Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

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Combo de álbuns – Kendrick Lamar, “DAMN.”e Harry Styles, “Harry Styles”

Prometi, protelei e cheguei com mais um “Combo de Álbuns”, com dois lançamentos que considero entre os melhores de 2017. Qualidade comercial, identidade artística e retorno comercial são elementos que ajudam a tornar os dois CDs alguns dos lançamentos mais vibrantes do ano, cada um em fields distintos.

“DAMN.“, o quarto álbum do Kendrick Lamar (lançado em 14.04.17), o sucessor da obra-prima “To Pimp A Butterfly”, chegou com uma missão – corresponder às altíssimas expectativas em torno do trabalho do K-Dot, alçado a uma das cabeças pensantes da música atual, gênio e uma das figuras mais relevantes da cultura pop. O rapper conseguiu fazer algo incrível – se não superou TPAB (o que é uma missão ingrata), ele ofereceu a todos nós um álbum excelente, com ótima qualidade, e com apelo comercial suficiente para colocar três músicas no top 10 da Billboard e “Humble” como seu primeiro #1 solo.

Já o self-titled do Harry Styles (lançado em 12.05.17) é o debut do britânico após o hiato do One Direction. Todo mundo ficou de olho no que o jovem colocaria pro jogo – afinal de contas, ele era o membro mais popular da boyband e todos consideraram que ele tinha maior potencial para hitar. O que Harry ofereceu ao grande público foi uma verdadeira – e grata – surpresa: um CD de rock, mais precisamente emprestando o estilo soft rock, setentista, com um ar nostálgico, tocante e melancólico. Um álbum de muita personalidade e que alcançou muita gente fora do espectro do One Direction, e que além das boas críticas, foi lançado em primeiro lugar na Billboard 200 com mais de 230 mil cópias, sendo 190 mil só de álbuns (imagine isso em 2017, e com um artista cuja base de fãs é formada por jovens adultos e adolescentes que não compram CD físico nem digital há séculos).

Hora de saber o que há de tão bom nesses dois álbuns!

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Vencedores e perdedores de 2017 [primeiro semestre]

O ano de 2017 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop – especialmente quando estamos num dos anos mais curiosos dentro do mainstream: com a ascensão quase dominante dos streams como determinante para o sucesso de uma faixa (ou de um estilo), muitos artistas e gêneros estão padecendo para se inserir numa nova cultura de consumo – e atingir o público que lá está, enquanto outros conseguiram o segredo para um hit, um viral, e execuções certeiras no Spotify.

Ao mesmo tempo em que veteranos e novatos lutam para entender e se adequarem à nova ordem da indústria, podemos dizer que a “guerra dos sexos” dentro do mundo pop hoje está com os homens ganhando de goleada. Eles estão com os álbuns mais bem recebidos, singles de sucesso e parcerias que deram certo – além dos gêneros que dominam as rádios e streams atualmente serem justamente aqueles onde os male acts dominam. E o pop, que durante toda a primeira metade da década foi uma festa feminina, hoje se tornou um clube do Bolinha.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2017, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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Últimos lançamentos: Harry Styles x Lady Gaga

Hora de prosseguir com os lançamentos dos últimos dias com dois singles oriundos de artistas em pontos diferentes da carreira: o britânico Harry Styles, com a sua épica “Sign of the Times”; e Lady Gaga com a surpreendentemente pop “The Cure”.


Quando uma boy band (ou girl band) termina, entra em hiatus ou se separa porque rolaram brigas tensas de bastidores, a gente sempre se questiona qual será o futuro dos integrantes. Sempre tem um que estoura e se torna o astro (pode entrar Timberlake), tem sempre o que sai primeiro e flopa (Nicole, alguém?), e tem as exceções à regra (Robbie Williams, Bobby Brown); além daquelas bandas que ninguém emplacou em carreira solo porque no fim das contas, eles são melhores juntos (sim, vocês mesmos, Backstreet Boys).

No caso do One Direction, o grupo de adolescentes mais bem-sucedido da década, a banda seguiu por mais um álbum após a saída de Zayn Malik; e depois da divulgação do álbum “Made in A.M.”, os membros restantes seguiram seus caminhos musicais (ou de celebridade) em relativa paz e amizade. Cada um dos integrantes lançou material próprio, seja um single solo (Niall) ou um featuring (Louis); mas quem todo mundo esperava um single era Harry Styles, o mais conhecido da banda – seja pelo namoro relâmpago com Taylor Swift, seja pelo próprio carisma do garoto.

E o rapaz chegou colocando o pé na porta um um single do caralho, completamente diferente do que está rolando no momento, um pop/rock na vibe setentista, lembrando David Bowie e Queen, e com uma letra super “dentro do que vivemos hoje”, “Sign of the Times”, que parece ecoar as nossas tensões internas num mundo que parece à beira do abismo. Com uma voz perfeita para o rock, com potência e aquele raspy/rouquidão bem on point, é moody, é melancólica, é esperançosa, tem poder e tem tristeza, é um emaranhado de emoções e tem 5:40 de duração – ou seja, vai rolar radio edit pra tocar nas rádios, porque o moço não voltou disposto a só fazer música pra hitar. Harry quer fazer um statement, e fez muito bem.

Se 2017 é o ano em que os acts masculinos estão brilhando mais do que as female pop stars, “Sign of the Times” é um dos motivos. A música gruda na sua cabeça pelos motivos certos: é muito boa, tem ecos do passado sendo moderna, tem um refrão que cola mesmo e a letra é muito bem trabalhada, tendo as referências certas para o mundo em que estamos hoje.

Que musicão, que material, imagina só o que ele tem planejado para o debut? Segue uma carreira solo bem intrigante pra acompanhar.


Já a Lady Gaga lançou durante seu show no Coachella neste fim de semana um single novo, “The Cure”, que passa longe da pegada country/pop/rock do “Joanne”. Ninguém sabe exatamente se a música é pra algum relançamento, ou é um single avulso, mas o fato é que a música é straight pop na veia, com algum flavor de midtempo EDM que tá fazendo sucesso hoje em dia, e uma letra simples sobre amor incondicional.

Eu queria ter gostado mais da faixa como os americanos, que mandaram “The Cure” diretamente para o #1 no iTunes, mas não consegui. A música é até boazinha, mas no fim das contas, parece mais um pop genérico dessas new acts que tentam a sorte na popsfera. O refrão é pouco marcante e o delivery vocal da Gaga é médio, longe de outros momentos interessantes dela na carreira. Achei muito sem graça, infelizmente.

O pior é que, como a gente não faz ideia do objetivo desse single, não dá pra saber se é pra um relançamento do “Joanne” (o que não faz sentido, porque a sonoridade não tem nada a ver) ou alguma música pra EP, ou pra dar uma pimpada nos streams da Gaga (como foi com “Body Say” da Demi Lovato). Mas se isso for algum indicativo de uma mudança de sonoridade para um próximo álbum, melhor a Gaga retornar ao estúdio. Mas que música chata.

E vocês? O que acharam dessas duas músicas?