Indicados ao Video Music Awards 2017 [4] COMBO DE CHANCES I

Estamos chegando perto do Video Music Awards, que talvez sim talvez não domine as mentions e tretas do domingo (considerando que “Game of Thrones” terá season finale mas as críticas negativas viraram tema de artigos mundo afora), e quando chega essa época – e a escriba que vos fala não terminou de escrever todas as previsões em ordem – é hora de pensar no COMBO DE CHANCES: ou seja, um lindo resumo de postagens com as principais previsões nas categorias restantes, pra gente saber quem pode levar o Moonperson e quem vai sair do award de mãos abanando.

Primeiro, hora de mais uma guerra de fandoms, desta vez entre os indicados a Melhor Vídeo Pop.

BEST POP
Shawn Mendes – “Treat You Better”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Harry Styles – “Sign Of The Times”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Miley Cyrus – “Malibu”

Ainda não entendi a ausência de nomes como Selena Gomez (cujo clipe de “Bad Liar” foi lançado dentro do período de elegibilidade e é melhor do que muitos que fizeram o corte final), a Lorde (que, apesar de não ter lançado o melhor clipe do ano para “Green Light”, tem uma estética interessante e é a cara do VMA), e até o Liam Payne (cara, a MTV perdeu a chance de capitalizar em cima de feud de ex-membro de boy band?); mas a lista de indicados está pelo menos de acordo com os artistas que estão em destaque dentro do combalido pop atual, além de lembrar que a Katy Perry, apesar do flop, lança sempre excelentes clipes.

Honestamente, este ano teremos outra boa e velha guerra de fandoms, criteriosamente escolhida para dar audiência ao award, porque sabemos de uma coisa: a fã-base vota, mas quem decide é a emissora. Em 2017, o Melhor Vídeo Pop pode ficar entre o Shawn Mendes, com “Treat You Better”, o Fifth Harmony com “Down” e Harry Styles com “Sign of the Times”. Tiro o Ed Sheeran da jogada porque, mesmo “Shape of You” sendo o maior hit aqui, é fato que a base de fãs dele nem se compara com o flood que o fandom dos outros três artistas devem estar fazendo. Creio que só iria para as mãos dele caso a MTV mexesse os pauzinhos, mas curiosamente, seria um award meio anticlimático.

Quanto a Katy, apesar de estar justamente indicada aqui (entre os cinco vídeos, é o mais bem feito e bem produzido, apesar do zero replay value), acredito que a MTV queira dar uma pimpada no feud em que ela está envolvida lá em Melhor Colaboração…

(aliás, cadê “Despacito”?)

(é sério, EU NÃO FAÇO IDEIA de quem leva essa)


Já na categoria de Melhor Vídeo de Rock, a ausência que eu menos entendi foi a do Imagine Dragons que colocou “Believer” no top 10 da Billboard Hot 100 e é a banda de rock mais bem sucedida este ano. Podiam ter se lembrado também do Linkin Park (aliás, nem ouvi murmúrios de tributo ao Chester Bennington…) – e apenas eu ter citado mais duas bandas esquecidas no churrasco é a prova de que a MTV CAGA para esta categoria. Vão os medalhões mesmo e acabou.

BEST ROCK
Coldplay – “A Head Full of Dreams”
Fall Out Boy – “Young And Menace”
Twenty One Pilots – “Heavydirtysoul”
Green Day – “Bang Bang”
Foo Fighters – “Run”

Entre os indicados, eu aposto nos mais populares. Certeza que o Coldplay é favorito, apesar do vídeo de “A Head Full of Dreams” ser uma snoozefest. Quer coisa pior que vídeo de turnê, bicho? Mesmo que a intro disfarce a verdadeira “historinha” do clipe e a fotografia granulada dê um ar retrô e de nostalgia à produção, é um vídeo de turnê, o que é a coisa mais preguiçosa do mundo. Mas o Coldplay é popular e para o que a MTV classifica como Rock, eles são o mais “famoso” e “chama audiência” que podem conseguir.

Já o Foo Fighters sempre emplaca alguma coisa, e desta vez o clipe vale a pena ganhar o Moonperson – “Run” é divertidíssimo e insano (e o FF tem expertise em fazer vídeos divertidos com referências pop impensadas como “Airplane!” e “Um Dia de Fúria”), com os velhinhos em fúria me lembrando vagamente aquela cena da luta na igreja em “Kingsmen” e ainda aquela coreografia que eu realmente não esperava. Às vezes, o vídeo demora mais do que deveria na rage dos idosos, mas quando sai do espaço fechado e o grupo domina a rua, o clipe ganha contornos ainda mais divertidos. E considerando que o Foo Fighters é outra banda bem popular, é mais fácil a MTV dar o Moonperson a quem realmente cumpre a função de ser um rock act 😉

(pior que parece que todo ano são sempre os mesmos indicados)

E vocês, o que acham que vai acontecer nessas categorias? Quem tem mais chance de levar?

Anúncios

Repetitivo, mas os refrões tão grudentos – “Evolve”, Imagine Dragons

Você já sentiu que achou um CD sensacional, mas nunca mais ouviria na vida; enquanto outro álbum que não é exatamente uma Brastemp te deixou viciada nas músicas?

ImagineDragonsEvolve.jpgEu contei ontem sobre a minha estranha experiência com o  “Melodrama“, novo álbum da Lorde, muito bem feito, produzido, excelentes letras, um dos melhores do ano, mas tive zero conexão com o material. Hoje, é hora de terminar aquela trama do “álbum que não é lá essas coisas mas é viciante” com um CD que tô ouvindo non-stop desde ontem de manhã: “Evolve“, do Imagine Dragons.

Aliás, você já teve a impressão de que era iniciado ou iniciada em algum culto ouvindo o Imagine Dragons? Eu me vejo percebendo isso, eu não sei se é por causa dos arranjos meio evocativos com pretensão épica, ou as letras com as mensagens desconexas que não fazem sentido mas dão ótimas legendas para fotos; não sei, o que interessa é que o “Evolve” tem uma pegada eletrônica bem vinda e refrões absolutamente grudentos em meio a fillers imperdoáveis e um tema que se repete com pouca sutileza ou elegância.

(mas é tão bom fazer air drums no buzú ouvindo o CD…)

O álbum todo trabalha com a ideia de “sofrer pra alcançar a evolução, seja pelo amor, pela dor ou por simplesmente acreditar que é possível”. É meio teoria da Xuxa, mas os refrões são tão grudentos, a produção tão bem feita (boa parte do álbum tem produção de Mattman & Robin, que dá uma coesão bem legal a todo o álbum) e a voz do Dan Reynolds (frontman da banda) tão carismática que você até esquece que os caras falam do mesmo assunto em quase 11 músicas sem mudar quase nada da lógica haha Mas o mais interessante desse CD é que o ID conseguiu colocar refrões insanamente grudentos em meio a alguns fillers desnecessários de todo.

Seja na faixa de abertura “I Don’t Know Why”, com o pré-refrão que é tiro (e grita pra ser single); o promocional “Whatever it Takes” (que me lembra bem de longe o Coldplay popzinho atual, mas BEM mais pop e grudento); “Walking the Wire” (com a letra simples, mas bem efetiva, um belo resumo do álbum, liricamente – para chegar em algo, evoluir, você acaba superando obstáculos seja em relacionamentos, na sua autoestima ou tentando lidar com a dor mesmo); e a lindinha “I’ll Make it Up To You” (com uma vibe anos 80 bem retrôzinha) – a letra é tão fofa que é um respiro depois de tanta sofrência conceitual, e é outra que grita single; você percebe construções simples, refrões fáceis, faixas ótimas pra ouvir num dia de chuva ou dublando no busão depois do trabalho; um CD gostoso e que mesmo não sendo uma OBRA-PRIMA, te deixa sempre querendo mais.

Ao mesmo tempo, tem fillers tensas aqui, como “Rise Up”, a BIZARRA “Yesterday” (o mesmo Alex DaKid que voltou dos mortos com “Thunder” e “Dancing in the Dark” – que música, que vibe, nunca achei que ia achar uma música do Imagine Dragons sexy – me apresenta esse treco na produção), “Mouth of the River” e “Start Over”, que ainda não decidi se pulo ou não quando ouço o CD.

Mas com certeza, os dois primeiros singles são os que mais tem cara de que fui iniciada num culto. “Believer” (olha o nome minha gente, hahaha) é  O TIRO EM FORMA DE MÚSICA, ainda mais com a letra que realmente parece coisa de teoria da conspiração e o uso do tema “sofrimento para evoluir” usado com elegância e dramaticidade bem equilibradas; e “Thunder”, a clássica história do menino que sonha em ser rockstar, é outra música perfeita para o ritual com a levada de marcha que é a cara do Imagine Dragons, são essenciais para se entender “Evolve”, seus refrões grudentos, letras simples e uma produção viciante, feita pra você cantar “I was lightning before the thunder” sem perceber no meio da rua.

Cuidado, você está dentro e nem sabe onde entrou.

Já ouviu o novo CD do Imagine Dragons? O que achou?

Combo de álbuns – Kendrick Lamar, “DAMN.”e Harry Styles, “Harry Styles”

Prometi, protelei e cheguei com mais um “Combo de Álbuns”, com dois lançamentos que considero entre os melhores de 2017. Qualidade comercial, identidade artística e retorno comercial são elementos que ajudam a tornar os dois CDs alguns dos lançamentos mais vibrantes do ano, cada um em fields distintos.

“DAMN.“, o quarto álbum do Kendrick Lamar (lançado em 14.04.17), o sucessor da obra-prima “To Pimp A Butterfly”, chegou com uma missão – corresponder às altíssimas expectativas em torno do trabalho do K-Dot, alçado a uma das cabeças pensantes da música atual, gênio e uma das figuras mais relevantes da cultura pop. O rapper conseguiu fazer algo incrível – se não superou TPAB (o que é uma missão ingrata), ele ofereceu a todos nós um álbum excelente, com ótima qualidade, e com apelo comercial suficiente para colocar três músicas no top 10 da Billboard e “Humble” como seu primeiro #1 solo.

Já o self-titled do Harry Styles (lançado em 12.05.17) é o debut do britânico após o hiato do One Direction. Todo mundo ficou de olho no que o jovem colocaria pro jogo – afinal de contas, ele era o membro mais popular da boyband e todos consideraram que ele tinha maior potencial para hitar. O que Harry ofereceu ao grande público foi uma verdadeira – e grata – surpresa: um CD de rock, mais precisamente emprestando o estilo soft rock, setentista, com um ar nostálgico, tocante e melancólico. Um álbum de muita personalidade e que alcançou muita gente fora do espectro do One Direction, e que além das boas críticas, foi lançado em primeiro lugar na Billboard 200 com mais de 230 mil cópias, sendo 190 mil só de álbuns (imagine isso em 2017, e com um artista cuja base de fãs é formada por jovens adultos e adolescentes que não compram CD físico nem digital há séculos).

Hora de saber o que há de tão bom nesses dois álbuns!

Continuar lendo

A segunda invasão das soundtracks

A trilha sonora de um filme é uma série de músicas que acompanham o desenrolar da produção. São músicas instrumentais, criadas para dar o toque de tensão, romance, mistério e adrenalina nas cenas (as trilhas do John Williams para os filmes do Spielberg; o trabalho de Bernard Hermann com Hitchcock, Hans Zimmer com as trilhas do Batman do Nolan, Bill Conti quase uma instituição dos filmes do Rocky, e por aí vai); ou são as canções que os personagens interpretam nos musicais (insira aqui todos os musicais que você tenha visto na vida, desde “My Fair Lady” até “High School Musical”); sem contar algum filme cheio de músicas pop que acompanham a vida dos personagens, incluindo uma ou duas músicas-tema que serão lançados como single para alavancar a ida dos espectadores ao cinema (eu poderia citar inúmeros nomes, mas o mais recente é, evidentemente, “See You Again” de Velozes e Furiosos 7).

Em resumo: as trilhas de filmes convivem conosco desde antes mesmo do filme ser falado, mas em alguns momentos específicos da história do cinema, lançar uma música que fizesse parte de um filme era sinônimo de sucesso. E quanto mais pop, melhor. Não falo de faixas icônicas como “Raindrops Keep Falling on my Head” ou “Theme From Shaft”, nem mesmo das músicas de abertura dos filme do James Bond. Estou dizendo do boom de músicas com forte acento pop que estouraram nos anos 80, que chegaram ao #1 lugar nas paradas e conseguiram até mesmo Oscar, acompanhadas por filmes que, se não eram o supra-sumo da qualidade artística, alguns deles foram recordes de bilheteria, enquanto outros acabaram ficando em segundo plano em relação às músicas que acompanhavam a película.

É só ver as músicas indicadas à estatueta dourada naquela época e adivinhar quantas delas você conhece:

indicados oscar 80s
Eu garanto uma coisa: que “A Força do Destino” (“An Oficer and a Gentleman”) e “A Dama de Vermelho” (“The Woman in Red”) não devem estar na sua lista de filmes já vistos.

 

Giorgio Moroder REI o resto nem sei
Giorgio Moroder REI o resto nem sei

Pois é, jogue pelo menos “Take My Breath Away” no Youtube e momentos da sua infância com Tom Cruise voando num caça e paquerando a Kelly McGillis ecoarão em sua mente. E ainda tem mais: desde “Fame” até “Take My Breath Away”, os vencedores do Oscar chegaram à primeira posição na Billboard Hot 100. Ou seja, são hits massivos e clássicos, que até hoje estão na boca do povo (se bem que os fãs de “A Pequena Sereia” devem lembrar de “Under The Sea” 😉

Nos anos 90, a dominação dos vencedores do Oscar foi com as trilhas sonoras da Disney – e “A Pequena Sereia”, como o filme que proporcionou o ressurgimento do estúdio após uma década de flops, acabou abrindo espaço para vitórias de outras trilhas sonoras históricas, como “Beauty and The Beast” (por “A Bela e a Fera”), “A Whole New World” (de “Aladdin”), “Can You Feel the Love Tonight” (de “O Rei Leão”), “Colors of the Wind” (vencedor por “Pocahontas”) e “You’ll Be in My Heart” (música de “Tarzan”). É só ler o nome que a memória volta à infância. Mas apesar de clássicas e icônicas, não são exatamente músicas pop.

A partir da década de 2000, apesar da variedade de músicas vencedoras (dois dos ganhadores são do gênero rap), a maioria dos vencedores perdeu o acento super pop que as vencedoras dos anos 80 tinham. Mas durante o final da década, com a chegada das franquias adolescentes desejosas em repetir o sucesso de bilheteria de “Harry Potter”, um novo combo surgiu: lança o filme + lança o CD da trilha sonora que geralmente é melhor que o próprio filme – lembrando que algumas músicas de franquias foram lançadas na esteira dos filmes, mas não com o estouro provocado por essa tendência, que podemos creditar a “Crepúsculo”.

A partir de “Crepúsculo”, em maior ou menor grau, as franquias se esforçaram em trazer músicas que vendessem – e ajudassem na bilheteria dos filmes. Isso se tornou sinônimo de “prêmio” com o efeito “Let It Go”, quando a Disney voltou à cena das soundtracks e com “Happy”, os artistas pop voltaram ao centro das trilhas sonoras, trazendo de volta o acento pop e as trilhas sonoras com pesos pesados, chegando ao ápice com “See You Again”.

E de “Crepúsculo” até “Velozes e Furiosos 7”, houve um longo caminho…

Continuar lendo