Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

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Vencedores e perdedores de 2017 [primeiro semestre]

O ano de 2017 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop – especialmente quando estamos num dos anos mais curiosos dentro do mainstream: com a ascensão quase dominante dos streams como determinante para o sucesso de uma faixa (ou de um estilo), muitos artistas e gêneros estão padecendo para se inserir numa nova cultura de consumo – e atingir o público que lá está, enquanto outros conseguiram o segredo para um hit, um viral, e execuções certeiras no Spotify.

Ao mesmo tempo em que veteranos e novatos lutam para entender e se adequarem à nova ordem da indústria, podemos dizer que a “guerra dos sexos” dentro do mundo pop hoje está com os homens ganhando de goleada. Eles estão com os álbuns mais bem recebidos, singles de sucesso e parcerias que deram certo – além dos gêneros que dominam as rádios e streams atualmente serem justamente aqueles onde os male acts dominam. E o pop, que durante toda a primeira metade da década foi uma festa feminina, hoje se tornou um clube do Bolinha.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2017, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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Design de um top 10 [35] Amém, Kendrick

Não sei se vocês estão sabendo, mas KENDRICK LAMAR CONSEGUIU O #1 COM HUMBLE, destronando finalmente “Shape Of You” do #1, onde ficou tantas semanas que eu já esqueci o número. Lambs felizes, fãs do K-Dot e todo mundo que gosta de boa música pulando de alegria e evidentemente o chart deu uma bela (e boa) bagunçada com a entrada das faixas de “DAMN.” no Hot 100 – merecidíssimo, porque o álbum é monstruoso (sim, vou resenhá-lo aqui, Kendrick merece, conseguiu fazer um álbum comercial e incrível, sem perder o prumo), e já está bombando nos streams (que ajudaram o K-Dot a chegar neste momento).

Este momento do mês é o que marca a transição para os singles do verão: teoricamente, vão aos poucos saindo as midtempos e as faixas mais lentinhas do chart para os pancadões uptempo e as promessas de hit da estação. Mas, a julgar pela dominação urban em 2016-17, não duvido nada de que os hits este ano sejam algum rap que vai viralizar, um batidão urban pra fazer todos dançarem nas festas; e algum DJ vai lançar um hit farofa. É o que a música pop vem apresentando ultimamente – essa divisão entre rap, urban e EDM mais “orgânico” a la Chainsmokers é o que está mandando nos charts, e não parece sumir tão cedo (ao contrário do tropical house, que já está decaindo).

(ou sei lá, será que é hora de uma nova explosão latina? TRUMP CHORA)

Hora de ver o que aconteceu nesta semana, em que finalmente uma mulher voltou a figurar no top 10 do Hot 100.

Top 10 Billboard Hot 100 (06.05.2017)

#1 Humble  – Kendrick Lamar

#2 Shape Of You – Ed Sheeran

#3 That’s What I Like  – Bruno Mars

#4 DNA – Kendrick Lamar

#5 Mask Off  – Future

#6 ISpy – Kyle feat. Lil Yachty

#7 Stay – Zedd feat. Alessia Cara

#8 Something Just Like This – The Chainsmokers feat. Coldplay

#9 Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat. Justin Bieber

#10 XO TOUR Llif3 – Lil Uzi Vert

 

Humble” é o segundo #1 do Kendrick Lamar, primeiro solo (o outro foi o remix da infame “Bad Blood” de famigerada história), que teve seu pulo de #3 para #1 impulsionadíssimo pelos streamings. A faixa está em primeiro lugar no chart específico há três semanas e só faz bater recordes. Ainda no top 10 do Digital Charts e crescendo nas rádios, a faixa ainda tem MUITO a crescer e render. Não é apenas um hit, é um baita viral e uma música impressionante que mostra, além do flow impecável do Kendrick, como ele sabe fazer sim hits sem perder a essência (ou seja, chega de featurings bizarros como “The Greatest” e “Don’t Wanna Know”).

Aliás, o cidadão colocou todas as músicas do “DAMN.” no Hot 100, e “.”, uma celebração à cultura negra, estreou na quarta posição do Hot 100. Amém, Streams; amém Kendrick!

 

Enquanto isso, uma mulher está de volta ao top 10 do Hot 100 – Alessia Cara, como featuring da faixa “Stay“, do DJ Zedd. Foi um retorno para os dois artistas às faixas mais consumidas na semana. A última visita do rapaz foi com “Break Free” da Ariana no já distante 2014; enquanto Alessia tinha curtido o gostinho do top 10 com “Scars to Your Beautiful”, ano passado. Uma volta merecida – a música é bem solar, fresh, bem amor adolescente (que combina com a voz juvenil da Alessia), apesar da batida parecer com toda essa pegada “orgânica” Chainsmokers, ao contrário das farofas yoki que o próprio Zedd apresentou antes (que já estavam datadíssimas, aliás).

Com bom desempenho nos charts dance, o fato é que a música ainda pode render mais e pelo menos chegar bem ao verão. É a cara do fim de tarde, quando termina o passeio na praia e a turma tá indecisa se volta pra casa ou estende a saída pela noite.

 

E esse hit, viral e tendência maravilhoso que é “Despacito“? A música do Luis Fonsi com o Daddy Yankee (que conseguiram o primeiro top 10 no Hot 100, corre que é histórico!) já tinha explodido nas rádios latinas, e fazia uma transição bacana para o crossover pop (lembrando que é uma faixa totalmente em espanhol), quando saiu na semana passada um remix com o Justin Bieber (cantando em espanhol) e a música deu um boom absurdo. Eu não queria admitir, mas que a inclusão do Bieber ajudou muito pra “Despacito” chegar à nona posição na Billboard subindo 39 posições (!), mas a faixa voltou para os charts digitais, cresceu nos streamings e deu um boost no chart de rádio ❤ lembrando que a versão que chegou ao top 10 é a remix porque os números foram responsáveis por mais da metade dos pontos da faixa no top 10.

Aliás, este é um momento histórico para a música latina – a última vez em que uma música toda cantada em espanhol chegou ao top 10 do Hot 100 foi com… Com…? Ricky Martin? Enrique Iglesias? J-Lo? 

ELES MESMOS – A MACARENA. Isso, há 21 anos atrás, direto do túnel do tempo. Só que Macarena chegou às 14 semanas em primeiro lugar nas paradas (socorro). Será que “Despacito” tem lenha pra queimar?

Por falar em “Despacito”, hora de deixar aqui a música para que vocês contribuam com mais pontos para a próxima semana 😉

 

As narrativas do Grammy 2017 [1] Melhor Performance Pop Solo

 

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O Grammy, como qualquer outra premiação, é construído por narrativas, que vão se descortinando durante o ano (de elegibilidade) até chegar ao ponto de explosão – o momento das indicações, quando as histórias que acompanhamos (o grande comeback, o grande álbum, o coming-of-age, o azarão) se encontram numa categoria para definir qual é a história que a Academia decidiu comprar e adotar.

Dessa forma, as narrativas que se apresentam para a categoria de Melhor Performance Pop Solo, onde se encontram as duas grandes artistas femininas do ano – Adele e Beyoncé – estão entrelaçadas pelas histórias delas, de outros artistas em destaque e das tendências musicais de um período curioso para a música pop, onde vemos aspectos técnicos, artísticos e sociais se misturando dentro da cultura pop.

Primeiro vamos aos indicados!

Best Pop Solo Performance
“Hello” – Adele
“Hold Up” – Beyoncé
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Piece By Piece (Idol Version)” – Kelly Clarkson
“Dangerous Woman” – Ariana Grande

Agora é a hora da análise!

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Indicados ao VMA [6] COMBO DE CHANCES

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Hoje é dia de tretas, polêmicas e grandes apresentações, o Video Music Awards 2016! Já sabemos que Britney Spears vai se apresentar, Beyoncé também, Rihanna vai ganhar o Vanguard Award (prêmio que homenageia grandes nomes que contribuíram de forma inovadora com os videoclipes) e terá tempo para fazer uma apresentação marcante; além do Kanye West com quatro minutos pra fazer o que quiser.

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas três categorias que restam para serem discutidas – o que eu chamei de COMBO DE CHANCES. Afinal de contas, tô juntando três categorias num post só 😉

Confira tudo após o pulo!

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Indicados ao VMA [5] Melhor Vídeo Pop

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Assim como o vídeo de hip hop, a premiação relativa aos vídeos pop surgiu em 1999 – surpreendentemente nos dois casos. Mesmo focando em música pop, acts R&B, pop/rock e de música latina já venceram essa categoria, sempre uma das mais disputadas e com vídeos icônicos. “Livin’ La Vida Loca”, “Bye Bye Bye”, “Since You Been Gone”, “Bad Romance” e “Blank Space” levaram em anos anteriores; e outras gemas como “Lady Marmalade”, “Sk8ter Boi”, “Toxic”, “Poker Face”, “We Found Love” e ano passado “Uptown Funk” foram indicados. Tem muita coisa boa e que marcou épocas, de 17 anos atrás e hoje em dia.

Esse ano, temos uma ótima lista de indicados, que passeiam por vários estilos musicais e visões artísticas. Mas eu vejo nessa premiação um duelo interessante entre dois dos nomes mais famosos da indústria: a rainha e o bad boy.

Melhor Vídeo Pop

Adele — “Hello”
Beyoncé — “Formation”
Justin Bieber — “Sorry”
Alessia Cara — “Wild Things”
Ariana Grande — “Into You”

A análise segue após o pulo!

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Design de um top 10 [28] Justin is not sorry

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O trono do Hot 100 mudou de mãos, desta vez para mãos masculinas e canadenses! Depois de muito tempo amargando a segunda posição, finalmente Justin Bieber tirou Adele do topo com “Sorry”. Foram oito semanas, sete delas consecutivas, na vice liderança do chart; mas o bad boy do pop chegou ao primeiro lugar na hora certa – Bieber já vinha tirando a diferença de Adele nos charts das plataformas, e “Hello” já tinha perdido a primazia no iTunes. Além disso, os charts de stream – que apoiam demais o Bieber – estão mantendo o rapaz no topo, especialmente com o terceiro single do álbum, “Love Yourself”.

Top 10 Billboard Hot 100 (23.01.2016)

#1 Justin Bieber Sorry
#2 Adele Hello
#3 Justin Bieber Love Yourself
#4 Drake Hotline Bling
#5 twenty one pilots Stressed Out
#6 Selena Gomez Same Old Love
#7 Shawn Mendes Stitches
#8 Justin Bieber What Do You Mean?
#9 Alessia Cara Here
#10 Meghan Trainor Like I’m Gonna Lose You feat. John Legend

Justin Bieber GIF

 

Repetindo o mantra do ano passado: “se não fosse a Adele, o comeback do ano seria o do Bieber”. E mesmo com as polêmicas e a já maçantes referências à ex Selena Gomez em entrevistas (supere!), o fato é que Justin trouxe um trabalho consistente, que recebe apoio do público-alvo dele e de outros perfis de ouvintes. Aos poucos, aquele ranço de “teen” parece estar passando – o público comprou o novo Justin e suas músicas.

“Sorry” é o segundo #1 do cantor, após “What Do You Mean?”, e se mantém em primeiro nos charts de streaming (no Spotify, é “Love Yourself” quem está na dianteira), assim como o segundo lugar nos charts de rádio (Adele ainda tem muito poder nesse formato, mesmo com “Hello” em decadência), e caiu para o terceiro lugar nos charts de música digital – mas aí não há muito problema porque quem está em primeiro é justamente LY. Ou seja, está tudo em casa. E aparentemente, as possibilidades do terceiro single do “Purpose” chegar em #1 são grandes. Não duvido de que Bieber se autosubstitua no topo.

twenty one pilots gifJá o twenty one pilots está numa espiral crescente e quase um foguete. Se na semana passada o duo de rock subiu quatro posições e chegou ao nono lugar na Billboard, a faixa “Stressed Out” já é top 5. Em crescente notável, enquanto faixas mais antigas como “What Do You Mean”, “Stitches” e “Hotline Bling” já se despedem das primeiras posições, o hino dos adultos está em quarto lugar no digital, décimo primeiro na rádio e deu um pulo para o #11 nos charts de streaming (no chart diário do Spotify está em quarto). A música, que continua liderando os charts de rock pela terceira semana, só tem a subir. Só não cravo um #1 porque “Love Yourself” está numa trajetória de hit (#1 no Digital, #4 no Streaming e #12 nas Rádios. Não diga que não avisei quando Bieber for destronado por ele mesmo no hot 100).

E por falar em hits, por que não abrir espaço para duas adições que prometi volta e meia aparecerem aqui? Uma delas é o “Essa é flop?” – um destaque para aquela música que prometeu muito mas não alcançou o sucesso. Foco nela!

“Focus” tinha jeito de hit, cheiro de hit, tudo pronto para ser mais um sucesso na conta da Ariana Grande. Mas o raio não cai duas vezes no mesmo lugar, e reciclar “Problem” tão pouco tempo depois do lançamento da faixa, sem contar o pouco descanso após o infame Donutgate foi bem ruim para Arianinha. Mesmo estreando em sétimo lugar na Billboard, o timing acabou sendo ruim pra moça – lançado na mesma semana do Adele Event, passou em branco pelos charts, caindo pelas tabelas, sem contar o próprio desinteresse do grande público em relação a esse material. Agora, a faixa (que chegou a ser performada num award de impacto, o American Music Awards), está por aí na 50º posição e Ariana vai mudar até o nome do CD (que ia se chamar “Moonlight”). Scooter Braun deve estar em polvorosa!

A outra faixa é a “#cheirinhodehit”: trata-se da faixa que ainda não chegou ao top 10 da Billboard, mas tem chances de fazer parte desse seleto grupo. Esta música em específico vai ter que remar muito, mas pode ser que se torne aquele sleeper hit que todo mundo ama. Lutar, ela sabe bem:

“Stand By You” é da mesma turminha de música com batidinha marcada – como a própria “Fight Song”, e outras canções me vieram à mente (como “Love Me Like You Do” nos primeiros acordes). É curioso como Rachel Platten consegue ser confortável nesse nicho mais pop adulto e a música funciona bem com o vocal dela, que tem personalidade, não dá pra confundir no meio da multidão. É um caminho bacana, que traz uma fatia de público fiel, que sempre vai comprar seus álbuns, a menos que você mude o estilo do nada. E a música é bem legal, sem contar com o vídeo simples e efetivo, que me deixou bem contente assistindo. A música subiu muito² nesta semana, pulando de #50 para #38, e apesar do desempenho tímido no Spotify (ainda), a música já cresce com certa consistência nas rádios e está em #15 no iTunes (tire as faixas do David Bowie que estão no top 10 a mulher fica em décimo primeiro, ou seja). Acho que pode até demorar (já que as views do Youtube também são poucas), mas “Stand By You” pode ser mais um hit na conta dessa artista que chegou como quem não quer nada.

E você, o que achou das movimentações do Hot 100 esta semana? Deixe sua resposta nos comentários!

Com informações do site billboard.com