Muita calma antes de falar mal de “Witness”

Ultimamente, falar mal da Katy Perry virou esporte mundial. Seja pelos singles lançados não fazerem muito sentido com o que ela tinha prometido no começo da era (de “pop com propósito” a “Swish Swish” é um caminho bem tortuoso), declarações ruins (como aquela “piada” com referência à Brtiney que foi de péssimo gosto), parceria com rappers acusados de homofobia (os Migos, em “Bon Appetit“) e outros artigos criticando a Katy que oscilam entre apontar erros válidos e perseguição sem muito sentido (já que a mídia adora derrubar quem costuma erguer), Katy é o alvo da vez, e para completar, os singles lançados não foram exatamente os sucessos que todos esperavam.

Mesmo trabalhando com hitmakers (Max Martin, Shellback, Ali Payami, Sia) e nomes mais alternativos (como os grupos Purity Ring e Hot Chip) em seu novo álbum, “Witness“, o que todos vem comentando em fóruns e resenhas dos grandes jornais é em como o álbum é uma “bomba”, “sem graça”, “Katy não cresceu”, que o som é ruim etc. Mas será que o CD é realmente essa napalm que estão todos dizendo ou já existe uma má vontade gratuita por causa de todo o backlash (merecido ou não) que a moça vem recebendo?

O que eu posso dizer é: CALMA JOVEM. E olha que eu fui com a pior expectativa possível pra esse álbum

Antes de mais nada, quem já ouviu todos os CDs da Katy Perry, sabe que eles são obras bem irregulares, porque elas tem bons singles mesclados com fillers às vezes ofensivos – tente passar incólume pela segunda parte do “PRISM” que é uma snoozefest. Mas o segredo dos álbuns da moça sempre foi: apesar da irregularidade, sempre teve uma penca de músicas fortes para serem single que ancoram a audição porque estão bem localizados dentro do álbum (em “One of the Boys”, os singles e/ou músicas com potencial estão na primeira parte do CD; o “Teenage Dream” é quase um Greatest Hits, nem dá pra estabelecer uma comparação; e o “PRISM” também coloca os singles e/ou faixas com potencial na primeira parte do CD. Tanto que você até “engole” os fillers porque passou por algo bem bacana antes). Já no “Witness” as músicas boas estão espalhadas num mar de fillers num CD que dura tempo demais e tem músicas demais.

Há um conceito pelo CD que a Katy busca, mas nem sempre dá certo. Entende-se que ela discuta aqui e ali, com letras mais maduras, assuntos sobre relacionamentos, empoderamento, autoestima e questões políticas, mas o que a gente pode perceber é que a musicalidade do álbum tem um diferencial mais palpável: o dance-pop não parece tão teen oriented, há uma memória meio retrô em algumas faixas, mas no final não sai muito dessa evocação. Mesmo assim, há muitas ideias bem realizadas, como em “Witness”, a faixa título onde o hype faz todo sentido. A letra é no ponto, a ambientação, é agradável e gostosa, um dance-pop maduro. Outras músicas que são ótimas ideias bem executadas e que indicariam um caminho interessante (um dance 80’s retrô que funcionaria bem com as letras românticas e reflexivas) são “Roulette”, com o synthzinho super bacana e tem bastante potencial; “Miss You More” (que aparentemente é sobre o John Mayer), a melhor baladinha do CD, onde a interpretação vocal da Katy, com os graves do refrão, está no ponto e muito bonita; “Bigger than Me” (inspirada na derrota da Hillary Clinton na eleição do ano passado), uma faixa gostosinha com o refrão fácil que poderia muito bem ser o último single do álbum; e a sensacional “Pendulum”, com o coral gospel ao fundo, o acompanhamento das palminhas, a pegada R&B com algo oitentista (gente, cadê meu CD anos 80 dona Katheryn?), tem até um groovinho de guitarra, uma música ótima que merecia fechar fácil o CD num clima bem up.

(não acredito que Katy Perry inventou a música gospel bicho)

(curiosamente, os singles do CD, que exceto por “Chained” não vendem o conceito do “Witness” AT ALL, estão bem localizados na tracklist, exceto “Bon Appetit”, uma anomalia que não faz sentido em lugar algum, mas que estranhamente cresce a cada ouvida)

Em outras músicas, como a medonha “Hey Hey Hey”, a letra parece ter sido escrita por uma menina revoltada de 14 anos (e considerando que essa música vem LOGO após “Witness”, nada faz sentido). Pior que a melodia não é ruim (umas guitarras dariam um ar bem rock ‘n roll), mas a letra é uma vergonha gente. Sem contar as fillers como “Dejà Vú”, “Save as Draft” (com o verso You don’t have to subtweet me que está me deixando envergonhada só em ler), “Tsunami”, e até “Mind Maze”, com a ótima letra sobre se perder dentro dos próprios problemas desperdiçada numa melodia entediante.

Mas se você perceber, nenhuma das músicas que tem potencial de single são faixas que gritam HIT SMASH CHART MONSTER. São faixas agradáveis, bem feitas, com boas letras, que dão substância e coerência ao CD, e que podem render sim; mas o que foi lançado não vende nada do CD – o que cria a impressão de que a Katy não “evoluiu” tampouco as músicas são “maduras”. As faixas são boas e interessantes, mas ainda tem o problema da tracklist cagada em que duas músicas parecidas estão juntas (“Mind Maze” e “Miss You More”), duas músicas se anulam completamente em ideias (“Witness” e “Hey Hey Hey”), músicas boas sendo seguidas por grandes porcarias (“Chained” e “Tsunami”) e ainda encerra numa bela snoozefest (“Into Me You Se”) quando poderia terminar lá em cima.

(resumindo o problema da tracklist: quando você tem muito filler e pouca música com pinta de hit, tem que fazer um bom corte final e deixar as faixas fortes juntas, ancorando a audição 😉 )

Em resumo, “Witness” é um CD de ótimas ideias e uma condução mais reflexiva e madura que se perde numa tracklist confusa, faixas sem sentido e uma péssima escolha de single. Se Katy e a Capital eu fosse, seria dessa forma que lançaria o CD:

E você, qual a sua opinião sobre “Witness”? É bomba ou não é bem assim?

 

 

 

 

 

Vencedores e perdedores de 2017 [primeiro semestre]

O ano de 2017 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop – especialmente quando estamos num dos anos mais curiosos dentro do mainstream: com a ascensão quase dominante dos streams como determinante para o sucesso de uma faixa (ou de um estilo), muitos artistas e gêneros estão padecendo para se inserir numa nova cultura de consumo – e atingir o público que lá está, enquanto outros conseguiram o segredo para um hit, um viral, e execuções certeiras no Spotify.

Ao mesmo tempo em que veteranos e novatos lutam para entender e se adequarem à nova ordem da indústria, podemos dizer que a “guerra dos sexos” dentro do mundo pop hoje está com os homens ganhando de goleada. Eles estão com os álbuns mais bem recebidos, singles de sucesso e parcerias que deram certo – além dos gêneros que dominam as rádios e streams atualmente serem justamente aqueles onde os male acts dominam. E o pop, que durante toda a primeira metade da década foi uma festa feminina, hoje se tornou um clube do Bolinha.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2017, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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Lançamentos da semana: do pior para o melhor

Essa quinta-e-sexta-feira teve uma quantidade tão grande de lançamentos pop que a gente tem até que respirar em pensar quais são as músicas e que artistas lançaram alguma coisa. Mas eu decidi juntar tudo num post só, com o velho combo de singles, só que com um diferencial: do pior material lançado até a melhor música divulgada neste fim de semana.

Esse é o meu top 4, veremos se será parecido com o de vocês 😉

4. “Switch”, Iggy Azalea feat. Anitta

Um dia a Iggy foi uma rapper ascendente com um som bacana, e que prometia ser a grande revelação na cena, a julgar pelas antigas mixtapes. O “The New Classic”, primeiro CD, foi aquele rap para neófitos, mais pop que qualquer outra coisa, que apesar do sucesso, não se converteu depois numa segunda era bem sucedida – pelo contrário, depois daquele CD, a queda da australiana foi uma das coisas mais rápidas e frenéticas já vista na popsfera.

Atualmente a mulher ainda está tentando lançar alguma coisa para o segundo CD, “Digital Distortion”, e até agora o que eu tenho consciência que foi single mesmo foi “Team“, que teve uma certa divulgação e algum buzz. O resto foi lançado daquele jeito, e nada foi tão interessante. Pra completar, todo single que a Iggy vinha apresentando parecia sem sal, sem apelo; e pior – agora com “Switch”, sem personalidade alguma.

Esse ritmo tropical já cansado, essa música batida, a Iggy cantando por cima do featuring … Aliás, Anitta foi desperdiçadíssima na faixa: parece uma backing vocal qualquer e o vocal ficou abafado por tanta camada e efeito que eu só percebi que era ela mesmo porque o timbre, mesmo em inglês (um bom inglês até), se sobressaiu. Mas sinceramente, se colocassem a Iggy com autotune no lugar não fazia diferença alguma.

Para a brasileira, o featuring valeu a pena para apresentá-la ao mercado americano de uma forma mais “oficial” (mesmo que o nome dela já esteja rodando aqui e ali, em matérias da Billboard e interações com artistas no twitter e no instagram), mas pra Iggy Azalea, é mais uma oportunidade desperdiçada numa música que é bem ruinzinha e esquecível.

(curiosamente, a parte mais marcante pra mim foi o pré-refrão da Anitta. A única coisa que tá na minha cabeça até agora de “Switch”)

nota: ⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Crying on the Cheap Thrills of You”, Camila Cabello

Quando você sai em carreira solo de uma boyband/girlband, onde geralmente as canções eram bem polidas e produzidas para gerar uma sonoridade generalista (pra não dizer outra palavra) e puxada para o público jovem, o que se espera é que o artista em questão mostre o motivo pelo qual ele ou ela se sentiu pronto/a para dar o jump e mostrar “identidade musical”. O Zayn, com o “Mind of Mine”, fez isso – quem imaginava que o menino do One Direction lançaria aquele petardo de álbum alt-R&B todo moody e misterioso?

Pois bem, depois de ver o vídeo de “Crying on the Club”, da Camila Cabello, duas coisas ficaram na minha mente. Uma é: alguém cancela a Sia, porque essa música é mais um derivado da fórmula “Cheap Thrills”/”The Greatest”, e pior, a faixa me lembra “Shape of You”, ou seja, música mais genérica não há! Pra piorar a situação, o delivery vocal da Camila tá muito parecido com o da Rihanna (como todas as últimas 1500 pop starlets tentam fazer – e a Pitchfork pontuou muito bem recentemente). Zero personalidade numa música que mesmo grudenta, é bem safe, bem “o que tá tocando por aí.

Aí a cidadã me lança um clipe (chatérrimo, aliás), onde a intro é com uma midtempo pop mega dramática, com um letrão daqueles, os vocais impecáveis; pra combar com “Cheap Thrills parte 3”. Quem é a gravadora da Cabello, minha gente, que não colocou “I Have Questions” de lead? Isso seria um tapa na cara maravilhoso de quem acha que a menina não tem identidade musical!

(btw, a melhor coisa de “Crying on the Shape of the Club” é o sample de “Genie on the Bottle” haha)

nota: ⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Swish Swish”, Katy Perry feat. Nicki Minaj

Primeiramente, mais uma música da Katy que não aconteceu, né? Eu tô impressionada com a era dela, porque nada deu certo – até mesmo o vídeo de “Bon Appétit”, que fez um barulho nas redes sociais, não ajudou no desempenho da faixa nos charts. Daqui a pouco a mulher lança o álbum e a gente só vai ouvir a imprensa caindo em cima e o público realmente desinteressado na Katy.

(ou seja, ela nunca conseguiu firmar uma base de fãs que a seguem aonde vai, a fã-base sólida e fiel que outras colegas tem aos montes, como a Lady Gaga, por exemplo)

Pois bem, “Swish Swish” é o single promocional do “Witness”, o novo álbum da californiana (que tem essa capa bem “teoria da conspiração”), e deve ser sobre a Taylor Swift né, só pra confirmar… Mas enfim, a faixa passa longe do “pop com propósito” ou daquele treco inominável que era “Bon Appétit”: é um dance-pop que lembrou uma versão mais pesada de “Walking On Air” (que a KATY NÃO LANÇOU COMO SINGLE NA ERA PRISM, desperdício!), uma letra debochada que rememora a velha Katy de “One of The Boys” e que tem um clima menos infantil que boa parte dos singles da moça desde “Teenage Dream”. É um pop adulto, divertido, despretensioso, com uma letra fácil e cheia de shades e um bom momento da Nicki Minaj, que como rapper anda tendo um ano criativamente tenso (aquela resposta à diss da Remy Ma foi ridícula…).

Infelizmente, apesar de crescer na gente igual bolo no forno, “Swish Swish” não chega perto daquele soco no estômago de outros singles da Katy Perry – sabe, aquela sensação de OMG QUE HINO de quando a gente ouvia “Teenage Dream”, “Hot ‘n Cold” e “Dark Horse”? Tá faltando aqui e nas outras faixas que ela trouxe nessa era. E o pior é que as músicas dessa nova era poderiam ser melhor trabalhadas, ou até retrabalhada com ganchos menores, mas o resultado final infelizmente é muito aquém do que a Katy poderia oferecer como uma das maiores hitmakers da década.

nota: ⭐⭐⭐/5 de ⭐⭐⭐⭐⭐

1. “Bad Liar”, Selena Gomez

Quando a gente fala de evolução dos artistas, não é apenas evolução de imagem (mais edgy, mais madura, ou conceitual); dizemos também sobre a evolução do som deles.

Neste momento, não dá pra pensar na Selena Gomez como aquela cantora fofa do pop adolescente da banda “Selena Gomez & The Scene como a mesma pessoa que canta “Bad Liar”, lead single do seu segundo álbum solo. “Bad Liar” é um pop fresco, diferente de tudo que tá tocando por aí. É uma música única por não ser tropical house, urban, EDM, ou um derivado da Sia.

A faixa, escrita por Selena junto com os hitmakers do momento Julia Michaels e Justin Tranter, usa de forma inteligente o sample de “Psycho Killer” do Talking Heads pra criar uma história de amor meio confusa entre Selena e o boy, com estrutura meio sincopada, alguns trechos falados, gemidos bem colocados, o refrão mais grudento do primeiro semestre e uma interpretação impecável da Selena. O que é essa menina hoje, que puta intérprete! É uma artista que conhece suas limitações, sabe trabalhar com elas e o que fazer com a própria voz.

O resultado é um dos melhores singles pop do ano, que recebeu praise da Pitchfork com uma “Best New Track” e a bênção do David Byrne, vocalista e guitarrista do Talking Heads e um dos artistas mais cultuados da indústria.”Bad Liar” mostrou uma evolução grande e surpreendente (a Interscope confia mesmo na Selena, porque a música tem risco, mesmo sendo extremamente pop), e me fez ficar ainda mais curiosa com o que  ela vai oferecer na sua segunda empreitada solo.

(agora, é fato que a Selena capturou o delivery vocal TODINHO da Julia Michaels no começo da faixa né haha)

⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

Bonus track: “Strip That Down” (Liam Payne feat. Quavo)

Né… Enfim…

Zayn, Niall e Harry possuem vozes distintas e marcantes no ouvido do público comum, na hora de divulgar o material solo… Porque o Liam é lindo, mas tem o vocal tão marcante quanto um boi pastando.

Pra piorar, parece alguma coisa que o Justin Timberlake rejeitou e foi passada pelo Nick Jonas, que nem quis gravar; e ficou dentro do guarda-roupa do Justin Bieber. Que horror.

 

E você,  o que achou dos lançamentos da semana? Concorda com a ordem que eu listei aqui ou preferia outra música nas primeiras posições?

Por que “Chained to the Rhythm” não aconteceu?

“Mas Marina”, você deve estar questionando, “a música tá no top 5 do iTunes, ainda tem lenha pra queimar”… 

Antes de mais nada, esse post tem mais perguntas que respostas, e que vocês podem ir questionando e lançando suas teorias aos poucos. Na verdade, eu até tenho umas hipóteses sobre o desempenho apagado do first single do novo álbum da Katy Perry (ainda sem nome), “Chained to The Rhythm”, uma faixa que aparentemente representaria um novo momento na carreira da californiana – um pop além do som comercial e criticado por soar infantil; um pop com “propósito”, mais “politizado”.

Mas no fim, minhas hipóteses são puramente chutologia. Hora de entender o que aparentemente deu errado, quais foram as razões, e se ainda há alguma chance para Katy.

O último CD da Katy foi lançado em 2013, “PRISM”. De lá pra cá, dois singles #1, alguns top 10, uma turnê bem sucedida e um Halftime Show bem recebido depois, a moça deu uma bela sumida, aparecendo apenas no ano passado, no período da Olimpíada, para lançar o single olímpico para as transmissões da NBC, “Rise”. Inicialmente, seria apenas mais uma música para divulgar os Jogos do Rio (SDDS Olimpíadas), mas aparentemente, a Capitol tratou como um lançamento sério, com direito a exclusividade na Apple Music (o que no fim afetou o desempenho da faixa no Spotify, e por consequência, nos streamings em geral), assim como uma apresentação bem bacana na Convenção Democrata pra escolha da Hillary Clinton como candidata à presidência dos EUA. Além disso, “Rise” ainda contou com um vídeo bem produzido (além do clipe feito pela BBC com momentos de atletas de competições passadas), ou seja, para muitos, foi tratado como um single.

E muita gente acreditou que “Rise” era um “balão de ensaio” da gravadora pra ver como a Katy se sairia com um single mais grandiloquente e menos óbvio.

No entanto, se a Katy tivesse deixado a faixa viver a vidinha dela sendo só “Olympic Anthem”, okay. Mas creio que “Rise” matou muito do buzz da californiana para o verdadeiro comeback. Uma música que ninguém entendeu direito se poderia ser tratado como single ou apenas uma música olímpica, e que acabou tirando aquele caráter de “surpresa” que uma volta da Katy proporcionaria.

Mas… E se a Katy não tivesse lançado “Rise”? Se ela tivesse lançado o comeback single em 2016, tempo suficiente para manter o buzz e não ser esquecida? Olha quantas coisas aconteceram, olha a leva de pop acts chegando (Zara, Dua Lipa, Anne Marie, a Camila Cabello, Alessia Cara). Porque você sabe, a Katy não é uma artista de massa – ela depende de uma fã-base, fã-base essa sempre jovem e adolescente. Com uma demora nos lançamentos, ela perde terreno para acts mais jovens e fresh no pop (a lista tá lá em cima); e você sabe, adolescentes um dia crescem. Nem pra fazer um featuring nesse meio tempo pro pessoal ainda lembrar a existência.

O caso em comparação aqui para entender o erro da Katy em relação ao timing (e que vou repetir algumas vezes na discussão) é o do Bruno Mars – outro hitmaker que demorou para fazer o comeback (quatro anos, pense bem). Só que 1. o homem apareceu em todo canto quando “sumiu” (“Uptown Funk” OI, aquele Halftime dele e da Beyoncé), então ele não estava necessariamente desaparecido numa caverna; 2. o principal: a fã-base é diferente. Por mais que não seja um grande vendedor de discos na primeira semana, os CDs estabilizam muito as vendas e os dois primeiros CDs do Bruno tem grande vendagem no fim das contas. O homem é artista do povão – ele atinge de criança a velho, todos os gêneros e raças. A Katy precisa do público jovem, e os jovens são volúveis. Se demorar muito, eles te esquecem.

 

Primeiro single de um comeback esperado? Tem que fazer a rota das rádios, especialmente quando o single não é fácil – logo vou explicar a razão. Tem que fazer pelo menos um talk show, cantar na Ellen, no Jimmy Fallon, na final do The Voice. Eu sei que as A-Lists estão largando de mão a divulgação, mas a Katy sempre foi uma artista que divulgou, sempre deu sangue pelas músicas, especialmente pelo material ser extremamente comercial. Pior que a Katy não é uma grande performer, então com divulgações muito esparsas (Grammy e iHeart Radio Awards, nos EUA; e o BRIT Awards na Inglaterra), fica difícil a música acontecer também. A cada performance, a faixa pelo menos ficaria na cabeça das pessoas e dava pra sugar até virar bagaço. Mas pior – a cada performance, a qualidade vocal da Katy piorou e muito.

(curiosamente, a Capitol fez um acordo com o Spotify onde a faixa seria tocada em várias playlists do serviço. Até ajudou num desempenho aceitável nos streams, não o suficiente pra dizer “QUE HIT!!!”. É como o famoso jabá das rádios – o dinheirinho inicial dá o empurrão, mas se a música não cair no gosto do povo, não tem deal com as rádios que dê jeito.)

Se ela promovesse mais, poderia melhorar até o jeito que ela canta “Chained to the Rhythm” e trazer novas versões (acústico, ou versão rock) que se adequassem mais à Katy. Não sei, a impressão é de que – ou confiaram demais no potencial hitmaker dela, ou escolheram ocasiões específicas esperando que resolvesse a situação. Mas a Katy é artista pra vencer pelo cansaço, não é do tipo que vende com performance. Lady Gaga vende com performance, (ele de novo) Bruno Mars vende com performance; até o Ed Sheeran sedento pelo #1 tá aprendendo a ser promo-sensivity.

(pra não dizer que não teve presença, e aquele viral FAIL das bolas espelhadas?)

 

Eu gosto de “Chained to the Rhythm”. A música tem uma ironia fina escondida por uma faixa upbeat, só que menos uptempo que outras coisas lançadas pela Katy. O featuring do Skip Marley é uma presença válida e relevante num mundo de feats desnecessários – especialmente porque ele traz força e reiteração da mensagem através ds versos da Katy – mas sinceramente, CTTR não tem a mesma força de uma “I Kissed a Girl”, “California Gurls” ou mesmo “Roar”, super derivativa. A faixa não inspira muita confiança – você não sabe pra que serve a música: se é música pra inverno, faixa pro verão, música de festa, ou faixa viral pra render streaming. A única coisa que deu certo foi a lyric dos ratinhos; porque nem o clipe cheio de easter eggs viralizou pra incentivar o pessoal a repetir as views.

“Chained to the Rhythm” é anticlimática, tem cara de fim de festa. O top 10 foi até bom pra música. E talvez as pessoas tenham percebido, o público não é bobo.

A gente volta a falar do fato da demora dela, como representante desse pop mais comercial, leve e despreocupado, ter afetado a carreira da Katy a um longo prazo. Como eu disse, já tem muita novata, fresh e jovem, fazendo um som carefree que é representativo da Katy – e nisso entra o horroroso componente do ageism, já que a Katy tem 32 anos, perto dos 33, e a cada ano em que as acts femininas ficam mais velhas, menos elas tocam na rádio (já contei sobre isso outra vez aqui). Para as rádios, se tem acts mais novas fazendo um som comercial, porque ouvir Katy Perry, que voltou com uma música aparentemente “sem graça” e “politizada”?

Pra completar, com esse distanciamento da Katy, sem promoções e exposição massiva da figura, nem parece que uma das maiores hitmakers dos últimos anos voltou. Agora, com as promos no iTunes e uma ação da Capitol, eles estão tentando dar uma chance de sobrevivência à música, que está caindo igual a fruta madura no Hot 100. Eu não sei se continuaria insistindo numa música que não aconteceu – mas ao mesmo tempo, ela poderia cair na “24k Magic Situation” – (ele de novo) Bruno Mars performou essa música tanto, mas tanto, mas tanto, que as performances ajudaram a faixa a se manter no top 10 da Billboard. Sugou até o osso e depois saiu feliz para o segundo single, mais fácil de trabalhar, e com mais potencial viral.

Mas, novamente: Katy não é uma grande performer, e não é uma artista de massa. Apenas se ela tivesse performando, divulgando e sendo capa de revistas (cadê o SNL?), CTTR poderia conseguir essa “sorte” do colega hitmaker havaiano.


Tempo de lançamento demorado aka sumiço longo? Falta de exposição e divulgação maciça? Música que não “pega”, não “gruda”? Saturação da artista? O que você acha que está relacionado a “Chained to the Rhythm” não ter “acontecido”?

Não tô chamando de flop, estou chamando de uma música que “não pegou”, um primeiro single de desempenho apagado que poderia ser melhor, julgando pelo nome envolvido… Ou foi flop?

So many questions… Qual a sua teoria?

(aproveite e veja o clipe da música que Katy tá precisando)

Design de um top 10 [34] O que aconteceu? Estava lavando o cabelo em Estocolmo

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Literalmente, se assim posso dizer.

Pois é, após uma viagem a temperaturas entre -1° e 3° (e finalmente conhecer a neve), não sem antes tweetar sobre o Grammy (e todo aquele final anticlimático em Album of the Year), hora de recuperar o tempo perdido e começar de fato 2017 – porque o ano sempre começa após o Grammy – com a situação dos charts neste início de ano, onde já podemos colocar Ed Sheeran com o primeiro grande hit pop do ano, entre os A-Lists. Afinal de contas, o ruivo conquistou a plataforma do futuro presente: os streamings.

Com sete semanas não consecutivas em #1, é o óbvio primeiro sucesso de 2016; mas temos outra turma de artistas classe A por aqui que com certeza vão dar muito trabalho em 2017 – além dos sucessos via stream com os quais vocês precisam se acostumar. Bem-vindo à nova era!

Top 10 Billboard Hot 100 (11.03.2017)

#1 Shape Of You – Ed Sheeran

#2 Bad and Boujee – Migos featuring Lil Uzi Vert

#3 I Don’t Wanna Live Forever – Zayn & Taylor Swift

#4 That’s What I Like – Bruno Mars

#5 Closer – The Chainsmokers feat. Halsey

#6 Paris – The Chainsmokers

#7 Love On The Brain – Rihanna

#8 Chained to the Rhythm – Katy Perry feat. Skip Marley

#9 Bounce Back – Big Sean

#10 Bad Things – Machine Gun Kelly x Camila Cabello

 

ed-sheeran-shape-of-youShape of You“, o outro lado do single duplo do novo álbum do Ed Sheeran, “÷” (que pronuncia-se divide), está estourado, em #1 no iTunes, destruindo nos streams (onde o Ed é poderosíssimo desde o “X”) e vem sendo muito bem recebido nas rádios, onde está em #1 no Pop Airplay, Adult Pop Songs e evidentemente na Radio Songs. A música, que também pode ser conhecida como “Cheap Thrills parte 2”, é super catchy e tem cara de sucesso, e a julgar pelo desempenho da música, será um ótimo lead para um terceiro CD extremamente bem sucedido em 2017. Será que o ruivo será o grande nome do pop neste ano?

Enquanto isso, o outro single do Ed, “Castle on the Hill”, peakou na estreia em #6 e neste momento está na 66ª posição. Uma pena, porque a música é cativante e bem melhor do que “Cheap Thrills parte 2”.

 

Se o britânico domina todas as plataformas de música neste começo de ano, os streamings estão como os principais migos-bad-and-boujee-gifresponsáveis pela subida de “Bad and Boujee“, do grupo de hip hop Migos, com featuring de Lil Uzi Vert. A música, que subiu feito um furacão viral e ficou em #1 no Hot 100 da Billboard por três semanas não-consecutivas. Como você sabe, quando a faixa é viral, o consumo é rápido, mas quando os streamings abraçam de verdade, não tem iTunes que venha de encontro. “Bad and Boujee” está em primeiro nos charts de stream há NOVE semanas, mas tem desempenhos moderados nas rádios e no digital, neste momento. Mesmo assim, é lider nos charts de hip hop, o que ajuda a manter a faixa nas primeiras posições do chart. O retorno à segunda posição só reforça isso.

Não é a minha faixa favorita do mundo e tampouco faz o meu gênero, mas é sempre bacana ver uma faixa de rap menos pop e mais “raiz” fazendo sucesso, sem fazer concessão a algum featuring pop ou pandering pra um público crossover. É original na sua pegada mais tradicional, e segue novamente a tendência de hits massivos nessa linha mais noventista, mais seca, do rap, como “Trap Queen” e “Panda”.

 

bm-24k-3Crossover, curiosamente, é o sucesso de “That’s What I Like”, do Bruno Mars. Amparado por uma excepcional performance no Grammy e subidas cada vez mais consistentes nos charts, a faixa chegou à quarta posição no Hot 100 e ainda nem tem vídeo! Digo “crossover” porque, apesar da música ter a mesma pegada R&B de todo o material do terceiro CD do havaiano, tem um apelo mais pop que outras músicas do curtíssimo álbum, e consegue atingir a todos os públicos – do mais R&B, que abraçou mesmo o material – tanto que no chart do estilo, está há duas semanas em #1 (primeiro topo do Bruno no gênero) – ao público pop que sempre esteve com ele desde o primeiro álbum. “That’s What I Like” só faz crescer nos charts, e tem chances fortes de ser o primeiro #1 da era – basta um bom clipe e uma divulgação on point, já que o Bruno é altamente sensível à promo: ou seja, o público o consome de uma forma diferente: não são fãs die-hard, são consumidores casuas que ouvem, gostam do material e compram/ouvem/pedem na rádio.  Meio artista à moda antiga.

Aliás, a música é a décima-terceira do moço a chegar ao top 5 na década, empatando com a Rihanna. Selo hitmaker comprovado.

 

E se vocês pensaram que a banda Closer, quer dizer, The Chainsmokers, sumiria após o sucesso estrondoso do hino the-chainsmokers-gifdo fim do verão, enganam-se! O duo EDM lançou “Paris” e a faixa chegou à sexta posição na Billboard Hot 100.  Apesar do excelente resultado, em quem vocês devem prestar atenção não é nesta música (que no digital já sumiu de circulação), e sim na parceria com o Coldplay (!) com “Something Just Like This”, que estreou em #56 no chart e nas vendas digitais, debutou na vigésima-primeira posição. No iTunes, a faixa está em segundo, atrás apenas do hit “Shape of You”. Ou seja: cuidado, eles estão chegando.

Quanto a “Paris”, a música não é um bom follow-up pra “Closer”, que bem ou mal era uma música grudenta com um break pronto para os remixes. Essa música não vai pra lugar nenhum. Já a faixa com o Coldplay é bem legal (sim, é boa) e acho que tem futuro neste fim-de-inverno-começo-de-primavera-americana – e ainda segue o padrão desse EDM que o The Chainsmokers vem fazendo, mais mid e menos bate-estaca.

 

katy-perry-gifE após uma boa estreia na quarta posição, a Katy Perry caiu quatro casas no tabuleiro do Hot 100 e está em oitavo com o lead single do novo álbum, “Chained to the Rhythm“, feat. Skip Marley. O problema é que a “boa estreia” está disfarçada por um desempenho bem abaixo do esperado para uma hitmaker como a Katy (por exemplo: a música nem chegou ao #1 no iTunes, está mal nos streams – apesar do acordo massivo com o Spotify, e dizem por aí que a música já começou a tocar nas madrugadas das rádios americanas, quando pouca gente está ouvindo música), e nem o clipe (excelente, aliás) deu resultado. Acredito que nem com uma promoção constante a faixa vai bombar na boca do povo, o que é uma pena – é uma grande canção pop, onde a Katy mantém a pegada pop que sempre teve nos trabalhos, com uma letra inteligente e de crítica sutil; e o clipe prossegue com a Katy usando sua já tradicional estética fun a serviço de um vídeo que em alguns momentos se torna assustador, quando se observa o que ela realmente está dizendo.

Sabe o que é o pior? A música realmente não foi comprada pelo grande público. Acho que nem um Carpool Karaoke com o James Corden dá jeito. 😦

 

Mas se vocês quiserem contribuir para o sucesso da Katy Perry (ou ainda não ouviram a faixa), aproveitem e confiram o vídeo “Chained to the Rhythm”. É só dar play!

 

Grammy 2015 – indicados a Performance Pop por Duo ou Grupo

Banner Performance Pop A categoria de “Melhor Performance Pop por Duo Ou Grupo” é sempre uma das mais disputadas do Grammy, desde a junção das falecidas “Performance Pop por um Duo ou Grupo” (que premiava apenas bandas) e a “Melhor Colaboração Pop” (que seriam os duetos, featurings e afins). Uma categoria que sempre inclui os hits do ano nos indicados (até LMFAO já teve chance de levar um Grammy!), existe desde 2012, e teve como vencedores em edições anteriores Tony Bennett e Amy Winehouse, Gotye e Kimbra e Daft Punk com Pharrell e Nile Rodgers. Agora é hora de conhecermos um novo vencedor, que pode vir de um grupo bem interessante de indicados, mesmo que os prováveis vencedores estejam bem à vista…

“Fancy,” Iggy Azalea ft. Charli XCX
“A Sky Full of Stars,” Coldplay
“Say Something,” A Great Big World ft. Christina Aguilera
“Bang Bang,” Ariana Grande, Jessie J & Nicki Minaj
“Dark Horse,” Katy Perry ft. Juicy J

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Previsões para o VMA 1: Melhor Colaboração

Hoje começo as análises dos indicados ao Video Music Awards 2014, a premiação mais esperada para quem curte música e cultura pop. Os vídeos mais bombados do ano (que não necessariamente são os melhores, o que provoca uma quantidade louca de stanwars) são indicados, e como a MTV gosta de buzz para seus awards, a votação aberta para o público é a oportunidade de chamar mais audiência e – claro – acontecimentos para o VMA. A emissora deve estar ansiosa por mais babado e confusão, como foi a Miley ano passado.

Este ano, uma das categorias que prometem ser uma disputa entre um dos grandes hits do verão, “Problem”, das it-girls do momento, contra Beyoncé e seu esposo em “Drunk in Love”, é a de Melhor Colaboração. Mas será que os outros indicados tem chances ou as duas primeiras merecem o Astronauta?

Primeiro, os indicados:

Melhor Colaboração
“Problem” – Ariana Grande feat. Iggy Azalea
“Drunk In Love” – Beyoncé feat. Jay Z
“The Monster” – Eminem Feat. Rihanna
“Dark Horse” – Katy Perry feat. Juicy J
“Loyal” – Chris Brown Feat. Lil Wayne & Tyga
“Timber” – Pitbull Feat. Ke$ha

Agora é hora da análise – clique em continuar lendo!

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