Design de um top 10 [35] Amém, Kendrick

Não sei se vocês estão sabendo, mas KENDRICK LAMAR CONSEGUIU O #1 COM HUMBLE, destronando finalmente “Shape Of You” do #1, onde ficou tantas semanas que eu já esqueci o número. Lambs felizes, fãs do K-Dot e todo mundo que gosta de boa música pulando de alegria e evidentemente o chart deu uma bela (e boa) bagunçada com a entrada das faixas de “DAMN.” no Hot 100 – merecidíssimo, porque o álbum é monstruoso (sim, vou resenhá-lo aqui, Kendrick merece, conseguiu fazer um álbum comercial e incrível, sem perder o prumo), e já está bombando nos streams (que ajudaram o K-Dot a chegar neste momento).

Este momento do mês é o que marca a transição para os singles do verão: teoricamente, vão aos poucos saindo as midtempos e as faixas mais lentinhas do chart para os pancadões uptempo e as promessas de hit da estação. Mas, a julgar pela dominação urban em 2016-17, não duvido nada de que os hits este ano sejam algum rap que vai viralizar, um batidão urban pra fazer todos dançarem nas festas; e algum DJ vai lançar um hit farofa. É o que a música pop vem apresentando ultimamente – essa divisão entre rap, urban e EDM mais “orgânico” a la Chainsmokers é o que está mandando nos charts, e não parece sumir tão cedo (ao contrário do tropical house, que já está decaindo).

(ou sei lá, será que é hora de uma nova explosão latina? TRUMP CHORA)

Hora de ver o que aconteceu nesta semana, em que finalmente uma mulher voltou a figurar no top 10 do Hot 100.

Top 10 Billboard Hot 100 (06.05.2017)

#1 Humble  – Kendrick Lamar

#2 Shape Of You – Ed Sheeran

#3 That’s What I Like  – Bruno Mars

#4 DNA – Kendrick Lamar

#5 Mask Off  – Future

#6 ISpy – Kyle feat. Lil Yachty

#7 Stay – Zedd feat. Alessia Cara

#8 Something Just Like This – The Chainsmokers feat. Coldplay

#9 Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat. Justin Bieber

#10 XO TOUR Llif3 – Lil Uzi Vert

 

Humble” é o segundo #1 do Kendrick Lamar, primeiro solo (o outro foi o remix da infame “Bad Blood” de famigerada história), que teve seu pulo de #3 para #1 impulsionadíssimo pelos streamings. A faixa está em primeiro lugar no chart específico há três semanas e só faz bater recordes. Ainda no top 10 do Digital Charts e crescendo nas rádios, a faixa ainda tem MUITO a crescer e render. Não é apenas um hit, é um baita viral e uma música impressionante que mostra, além do flow impecável do Kendrick, como ele sabe fazer sim hits sem perder a essência (ou seja, chega de featurings bizarros como “The Greatest” e “Don’t Wanna Know”).

Aliás, o cidadão colocou todas as músicas do “DAMN.” no Hot 100, e “.”, uma celebração à cultura negra, estreou na quarta posição do Hot 100. Amém, Streams; amém Kendrick!

 

Enquanto isso, uma mulher está de volta ao top 10 do Hot 100 – Alessia Cara, como featuring da faixa “Stay“, do DJ Zedd. Foi um retorno para os dois artistas às faixas mais consumidas na semana. A última visita do rapaz foi com “Break Free” da Ariana no já distante 2014; enquanto Alessia tinha curtido o gostinho do top 10 com “Scars to Your Beautiful”, ano passado. Uma volta merecida – a música é bem solar, fresh, bem amor adolescente (que combina com a voz juvenil da Alessia), apesar da batida parecer com toda essa pegada “orgânica” Chainsmokers, ao contrário das farofas yoki que o próprio Zedd apresentou antes (que já estavam datadíssimas, aliás).

Com bom desempenho nos charts dance, o fato é que a música ainda pode render mais e pelo menos chegar bem ao verão. É a cara do fim de tarde, quando termina o passeio na praia e a turma tá indecisa se volta pra casa ou estende a saída pela noite.

 

E esse hit, viral e tendência maravilhoso que é “Despacito“? A música do Luis Fonsi com o Daddy Yankee (que conseguiram o primeiro top 10 no Hot 100, corre que é histórico!) já tinha explodido nas rádios latinas, e fazia uma transição bacana para o crossover pop (lembrando que é uma faixa totalmente em espanhol), quando saiu na semana passada um remix com o Justin Bieber (cantando em espanhol) e a música deu um boom absurdo. Eu não queria admitir, mas que a inclusão do Bieber ajudou muito pra “Despacito” chegar à nona posição na Billboard subindo 39 posições (!), mas a faixa voltou para os charts digitais, cresceu nos streamings e deu um boost no chart de rádio ❤ lembrando que a versão que chegou ao top 10 é a remix porque os números foram responsáveis por mais da metade dos pontos da faixa no top 10.

Aliás, este é um momento histórico para a música latina – a última vez em que uma música toda cantada em espanhol chegou ao top 10 do Hot 100 foi com… Com…? Ricky Martin? Enrique Iglesias? J-Lo? 

ELES MESMOS – A MACARENA. Isso, há 21 anos atrás, direto do túnel do tempo. Só que Macarena chegou às 14 semanas em primeiro lugar nas paradas (socorro). Será que “Despacito” tem lenha pra queimar?

Por falar em “Despacito”, hora de deixar aqui a música para que vocês contribuam com mais pontos para a próxima semana 😉

 

Últimos lançamentos: Harry Styles x Lady Gaga

Hora de prosseguir com os lançamentos dos últimos dias com dois singles oriundos de artistas em pontos diferentes da carreira: o britânico Harry Styles, com a sua épica “Sign of the Times”; e Lady Gaga com a surpreendentemente pop “The Cure”.


Quando uma boy band (ou girl band) termina, entra em hiatus ou se separa porque rolaram brigas tensas de bastidores, a gente sempre se questiona qual será o futuro dos integrantes. Sempre tem um que estoura e se torna o astro (pode entrar Timberlake), tem sempre o que sai primeiro e flopa (Nicole, alguém?), e tem as exceções à regra (Robbie Williams, Bobby Brown); além daquelas bandas que ninguém emplacou em carreira solo porque no fim das contas, eles são melhores juntos (sim, vocês mesmos, Backstreet Boys).

No caso do One Direction, o grupo de adolescentes mais bem-sucedido da década, a banda seguiu por mais um álbum após a saída de Zayn Malik; e depois da divulgação do álbum “Made in A.M.”, os membros restantes seguiram seus caminhos musicais (ou de celebridade) em relativa paz e amizade. Cada um dos integrantes lançou material próprio, seja um single solo (Niall) ou um featuring (Louis); mas quem todo mundo esperava um single era Harry Styles, o mais conhecido da banda – seja pelo namoro relâmpago com Taylor Swift, seja pelo próprio carisma do garoto.

E o rapaz chegou colocando o pé na porta um um single do caralho, completamente diferente do que está rolando no momento, um pop/rock na vibe setentista, lembrando David Bowie e Queen, e com uma letra super “dentro do que vivemos hoje”, “Sign of the Times”, que parece ecoar as nossas tensões internas num mundo que parece à beira do abismo. Com uma voz perfeita para o rock, com potência e aquele raspy/rouquidão bem on point, é moody, é melancólica, é esperançosa, tem poder e tem tristeza, é um emaranhado de emoções e tem 5:40 de duração – ou seja, vai rolar radio edit pra tocar nas rádios, porque o moço não voltou disposto a só fazer música pra hitar. Harry quer fazer um statement, e fez muito bem.

Se 2017 é o ano em que os acts masculinos estão brilhando mais do que as female pop stars, “Sign of the Times” é um dos motivos. A música gruda na sua cabeça pelos motivos certos: é muito boa, tem ecos do passado sendo moderna, tem um refrão que cola mesmo e a letra é muito bem trabalhada, tendo as referências certas para o mundo em que estamos hoje.

Que musicão, que material, imagina só o que ele tem planejado para o debut? Segue uma carreira solo bem intrigante pra acompanhar.


Já a Lady Gaga lançou durante seu show no Coachella neste fim de semana um single novo, “The Cure”, que passa longe da pegada country/pop/rock do “Joanne”. Ninguém sabe exatamente se a música é pra algum relançamento, ou é um single avulso, mas o fato é que a música é straight pop na veia, com algum flavor de midtempo EDM que tá fazendo sucesso hoje em dia, e uma letra simples sobre amor incondicional.

Eu queria ter gostado mais da faixa como os americanos, que mandaram “The Cure” diretamente para o #1 no iTunes, mas não consegui. A música é até boazinha, mas no fim das contas, parece mais um pop genérico dessas new acts que tentam a sorte na popsfera. O refrão é pouco marcante e o delivery vocal da Gaga é médio, longe de outros momentos interessantes dela na carreira. Achei muito sem graça, infelizmente.

O pior é que, como a gente não faz ideia do objetivo desse single, não dá pra saber se é pra um relançamento do “Joanne” (o que não faz sentido, porque a sonoridade não tem nada a ver) ou alguma música pra EP, ou pra dar uma pimpada nos streams da Gaga (como foi com “Body Say” da Demi Lovato). Mas se isso for algum indicativo de uma mudança de sonoridade para um próximo álbum, melhor a Gaga retornar ao estúdio. Mas que música chata.

E vocês? O que acharam dessas duas músicas?

Ótimos álbuns [1] “Tuskegee”, Lionel Richie

Lionel Richie - Tuskegee.jpgÀs vezes você ouve uns CDs bacanas que foram lançados tem um tempinho e dá vontade de resenhar, falar sobre ele, mas não encontra uma situação específica pra falar sobre. Pois bem, essa semana me vi ouvindo os álbuns do Lionel Richie (talvez um dos artistas mais bem sucedidos e respeitados da história da música, com vários Grammys e um Oscar) e decidi dar uma conferida em “Tuskegee“, o álbum country que ele gravou com um timaço de pesos-pesados do gênero em 2012 (tem Kenny Chesney, Jennifer Nettles, Little Big Town, Rascal Flatts, Darius Rucker, Blake Shelton, Shania Twain… E nem citei todo mundo!). Basicamente, o CD é composto pelos grandes sucessos do Lionel com arranjos country.

Para quem não sabe, essa inserção dele no Country não é algo de agora. Ele já tinha composto “Lady”, um clássico crossover country/pop do comecinho da década, performado por Kenny Rogers, e em seus álbuns solo o Lionel já cantou músicas com flavor country (como “Stuck on You” e “Deep River Woman”). Ou seja, o gênero não é um alien pra ele – pelo contrário. E o rapaz é do Alabama…

Pois bem, eu gostei tanto do CD (e nem curto country), que deu vontade de resenhar “Tuskegee” – porque não é apenas um CD redondinho, é a prova de que excelentes letras fazem sentido em qualquer sonoridade, boa música funciona em todo tipo de arranjo e o reforço da genialidade do Lionel Richie, que volta e meia a gente esquece por causa do tempo e porque “Hello” é meio cheesy mesmo.

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Por que “Chained to the Rhythm” não aconteceu?

“Mas Marina”, você deve estar questionando, “a música tá no top 5 do iTunes, ainda tem lenha pra queimar”… 

Antes de mais nada, esse post tem mais perguntas que respostas, e que vocês podem ir questionando e lançando suas teorias aos poucos. Na verdade, eu até tenho umas hipóteses sobre o desempenho apagado do first single do novo álbum da Katy Perry (ainda sem nome), “Chained to The Rhythm”, uma faixa que aparentemente representaria um novo momento na carreira da californiana – um pop além do som comercial e criticado por soar infantil; um pop com “propósito”, mais “politizado”.

Mas no fim, minhas hipóteses são puramente chutologia. Hora de entender o que aparentemente deu errado, quais foram as razões, e se ainda há alguma chance para Katy.

O último CD da Katy foi lançado em 2013, “PRISM”. De lá pra cá, dois singles #1, alguns top 10, uma turnê bem sucedida e um Halftime Show bem recebido depois, a moça deu uma bela sumida, aparecendo apenas no ano passado, no período da Olimpíada, para lançar o single olímpico para as transmissões da NBC, “Rise”. Inicialmente, seria apenas mais uma música para divulgar os Jogos do Rio (SDDS Olimpíadas), mas aparentemente, a Capitol tratou como um lançamento sério, com direito a exclusividade na Apple Music (o que no fim afetou o desempenho da faixa no Spotify, e por consequência, nos streamings em geral), assim como uma apresentação bem bacana na Convenção Democrata pra escolha da Hillary Clinton como candidata à presidência dos EUA. Além disso, “Rise” ainda contou com um vídeo bem produzido (além do clipe feito pela BBC com momentos de atletas de competições passadas), ou seja, para muitos, foi tratado como um single.

E muita gente acreditou que “Rise” era um “balão de ensaio” da gravadora pra ver como a Katy se sairia com um single mais grandiloquente e menos óbvio.

No entanto, se a Katy tivesse deixado a faixa viver a vidinha dela sendo só “Olympic Anthem”, okay. Mas creio que “Rise” matou muito do buzz da californiana para o verdadeiro comeback. Uma música que ninguém entendeu direito se poderia ser tratado como single ou apenas uma música olímpica, e que acabou tirando aquele caráter de “surpresa” que uma volta da Katy proporcionaria.

Mas… E se a Katy não tivesse lançado “Rise”? Se ela tivesse lançado o comeback single em 2016, tempo suficiente para manter o buzz e não ser esquecida? Olha quantas coisas aconteceram, olha a leva de pop acts chegando (Zara, Dua Lipa, Anne Marie, a Camila Cabello, Alessia Cara). Porque você sabe, a Katy não é uma artista de massa – ela depende de uma fã-base, fã-base essa sempre jovem e adolescente. Com uma demora nos lançamentos, ela perde terreno para acts mais jovens e fresh no pop (a lista tá lá em cima); e você sabe, adolescentes um dia crescem. Nem pra fazer um featuring nesse meio tempo pro pessoal ainda lembrar a existência.

O caso em comparação aqui para entender o erro da Katy em relação ao timing (e que vou repetir algumas vezes na discussão) é o do Bruno Mars – outro hitmaker que demorou para fazer o comeback (quatro anos, pense bem). Só que 1. o homem apareceu em todo canto quando “sumiu” (“Uptown Funk” OI, aquele Halftime dele e da Beyoncé), então ele não estava necessariamente desaparecido numa caverna; 2. o principal: a fã-base é diferente. Por mais que não seja um grande vendedor de discos na primeira semana, os CDs estabilizam muito as vendas e os dois primeiros CDs do Bruno tem grande vendagem no fim das contas. O homem é artista do povão – ele atinge de criança a velho, todos os gêneros e raças. A Katy precisa do público jovem, e os jovens são volúveis. Se demorar muito, eles te esquecem.

 

Primeiro single de um comeback esperado? Tem que fazer a rota das rádios, especialmente quando o single não é fácil – logo vou explicar a razão. Tem que fazer pelo menos um talk show, cantar na Ellen, no Jimmy Fallon, na final do The Voice. Eu sei que as A-Lists estão largando de mão a divulgação, mas a Katy sempre foi uma artista que divulgou, sempre deu sangue pelas músicas, especialmente pelo material ser extremamente comercial. Pior que a Katy não é uma grande performer, então com divulgações muito esparsas (Grammy e iHeart Radio Awards, nos EUA; e o BRIT Awards na Inglaterra), fica difícil a música acontecer também. A cada performance, a faixa pelo menos ficaria na cabeça das pessoas e dava pra sugar até virar bagaço. Mas pior – a cada performance, a qualidade vocal da Katy piorou e muito.

(curiosamente, a Capitol fez um acordo com o Spotify onde a faixa seria tocada em várias playlists do serviço. Até ajudou num desempenho aceitável nos streams, não o suficiente pra dizer “QUE HIT!!!”. É como o famoso jabá das rádios – o dinheirinho inicial dá o empurrão, mas se a música não cair no gosto do povo, não tem deal com as rádios que dê jeito.)

Se ela promovesse mais, poderia melhorar até o jeito que ela canta “Chained to the Rhythm” e trazer novas versões (acústico, ou versão rock) que se adequassem mais à Katy. Não sei, a impressão é de que – ou confiaram demais no potencial hitmaker dela, ou escolheram ocasiões específicas esperando que resolvesse a situação. Mas a Katy é artista pra vencer pelo cansaço, não é do tipo que vende com performance. Lady Gaga vende com performance, (ele de novo) Bruno Mars vende com performance; até o Ed Sheeran sedento pelo #1 tá aprendendo a ser promo-sensivity.

(pra não dizer que não teve presença, e aquele viral FAIL das bolas espelhadas?)

 

Eu gosto de “Chained to the Rhythm”. A música tem uma ironia fina escondida por uma faixa upbeat, só que menos uptempo que outras coisas lançadas pela Katy. O featuring do Skip Marley é uma presença válida e relevante num mundo de feats desnecessários – especialmente porque ele traz força e reiteração da mensagem através ds versos da Katy – mas sinceramente, CTTR não tem a mesma força de uma “I Kissed a Girl”, “California Gurls” ou mesmo “Roar”, super derivativa. A faixa não inspira muita confiança – você não sabe pra que serve a música: se é música pra inverno, faixa pro verão, música de festa, ou faixa viral pra render streaming. A única coisa que deu certo foi a lyric dos ratinhos; porque nem o clipe cheio de easter eggs viralizou pra incentivar o pessoal a repetir as views.

“Chained to the Rhythm” é anticlimática, tem cara de fim de festa. O top 10 foi até bom pra música. E talvez as pessoas tenham percebido, o público não é bobo.

A gente volta a falar do fato da demora dela, como representante desse pop mais comercial, leve e despreocupado, ter afetado a carreira da Katy a um longo prazo. Como eu disse, já tem muita novata, fresh e jovem, fazendo um som carefree que é representativo da Katy – e nisso entra o horroroso componente do ageism, já que a Katy tem 32 anos, perto dos 33, e a cada ano em que as acts femininas ficam mais velhas, menos elas tocam na rádio (já contei sobre isso outra vez aqui). Para as rádios, se tem acts mais novas fazendo um som comercial, porque ouvir Katy Perry, que voltou com uma música aparentemente “sem graça” e “politizada”?

Pra completar, com esse distanciamento da Katy, sem promoções e exposição massiva da figura, nem parece que uma das maiores hitmakers dos últimos anos voltou. Agora, com as promos no iTunes e uma ação da Capitol, eles estão tentando dar uma chance de sobrevivência à música, que está caindo igual a fruta madura no Hot 100. Eu não sei se continuaria insistindo numa música que não aconteceu – mas ao mesmo tempo, ela poderia cair na “24k Magic Situation” – (ele de novo) Bruno Mars performou essa música tanto, mas tanto, mas tanto, que as performances ajudaram a faixa a se manter no top 10 da Billboard. Sugou até o osso e depois saiu feliz para o segundo single, mais fácil de trabalhar, e com mais potencial viral.

Mas, novamente: Katy não é uma grande performer, e não é uma artista de massa. Apenas se ela tivesse performando, divulgando e sendo capa de revistas (cadê o SNL?), CTTR poderia conseguir essa “sorte” do colega hitmaker havaiano.


Tempo de lançamento demorado aka sumiço longo? Falta de exposição e divulgação maciça? Música que não “pega”, não “gruda”? Saturação da artista? O que você acha que está relacionado a “Chained to the Rhythm” não ter “acontecido”?

Não tô chamando de flop, estou chamando de uma música que “não pegou”, um primeiro single de desempenho apagado que poderia ser melhor, julgando pelo nome envolvido… Ou foi flop?

So many questions… Qual a sua teoria?

(aproveite e veja o clipe da música que Katy tá precisando)

Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

Pop baunilha – Ed Sheeran – ÷

Nas últimas semanas, vocês já devem ter tido acesso à célebre resenha do novo álbum do Ed Sheeran, “÷” (lê-se “divide“), feita pela conceituada Pitchfork (spoiler: a publicação deu 2.8 ao CD, menos que o pavoroso “Nine Track Mind”, do Charlie Puth). Mas será que o novo álbum do ruivo é tão ruim assim?

Antes da resenha, é importante dizer que durante a divulgação do álbum, Ed deu algumas declarações no mínimo estranhas para um pop act – como dizer que “abaixo de Adele, só ele vendeu discos” e que “agora tem vários cantores-compositores e que eu estou muito feliz por todo mundo, mesmo que eles copiem tudo que eu tenho feito” (foi mais ou menos isso que ele disse, como se Ed Sheeran fosse o rei da originalidade). Pois bem, pra quem se arvorou o criador do WGWG (Bob Dylan foi uma alucinação coletiva,  I guees), o material do moço é bem aquém. Especialmente o “÷“, que é até um improvement em relação ao snoozefest que era o Multiply (que dor ouvir aquele CD que foi indicado ao Grammy!!!!), mas não tem nada de diferente, curioso ou groundbreaking em relação a outros male acts e parece um pop baunilha, pronto pra consumo nas rádios, tocar na novela e ganhar “respeito” do Grammy que vai indicar esse CD a qualquer coisa porque é puro middle-of-the-road.

Pois bem, dá pra ver que eu não gostei do CD né. Bora pro track-by-track:

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Ainda tentando entender – Lorde, “Green Light”

lorde-green-light-2017-2480x2480Vocês se lembram da Lorde, adolescente prodígio que tomou o mundo pop de assalto em 2013 quando lançou “Royals”, hino dos adolescentes comuns; juntamente com o celebrado “Pure Heroine”? Aquela garota talentosa, com habilidades de composição avançadas para a idade e com entrevistas até certo ponto polêmicas (toda semana os fóruns de música surtavam com a Lorde criticando alguma A-List do momento) levou para a Nova Zelândia dois Grammys (incluindo o prestigiado Canção do Ano) e muitas expectativas sobre o próximo trabalho. Afinal de contas, a garota de 16 anos que via o mundo por uma perspectiva de outsider era parte do círculo de celebridades de Hollywood, parte do squad de Taylor Swift, participando de featuring com o Disclosure e ainda produzindo a trilha sonora de Jogos Vorazes – A Esperança parte 1. Ou seja, qual seria o conteúdo que Lorde traria para o seu novo álbum?

Pois é, a neozelandeza chegou mais madura, e dançando com o “jeitinho Lorde” de ser através do single e vídeo para “Green Light“, primeira música de trabalho do segundo álbum, “Melodrama” (é, no fim do dia todo mundo é adolescente ainda).

O vídeo mostra que aquela menina cresceu, vai à balada, dança ao som da música do iPhone e em cima do carro que ela pediu no Uber (o que é bem diferente da jovem outsider de “Royals” ou “Team”). Meu problema é com a música mesmo. A faixa tem uma construção esquisita, com o verso-verso-ponte-refrão parecendo três músicas diferentes num single só. Pra completar, o refrão não é tão catchy e a música parece ame ou deixe: ou você acha foda ou você detesta. Até o momento eu só tô ouvindo pra escrever essa resenha, porque tô bem indiferente à canção.

Além disso, ainda tô tentando processar a letra – já que estamos tratando de uma compositora laureada. Aparentemente, trata-se de uma desilusão amorosa, mas apesar de alguns bons insights, como em
“All those rumors, they have big teeth
Oh they bite you
Thought you said that you would always be in love
But you’re not in love no more”

 

mas no fim não ficou tão bom. Eu não sei, eu queria ter gostado, mas tudo parece tão meh.

Sobre o sucesso, depende: ela ficou fora da cena por quatro anos, apenas com aparições esporádicas em featurings e a participação na trilha sonora do Jogos Vorazes; mas evidentemente esse tempo deve se refletir tanto no crescimento pessoal dela quanto na maturidade musical da menina. Além desse “abraço” do público a esse novo trabalho e à “nova Lorde”, ainda tem a parte da divulgação – ela foi esperta em lançar single e clipe, colocar direto no Spotify (ou seja, STREAMS!!!)  e parece já ter um mega acordo com as rádios (sem contar promo no SNL).

Por isso eu disse “depende”. A música é muito ame-ou-deixe, pode ser que estoure e tire o Ed Sheeran do #1 ou fique lá lutando com os a-lists no top 10.

E você, o que achou?