Como chegamos aos indicados a… [2] Performance Pop Duo/Grupo

É inegável que a categoria de Performance Pop Duo/Grupo, desde a junção dos fields em 2012, se tornou uma das mais disputadas e uma das mais propensas a vitórias dos grandes hits dentro do período de elegibilidade. Especialmente nesta década, em que parcerias se tornaram sucessos mais confiáveis que faixas solo (cantores com rappers, DJs com cantores), levar esse prêmio acabou se tornando a oportunidade de ouro para acts pouco amados pelo Grammy terem a chance de ter um gramofone pra chamar de seu – imagina só, Iggy Azealia, LMFAO e Jessie J já foram indicados por aqui.

Este ano, apesar dos grandes hits serem, além de faixas solo, contribuições de artistas de urban/hip hop, tivemos talvez o grande hit do ano e um acontecimento cultural que foi uma colaboração. Um remix cantado majoritariamente em espanhol, com trechos em inglês de um artista anglo-saxônico, que se tornou coqueluche mundial e nos EUA, igualou um recorde até então imbatível da Billboard de 16 semanas em #1 e talvez seja o símbolo desafiador de um ano em que os latinos sofreram com o preconceito e o desprezo de Trump, e o retorno veio em grande força no entretenimento – “Despacito” é mais que um hit monstruoso. Podemos chamar até de um ato político.

Uma vitória aqui é, talvez, meio caminho andado para voos muito maiores, mais precisamente em Gravação do Ano. No entanto, a dúvida que persiste é: os votantes do Grammy vão se restringir a lembrar “Despacito” como indicação ou premiar com um gramofone?

Antes de responder a essa e outras perguntas, seguem os indicados:

“Something Just Like This” – The Chainsmokers & Coldplay
“Despacito” – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
“Thunder” – Imagine Dragons
“Feel It Still” – Portugal. The Man
“Stay” – Zedd feat. Alessia Cara

A análise vai no pulo!

Continuar lendo

Anúncios

Previsões para o Grammy 2018 [2] O ônibus lotou

Como diria um grande pensador contemporâneo, “it’s tradition now”. Após aquela primeira leva de previsões para o Grammy 2018, avaliando o espectro musical entre o final do ano anterior e o primeiro semestre de 2017, hora de ver de que forma as submissões das gravadoras podem ajudar nas novas configurações da nossa futurologia, seja para o bem ou para o mal.

O “problema feliz” de 2018 é que de junho a setembro muitos singles e artistas tiveram destaque, correndo o risco de 1. muita gente boa ficar de fora do corte final; 2. determinadas categorias não terem acts favoritos. Nosso foco – as usual – é no Pop Field e no General Field.

Segue o pulo!

Continuar lendo

Repetitivo, mas os refrões tão grudentos – “Evolve”, Imagine Dragons

Você já sentiu que achou um CD sensacional, mas nunca mais ouviria na vida; enquanto outro álbum que não é exatamente uma Brastemp te deixou viciada nas músicas?

ImagineDragonsEvolve.jpgEu contei ontem sobre a minha estranha experiência com o  “Melodrama“, novo álbum da Lorde, muito bem feito, produzido, excelentes letras, um dos melhores do ano, mas tive zero conexão com o material. Hoje, é hora de terminar aquela trama do “álbum que não é lá essas coisas mas é viciante” com um CD que tô ouvindo non-stop desde ontem de manhã: “Evolve“, do Imagine Dragons.

Aliás, você já teve a impressão de que era iniciado ou iniciada em algum culto ouvindo o Imagine Dragons? Eu me vejo percebendo isso, eu não sei se é por causa dos arranjos meio evocativos com pretensão épica, ou as letras com as mensagens desconexas que não fazem sentido mas dão ótimas legendas para fotos; não sei, o que interessa é que o “Evolve” tem uma pegada eletrônica bem vinda e refrões absolutamente grudentos em meio a fillers imperdoáveis e um tema que se repete com pouca sutileza ou elegância.

(mas é tão bom fazer air drums no buzú ouvindo o CD…)

O álbum todo trabalha com a ideia de “sofrer pra alcançar a evolução, seja pelo amor, pela dor ou por simplesmente acreditar que é possível”. É meio teoria da Xuxa, mas os refrões são tão grudentos, a produção tão bem feita (boa parte do álbum tem produção de Mattman & Robin, que dá uma coesão bem legal a todo o álbum) e a voz do Dan Reynolds (frontman da banda) tão carismática que você até esquece que os caras falam do mesmo assunto em quase 11 músicas sem mudar quase nada da lógica haha Mas o mais interessante desse CD é que o ID conseguiu colocar refrões insanamente grudentos em meio a alguns fillers desnecessários de todo.

Seja na faixa de abertura “I Don’t Know Why”, com o pré-refrão que é tiro (e grita pra ser single); o promocional “Whatever it Takes” (que me lembra bem de longe o Coldplay popzinho atual, mas BEM mais pop e grudento); “Walking the Wire” (com a letra simples, mas bem efetiva, um belo resumo do álbum, liricamente – para chegar em algo, evoluir, você acaba superando obstáculos seja em relacionamentos, na sua autoestima ou tentando lidar com a dor mesmo); e a lindinha “I’ll Make it Up To You” (com uma vibe anos 80 bem retrôzinha) – a letra é tão fofa que é um respiro depois de tanta sofrência conceitual, e é outra que grita single; você percebe construções simples, refrões fáceis, faixas ótimas pra ouvir num dia de chuva ou dublando no busão depois do trabalho; um CD gostoso e que mesmo não sendo uma OBRA-PRIMA, te deixa sempre querendo mais.

Ao mesmo tempo, tem fillers tensas aqui, como “Rise Up”, a BIZARRA “Yesterday” (o mesmo Alex DaKid que voltou dos mortos com “Thunder” e “Dancing in the Dark” – que música, que vibe, nunca achei que ia achar uma música do Imagine Dragons sexy – me apresenta esse treco na produção), “Mouth of the River” e “Start Over”, que ainda não decidi se pulo ou não quando ouço o CD.

Mas com certeza, os dois primeiros singles são os que mais tem cara de que fui iniciada num culto. “Believer” (olha o nome minha gente, hahaha) é  O TIRO EM FORMA DE MÚSICA, ainda mais com a letra que realmente parece coisa de teoria da conspiração e o uso do tema “sofrimento para evoluir” usado com elegância e dramaticidade bem equilibradas; e “Thunder”, a clássica história do menino que sonha em ser rockstar, é outra música perfeita para o ritual com a levada de marcha que é a cara do Imagine Dragons, são essenciais para se entender “Evolve”, seus refrões grudentos, letras simples e uma produção viciante, feita pra você cantar “I was lightning before the thunder” sem perceber no meio da rua.

Cuidado, você está dentro e nem sabe onde entrou.

Já ouviu o novo CD do Imagine Dragons? O que achou?

Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]


O update das previsões pós-período de elegibilidade está aqui. É só clicar!

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

Continuar lendo