanda em Setembro de 2013, a música foi lançada nos EUA em Junho, dentro do período de eligibilidade.) tanto como música como possivelmente o clipe, que tem um alto nível de tensão.

Confira aqui:

Selena Gomez“The Heart Wants What It Wants” – Selena Gomez

Selena Gomez lançou a primeira compilação de sucessos da carreira, “For You”, como parte do encerramento do contrato com a carne de pescoço gravadora Hollywood Records. Para coroar a nova fase da ex-Disney, ex-namorada de Jusitin Bieber e nova contratada da Interscope (mesma gravadora de Eminem e Lady Gaga), Selena lançou a música que promete ser a baladinha de final de ano, “The Heart Wants What It Wants“, que aproveitou uma apresentação visualmente impecável e emocionante no American Music Awards para crescer como um foguete no iTunes. Amparada pelas rádios, a faixa (que aparentemente fala da relação dela com Bieber) subiu 14 posições na Billboard, chegando à sexta posição. É o melhor pico da cantora nos charts, empatado com “Come & Get It”, do primeiro álbum solo. A boa repercussão da música, acompanhada por um clipe em preto-e-branco revelador, além da estabilidade de “The Heart Wants What It Wants” tanto nas rádios, no chart digital e nos streams, prometem uma trajetória bem sucedida do single para Selena, e uma maneira impecável de 1. sair com um bom resultado da antiga gravadora; 2. preparar uma imagem madura para a nova empreitada.

E o clipe mostra um pouquinho dessa nova imagem, que promete.

???????????“Uptown Funk” – Mark Ronson feat. Bruno Mars

Outro mais novo morador do top 10 foge um pouquinho do conceito “balada triste de fim de ano” – está mais para um hit poderoso de verão, mas “Uptown Funk” é o primeiro single de “Uptown Special”, novo álbum do produtor Mark Ronson, que chamou seu parceiro musical Bruno Mars (os dois trabalharam juntos no segundo álbum do havaiano, “Unorthodox Jukebox”) e a faixa já nasceu como hit. A música é grudenta, bem produzida, tem uma pegada forte anos 70 com frescor atual e conta com um dos produtores mais consagrados da música atual + um dos reis das rádios americanas. Por isso, a música, que foi lançada nas rádios com grande aceitação, ainda não saiu do top 10 do iTunes e é uma das mais ouvidas no Viral 50 do Spotify. Beneficiada por uma apresentação brilhante no Saturday Night Live (onde Mark e Bruno apresentaram outra faixa do novo álbum, a James-Brown-inspired “Feel Right”, com vocais do rapper Mystikal), a música subiu nove posições na Billboard e conta o primeiro top 10 de Ronson como artista, e o terceiro como produtor (as outras duas oportunidades com “Rehab”, da Amy Winehouse, em 2007; e “Locked Out Of Heaven”, do Bruno Mars, em 2012 e 2013). Já para Bruno, um habitué do top 10, é a 12ª entrada dele por lá, empatando com outra hitmaker, Rihanna.

O clipe da música já foi lançado, e é tão cool quanto a música. A gente já falou do vídeo por aqui, mas não há problema em ver de novo 😉

E você? O que achou do top 10 da Billboard essa semana?

Vencedores e performances do American Music Awards 2014

Na noite de domingo aconteceu uma das premiações mais importantes da música americana, o American Music Awards. Criado como uma resposta da ABC ao Grammy, atualmente é conhecido pela série de performances marcantes e por dar uma bela ajuda no desempenho dos artistas nas vendas digitais.

E ontem, a situação não foi diferente: os artistas que se apresentaram no AMA já sentem no iTunes os efeitos de suas apresentações: Selena Gomez, Fergie, Taylor Swift são apenas algumas das artistas que ganharam apoio após suas performances na premiação.

Mas existe uma premiação nisso tudo, e uma premiação tradicional – que já consagrou nomes como Michael Jackson e Whitney Houston. Por isso, antes de mostrar os destaques, hora de falar dos vencedores…

Artista do Ano
One Direction
Iggy Azalea
Beyonce
Luke Bryan
Katy Perry

Artista Revelação
5 Seconds of Summer
Iggy Azalea
Bastille
Sam Smith
Meghan Trainor

Artista Masculino de Pop/Rock
Sam Smith 
John Legend
Pharrell Williams

Artista Feminina de Pop/Rock
Katy Perry 
Iggy Azalea
Lorde

Banda/Duo de Pop/Rock
Imagine Dragons
One Direction
OneRepublic

Álbum de Pop/Rock
Pure Heroine – Lorde
Midnight Memories – One Direction
Prism – Katy Perry

Arista Masculino de Country
Jason Aldean
Luke Bryan
Blake Shelton

Artista Feminina de Country
Miranda Lambert
Kacey Musgraves
Carrie Underwood

Arista de Rap/Hip Hop
Iggy Azalea
Drake
Eminem

Single of the Year
“Fancy” – Iggy Azalea feat. Charli XCX
“All of Me” – John Legend
“Rude” – Magic!
“Dark Horse” – Katy Perry feat. Juicy J
“Happy” – Pharrell Williams

Prêmio Especial Dick ClarkTaylor Swift

(LISTA COMPLETA)

Agora vamos mostrar alguns destaques da noite de ontem, como a primeira apresentação para a TV americana de “Booty”, o sexy single de Jennifer Lopez que ganhou um remix-pra-hitar com Iggy Azalea, que levou dois AMAs pra cara (Artista de Hip Hop e Álbum de Hip Hop). A apresentação recebeu certa dose de preocupação por parte da ABC, uma TV conhecida por ser “família”, e aparentemente, a dupla recebeu o recado. Cheio de luzes e imagens que apareciam pelo corpo da dupla, a performance mais sugeriu que mostrou, e com direito a remix-do-remix cheio de latinidade, J-Lo mostrou porque ainda coloca muitas novinhas no chinelo.

Sam Smith continuou sua dominação cantando “I’m Not The Only One”, uma das highlights do seu álbum cheio de highlights, “In The Lonely Hour”. O britânico foi acompanhado por A.$.A.P. Rocky (e um imenso cachecol) na apresentação, a mais classuda da noite. E esse vocal, hein? Qualidade de estúdio!

Ariana Grande vem tendo um grande ano; e para coroar, claro que a neodiva fez uma apresentação incrível. Vocais on point (apesar da dicção esquisita) e versões mais intimista de “Problem” e “Break Free”, encerrando com o dueto com The Weeknd, “Love Me Harder”, e a química explodindo na tela. (aliás, só eu achei o áudio do microfone dos dois bem mais alto que o da banda?)

Outra que surpreendeu todo mundo foi Selena Gomez. Mostrando controle vocal e uma performance sentimental, com direito a imagens fortes e melancólicas ao fundo, a cantora fez talvez a performance mais instigante e emocionada da noite – afinal de contas, não é o que se espera de Selena Gomez baladinha triste e autobiográfica de fim de ano. No entanto, “Heart Wants What It Wants” é a baladinha de fim de ano, e composta pela própria Selena, mostra uma maturidade admirável sobre a sua relação com Justin Bieber.

Lorde maravilhosa arrasou com “Yellow Flicker Beat”, da trilha sonora de “A Esperança – Parte 1”, mostrando que, mesmo amiga das famosas e com todos os olhos em torno dela, continua a mesma artista que conquistou todo mundo com seu jeito fora dos padrões. Esquisito para muitos, único para vários. Talvez a performance mais artística da noite. (com direito a retirada do batom roxo dos lábios)

E a Taylor Swift que abriu a premiação com uma versão hiperbolizada do vídeo de “Blank Space”? Dá pra sentir um playback no ar, mas a performance super teatral divertiu e serviu como uma boa abertura para o AMA. Mas a performance de T-Swift foi bem melhor na plateia, dançando e cantando como se houvesse amanhã”! 😉 essa é a Taylor que amamos!

Outros artistas que se apresentaram no AMA foram Fergie, Imagine Dragons, MAGIC! com Wyclef Jean, e One Direction

E você, o que achou do American Music Awards este ano? Aprovou os premiados?