Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

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Design de um Top 10 [19] Taylor Swift e mais 17 pessoas curtiram este post

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Um vídeo cheio de estrelas, de uma música que já tinha buzz desde antes de termos ouvido um acorde da canção, e que teve mais buzz ainda com todo o suspense com as participações especiais. Tudo isso não seria possível sem um vídeo extremamente bem feito, dirigido de forma magistral por um dos grandes videomakers da atualidade e com elementos importantes que fizeram de música/vídeo uma combinação excelente para superar um dos hits do ano, que era imparável há seis semanas.

Comemorem, Swifties: “Bad Blood” chegou à liderança na Billboard Hot 100! O nosso “Design” de hoje vai falar sobre como o quarto single do “1989” ascendeu ao topo e colocou Taylor Swift como a única mulher até agora a conseguir #1 em 2015.

 

Top 10 Billboard Hot 100 (06/06/2015)

1. “Bad Blood” – Taylor Swift (feat. Kendrick Lamar)
2. “See You Again” – Wiz Khalifa (feat. Charlie Puth)
3. “Trap Queen” – Fetty Wap
4. “Shut Up and Dance” – Walk the Moon
5. “Earned It” – The Weeknd
6. “Uptown Funk” – Mark Ronson (feat. Bruno Mars)
7. “Want to Want Me” – Jason Derulo
8. “Hey Mama” – David Guetta (feat. Nicki Minaj, Bebe Rexha e Afrojack) *
9. “Sugar” – Maroon 5
10. “Nasty Freestyle” – T-Wayne

 

Taylor SwiftCom um salto de 52 posições, Taylor Swift colocou o quarto single do seu aclamado álbum “1989” na primeira posição da Billboard, interrompendo com o que prometia ser mais uma longa jornada de um #1 no topo, com “See You Again”. O vídeo viral de “Bad Blood”, que trouxe um elenco estrelado e um remix que deu um belo up na música original, compensou a falta do material da Taylor no principal serviço que colabora com as pontuações de streaming na Billboard (o Spotify) – e um dos motivos pela liderança da música foi o número de visualizações no Youtube – que bateu o recorde das 24 horas, com mais de 19 milhões de views. Nos charts digitais, a música cresceu muito, especialmente após o lançamento no Billboard Music Awards, pulando da 26ª posição para a liderança, e com vendas de 385 mil downloads, ajudou a tirar a diferença de “See You Again”. Nas rádios, as subidas foram fortes (já tinham algumas execuções anteriores, mas com a versão solo), e apesar de ainda não ter chegado no top 10 no Mediabase, a faixa parecer ter uma certa longevidade nas rádios. Não vejo uma vida longa nos streams, contudo – mas acho que a música pode resistir pelo menos mais uma semana na primeira posição, e depois provavelmente SYA pode voltar por uma semana até outra música chegar à primeira posição (e não é a faixa que eu desconfiava nesses últimos dias).

Observação bacana: é o 4º #1 de Taylor Swift, e o primeiro de Kendrick Lamar, o que é merecidíssimo. Apesar de não ser de uma música própria do rapper, é importante para o grande público prestar atenção no grande trabalho do cara. VÃO OUVIR TO PIMP A BUTTERFLY!

 

Jason DeruloA subida meteórica de “Bad Blood” fez com que muitas canções sólidas no top 10 caíssem, como “Want To Want Me”, do Jason Derulo, que desceu uma posição – e agora está em sétimo no top 10. Mesmo assim, a faixa tem potencial de ser #1 na Billboard (poderia ser o segundo do cantor), nem que seja por uma semana. A faixa está muito bem nas rádios, com maior subida no top 10 do Mediabase, e no geral, apenas BB e a nova do Maroon 5 (“This Summer’s Gonna Hurt) estão subindo mais. A faixa está em sexto lugar no iTunes (se mantendo há semanas no top 10 com entradas e saídas de contenders do The Voice, awards e virais), e só está um pouco mais fraco nos charts de stream, onde está no top 20. Mas acredito que, com a força das rádios e o lançamento do álbum na próxima semana podem ajudar a música a crescer mais. Acho que dá.

 

 

David GuettaHora de falar de “Hey Mama” mais uma faixa top 10 de David Guetta. O DJ francês chamou Nicki Minaj, Afrojack e a cantora e compositora Bebe Rexha para seu novo hit, uma música que mistura bem o eletrônico com uma pegada meio urban, com uns ecos tribais. A trajetória da faixa vem sendo de crescimento sólido desde o início. Apesar de uma leve queda nos charts digitais nesta semana, a faixa está em sétimo lugar no Digital Songs; está no top dez das rádios e pertinho do top 10 dos charts de streaming. Ou seja, a música ainda está longe de seu peak – principalmente porque o verão já está na porta, e a faixa, com o refrão chiclete e a batida dançante que convida a #partyallthetime tem a cara dessa estação – e a música tem cara de que vai fazer moradia no top 10. Um #1? Não acredito muito, mas “Hey Mama” tem pinta de canção estável no chart.

(e por falar em refrão, a dona do refrão vibrante é Bebe Rexha, cantora/compositora que até então, não tinha sido creditada na música – apesar de ser uma das compositoras de “Hey Mama”. A moça declarou em entrevistas que a gravadora preferiu tirá-la do featuring porque aparentemente não seria “bom” pra canção ter tantas participações especiais, mas aparentemente os apelos posteriores da Bebe fizeram efeito e o nome dela já está em tudo que envolve a canção. Final feliz pra todo mundo – mas que história sem sentido)

E você, o que achou do novo #1 da Billboard Hot 100 hoje?