Indicados ao Video Music Awards 2017 [5] COMBO DE CHANCES 4x

Daqui a pouquinho tem alerta performances, tretas e momentos fabulosos da cultura pop com o Video Music Awards 2017! Com a Katy Perry de host e prometendo uma apresentação de 9 minutos no final do award e performances de Kendrick Lamar, Miley Cyrus, Fifth Harmony, Lorde, Demi Lovato, Rod Stewart e DNCE, além da entrega do Vanguard para a P!nk, ainda tem as decisões sobre os vencedores dessa edição, que surpreendeu muita gente com indicados impensados e esnobadas imperdoáveis (cadê “Despacito” deve ter sido o meu mantra desde sempre).

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas categorias que faltam ainda serem discutidas, na segunda parte do famigerado COMBO DE CHANCES.

Confira tudo após o pulo!

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You’re not going to happen! Por que o jump de compositor para artista famoso é tão difícil

Você já deve conhecer a história – compositor escreve músicas para outros artistas enquanto espera a hora dele ou dela aparecer na frente do palco. Às vezes, o songwriter em questão precisa apenas de um featuring ou uma faixa viral pra ficar na boca do povo e instigar a gravadora a lançar um trabalho solo. Outras vezes, é só a progressão natural da carreira – você entra como cantor, mas precisa melhorar suas habilidades e passa a compor para os outros – até o momento em que está pronto para fazer sucesso com o próprio nome.

Só que nem sempre essa progressão natural acontece – pelo contrário: muita gente rala horrores pra deixar o anonimato da composição e chegar no topo do sucesso como artista principal, mas não dá certo e o topo fica bem distante. Os motivos são inúmeros, e os exemplos de como às vezes essa transição não se converte em sucesso ou reconhecimento são vários. Esse é o tema do novo vídeo lá do canal Duas Tintas de Música no Youtube, usando três exemplos bem interessantes pra ilustrar as dificuldades desse jump. É só dar play (e não se esqueça de se inscrever no nosso canal!)

 

Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

Rádio FM à meia-noite – “24k Magic”, Bruno Mars

essa capa tá doendo os meus olhos
essa capa sempre vai doer os meus olhos

Quando eu tinha uns 12 anos, antes de dormir eu sempre ligava o meu walkman (em 2002 ainda tinham essas coisas). Era um Aiwa, que me acompanhou desde os sete anos, e estava sempre ao lado da cama, sintonizado nas rádios FM aqui de casa, naqueles programas de fim de noite, tipo “Love Story”, “Momentos de Amor” e similares. Não que eu fosse uma menina romântica (na verdade, nunca fui – minha Lua em Aquário e minha Vênus em Gêmeos sempre me impediram), mas eu adorava aquelas músicas antigas que tocavam. Marvin Gaye, Lionel Richie, Brian McKnight. Seal, Boyz II Men, Bobby Brown, Rick James, Smokey Robinson, Jermaine Jackson, Rick Astley, Gregory Abbott, e a lista segue. Os clássicos dos anos 80 e 90 se misturavam na minha memória antes de dormir e acabaram me educando musicalmente, o que ajudou alguns anos depois quando decidi ter um blog sobre música. E especialmente quando não é só você que aparentemente tem essa relação próxima com esse R&B gostosinho daquela época.

As influências do Bruno Mars vão além do doo-wop, reggae, The Police e o Michael Jackson. O havaiano tem uma relação muito profunda com o R&B que era feito nos anos 90 – ele já declarou amor pela sonoridade da época algumas vezes, e a ideia de “24k Magic”, o terceiro álbum na curta discografia do moço, é homenagear essa época, cantores e grupos como Jodeci, Boyz II Man, Jagged Edge e todos os nomes do R&B que faziam babymaking songs; mas é claro, com o flavor atual que só o Bruno sabe fazer. Por cortar a “linha de influência” para um período muito específico – o final dos anos 80 até os anos 90 – o CD não é exatamente instantâneo como as outras incursões dele (se você perceber, é como se ele estivesse fazendo um estudo musical do pop com a própria discografia: o pop inocente com ecos de doo-wop e rock dos anos 50/60 com o retropop do “Doo-Wops & Hooligans”; e a vibração dos anos 70 e começo dos 80, com pop, reggae, rock, disco e uma slowjam de respeito como “Gorilla” no “Unorthodox Jukebox”), por ser bem mais R&B que todos os álbuns anteriores – e mesmo alguns acusando o lead single de ser parecido com singles do passado, o CD numa linha geral não se parece com nada dos anteriores – e nem com nada que tá tocando nas rádios.

Não é instantâneo. Mas é uma viagem daquelas (que dura pouco mais de MEIA HORA e tem NOVE FAIXAS. Tenha dó, Bruno!). Confira o track-by-track após o pulo: Continuar lendo

Prós e contras de jogar no seguro – Bruno Mars, “24k Magic”

essa capa tá doendo os meus olhos
essa capa tá doendo os meus olhos

Enquanto boa parte da internet dormia de quinta para sexta-feira, Bruno Mars lançava de uma vez single, capa de álbum e vídeo para o seu lead-single do terceiro álbum, “24k Magic” – a faixa chamada também de “24k Magic”, que chegou no dia seguinte ao #1 no iTunes (e atualmente está em segundo porque “Closer” é um monstro e corre risco de quebrar recordes históricos) e já começou bem sua trajetória nas rádios e no Spotify.

(porque alguém colocou a música em todos os serviços de stream, como deve ser em 2016)

O terceiro álbum do havaiano era esperadíssimo pela popsfera por vários aspectos: seria o primeiro material solo em quatro anos (“Unorthodox Jukebox”, o segundo CD, é de 2012), e todo mundo esperava algo diferenciado e explosivo do Bruno, que saiu de um pop retrô romântico e fofo (em “Just The Way You Are”, lead-single do “Doo-Wops & Hooligans”) para um pop igualmente retrô, só que com mais influências dos anos 70 e início dos 80, com influências do rock e do reggae (em “Locked Out of Heaven”, do UJ).

“24k Magic” ainda é o pop retrô que todo mundo sabe que ele já faz, mas pega influências de outras duas faixas passadas para fazer um upgrade que eu classifico como “high on drugs” do segundo álbum: com muita produção, camadas de instrumentos orgânicos, sintetizadores e autotune, pega o call-and-response de “Uptown Funk” e acelera a batida R&B mid-80 (parece um James Brown misturado com Rick James, mas na verdade, “24k Magic” bebe justamente DESTA MÚSICA, o que ajuda os ouvidos mais distraídos a entenderem que a época da qual ele bebe pra compor a faixa é a metade dos anos 80, enquanto o “Unorthodox Jukebox” batia na trave no começo da década, 81, 82, 83 no máximo) pra jogar num refrão que lembra muito a construção de “Treasure”.

A produção e a melodia são viciantes, com um groove delicioso que convida a dançar na primeira ouvida, além do refrão catchy, algo que já é marca registrada de qualquer composição do moço. O problema mesmo é a letra – o bragging ostensivo de dinheiro, poder e “posso ter todas as garotas” me surpreendeu porque, com raras exceções, o material lírico que o Bruno oferece não é exatamente assim. Eu particularmente fiquei incomodada e, apesar do refrão fácil de cantar e bem estruturado, posso dizer que a letra completa deve ser uma das menos interessantes (usando eufemismo) da carreira dele e do Phil como compositores.

O clipe também é ruim – eu fiquei perdida, e novamente incomodada com o bragging excessivo e o clima de ostentação hetero topzera do vídeo. Em alguns momentos, ficou no limite entre ser sério ou bem humorado – e se tivesse ido na ideia de paródia ou comédia pastelão de fato, a solução seria mais criativa e inverteria até mesmo a lógica da letra. Mas as dancinhas tem pinta de viral, isso é fato.

Se “24k Magic” vai fazer sucesso? A faixa é grudenta, as rádios e o Bruno tem uma relação de amor e ter colocado o single em todos os serviços de streaming foi um acerto enorme. Não se pode negar mais a influência dos streamings e das playlists no consumo de música por single atual – e até mesmo o fato do CD ter apenas nove faixas – UM ABSURDO – contribui pra isso. Voltamos à era dos singles, o álbum como um coletivo ainda é relevante, mas a relação do ouvinte com a música se dá muito mais pelas playlists com músicas avulsas relacionadas a “momentos” do que o consumo completo do álbum. Como o moço ainda vai se apresentar no SNL semana que vem, tudo indica que um excelente começo para a faixa já está garantido nas rádios. E como o fim do ano está chegando, todo mundo precisa de uma música no réveillon pra celebrar o ano novo.

(só poderia ter sido mais criterioso na letra e no clipe, né – e nessa capa PAVOROSA)

Dê uma segunda chance ao Nick Jonas em “Last Year Was Complicated”

Cover CD Nick Jonas Last Year Was ComplicatedUma das histórias de “morte e substituição” mais bem sucedidas da música pop foi Nick Jonas. O moço do anel de pureza e músicas inofensivas com os irmãos se tornou um habilidoso cantor solo, fazendo um R&B respeitável no primeiro CD solo (descontando o “Nicholas Jonas”) e arrancando suspiros com photoshoots sensuais e sem camisa. É óbvio que depois da boa recepção ao selftitled , o que se esperava era um trabalho igualmente coeso, bem trabalhando e mantendo aquela ambientação sexy e misteriosa do “Nick Jonas”.

“Close”, o lead single do novo álbum, “Last Year Was Complicated”, era mais pop que R&B, e contou com uma química intensa com a sueca Tove Lo. Mas o resto do CD segue com a pegada R&B do álbum anterior, só que com aquela pegada menos “pura” e mais mistura urban e pop, lembrando claramente a sonoridade dos anos 2000. No entanto, não é um amor à primeira vista.

Entenda o porquê no track-by-track!

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A evolução esperada – “Dangerous Woman”, Ariana Grande

Cover Ariana Grande Dangerous Woman
Esse título é ruim, essa capa é horrível… Mas o álbum é ótimo!

Ariana Grande fez uma porção de coisas erradas que quase colocaram a carreira ascendente em risco – o Donutgate criou problemas sérios na reputação de boa moça (meio diva, mas boa moça) da cantora, sem contar com as desculpas mais esfarrapadas de todos os tempos naquele vídeo terrível. Ter lançado “Focus” como uma “limpeza de imagem” pouquíssimo tempo após a polêmica não ajudou nem um pouco, especialmente pela faixa ser super derivativa em relação ao hit massivo “Problem”.

No entanto, o tempo sumida ajudou Ariana a pensar em novas possibilidades – como por exemplo, mudar de empresário (Scooter Braun, ótimo em marketing; mas um pouco problemático em controlar jovens artistas – Justin Bieber, alguém?) e ter tempo hábil e criativo para compor boas músicas que fossem uma evolução comparados ao já excelente segundo álbum, My Everything, lançado há dois anos. Mesmo mantendo parte do time vencedor daquele CD (o Midas Max Martin, sem contar com Ilya e Savan Kotecha), o espírito de unidade e coesão desse álbum me lembraram bastante o que ela fez no excepcional debut (Yours Truly) – o que foi uma win win situation.

Apesar do título cafona, “Dangerous Woman” é um material que passa longe de ser breguinha. Musicalmente e na qualidade da interpretação, o álbum finalmente é uma apresentação de uma Ariana mais focada em ser crossover de público (e não de estilos), sem perder sua identidade.

É hora de conferir o track-by-track da versão standard!

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