Como se reinventar (ou não) com dois lançamentos de setembro

Setembro para a música pop é aquele mês em que os A-lists ou artistas em ascensão lançam os singles de trabalho antes do fim do período de elegibilidade pra ver se emplacam alguma música para o Grammy 2018. Dois desses artistas que podem entrar no corte final são Kelly Clarkson e Sam Smith, que lançaram seus leads recentemente e encontraram desempenhos curiosos até agora nos charts.

Onde hoje se define o que é hit ou não – o Spotify – o britânico teve uma excelente estreia, e no chart semanal do serviço de streaming, “Too Good at Goodbyes” está em segundo lugar. Nada mal para um artista cujo último single lançado foi a trilha sonora de um filme em 2015 (sim, é um filme do James Bond, mas é OST). Já “Love So Soft” da KC estreiou lá embaixo, quase no final do top 200 do Spotify. Nas rádios, no entanto, o desempenho da Kelly é muito bom, especialmente nas rádios adultas, assim como o próprio Sam. Já no iTunes, Kelly está no top 50, já com o (ótimo) clipe lançado; enquanto Sam Smith está ainda no top 10, em franca queda – mas não se esqueça de que ainda tem clipe pra lançar.

A partir dessas primeiras reações das duas faixas, é hora de entender como as músicas que comandam o comeback dos dois artistas podem oferecer insights sobre a era de cada um deles – assim como óbvias resenhas sobre a reinvenção (ou não) com um grande retorno à cena.

Reinventar-se usando suas influências

Quem acompanha desde sempre a carreira da Kelly Clarkson sabe que ela sempre teve como influências as grandes cantoras do R&B/soul, as grandes vozes como Aretha, Mariah e Whitney. Apesar de uma carreira extremamente bem sucedida fazendo aquele pop/rock gostoso a cara da minha adolescência nos famigerados anos 2000, a voz da moça sempre foi extremamente versátil – passando do pop, rock, country e agora esse retro-soul gostosíssimo de “Love So Soft”, lead single do “Meaning of Life”, novo álbum agora na gravadora Atlantic Records (adeus RCA).

O som é identificadíssimo com sua voz potente, é upbeat, fun, super KC – no caso, a sassy Kelly de “Walkaway” – e tem ainda um curioso break no refrão. Consegue ser moderna mesmo bebendo de fontes mais retrô, e tem uma óbvia maturidade que garante o estrago nas rádios adultas. O que é evidente, já que desde a aproximação da Kelly com o country, e a sonoridade mais pop do “Piece By Piece”, ela já vem indicando que vai se aproximar cada vez mais de um pop mais adulto, para um público maduro. E ela não tá errada, nem um pouco. É esse público que comprará seus álbuns, irá às suas turnês; e Kelly fica livre das pressões de gravadora e da mídia por hits e sucessos instantâneos. Tem carreira consolidada e Grammys.

O mais legal é que a Kelly conseguiu isso sem perder a identidade, trazendo um som novo pro repertório dela, mas que faz parte das suas influências. (e um certo award já deve estar de olho nela, cuidado)

Reinvenção é o quê? É de comer?

O segundo álbum é um desafio para qualquer artista, especialmente para quem vem de uma era bem sucedida e premiada. Você pode se superar e fazer coisas ótimas (“21”, “Futuresex/Lovesounds”, “The Fame Monster”, “Fearless”), pode cagar sua carreira inteirinha (“Thank You”, tô falando com você) ou pode ser o Michael Jackson mesmo. No caso do Sam Smith, ele optou pela safe choice de uma versão levemente mais up que o seu maior sucesso (“Stay With Me”) com o lead single do novo álbum, “Too Good At Goodbyes”.

Aqui, continuamos ouvindo o mesmo pop soul com coral gospel, e apesar do vocal melancólico do Sam continuar o mesmo. A diferença é que o arranjo é só um pouquinho (inho) mais animado e a letra tem um cinismo delicioso, versos super relatable – além do pré-refrão e refrão bem grudentos. Mas de resto, achei bem decepcionante. Não era isso que eu esperava do trabalho novo de um Grammy e Oscar winner. Porque dá pra se reinventar mantendo seu estilo, mas isso não significa que você siga a mesma cartinha de seu álbum anterior. Soa preguiçoso e calcado essencialmente em jogar no seguro.

Apesar disso, o negócio é que a faixa do Sam tem potencial para fazer mais do que o desempenho atual. O clipe ainda não foi lançado e ainda tem a divulgação massiva (a Kelly, por exemplo, já se apresentou no Today Show), e a faixa se mantém apesar dos pesares no top 10 do iTunes. O que me surpreende mesmo foi a boa estreia no Spotify: a faixa passa longe dos hits virais do serviço (mais urban e rap) e tem forte apelo adulto (por isso o sucesso nas rádios AC). Talvez o fato da música ter sido lançada com um clipe exclusivo para o Spotify tenha ajudado; ou o público comprou a música especialmente porque é uma midtempo lançada quase no Outono americano, e tradicionalmente o que bomba são faixas mais lentinhas. O que eu sei é que – se o Sam conseguir emplacar mesmo no Spotify, terá fácil o selo de hit. (e pode garantir lugar NAQUELA premiação do ano que vem)


E aí, qual destas foi o seu lançamento favorito? Deixe suas considerações nos comentários! 😉

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Taylor Swift arranjou uma ghost writer de 13 anos

Eu demorei de escrever uma resenha sobre o lead single da Taylor Swift, “Look What You Made Me Do” (do novo álbum da estrela pop, “Reputation”, que chega dia 10 de novembro), porque estava morrendo de preguiça. A velha preguiça que me acomete sempre; e preguiça da música mesmo. Eu não acredito que uma das letristas mais competentes da música pop dos últimos 10 anos teria regredido para uma adolescente revoltada de 13 anos em 2004.

Nem me importo com o beef dela com o Kanye West – que continua a ser alimentada há quase uma década, assim como o cansado feud Katy x Taylor – porque ela poderia ter escrito algo do gênero com mais habilidade e inteligência. “I don’t like your little games / Don’t like your tilted stage / The role you made me play / Of the fool, no, I don’t like you” (e repete I don’t like you na mesma estrofe), ou “I don’t trust nobody and nobody trusts me” parecem vindos de um diário revoltado juvenil (o que é aquela frase da bridge “I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now /Why? Oh, ‘cause she’s dead!”? Minhas discussões com os meus pais aos 12 anos eram mais evoluídas que isso aí). Uma letra preguiçosa, sem graça, um eletropop com uma ambientação “obscura” anos 2000 com o sample de “I’m Too Sexy” no refrão igualmente sem graça de uma música onde muita coisa acontece, mas pouca coisa realmente marca você.

“Look What You Made Me Do” padece de um problema que eu tinha indicado na resenha de “Green Light”, da Lorde (que curiosamente, compartilha o mesmo compositor e produtor, Jack Antonoff): as quebras da música – ela começa com um arranjo 1, segue para o pré-refrão em coro (a melhor coisa da música, que curiosamente lembra algo da Lorde) 2, o refrão falado 3 (que tem uma bateria meio seca acompanhando); volta para o arranjo 1, e pula para um arranjo 4 sem sentido algum. É muita informação acontecendo ao mesmo tempo e algumas vezes me senti ouvindo uma colagem de músicas escrita pelo Victor Frankenstein.

(Taylor, quando eu tinha 12 anos escrevia uma lista de pessoas que eu gostava e não gostava no meu diário. Era um ranking semanal. Eu tinha 12 anos, com 27 eu não ligo a mínima. Conselho de amiga.)

No entanto, mesmo que eu diga que a música não é boa, é esquisita, é ame-ou-odeie, a construção é confusa e a letra pedestre, “Look What You Made Me Do” já é um monstro no digital, streams e rádios, pode tirar “Despacito” da décima-sétima semana em #1 e certeza que arranja indicação este ano mesmo a Pop Solo no Grammy (por estar dentro do período de elegibilidade). O hype da Taylor é forte, todo o marketing em torno da música e da volta da cantora é evidente, e os deals com as plataformas de execução da música darão esse empurrãozinho para a música iniciar uma trajetória de sucesso. Mas nada disso tira a decepção de saber que Taylor Swift, uma das singers-songwriters mais interessantes do pop, contratou uma menina de 13 anos para escrever seu novo hit.

O que vocês acharam da música?

Últimos lançamentos – Kesha, Demi e Selena

As duas últimas semanas foram repletas de ótimas, surpreendentes e deliciosas estreias especialmente no combalido pop feminino de 2017. Uma delas talvez seja um dos melhores do ano, em que finalmente tivemos a oportunidade de ouvir a verdadeira voz de uma artista – em todos os sentidos.

Kesha, de verdade, em “Praying”

Em primeiro lugar, quem escondeu essa voz de nós, da Kesha, esses anos todos? (pergunta retórica, mas não custa nada nos surpreendermos) Essa voz forte, potente, cheia de emoção e alma foi finalmente apresentada ao grande público com o single “Praying”, o lead de seu novo álbum, “Rainbow”. Uma das melhores músicas lançadas no ano, merece não apenas o praise da crítica como awards e o retorno de público.

Um pop piano-driven com refrão épico, tem uma letra diretamente indireta para o Dr. Luke, em que mesmo tendo consciência de todo o mal (a perseguição, abusos) que ele lhe fez, a Kesha segue um caminho de perdão (“I hope you’re somewhere prayin’, prayin’ / I hope your soul is changin’, changin'”), mas sabendo que com sua música e composições a sua verdade se torna algo tão forte que depois de “Rainbow”, era uma vez Dr. Lúcifer (em “When I’m finished, they won’t even know your name”). Um comeback absolutamente perfeito.

Apesar de ser uma grande canção, “Praying” não é exatamente radiofriendly; no entanto, isso não tira o fato da faixa ser um musicão da porra que abre os trabalhos para a era “Rainbow” em grande estilo. É pop, tem produção bem trabalhada e orgânica e nos deixa loucos para ouvir o resto do CD (aliás, ela já lançou outra faixa, a rock/soul “Woman“, a cara da old Kesha, mas com um groove inesperado). Se você ainda não se interessou por “Rainbow”, melhor entrar no hype.

Enquanto isso, outro lead lançado recentemente é “Sorry not Sorry”, primeiro single da Demi Lovato abrindo os trabalhos de seu novo álbum sem título.  Aparentemente, a Demi realmente decidiu investir mais a fundo numa sonoridade pop/R&B que se enquadra muito bem em sua voz, mas não era isso exatamente que eu estava pensando que ela seguiria…

Que legal essa música nova da Ariana GrOPA

“Sorry not Sorry” é boazinha, upbeat, a cara do verão, com uma letra direcionada aos haters e cheia de quotes perfeitos pra usar nos stories do Instagram (aliás, já imagino as pessoas dublando o refrão no Snapchat usando um filtro de cachorro ou a coroa de flores). No entanto, é uma faixa extremamente derivativa, muito parecido com o pop/R&B que a Ariana sempre faz (o acompanhamento ao piano é bem parecido com o mood meio retrô das faixas do “Yours Truly”). Apesar da faixa ter ecos anos 90, o que é sempre legal, não há muita coisa que me faça revisitar a música depois de uma ou duas ouvidas – especialmente com o refrão gritado e o tom da música estar sempre acima (Demi ainda não entendeu que menos é mais).

No entanto, a música é ideal para o verão americano, o refrão é repetitivo e feito pra grudar e se a Demi/gravadora souberem divulgar, considerando ainda que o clipe pode ter artistas famosos (ou seja, forte potencial de viralização) consegue fácil um top 10. De uma coisa é certa: a Demi não tem medo de batalhar pelos singles, tá sempre divulgando e tentando emplacar. (só não entendi SNS ainda não estar no Youtube…)

Mas bem que poderia ser algo melhor, né? “Sorry not Sorry” não me faz ganhar nenhum interesse em ouvir o CD.

(aliás, essa música tem sample de “A Little Bit of Love” ou não?)

A outra estreia de destaque é de uma artista que sempre está oferecendo surpresas dentro da sua capacidade vocal, e apesar de não ser tão inspirada quanto seu primeiro single, essa música é outro acerto na carreira dela.

Selena Gomez se conhece bem em “Fetish”

A faixa, aparentemente o segundo single do novo álbum ainda sem título, é uma parceria com Gucci Mane e tem a mesma vibe sexy discreta que a jovem já tinha trabalhado no Revival. Com a mesma pegada urban das faixas do álbum anterior, mas com uma letra mais direta ao ponto, é outro tiro bem dado da Selena: misteriosa e fresh, “Fetish” combina muito bem com o vocal limitado dela. É impressionante como ela compreende bem onde a voz dela pode ir ou não.

(porque tão importante quanto ter uma boa voz, é saber como usá-la)

Apesar de achar a faixa boa, eu particularmente prefiro o pré-refrão do que o refrão (que demora bastante pra pegar), e “Bad Liar” ainda é uma música adorável por ser diferente e fora da caixa para a própria Selena. “Fetish” é mais familiar e confortável para um ouvido distraído escutar, e mais radiofriendly. No entanto, não adianta nada lançar faixas tão envolventes se a cidadã não move um músculo para divulgar essas músicas. Mesmo que o chart digital mostre que a Selena tem força, e o deal com o Spotify ajude na exposição dessas canções, o airplay está abaixo do decente, o que mostra que não se pode esquecer do grande público. E nisso a Selena peca e muito – a impressão que dá é: ela é mais celebridade, ícone fashion, produtora, do que cantora.

Se for assim, melhor selecionar suas prioridades.

E vocês? Qual dessas três músicas vocês mais gostaram?

Lançamentos da semana: do pior para o melhor

Essa quinta-e-sexta-feira teve uma quantidade tão grande de lançamentos pop que a gente tem até que respirar em pensar quais são as músicas e que artistas lançaram alguma coisa. Mas eu decidi juntar tudo num post só, com o velho combo de singles, só que com um diferencial: do pior material lançado até a melhor música divulgada neste fim de semana.

Esse é o meu top 4, veremos se será parecido com o de vocês 😉

4. “Switch”, Iggy Azalea feat. Anitta

Um dia a Iggy foi uma rapper ascendente com um som bacana, e que prometia ser a grande revelação na cena, a julgar pelas antigas mixtapes. O “The New Classic”, primeiro CD, foi aquele rap para neófitos, mais pop que qualquer outra coisa, que apesar do sucesso, não se converteu depois numa segunda era bem sucedida – pelo contrário, depois daquele CD, a queda da australiana foi uma das coisas mais rápidas e frenéticas já vista na popsfera.

Atualmente a mulher ainda está tentando lançar alguma coisa para o segundo CD, “Digital Distortion”, e até agora o que eu tenho consciência que foi single mesmo foi “Team“, que teve uma certa divulgação e algum buzz. O resto foi lançado daquele jeito, e nada foi tão interessante. Pra completar, todo single que a Iggy vinha apresentando parecia sem sal, sem apelo; e pior – agora com “Switch”, sem personalidade alguma.

Esse ritmo tropical já cansado, essa música batida, a Iggy cantando por cima do featuring … Aliás, Anitta foi desperdiçadíssima na faixa: parece uma backing vocal qualquer e o vocal ficou abafado por tanta camada e efeito que eu só percebi que era ela mesmo porque o timbre, mesmo em inglês (um bom inglês até), se sobressaiu. Mas sinceramente, se colocassem a Iggy com autotune no lugar não fazia diferença alguma.

Para a brasileira, o featuring valeu a pena para apresentá-la ao mercado americano de uma forma mais “oficial” (mesmo que o nome dela já esteja rodando aqui e ali, em matérias da Billboard e interações com artistas no twitter e no instagram), mas pra Iggy Azalea, é mais uma oportunidade desperdiçada numa música que é bem ruinzinha e esquecível.

(curiosamente, a parte mais marcante pra mim foi o pré-refrão da Anitta. A única coisa que tá na minha cabeça até agora de “Switch”)

nota: ⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Crying on the Cheap Thrills of You”, Camila Cabello

Quando você sai em carreira solo de uma boyband/girlband, onde geralmente as canções eram bem polidas e produzidas para gerar uma sonoridade generalista (pra não dizer outra palavra) e puxada para o público jovem, o que se espera é que o artista em questão mostre o motivo pelo qual ele ou ela se sentiu pronto/a para dar o jump e mostrar “identidade musical”. O Zayn, com o “Mind of Mine”, fez isso – quem imaginava que o menino do One Direction lançaria aquele petardo de álbum alt-R&B todo moody e misterioso?

Pois bem, depois de ver o vídeo de “Crying on the Club”, da Camila Cabello, duas coisas ficaram na minha mente. Uma é: alguém cancela a Sia, porque essa música é mais um derivado da fórmula “Cheap Thrills”/”The Greatest”, e pior, a faixa me lembra “Shape of You”, ou seja, música mais genérica não há! Pra piorar a situação, o delivery vocal da Camila tá muito parecido com o da Rihanna (como todas as últimas 1500 pop starlets tentam fazer – e a Pitchfork pontuou muito bem recentemente). Zero personalidade numa música que mesmo grudenta, é bem safe, bem “o que tá tocando por aí.

Aí a cidadã me lança um clipe (chatérrimo, aliás), onde a intro é com uma midtempo pop mega dramática, com um letrão daqueles, os vocais impecáveis; pra combar com “Cheap Thrills parte 3”. Quem é a gravadora da Cabello, minha gente, que não colocou “I Have Questions” de lead? Isso seria um tapa na cara maravilhoso de quem acha que a menina não tem identidade musical!

(btw, a melhor coisa de “Crying on the Shape of the Club” é o sample de “Genie on the Bottle” haha)

nota: ⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Swish Swish”, Katy Perry feat. Nicki Minaj

Primeiramente, mais uma música da Katy que não aconteceu, né? Eu tô impressionada com a era dela, porque nada deu certo – até mesmo o vídeo de “Bon Appétit”, que fez um barulho nas redes sociais, não ajudou no desempenho da faixa nos charts. Daqui a pouco a mulher lança o álbum e a gente só vai ouvir a imprensa caindo em cima e o público realmente desinteressado na Katy.

(ou seja, ela nunca conseguiu firmar uma base de fãs que a seguem aonde vai, a fã-base sólida e fiel que outras colegas tem aos montes, como a Lady Gaga, por exemplo)

Pois bem, “Swish Swish” é o single promocional do “Witness”, o novo álbum da californiana (que tem essa capa bem “teoria da conspiração”), e deve ser sobre a Taylor Swift né, só pra confirmar… Mas enfim, a faixa passa longe do “pop com propósito” ou daquele treco inominável que era “Bon Appétit”: é um dance-pop que lembrou uma versão mais pesada de “Walking On Air” (que a KATY NÃO LANÇOU COMO SINGLE NA ERA PRISM, desperdício!), uma letra debochada que rememora a velha Katy de “One of The Boys” e que tem um clima menos infantil que boa parte dos singles da moça desde “Teenage Dream”. É um pop adulto, divertido, despretensioso, com uma letra fácil e cheia de shades e um bom momento da Nicki Minaj, que como rapper anda tendo um ano criativamente tenso (aquela resposta à diss da Remy Ma foi ridícula…).

Infelizmente, apesar de crescer na gente igual bolo no forno, “Swish Swish” não chega perto daquele soco no estômago de outros singles da Katy Perry – sabe, aquela sensação de OMG QUE HINO de quando a gente ouvia “Teenage Dream”, “Hot ‘n Cold” e “Dark Horse”? Tá faltando aqui e nas outras faixas que ela trouxe nessa era. E o pior é que as músicas dessa nova era poderiam ser melhor trabalhadas, ou até retrabalhada com ganchos menores, mas o resultado final infelizmente é muito aquém do que a Katy poderia oferecer como uma das maiores hitmakers da década.

nota: ⭐⭐⭐/5 de ⭐⭐⭐⭐⭐

1. “Bad Liar”, Selena Gomez

Quando a gente fala de evolução dos artistas, não é apenas evolução de imagem (mais edgy, mais madura, ou conceitual); dizemos também sobre a evolução do som deles.

Neste momento, não dá pra pensar na Selena Gomez como aquela cantora fofa do pop adolescente da banda “Selena Gomez & The Scene como a mesma pessoa que canta “Bad Liar”, lead single do seu segundo álbum solo. “Bad Liar” é um pop fresco, diferente de tudo que tá tocando por aí. É uma música única por não ser tropical house, urban, EDM, ou um derivado da Sia.

A faixa, escrita por Selena junto com os hitmakers do momento Julia Michaels e Justin Tranter, usa de forma inteligente o sample de “Psycho Killer” do Talking Heads pra criar uma história de amor meio confusa entre Selena e o boy, com estrutura meio sincopada, alguns trechos falados, gemidos bem colocados, o refrão mais grudento do primeiro semestre e uma interpretação impecável da Selena. O que é essa menina hoje, que puta intérprete! É uma artista que conhece suas limitações, sabe trabalhar com elas e o que fazer com a própria voz.

O resultado é um dos melhores singles pop do ano, que recebeu praise da Pitchfork com uma “Best New Track” e a bênção do David Byrne, vocalista e guitarrista do Talking Heads e um dos artistas mais cultuados da indústria.”Bad Liar” mostrou uma evolução grande e surpreendente (a Interscope confia mesmo na Selena, porque a música tem risco, mesmo sendo extremamente pop), e me fez ficar ainda mais curiosa com o que  ela vai oferecer na sua segunda empreitada solo.

(agora, é fato que a Selena capturou o delivery vocal TODINHO da Julia Michaels no começo da faixa né haha)

⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

Bonus track: “Strip That Down” (Liam Payne feat. Quavo)

Né… Enfim…

Zayn, Niall e Harry possuem vozes distintas e marcantes no ouvido do público comum, na hora de divulgar o material solo… Porque o Liam é lindo, mas tem o vocal tão marcante quanto um boi pastando.

Pra piorar, parece alguma coisa que o Justin Timberlake rejeitou e foi passada pelo Nick Jonas, que nem quis gravar; e ficou dentro do guarda-roupa do Justin Bieber. Que horror.

 

E você,  o que achou dos lançamentos da semana? Concorda com a ordem que eu listei aqui ou preferia outra música nas primeiras posições?

Anticlímax – Miley Cyrus, “Malibu”

Eu acompanhei a Miley Cyrus crescendo diante da mídia, com Hannah Montana, os álbuns como Miley, a explosão do “Bangerz” e a surpresa do Dead Petz. Acompanhei porque no auge do Orkut, as comunidades e os fakes da Miley vinham em quantidades absurdas, e quem vivia música pop também lidava com a ascensão das Disney Stars, e se elas conseguiriam fazer de forma bem sucedida o jump de child star para artista respeitável.

Posso dizer que hoje, eu mal me recordo dos tempos de Hannah Montana, nem da imagem que a Miley tinha naquele período. Ela conseguiu deixar pra trás aquela fase com muita maestria e bom conhecimento de cultura pop. É uma das grandes marketeiras da popsfera (e isso é um termo positivo), e eu a admiro por isso.

Por outro lado, todos nós crescemos e nos arrependemos das merdas do passado (às vezes não, às vezes a gente só queria ter feito alguma merda relevante pra ter uma adolescência digna de nota), mas levando em consideração que a gente aprende algo do passado pra levar pro resto da vida. Claro que nossa adolescência não foi sob os holofotes, mas crescer sempre é um processo difícil, especialmente quando você lança mão de determinados artifícios para amadurecer.

Antes de resenhar “Malibu”, lead-single do novo álbum da Miley Cyrus, gostaria de ressaltar uma coisa, que me incomodou bastante em 2013 e hoje continua me incomodando (e olha que 2013 eram tempos menos descontruídos pra todos nós): crescer é bom, mostrar que amadureceu melhor ainda, mas não negue, nem deixe de lado que você se apropriou e usou como fantasia e estereótipo uma cultura alheia pra ser vista como “madura” e “cool”. E isso a Miley fez; usando de todos os estereótipos possíveis ligados à cultura negra pra lucrar, pra depois se afastar de elementos que ela considerava “ruins” mas que em 2013 eram bem bacanas pra pagar de “crescida”. Assumir esse erro – ninguém assume. E isso é o que todo mundo está tentando levar em consideração e colocar na discussão, especialmente as publicações ligadas aos negros, como a Complex e o BET.

(curiosamente, eu nem acho o “Bangerz” ruim – fiz alguns comentários bem elogiosos certa feita, mesmo achando que o CD envelheceu mal)

Problema é: o que em 2013 passou, hoje não passa.

E ainda pra completar, o retorno da Miley à cena ainda tem como gênero-da-vez o country (um estilo musical que faz parte das raízes da jovem, nada mais justo que trabalhá-lo), mas tudo soa como “limpeza” de imagem – especialmente considerando a pegada conservadora do country lá nos States. Sabe, depois de ser “ratchet” com o rap, hora de se “adequar” cantando country.

(as críticas também são pautadas por essa mudança. E isso deve ser levado em consideração e pontuado sim, até mesmo pelos jornalistas que forem entrevistá-la.)

Após essa breve introdução, vamos à “Malibu“:

O single é um pop/rock praiano que lembra algo da Colbie Caillat e com ecos de Sheryl Crow. A letra é interessante, com referências ao retorno do seu relacionamento com o Baby Thor aka Liam Hemsworth. A vibe é bem fim de tarde de verão, luau na praia ao pé da fogueira, comecinho de romance com abraços furtivos ouvindo música no violão – ou seja, perfeita para o Hemisfério Norte. A voz da Miley funciona muito bem com esse tipo de música – ela tem um vocal de muita personalidade, a voz é marcante, você sabe exatamente quem é, assim que ouve.

No entanto… Apesar da vibe, a faixa me pareceu muito anticlimática, indo do nada ao lugar nenhum. Monótona, não explode, e a música fica no mesmo tempo o tempo todo, tirando do refrão (bom, fácil) todo o “momento” da música. Refrão é pra ser o centro das coisas, a explosão, ou o grande momento (ou mesmo quando tratamos do pré-refrão, a hora em que você segura a respiração para o big break)… O refrão aqui parece perdido no meio da melodia, e a música perde muito com isso.

Quando se tem uma música assim, é necessário que o clipe traga o “momento” que o single não possui. E o clipe de “Malibu” não ajuda. Chato, não é um vídeo que veria de novo. Ver a Miley de um lado a outro correndo na relva e na praia, na cachoeira e segurando balões ao som de um non-event como essa música não me atrai nem um pouco. Essa coisa meio only girl in the world só funciona se a música te leva junto, num crescendo que explode (como em “Only Girl in the World” da RiRi), e essa música não cresce, não acontece.

(especialmente no chart male-dominated de 2017, em que as faixas mais bem sucedidas são urban/hip hop e EDM pasteurizado a la Chainsmokers, “Malibu” é um risco calculado, e poderia ser mais marcante até por ser um risco)

Por fim, pode ser que faça sucesso (chegou ao #1 no iTunes) porque a Miley (que já tem performances engatilhadas no Billboard Music Awards e no Today Show Concert Series) sabe render as músicas, seja com performance, seja com a imagem; e além disso, ela tem uma fã-base bem sólida (ao contrário de outra act pop por aí), construída desde os tempos da Disney – gente que literalmente cresceu com ela. Só que eu vejo a possibilidade de hit diretamente relacionada à divulgação disso, porque a música em si é tão meh…

E vocês, o que acharam de “Malibu”?

Últimos lançamentos: Harry Styles x Lady Gaga

Hora de prosseguir com os lançamentos dos últimos dias com dois singles oriundos de artistas em pontos diferentes da carreira: o britânico Harry Styles, com a sua épica “Sign of the Times”; e Lady Gaga com a surpreendentemente pop “The Cure”.


Quando uma boy band (ou girl band) termina, entra em hiatus ou se separa porque rolaram brigas tensas de bastidores, a gente sempre se questiona qual será o futuro dos integrantes. Sempre tem um que estoura e se torna o astro (pode entrar Timberlake), tem sempre o que sai primeiro e flopa (Nicole, alguém?), e tem as exceções à regra (Robbie Williams, Bobby Brown); além daquelas bandas que ninguém emplacou em carreira solo porque no fim das contas, eles são melhores juntos (sim, vocês mesmos, Backstreet Boys).

No caso do One Direction, o grupo de adolescentes mais bem-sucedido da década, a banda seguiu por mais um álbum após a saída de Zayn Malik; e depois da divulgação do álbum “Made in A.M.”, os membros restantes seguiram seus caminhos musicais (ou de celebridade) em relativa paz e amizade. Cada um dos integrantes lançou material próprio, seja um single solo (Niall) ou um featuring (Louis); mas quem todo mundo esperava um single era Harry Styles, o mais conhecido da banda – seja pelo namoro relâmpago com Taylor Swift, seja pelo próprio carisma do garoto.

E o rapaz chegou colocando o pé na porta um um single do caralho, completamente diferente do que está rolando no momento, um pop/rock na vibe setentista, lembrando David Bowie e Queen, e com uma letra super “dentro do que vivemos hoje”, “Sign of the Times”, que parece ecoar as nossas tensões internas num mundo que parece à beira do abismo. Com uma voz perfeita para o rock, com potência e aquele raspy/rouquidão bem on point, é moody, é melancólica, é esperançosa, tem poder e tem tristeza, é um emaranhado de emoções e tem 5:40 de duração – ou seja, vai rolar radio edit pra tocar nas rádios, porque o moço não voltou disposto a só fazer música pra hitar. Harry quer fazer um statement, e fez muito bem.

Se 2017 é o ano em que os acts masculinos estão brilhando mais do que as female pop stars, “Sign of the Times” é um dos motivos. A música gruda na sua cabeça pelos motivos certos: é muito boa, tem ecos do passado sendo moderna, tem um refrão que cola mesmo e a letra é muito bem trabalhada, tendo as referências certas para o mundo em que estamos hoje.

Que musicão, que material, imagina só o que ele tem planejado para o debut? Segue uma carreira solo bem intrigante pra acompanhar.


Já a Lady Gaga lançou durante seu show no Coachella neste fim de semana um single novo, “The Cure”, que passa longe da pegada country/pop/rock do “Joanne”. Ninguém sabe exatamente se a música é pra algum relançamento, ou é um single avulso, mas o fato é que a música é straight pop na veia, com algum flavor de midtempo EDM que tá fazendo sucesso hoje em dia, e uma letra simples sobre amor incondicional.

Eu queria ter gostado mais da faixa como os americanos, que mandaram “The Cure” diretamente para o #1 no iTunes, mas não consegui. A música é até boazinha, mas no fim das contas, parece mais um pop genérico dessas new acts que tentam a sorte na popsfera. O refrão é pouco marcante e o delivery vocal da Gaga é médio, longe de outros momentos interessantes dela na carreira. Achei muito sem graça, infelizmente.

O pior é que, como a gente não faz ideia do objetivo desse single, não dá pra saber se é pra um relançamento do “Joanne” (o que não faz sentido, porque a sonoridade não tem nada a ver) ou alguma música pra EP, ou pra dar uma pimpada nos streams da Gaga (como foi com “Body Say” da Demi Lovato). Mas se isso for algum indicativo de uma mudança de sonoridade para um próximo álbum, melhor a Gaga retornar ao estúdio. Mas que música chata.

E vocês? O que acharam dessas duas músicas?

Por que “Chained to the Rhythm” não aconteceu?

“Mas Marina”, você deve estar questionando, “a música tá no top 5 do iTunes, ainda tem lenha pra queimar”… 

Antes de mais nada, esse post tem mais perguntas que respostas, e que vocês podem ir questionando e lançando suas teorias aos poucos. Na verdade, eu até tenho umas hipóteses sobre o desempenho apagado do first single do novo álbum da Katy Perry (ainda sem nome), “Chained to The Rhythm”, uma faixa que aparentemente representaria um novo momento na carreira da californiana – um pop além do som comercial e criticado por soar infantil; um pop com “propósito”, mais “politizado”.

Mas no fim, minhas hipóteses são puramente chutologia. Hora de entender o que aparentemente deu errado, quais foram as razões, e se ainda há alguma chance para Katy.

O último CD da Katy foi lançado em 2013, “PRISM”. De lá pra cá, dois singles #1, alguns top 10, uma turnê bem sucedida e um Halftime Show bem recebido depois, a moça deu uma bela sumida, aparecendo apenas no ano passado, no período da Olimpíada, para lançar o single olímpico para as transmissões da NBC, “Rise”. Inicialmente, seria apenas mais uma música para divulgar os Jogos do Rio (SDDS Olimpíadas), mas aparentemente, a Capitol tratou como um lançamento sério, com direito a exclusividade na Apple Music (o que no fim afetou o desempenho da faixa no Spotify, e por consequência, nos streamings em geral), assim como uma apresentação bem bacana na Convenção Democrata pra escolha da Hillary Clinton como candidata à presidência dos EUA. Além disso, “Rise” ainda contou com um vídeo bem produzido (além do clipe feito pela BBC com momentos de atletas de competições passadas), ou seja, para muitos, foi tratado como um single.

E muita gente acreditou que “Rise” era um “balão de ensaio” da gravadora pra ver como a Katy se sairia com um single mais grandiloquente e menos óbvio.

No entanto, se a Katy tivesse deixado a faixa viver a vidinha dela sendo só “Olympic Anthem”, okay. Mas creio que “Rise” matou muito do buzz da californiana para o verdadeiro comeback. Uma música que ninguém entendeu direito se poderia ser tratado como single ou apenas uma música olímpica, e que acabou tirando aquele caráter de “surpresa” que uma volta da Katy proporcionaria.

Mas… E se a Katy não tivesse lançado “Rise”? Se ela tivesse lançado o comeback single em 2016, tempo suficiente para manter o buzz e não ser esquecida? Olha quantas coisas aconteceram, olha a leva de pop acts chegando (Zara, Dua Lipa, Anne Marie, a Camila Cabello, Alessia Cara). Porque você sabe, a Katy não é uma artista de massa – ela depende de uma fã-base, fã-base essa sempre jovem e adolescente. Com uma demora nos lançamentos, ela perde terreno para acts mais jovens e fresh no pop (a lista tá lá em cima); e você sabe, adolescentes um dia crescem. Nem pra fazer um featuring nesse meio tempo pro pessoal ainda lembrar a existência.

O caso em comparação aqui para entender o erro da Katy em relação ao timing (e que vou repetir algumas vezes na discussão) é o do Bruno Mars – outro hitmaker que demorou para fazer o comeback (quatro anos, pense bem). Só que 1. o homem apareceu em todo canto quando “sumiu” (“Uptown Funk” OI, aquele Halftime dele e da Beyoncé), então ele não estava necessariamente desaparecido numa caverna; 2. o principal: a fã-base é diferente. Por mais que não seja um grande vendedor de discos na primeira semana, os CDs estabilizam muito as vendas e os dois primeiros CDs do Bruno tem grande vendagem no fim das contas. O homem é artista do povão – ele atinge de criança a velho, todos os gêneros e raças. A Katy precisa do público jovem, e os jovens são volúveis. Se demorar muito, eles te esquecem.

 

Primeiro single de um comeback esperado? Tem que fazer a rota das rádios, especialmente quando o single não é fácil – logo vou explicar a razão. Tem que fazer pelo menos um talk show, cantar na Ellen, no Jimmy Fallon, na final do The Voice. Eu sei que as A-Lists estão largando de mão a divulgação, mas a Katy sempre foi uma artista que divulgou, sempre deu sangue pelas músicas, especialmente pelo material ser extremamente comercial. Pior que a Katy não é uma grande performer, então com divulgações muito esparsas (Grammy e iHeart Radio Awards, nos EUA; e o BRIT Awards na Inglaterra), fica difícil a música acontecer também. A cada performance, a faixa pelo menos ficaria na cabeça das pessoas e dava pra sugar até virar bagaço. Mas pior – a cada performance, a qualidade vocal da Katy piorou e muito.

(curiosamente, a Capitol fez um acordo com o Spotify onde a faixa seria tocada em várias playlists do serviço. Até ajudou num desempenho aceitável nos streams, não o suficiente pra dizer “QUE HIT!!!”. É como o famoso jabá das rádios – o dinheirinho inicial dá o empurrão, mas se a música não cair no gosto do povo, não tem deal com as rádios que dê jeito.)

Se ela promovesse mais, poderia melhorar até o jeito que ela canta “Chained to the Rhythm” e trazer novas versões (acústico, ou versão rock) que se adequassem mais à Katy. Não sei, a impressão é de que – ou confiaram demais no potencial hitmaker dela, ou escolheram ocasiões específicas esperando que resolvesse a situação. Mas a Katy é artista pra vencer pelo cansaço, não é do tipo que vende com performance. Lady Gaga vende com performance, (ele de novo) Bruno Mars vende com performance; até o Ed Sheeran sedento pelo #1 tá aprendendo a ser promo-sensivity.

(pra não dizer que não teve presença, e aquele viral FAIL das bolas espelhadas?)

 

Eu gosto de “Chained to the Rhythm”. A música tem uma ironia fina escondida por uma faixa upbeat, só que menos uptempo que outras coisas lançadas pela Katy. O featuring do Skip Marley é uma presença válida e relevante num mundo de feats desnecessários – especialmente porque ele traz força e reiteração da mensagem através ds versos da Katy – mas sinceramente, CTTR não tem a mesma força de uma “I Kissed a Girl”, “California Gurls” ou mesmo “Roar”, super derivativa. A faixa não inspira muita confiança – você não sabe pra que serve a música: se é música pra inverno, faixa pro verão, música de festa, ou faixa viral pra render streaming. A única coisa que deu certo foi a lyric dos ratinhos; porque nem o clipe cheio de easter eggs viralizou pra incentivar o pessoal a repetir as views.

“Chained to the Rhythm” é anticlimática, tem cara de fim de festa. O top 10 foi até bom pra música. E talvez as pessoas tenham percebido, o público não é bobo.

A gente volta a falar do fato da demora dela, como representante desse pop mais comercial, leve e despreocupado, ter afetado a carreira da Katy a um longo prazo. Como eu disse, já tem muita novata, fresh e jovem, fazendo um som carefree que é representativo da Katy – e nisso entra o horroroso componente do ageism, já que a Katy tem 32 anos, perto dos 33, e a cada ano em que as acts femininas ficam mais velhas, menos elas tocam na rádio (já contei sobre isso outra vez aqui). Para as rádios, se tem acts mais novas fazendo um som comercial, porque ouvir Katy Perry, que voltou com uma música aparentemente “sem graça” e “politizada”?

Pra completar, com esse distanciamento da Katy, sem promoções e exposição massiva da figura, nem parece que uma das maiores hitmakers dos últimos anos voltou. Agora, com as promos no iTunes e uma ação da Capitol, eles estão tentando dar uma chance de sobrevivência à música, que está caindo igual a fruta madura no Hot 100. Eu não sei se continuaria insistindo numa música que não aconteceu – mas ao mesmo tempo, ela poderia cair na “24k Magic Situation” – (ele de novo) Bruno Mars performou essa música tanto, mas tanto, mas tanto, que as performances ajudaram a faixa a se manter no top 10 da Billboard. Sugou até o osso e depois saiu feliz para o segundo single, mais fácil de trabalhar, e com mais potencial viral.

Mas, novamente: Katy não é uma grande performer, e não é uma artista de massa. Apenas se ela tivesse performando, divulgando e sendo capa de revistas (cadê o SNL?), CTTR poderia conseguir essa “sorte” do colega hitmaker havaiano.


Tempo de lançamento demorado aka sumiço longo? Falta de exposição e divulgação maciça? Música que não “pega”, não “gruda”? Saturação da artista? O que você acha que está relacionado a “Chained to the Rhythm” não ter “acontecido”?

Não tô chamando de flop, estou chamando de uma música que “não pegou”, um primeiro single de desempenho apagado que poderia ser melhor, julgando pelo nome envolvido… Ou foi flop?

So many questions… Qual a sua teoria?

(aproveite e veja o clipe da música que Katy tá precisando)