Música pop no Oscar – como chegamos até aqui? [1]

No auge do sucesso da música-tributo “See You Again”, parte da trilha sonora de “Velozes e Furiosos 7”, este humilde blog trouxe um post sobre a nova invasão das soundtracks nos charts e como isso poderia influenciar o retorno de músicas pop à grandes premiações como o Oscar e o Globo de Ouro.

Já que a faixa em questão – e a amiga “Love me Like You Do”, de “Cinquenta Tons de Cinza” – estão na lista de indicadas ao Globo de Ouro de Melhor Canção Original, e a música de Wiz Khalifa e Charlie Puth com boas chances de vitória, é hora de retomar a discussão sobre as músicas pop nas trilhas sonoras dos filmes; desta vez, falando sobre as canções indicadas e vencedoras do Oscar de Melhor Canção Original.

Eu selecionei como corte temporal o Oscar relativo ao ano de 1969, onde temos um vencedor até hoje marcante, uma faixa escrita por uma das duplas de compositores mais importantes da música – Burt Bacharach e Hal David. Continuar lendo

A segunda invasão das soundtracks

A trilha sonora de um filme é uma série de músicas que acompanham o desenrolar da produção. São músicas instrumentais, criadas para dar o toque de tensão, romance, mistério e adrenalina nas cenas (as trilhas do John Williams para os filmes do Spielberg; o trabalho de Bernard Hermann com Hitchcock, Hans Zimmer com as trilhas do Batman do Nolan, Bill Conti quase uma instituição dos filmes do Rocky, e por aí vai); ou são as canções que os personagens interpretam nos musicais (insira aqui todos os musicais que você tenha visto na vida, desde “My Fair Lady” até “High School Musical”); sem contar algum filme cheio de músicas pop que acompanham a vida dos personagens, incluindo uma ou duas músicas-tema que serão lançados como single para alavancar a ida dos espectadores ao cinema (eu poderia citar inúmeros nomes, mas o mais recente é, evidentemente, “See You Again” de Velozes e Furiosos 7).

Em resumo: as trilhas de filmes convivem conosco desde antes mesmo do filme ser falado, mas em alguns momentos específicos da história do cinema, lançar uma música que fizesse parte de um filme era sinônimo de sucesso. E quanto mais pop, melhor. Não falo de faixas icônicas como “Raindrops Keep Falling on my Head” ou “Theme From Shaft”, nem mesmo das músicas de abertura dos filme do James Bond. Estou dizendo do boom de músicas com forte acento pop que estouraram nos anos 80, que chegaram ao #1 lugar nas paradas e conseguiram até mesmo Oscar, acompanhadas por filmes que, se não eram o supra-sumo da qualidade artística, alguns deles foram recordes de bilheteria, enquanto outros acabaram ficando em segundo plano em relação às músicas que acompanhavam a película.

É só ver as músicas indicadas à estatueta dourada naquela época e adivinhar quantas delas você conhece:

indicados oscar 80s
Eu garanto uma coisa: que “A Força do Destino” (“An Oficer and a Gentleman”) e “A Dama de Vermelho” (“The Woman in Red”) não devem estar na sua lista de filmes já vistos.

 

Giorgio Moroder REI o resto nem sei
Giorgio Moroder REI o resto nem sei

Pois é, jogue pelo menos “Take My Breath Away” no Youtube e momentos da sua infância com Tom Cruise voando num caça e paquerando a Kelly McGillis ecoarão em sua mente. E ainda tem mais: desde “Fame” até “Take My Breath Away”, os vencedores do Oscar chegaram à primeira posição na Billboard Hot 100. Ou seja, são hits massivos e clássicos, que até hoje estão na boca do povo (se bem que os fãs de “A Pequena Sereia” devem lembrar de “Under The Sea” 😉

Nos anos 90, a dominação dos vencedores do Oscar foi com as trilhas sonoras da Disney – e “A Pequena Sereia”, como o filme que proporcionou o ressurgimento do estúdio após uma década de flops, acabou abrindo espaço para vitórias de outras trilhas sonoras históricas, como “Beauty and The Beast” (por “A Bela e a Fera”), “A Whole New World” (de “Aladdin”), “Can You Feel the Love Tonight” (de “O Rei Leão”), “Colors of the Wind” (vencedor por “Pocahontas”) e “You’ll Be in My Heart” (música de “Tarzan”). É só ler o nome que a memória volta à infância. Mas apesar de clássicas e icônicas, não são exatamente músicas pop.

A partir da década de 2000, apesar da variedade de músicas vencedoras (dois dos ganhadores são do gênero rap), a maioria dos vencedores perdeu o acento super pop que as vencedoras dos anos 80 tinham. Mas durante o final da década, com a chegada das franquias adolescentes desejosas em repetir o sucesso de bilheteria de “Harry Potter”, um novo combo surgiu: lança o filme + lança o CD da trilha sonora que geralmente é melhor que o próprio filme – lembrando que algumas músicas de franquias foram lançadas na esteira dos filmes, mas não com o estouro provocado por essa tendência, que podemos creditar a “Crepúsculo”.

A partir de “Crepúsculo”, em maior ou menor grau, as franquias se esforçaram em trazer músicas que vendessem – e ajudassem na bilheteria dos filmes. Isso se tornou sinônimo de “prêmio” com o efeito “Let It Go”, quando a Disney voltou à cena das soundtracks e com “Happy”, os artistas pop voltaram ao centro das trilhas sonoras, trazendo de volta o acento pop e as trilhas sonoras com pesos pesados, chegando ao ápice com “See You Again”.

E de “Crepúsculo” até “Velozes e Furiosos 7”, houve um longo caminho…

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VEM OSCAR! Janelle Monaé é a voz do tema principal de Rio 2, “What is Love”

Janelle MonaéMúsica pop e Oscar é uma combinação incomum, mas sempre tentadora. Na década de 80, boa parte das canções vencedoras do prêmio de Melhor Canção Original eram hits pop que serviriam tanto para a trilha sonora do filme em questão, ou como faixas avulsas do CD do artista que emprestou sua voz para a música.

Recentemente, o exemplo de Adele, com “Skyfall”, deixou muitos artistas com água na boca em participar da trilha sonora de filmes de sucesso, emprestando seus talentos para músicas com grande potencial de amealhar alguns prêmios, seja no Globo de Ouro ou no Oscar. Taylor Swift, Lana Del Rey e Pharrell são os exemplos mais recentes dessa busca – o que é sempre positiva, visto que muitas canções vencedoras do carequinha só são lembradas por cinéfilos fanáticos; enquanto outras faixas foram eternizadas pelo tempo e se tornaram mais conhecidas do que os filmes ao qual elas estão associadas (ou você assistiu “A Dama de Vermelho”, filme cujo tema principal era “I Just Called To Say I Love You”, que deu o Oscar a Stevie Wonder?).

Um dos filmes que teve sua música indicada ao prêmio da Academia foi “Rio”, animação dirigida por Carlos Saldanha que teve sua trilha sonora assinada por Carlinhos Brown, um dos autores da música “Real in Rio”, que concorreu ao prêmio e perdeu para “Man or Muppet”, dos (obviamente) “Muppets”. A continuação do filme, “Rio 2”, terá uma trilha sonora recheada de artistas, com o retorno dos nomes conhecidos (Carlinhos Brown, Sérgio Mendes), as vozes originais do primeiro filme e um novo time (além do brasileiríssimo Milton Nascimento, o filme tem adições de Bruno Mars e Janelle Monaé).

E aproveitando a proximidade do lançamento do filme (que terá lançamento internacional em 20 de março e nos Estados Unidos dia 11 de abril), a Atlantic Records (que vai lançar o CD com a trilha sonora dia 25) liberou a música-tema de “Rio 2”, a maravilhosa “What is Love”, com Janelle Monaé numa interpretação digna de uma passadinha no Academy Awards em 2015.

Confira aqui:

A música cresce a cada ouvida, e Janelle usa de seu melhor “Michael Jackson voice” nas notas mais altas. Essa mistura de samba, funk, soul e pop é viciante e a faixa é um feel-good ambulante. Os versos “What good is love / If is not your love?” ao som de uma guitarrinha discreta ao fundo e o som da percussão é um dos pontos altos da faixa que é um crush mais rápido do que “Happy” do Pharrell, por exemplo, que acaba meio inócua diante da potência vocal e do crescente de “What is Love”.

Ainda é necessário ver o filme pra saber como a música se encaixa na trama (já que a franquia “Rio” é um musical, no fim das contas), mas já podemos antecipar aqui um cheirinho de indicação a Oscar de Melhor Canção Original? Já podemos esperar Janelle destruindo no vocal na premiação ano que vem?

Enquanto isso, aproveite “What is Love” e deixe aqui suas impressões sobre a música!