Como chegamos aos indicados a… [1] Pop Solo Performance

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Num ano em que o pop se solidificou como um ritmo “marginal” dentro do mainstream (enquanto o rap e o urban se tornaram de fato os ritmos principais da cultura pop), faz até algum sentido as canções associadas ao ritmo não terem feito o corte final no General Field. Evidentemente, todos os “adivinhos” e outros jornalistas pensavam nas divisões de fields e artistas de destaques no ano em que passou (como a gente tinha comentado no esquenta relacionado ao Record of the Year), mas a surpresa foi que o Grammy realmente focou no que fez sucesso e dominou o mainstream, deixando de lado acts famosos e A-lists da música.

Pessoalmente, exceto pela exclusão do Ed Sheeran (que teve um dos maiores hits do ano e pelo menos em ROTY sua indicação era compreensível), ver os resultados no General Field é um sopro de ar fresco em que finalmente o Grammy compreendeu que ele precisa não apenas escolher a excelência em música, assim como a excelência que está relacionada ao que o público realmente ouve nas rádios, celulares e serviços de streaming. Concorde-se ou não com a decisão da Academia, o que interessa é que muitos dos favoritos dos fãs de música pop ficaram restritos ao field – um sinal surpreendente, quando observamos premiações anteriores, mas um reflexo do que realmente houve no período de elegibilidade (e não um “fantástico mundo de Bobby” dos votantes da Academia).

(se essa tendência foi só para este ano, devido a pressões externas, ou se é um sinal de renovação por parte dos jurados, isso só o tempo dirá. Sou cínica e acho que é só uma cortina de fumaça, infelizmente.)

Essa introdução é importante para compreendermos como nós chegamos até esta configuração de indicados a Pop Solo Performance, uma categoria que sempre foi o termômetro para as vitórias em Record (e também Song), mas que agora servirá ou como prêmio de consolação para quem foi esnobado no General Field, ou a consagração de acts em momentos distintos da carreira.

Vamos aos indicados:

“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

A análise segue após o pulo!

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Anotaram a placa do caminhão que me atropelou?

Eu ainda estou tonta com as indicações ao Grammy 2018 – sinceramente, nunca imaginei que a lista final (especificamente o General Field) seria como foi. Deve ser o Big Four mais current e alinhado com as tendências atuais e o landscape musical, além de ter o nome mais surpreendente – pra mim – do ano. Algumas pessoas citaram o Jay-Z em alguns fóruns, mas ele nunca foi um nome forte nas listas finais. A presença dele em Canção/Gravação e Álbum do Ano mexeram completamente com as previsões de muita gente e no caso de AOTY, torna a corrida para o prêmio a mais improvável dos últimos anos.

Porque eu não sei mais se o Kendrick Lamar está tão garantido assim com a vitória.

Aparentemente a bancada ouviu as reclamações dos últimos anos e deram espaço a acts negros e latinos no Big Four. Temos em AOTY três negros e um latino; em Record, três negros e três latinos; e entre os últimos, quatro em Canção (Julia Michaels tem origem mexicana). Os indicados em artista revelação também apresentam essa diversidade. É importante ressaltar que o espaço dado às minorias no Grammy, mesmo que pareça (e tem jeito de) “ato de bondade” (mesmo que saibamos que é uma cortina de fumaça para ano que vem voltar a ser “tudo a mesma coisa”), e sim reconhecimento de quem realmente movimenta e lança trends no mercado musical. Quem realmente domina o mainstream e deveria receber mais crédito.

Para a 60ª edição do Grammy, a promessa é de mais surpresas do que eu pensava – se eu achava que a noite seria dispersa com vários prêmios espalhados para artistas distintos, agora acho que se bobear, vai ter gente saindo com um prêmio cada (ou pelo menos um artista dominando seu field). Surpresas como a indicação de “Despacito” em Gravação E Canção; as indicações recebidas pela Kesha (lembra-se de que eu achava que ela só teria chance em Pop Solo – e conquistou uma indicação merecida, maravilhosa, por Álbum Pop?); o Grammy mostrar algum amor pela Lana del Rey; as indicações pro Childish Gambino (Donald Glover), coroando um ano maravilhoso para o rapaz, que já em tem casa Globo de Ouro e Emmy. Será que rola Grammy no caminho?

Entre surpresas e indicações até óbvias (Lady Gaga no pop field, as indicações do K-Dot e do Bruno Mars, até mesmo a indicação dos Imagine Dragons), a esnobada que talvez seja a mais dolorida foi a do Ed Sheeran. Para muitos (eu mesma!) era lock em Record, tinha chances altas de levar prêmio e era o rival perfeito do “DAMN.”, mas a Academia simplesmente restringiu o medíocre “÷” nas categorias onde ele deve estar, pelo apelo comercial e abrangência pop, no field pop. E sinceramente? Não duvido nada de que o ruivo saia de mãos vazias da premiação. A categoria em que ele está se tornou forte demais.

Já a Lorde, podemos desconfiar do objetivo do Grammy em relação a essa indicação solitária para Álbum do Ano. Acredito que ela pode não ter conseguido os votos suficientes para fazer o corte final no Pop Field, mas os votantes do General Field “empurraram” a indicação da neozelandeza em AOTY por objetivos políticos – para que a lineup não fosse totalmente masculina. Lorde é uma artista com aclamação da crítica, ninguém acharia estranho. Só que soa pouco sutil a única mulher indicada a Álbum do Ano ser branca. Como se fosse uma “safe choice” caso os votos se dividam.

Dadas essas considerações (e perguntas para queimar sua mente), vamos acompanhar calmamente essa campanha do Grammy, mas a corrida do Big Four vai ser surpreendente. Vai depender muito dos fields e dos gostos dos votantes (e da política, claro). Aposto que eles vão encontrar uma solução safe, mas edgy, pra ninguém ficar chateado.

Agora é hora de conferir os indicados ao Grammy 2018!

RECORD OF THE YEAR
Redbone – Childish Gambino
Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
The Story Of O.J. – JAY-Z
HUMBLE. – Kendrick Lamar
24K Magic – Bruno Mars

 

ALBUM OF THE YEAR
“Awaken, My Love!” – Childish Gambino
4:44 – JAY-Z
DAMN. – Kendrick Lamar
Melodrama – Lorde
24K Magic – Bruno Mars

 

SONG OF THE YEAR
Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
4:44 – JAY-Z
Issues – Julia Michaels
1-800-273-8255 – Logic feat. Alessia Cara
That’s What I Like – Bruno Mars

 

BEST NEW ARTIST
Alessia Cara
Khalid
Lil Uzi Vert
Julia Michaels
SZA

 

BEST POP SOLO PERFORMANCE
“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

 

BEST POP DUO/GROUP PERFORMANCE
“Something Just Like This” – The Chainsmokers & Coldplay
“Despacito” – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
“Thunder” – Imagine Dragons
“Feel It Still” – Portugal. The Man
“Stay” – Zedd feat. Alessia Cara

 

BEST POP VOCAL ALBUM
“Kaleidoscope EP” — Coldplay
“Lust for Life” — Lana Del Rey
“Evolve” — Imagine Dragons
“Rainbow” — Kesha
“Joanne” — Lady Gaga
“÷” — Ed Sheeran

 

BEST DANCE RECORDING
Bambro Koyo Ganda – Bonobo Featuring Innov Gnawa
Cola – Camelphat & Elderbrook
Andromeda – Gorillaz Featuring DRAM
Tonite – LCD Soundsystem
Line Of Sight – Odesza Featuring WYNNE & Mansionair

 

BEST DANCE/ELECTRONIC ALBUM
“Migration” — Bonobo
“3-D the Catalogue” — Kraftwerk
“Mura Masa” — Mura Masa
“A Moment Apart” — Odesza
“What Now” — Sylvan Esso

 

BEST URBAN CONTEMPORARY ALBUM
“Free 6lack” — 6lack
“Awaken, My Love!” — Childish Gambino
“American Teen” — Khalid
“CTRL” — SZA
“Starboy” — The Weeknd

 

BEST R&B ALBUM
Freudian – Daniel Caesar
Let Love Rule – Ledisi
24K Magic – Bruno Mars
Gumbo – PJ Morton
Feel The Real – Musiq Soulchild

 

BEST RAP PERFORMANCE
“Bounce Back” — Big Sean
“Bodak Yellow” — Cardi B
“4:44” — Jay-Z
“HUMBLE.” — Kendrick Lamar
“Bad and Boujee” — Migos featuring Lil Uzi Vert

 

BEST RAP ALBUM
“4:44” — Jay-Z
“DAMN.” — Kendrick Lamar
“Culture” — Migos
“Laila’s Wisdom” — Rapsody
“Flower Boy” — Tyler, the Creator

 

BEST LATIN POP ALBUM
“Lo Único Constante” — Alex Cuba
“Mis Planes Son Amarte” — Juanes
“Amar y Vivir en Vivo Desde la Ciudad de México, 2017” — La Santa Cecilia
“Musas (Un Homenaje al Folclore Latinoamericano en Manos de los Macorinos)” — Natalia Lafourcade
“El Dorado” — Shakira

 

BEST LATIN ROCK, URBAN OR ALTERNATIVE ALBUM
“Ayo” — Bomba Estéreo
“Pa’ Fuera” — C4 Trío and Desorden Público
“Salvavidas de Hielo” — Jorge Drexler
“El Paradise” — Los Amigos Invisibles
“Residente” — Residente

 

BEST SONG WRITTEN FOR VISUAL MEDIA
City Of Stars – Justin Hurwitz
How Far I’ll Go – Lin-Manuel Miranda
I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker) – Jack Antonoff
Never Give Up – Sia Furler & Greg Kurstin
Stand Up For Something – Common & Diane Warren

 

BEST MUSIC VIDEO
Up All Night – Beck
Makeba – JAIN
The Story Of O.J. – JAY-Z
HUMBLE. – Kendrick Lamar
1-800-273-8255 – Logic feat. Alessia Cara

Vamos começar as análises dos indicados ao Grammy com uma categoria que se tornou de cara a mais excitante dos últimos anos – Pop Solo Performance. Habemus competição!

(e sobre as análises de indicados a Álbum do Ano, tem uma novidade chegando por aí, que não vou contar até que apareça aqui no blog… Fique de olho)

Esquenta para o Grammy [2]

Hora de prosseguir com o esquenta do Grammy 2018, já que enquanto não sabemos quem fez o corte final, vale a pena celebrar vencedores de anos anteriores e entender um pouco sobre o contexto dessas vitórias (que de fato, é o segredo pra entender por que a Academia toma ou não determinadas decisões).

Desta vez, os insights se concentram na categoria de Gravação do Ano, uma das mais prestigiadas do Grammy, fazendo parte do General Field (além de Canção do Ano, Artista Revelação e Álbum do Ano). O award que premia hits e grandes momentos da música um histórico bem interessante de clássicos, polêmicas, escolhas seguras ou consagradas, a depender da época ou da visão de quem analisava o Grammy naquela época.

Como sempre, a viagem no tempo começa em 1980 e segue até 2017, fazendo deste post uma leitura de fôlego. Respire fundo e acompanhe depois do pulo!

*lembrando sempre: este prêmio é dado ao artista, produtor, o rapaz da masterização engenheiro de som e mixador. Antigamente, o gramofone só ficava na mão do produtor e do artista.

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Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]


O update das previsões pós-período de elegibilidade está aqui. É só clicar!

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

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