Vencedores e perdedores de 2017 [primeiro semestre]

O ano de 2017 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop – especialmente quando estamos num dos anos mais curiosos dentro do mainstream: com a ascensão quase dominante dos streams como determinante para o sucesso de uma faixa (ou de um estilo), muitos artistas e gêneros estão padecendo para se inserir numa nova cultura de consumo – e atingir o público que lá está, enquanto outros conseguiram o segredo para um hit, um viral, e execuções certeiras no Spotify.

Ao mesmo tempo em que veteranos e novatos lutam para entender e se adequarem à nova ordem da indústria, podemos dizer que a “guerra dos sexos” dentro do mundo pop hoje está com os homens ganhando de goleada. Eles estão com os álbuns mais bem recebidos, singles de sucesso e parcerias que deram certo – além dos gêneros que dominam as rádios e streams atualmente serem justamente aqueles onde os male acts dominam. E o pop, que durante toda a primeira metade da década foi uma festa feminina, hoje se tornou um clube do Bolinha.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2017, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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Lançamentos da semana: do pior para o melhor

Essa quinta-e-sexta-feira teve uma quantidade tão grande de lançamentos pop que a gente tem até que respirar em pensar quais são as músicas e que artistas lançaram alguma coisa. Mas eu decidi juntar tudo num post só, com o velho combo de singles, só que com um diferencial: do pior material lançado até a melhor música divulgada neste fim de semana.

Esse é o meu top 4, veremos se será parecido com o de vocês 😉

4. “Switch”, Iggy Azalea feat. Anitta

Um dia a Iggy foi uma rapper ascendente com um som bacana, e que prometia ser a grande revelação na cena, a julgar pelas antigas mixtapes. O “The New Classic”, primeiro CD, foi aquele rap para neófitos, mais pop que qualquer outra coisa, que apesar do sucesso, não se converteu depois numa segunda era bem sucedida – pelo contrário, depois daquele CD, a queda da australiana foi uma das coisas mais rápidas e frenéticas já vista na popsfera.

Atualmente a mulher ainda está tentando lançar alguma coisa para o segundo CD, “Digital Distortion”, e até agora o que eu tenho consciência que foi single mesmo foi “Team“, que teve uma certa divulgação e algum buzz. O resto foi lançado daquele jeito, e nada foi tão interessante. Pra completar, todo single que a Iggy vinha apresentando parecia sem sal, sem apelo; e pior – agora com “Switch”, sem personalidade alguma.

Esse ritmo tropical já cansado, essa música batida, a Iggy cantando por cima do featuring … Aliás, Anitta foi desperdiçadíssima na faixa: parece uma backing vocal qualquer e o vocal ficou abafado por tanta camada e efeito que eu só percebi que era ela mesmo porque o timbre, mesmo em inglês (um bom inglês até), se sobressaiu. Mas sinceramente, se colocassem a Iggy com autotune no lugar não fazia diferença alguma.

Para a brasileira, o featuring valeu a pena para apresentá-la ao mercado americano de uma forma mais “oficial” (mesmo que o nome dela já esteja rodando aqui e ali, em matérias da Billboard e interações com artistas no twitter e no instagram), mas pra Iggy Azalea, é mais uma oportunidade desperdiçada numa música que é bem ruinzinha e esquecível.

(curiosamente, a parte mais marcante pra mim foi o pré-refrão da Anitta. A única coisa que tá na minha cabeça até agora de “Switch”)

nota: ⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Crying on the Cheap Thrills of You”, Camila Cabello

Quando você sai em carreira solo de uma boyband/girlband, onde geralmente as canções eram bem polidas e produzidas para gerar uma sonoridade generalista (pra não dizer outra palavra) e puxada para o público jovem, o que se espera é que o artista em questão mostre o motivo pelo qual ele ou ela se sentiu pronto/a para dar o jump e mostrar “identidade musical”. O Zayn, com o “Mind of Mine”, fez isso – quem imaginava que o menino do One Direction lançaria aquele petardo de álbum alt-R&B todo moody e misterioso?

Pois bem, depois de ver o vídeo de “Crying on the Club”, da Camila Cabello, duas coisas ficaram na minha mente. Uma é: alguém cancela a Sia, porque essa música é mais um derivado da fórmula “Cheap Thrills”/”The Greatest”, e pior, a faixa me lembra “Shape of You”, ou seja, música mais genérica não há! Pra piorar a situação, o delivery vocal da Camila tá muito parecido com o da Rihanna (como todas as últimas 1500 pop starlets tentam fazer – e a Pitchfork pontuou muito bem recentemente). Zero personalidade numa música que mesmo grudenta, é bem safe, bem “o que tá tocando por aí.

Aí a cidadã me lança um clipe (chatérrimo, aliás), onde a intro é com uma midtempo pop mega dramática, com um letrão daqueles, os vocais impecáveis; pra combar com “Cheap Thrills parte 3”. Quem é a gravadora da Cabello, minha gente, que não colocou “I Have Questions” de lead? Isso seria um tapa na cara maravilhoso de quem acha que a menina não tem identidade musical!

(btw, a melhor coisa de “Crying on the Shape of the Club” é o sample de “Genie on the Bottle” haha)

nota: ⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Swish Swish”, Katy Perry feat. Nicki Minaj

Primeiramente, mais uma música da Katy que não aconteceu, né? Eu tô impressionada com a era dela, porque nada deu certo – até mesmo o vídeo de “Bon Appétit”, que fez um barulho nas redes sociais, não ajudou no desempenho da faixa nos charts. Daqui a pouco a mulher lança o álbum e a gente só vai ouvir a imprensa caindo em cima e o público realmente desinteressado na Katy.

(ou seja, ela nunca conseguiu firmar uma base de fãs que a seguem aonde vai, a fã-base sólida e fiel que outras colegas tem aos montes, como a Lady Gaga, por exemplo)

Pois bem, “Swish Swish” é o single promocional do “Witness”, o novo álbum da californiana (que tem essa capa bem “teoria da conspiração”), e deve ser sobre a Taylor Swift né, só pra confirmar… Mas enfim, a faixa passa longe do “pop com propósito” ou daquele treco inominável que era “Bon Appétit”: é um dance-pop que lembrou uma versão mais pesada de “Walking On Air” (que a KATY NÃO LANÇOU COMO SINGLE NA ERA PRISM, desperdício!), uma letra debochada que rememora a velha Katy de “One of The Boys” e que tem um clima menos infantil que boa parte dos singles da moça desde “Teenage Dream”. É um pop adulto, divertido, despretensioso, com uma letra fácil e cheia de shades e um bom momento da Nicki Minaj, que como rapper anda tendo um ano criativamente tenso (aquela resposta à diss da Remy Ma foi ridícula…).

Infelizmente, apesar de crescer na gente igual bolo no forno, “Swish Swish” não chega perto daquele soco no estômago de outros singles da Katy Perry – sabe, aquela sensação de OMG QUE HINO de quando a gente ouvia “Teenage Dream”, “Hot ‘n Cold” e “Dark Horse”? Tá faltando aqui e nas outras faixas que ela trouxe nessa era. E o pior é que as músicas dessa nova era poderiam ser melhor trabalhadas, ou até retrabalhada com ganchos menores, mas o resultado final infelizmente é muito aquém do que a Katy poderia oferecer como uma das maiores hitmakers da década.

nota: ⭐⭐⭐/5 de ⭐⭐⭐⭐⭐

1. “Bad Liar”, Selena Gomez

Quando a gente fala de evolução dos artistas, não é apenas evolução de imagem (mais edgy, mais madura, ou conceitual); dizemos também sobre a evolução do som deles.

Neste momento, não dá pra pensar na Selena Gomez como aquela cantora fofa do pop adolescente da banda “Selena Gomez & The Scene como a mesma pessoa que canta “Bad Liar”, lead single do seu segundo álbum solo. “Bad Liar” é um pop fresco, diferente de tudo que tá tocando por aí. É uma música única por não ser tropical house, urban, EDM, ou um derivado da Sia.

A faixa, escrita por Selena junto com os hitmakers do momento Julia Michaels e Justin Tranter, usa de forma inteligente o sample de “Psycho Killer” do Talking Heads pra criar uma história de amor meio confusa entre Selena e o boy, com estrutura meio sincopada, alguns trechos falados, gemidos bem colocados, o refrão mais grudento do primeiro semestre e uma interpretação impecável da Selena. O que é essa menina hoje, que puta intérprete! É uma artista que conhece suas limitações, sabe trabalhar com elas e o que fazer com a própria voz.

O resultado é um dos melhores singles pop do ano, que recebeu praise da Pitchfork com uma “Best New Track” e a bênção do David Byrne, vocalista e guitarrista do Talking Heads e um dos artistas mais cultuados da indústria.”Bad Liar” mostrou uma evolução grande e surpreendente (a Interscope confia mesmo na Selena, porque a música tem risco, mesmo sendo extremamente pop), e me fez ficar ainda mais curiosa com o que  ela vai oferecer na sua segunda empreitada solo.

(agora, é fato que a Selena capturou o delivery vocal TODINHO da Julia Michaels no começo da faixa né haha)

⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

Bonus track: “Strip That Down” (Liam Payne feat. Quavo)

Né… Enfim…

Zayn, Niall e Harry possuem vozes distintas e marcantes no ouvido do público comum, na hora de divulgar o material solo… Porque o Liam é lindo, mas tem o vocal tão marcante quanto um boi pastando.

Pra piorar, parece alguma coisa que o Justin Timberlake rejeitou e foi passada pelo Nick Jonas, que nem quis gravar; e ficou dentro do guarda-roupa do Justin Bieber. Que horror.

 

E você,  o que achou dos lançamentos da semana? Concorda com a ordem que eu listei aqui ou preferia outra música nas primeiras posições?

Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

No “Team” da Iggy Azalea, só ela entra

Cover Iggy Azalea TeamVocê ainda se lembra de Iggy Azalea? Ela mesma, o furacão australiano que estava na boca do povo em 2014 com os hits do debut “The New Classic”, com músicas mais pop que hip hop e uma imagem aceitável para o público médio consumir, em se tratando de rap, e criando feuds com outras rappers mais talentosas no pedaço – como a encrenqueira Azealia Banks e a bem sucedida Nicki Minaj.

O problema foi que o hype passou e Iggy não conseguiu segurar a onda – nem as críticas, bem-vindas, ao sotaque forçado de mulher negra americana (sendo que a moça é loira australiana), à música que era um hip hop para neófitos ou de rápido consumo; os tweets de cunho preconceituoso do passado e à ausência nos movimentos de defesa dos negros que tiveram em 2014-15, já que a moça usava da música negra para obter sucesso – que desse apoio aos negros quando eles eram vítimas de truculência policial e preconceito.

Um flop monumental aqui (“Pretty Girls”) e uma turnê cancelada acolá, Iggy Azalea sumiu da mídia e agora está de volta com o desafio do segundo álbum, chamado “Digital Distortion”, e a chance de provar que sua imagem não possui mais as rachaduras do passado. Com isso, a moça abre os trabalhos do novo CD com “Team”, uma faixa menos pop que todos os singles do “New Classic”. Juntos.

Mas isso não significa que Iggy (nascida Amethyst Amelia Kelly) tenha ido para um gangsta rap pesado e hardcore. A música tem um refrão fácil e uma batida up, eletrônica mas sem ser EDM, como se fosse um hip hop eletrônico (talvez uma dica do título do CD?) e uma letra até interessante, com referências até às Kardashians, sobre se bastar, ser independente diante do mundo.

A faixa demora pra pegar, mas quando pega, fica na sua cabeça. É grower e tem um crescendo no pré-refrão que literalmente vira um break trap no refrão, e depois sobe de novo – ou seja, perfeita para se jogar nas pistas e rebolar até o chão (aliás, “Team” já tem um dance video). É uma música pronta para fazer sucesso, e com o olho bom da Iggy para vídeos, espere algo extremamente bem produzido e inspirado.

No entanto, será que faz sucesso? Como música, neste período do ano – primavera – e os grandes artistas A-list ainda se movimentando em produzir e compor (Adele é outra liga); e com a era confusa da Rihanna (mesmo com um #1), é o momento da Iggy brilhar. E “Team” é perfeita pra isso. Só que a imagem da moça já está intacta o suficiente para conquistar pelo menos um top 10? E o público ainda quer Iggy Azalea? Esse é o grande mistério da rapper.

O que você achou de “Team”? Pode fazer sucesso ou a vez da Iggy já passou?

Uma ou duas coisas sobre o vídeo de “Pretty Girls”

, Los Angeles, CA - 04/9/2015 - Britney Spears and Iggy Azalea film a Music Video -PICTURED: Britney Spears and Iggy Azalea -PHOTO by: Vince Flores/startraksphoto.com -VIF32550 Editorial - Rights Managed Image - Please contact www.startraksphoto.com for licensing fee Startraks Photo New York, NY For licensing please call 212-414-9464 or email sales@startraksphoto.com Startraks Photo reserves the right to pursue unauthorized users of this image. If you violate our intellectual property you may be liable for actual damages, loss of income, and profits you derive from the use of this image, and where appropriate, the cost of collection and/or statutory damages.

Em primeiro lugar, desde o lançamento do novo clipe da Britney Spears, “Pretty Girls”, com participação da Iggy Azalea, que surgiu na popsfera ontem, eu sempre tiro um momento do dia pra assistir – seja no celular ou no notebook. O clipe é delicioso, divertido, despretensioso, trash na medida certa e mostra Brit Brit à vontade como há muito tempo a gente não tinha a chance de ver.

A história, inspirada no filme oitentista “Earth Girls Are Easy” (1988), conta as peripécias de uma alien interpretada pela Iggy, que acaba caindo na Terra, na casa de uma típica garota fútil (a Britney), que dá um banho de loja na extraterrestre e logo sai com ela pelas ruas de Los Angeles, com direito a product placement bizarro, Britney fazendo a sem noção e um break no meio da música pra gente lembrar dos bons tempos da princesa do Pop – a dança não é exatamente como antes, mas ela parece mais ativa e alegre que anos atrás.

A segunda coisa relativa a “Pretty Girls” é o impacto da faixa nos charts e a capacidade de se tornar viral. Em um dia, foram mais de três milhões de visualizações do clipe no Youtube, o que é considerado problemático em se tratando de um nome lendário como Britney (para efeito de comparação, nas primeiras 24 horas, o vídeo de “Anaconda”, de Nicki Minaj chegou a 19 milhões e 600 mil visualizações). O lançamento do vídeo até está ajudando na subida da música no chart digital, mas a música ainda não pode ser considerada um grande hit.

Esse hit, que eu estava prevendo pelo caráter radiofônico, atual, com um nome popular nos charts mas com o jeito da Britney, só seria possível, evidentemente, se a Britney realizasse performances nos lugares certos e lançasse através das plataformas certas, com o buzz necessário. No entanto, “Pretty Girls” (que terá sua primeira performance numa premiação bacana, o Billboard Music Awards), após o lançamento do single, ficou jogado no meio da guerra dos charts, sem o buzz devido – sem teasers do vídeo (que só apareceram praticamente um dia antes do lançamento do clipe), sem tweets pedindo que o público comprasse a música nem a famosa radio tour e as entrevistas nos programas.

É compreensível que Britney, neste momento, esteja envolvida na residência em Las Vegas, mas a esta altura do campeonato, após o flop monumental do “Britney Jean”, o que ela precisa é de exposição para fazer a música vender. Britney Spears está chegando naquela idade fatal para as mulheres na música pop – quando elas recebem resistência fortíssima das rádios e de um público desejoso de artistas cada vez mais jovens – e para quebrar essa resistência, o buzz e o viral (especialmente nas redes sociais, mais próximos do público jovem) são importantes. O vídeo de “Pretty Girls”, com o seu caráter retrô e divertido, chamou a atenção das redes sociais e dos sites de entretenimento, mas para quem veio de uma era extremamente problemática, apenas ser “Britney Spears” não é suficiente.

Exceto se é isso que ela realmente quer.

Britney Spears quer hitar e te divertir – e traz companhia em “Pretty Girls”

A Princesa do Pop está de volta com a missão de tirar o topo do Hot 100 do que pode se chamar de um oligopólio e roubar o verão para si! Após o flop monumental (e merecido) de seu último álbum, “Britney Jean” (porque o CD sofre de uma falta de inspiração patente), e uma temporada de shows bem sucedidos em Las Vegas, Britney Spears decidiu chamar a atenção do mercado e do grande público para si com um featuring bem esperto – Iggy Azalea, fresh e que chama hit, apesar das recentes controvérsias – e algumas fotos circulando pela net do vídeo clipe que parece ter uma estética oitentista bem marcante, trash e com tudo para viralizar.

Tudo isso para colocar todos os olhos e ouvidos sobre “Pretty Girls“, o lead single do novo álbum da loira. Mas será que desta vez, Brit Brit pode hitar? Cover Britney Spears Pretty Girls Primeiro, importante ressaltar que ao invés de investir em mais do mesmo, como as colegas em meio a comebacks andaram fazendo (oi Fergie! oi Gwen!), Britney olhou para o mercado e viu que o urban estava em alta, mas apesar da faixa ter uma pegada “Fancy” mais acelerada, o espírito fun da letra (“somos lindas, todos os caras estão atrás da gente”) e esse jeitinho meio 80’s (especialmente pelos sintetizadores) tornam a faixa vintage mas novinha aos ouvidos ao mesmo tempo. A produção do The Invisible Man, que não são exatamente as pessoas mais criativas do mundo, conseguiu entregar algo legal e que ao mesmo tempo te lembra outras faixas sem parecer que entregaram uma demo B pra Britney. E te pega de cara! O refrão é muito marcante e eficiente, com a vívida impressão de que ou a Charli XCX (fã declarada da Britney) ou a Gwen Stefani fizeram o backing de “Pretty Girls”.

(aliás, Gwen adoraria ter uma música como essa para o seu retorno solo)

O rap da Iggy não é exatamente um clássico, nem é tão marcante quanto sua participação em “Problem” da Ariana Grande, mas as respostas dela no pré-refrão são on point.

Esse é um single impactante não apenas porque é algo fora do que a Britney andava fazendo nos últimos anos (o EDM eletropop), mas também porque é algo facilmente identificável com o grande público. Todo mundo pode dançar e se divertir ao som da música, e tem todos os elementos de hit viral massivo de verão. Imagine os vines, snapchats e dancinhas virais no Youtube ao som do refrão, gente dublando no dubsmash… Ainda mais com as fotos que vem aparecendo há um mês do vídeo, com figurinos oitentistas, bem kitsch e exagerado, e uma Britney dançando aparentemente com mais vontade do que outras vezes.

Por fim, eu amei a música! Se for bem trabalhada (com performances nos lugares certos e lançando nas plataformas certas, sem esquecer digital ou streams), tem cara de #1 no Hot 100 com umas quatro semanas construindo morada no topo. O que seria maravilhoso para Brit Brit! A princesa merece um retorno à altura!

E você, se empolgou com “Pretty Girls”?

Grammy 2015 – Indicados a Gravação do Ano

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A premiação de “Gravação do Ano” faz parte do Big Four, as quatro categorias “nobres” do Grammy (junto com Canção do Ano, Artista Revelação e Álbum do Ano). Os vencedores desse prêmio são o artista, o produtor e o engenheiro/mixador de som – ou seja, o foco desse prêmio são os aspectos de produção da música. Normalmente os grandes sucessos do ano entram aqui – assim como músicas icônicas na cabeça de qualquer pessoa que já tenha ouvido uma canção na vida.

Entre os vencedores antigos mais famosos estão Simon & Garfunkel, com “Mrs. Robinson (aquela mesma do filme “A Primeira Noite de um Homem”), Roberta Flack com “Killing Me Softly With His Song”, The Eagles com “Hotel California”, Billy Joel com “Just The Way You Are” (aquela que muita gente conhece na voz do Barry White) e Christopher-fucking-Cross com “Sailing”.

Entre a turminha mais recente, Amy Winehouse levou com “Rehab”, Lady Antebellum foi premiado com “Need You Now”, Adele se consagrou com “Rolling In The Deep” e este ano, “Get Lucky” do Daft Punk foi a escolhida.

Para a edição de 2015 do Grammy, os indicados para levar o prêmio vêm de uma lista muito diversa. Muita gente esperava a versão live de “Happy”, ou “Let It Go” ou “Drunk In Love” no corte final. Mas os votantes optaram por mesclar os principais hits do ano com entradas de última hora que deixaram a categoria com a sensação de “mas o que essas intrusas estão fazendo aqui”, ao mesmo tempo que fecha o favoritismo com uma atração vinda lá da terra da Rainha.

Primeiro, os indicados
Iggy Azalea featuring Charli XCX, “Fancy”
Sia, “Chandelier”
Sam Smith, “Stay With Me” (Darkchild Version)
Taylor Swift, “Shake It Off”
Meghan Trainor, “All About That Bass”
Agora as análises… Continuar lendo