You’re not going to happen! Por que o jump de compositor para artista famoso é tão difícil

Você já deve conhecer a história – compositor escreve músicas para outros artistas enquanto espera a hora dele ou dela aparecer na frente do palco. Às vezes, o songwriter em questão precisa apenas de um featuring ou uma faixa viral pra ficar na boca do povo e instigar a gravadora a lançar um trabalho solo. Outras vezes, é só a progressão natural da carreira – você entra como cantor, mas precisa melhorar suas habilidades e passa a compor para os outros – até o momento em que está pronto para fazer sucesso com o próprio nome.

Só que nem sempre essa progressão natural acontece – pelo contrário: muita gente rala horrores pra deixar o anonimato da composição e chegar no topo do sucesso como artista principal, mas não dá certo e o topo fica bem distante. Os motivos são inúmeros, e os exemplos de como às vezes essa transição não se converte em sucesso ou reconhecimento são vários. Esse é o tema do novo vídeo lá do canal Duas Tintas de Música no Youtube, usando três exemplos bem interessantes pra ilustrar as dificuldades desse jump. É só dar play (e não se esqueça de se inscrever no nosso canal!)

 

Últimos lançamentos: Harry Styles x Lady Gaga

Hora de prosseguir com os lançamentos dos últimos dias com dois singles oriundos de artistas em pontos diferentes da carreira: o britânico Harry Styles, com a sua épica “Sign of the Times”; e Lady Gaga com a surpreendentemente pop “The Cure”.


Quando uma boy band (ou girl band) termina, entra em hiatus ou se separa porque rolaram brigas tensas de bastidores, a gente sempre se questiona qual será o futuro dos integrantes. Sempre tem um que estoura e se torna o astro (pode entrar Timberlake), tem sempre o que sai primeiro e flopa (Nicole, alguém?), e tem as exceções à regra (Robbie Williams, Bobby Brown); além daquelas bandas que ninguém emplacou em carreira solo porque no fim das contas, eles são melhores juntos (sim, vocês mesmos, Backstreet Boys).

No caso do One Direction, o grupo de adolescentes mais bem-sucedido da década, a banda seguiu por mais um álbum após a saída de Zayn Malik; e depois da divulgação do álbum “Made in A.M.”, os membros restantes seguiram seus caminhos musicais (ou de celebridade) em relativa paz e amizade. Cada um dos integrantes lançou material próprio, seja um single solo (Niall) ou um featuring (Louis); mas quem todo mundo esperava um single era Harry Styles, o mais conhecido da banda – seja pelo namoro relâmpago com Taylor Swift, seja pelo próprio carisma do garoto.

E o rapaz chegou colocando o pé na porta um um single do caralho, completamente diferente do que está rolando no momento, um pop/rock na vibe setentista, lembrando David Bowie e Queen, e com uma letra super “dentro do que vivemos hoje”, “Sign of the Times”, que parece ecoar as nossas tensões internas num mundo que parece à beira do abismo. Com uma voz perfeita para o rock, com potência e aquele raspy/rouquidão bem on point, é moody, é melancólica, é esperançosa, tem poder e tem tristeza, é um emaranhado de emoções e tem 5:40 de duração – ou seja, vai rolar radio edit pra tocar nas rádios, porque o moço não voltou disposto a só fazer música pra hitar. Harry quer fazer um statement, e fez muito bem.

Se 2017 é o ano em que os acts masculinos estão brilhando mais do que as female pop stars, “Sign of the Times” é um dos motivos. A música gruda na sua cabeça pelos motivos certos: é muito boa, tem ecos do passado sendo moderna, tem um refrão que cola mesmo e a letra é muito bem trabalhada, tendo as referências certas para o mundo em que estamos hoje.

Que musicão, que material, imagina só o que ele tem planejado para o debut? Segue uma carreira solo bem intrigante pra acompanhar.


Já a Lady Gaga lançou durante seu show no Coachella neste fim de semana um single novo, “The Cure”, que passa longe da pegada country/pop/rock do “Joanne”. Ninguém sabe exatamente se a música é pra algum relançamento, ou é um single avulso, mas o fato é que a música é straight pop na veia, com algum flavor de midtempo EDM que tá fazendo sucesso hoje em dia, e uma letra simples sobre amor incondicional.

Eu queria ter gostado mais da faixa como os americanos, que mandaram “The Cure” diretamente para o #1 no iTunes, mas não consegui. A música é até boazinha, mas no fim das contas, parece mais um pop genérico dessas new acts que tentam a sorte na popsfera. O refrão é pouco marcante e o delivery vocal da Gaga é médio, longe de outros momentos interessantes dela na carreira. Achei muito sem graça, infelizmente.

O pior é que, como a gente não faz ideia do objetivo desse single, não dá pra saber se é pra um relançamento do “Joanne” (o que não faz sentido, porque a sonoridade não tem nada a ver) ou alguma música pra EP, ou pra dar uma pimpada nos streams da Gaga (como foi com “Body Say” da Demi Lovato). Mas se isso for algum indicativo de uma mudança de sonoridade para um próximo álbum, melhor a Gaga retornar ao estúdio. Mas que música chata.

E vocês? O que acharam dessas duas músicas?

QUERO MUITO: Rihanna, “Kiss It Better”

Rihanna video Kiss It Better

Já comentei aqui o quanto eu não gosto do “ANTI”, o novo álbum da Rihanna, numa série de posts que geraram reações bem específicas na caixa de comentários do Facebook. A opinião contrária é sempre bem vinda, e discutir faz parte do jogo democrático. Mas eu sempre achei “Kiss It Better”, a cota mais pop rock que sempre tem nos álbuns da RiRi, uma das highlights do álbum, e uma faixa com pegada comercial para ser single – considerando que o CD não é exatamente uma máquina de hits, como as outras aventuras da barbadiana.

Por isso, eu fiquei muito feliz quando soube que essa faixa seria lançada como música de trabalho – e quando o clipe foi lançado, não foi apenas felicidade que eu senti. Foi uma sensação de: CA-RA-LHO. Quero essa mulher pra mim. Quero ser ela. Free the nipple. Saudades vida amorosa. Que vídeo maravilhoso. Que vídeo maravilhoso!

Lembra que eu falei no vídeo da Ariana Grande que sensualizar num vídeo sem muitos recursos de produção, dependendo do magnetismo do artista, era algo pra poucos? Então, Rihanna dá uma aula no vídeo de “Kiss It Better” que é pra ser usado como estudo de caso na aula de Vídeo Pop Feminino 101. Confira:

O vídeo é em preto e branco e apesar de termos um visual bem nítido do piercing e dos seios da Rihanna, todo o resto é surpreendentemente implícito. Você só saca o prazer, a excitação, a dor e a expectativa pelo jogo de corpo, a edição do vídeo e as expressões da RiRi. O magnetismo dela e o poder que ela tem sobre o próprio corpo são tão grandes que dá pra notar o amor que a câmera tem pela Rihanna, mesmo que a barbadiana não passe o vídeo todo olhando na direção dela.

Esse magnetismo passa pra gente – porque a gente quer olhar mais, quer continuar observando, sendo seduzido e apaixonado pela Rihanna, ao som de uma música com uma melodia que convida mesmo a “making love”. Uma fuck music de primeira categoria, que dá vontade da gente apertar replay, mesmo o vídeo não tendo nada demais – só Rihanna, poucas roupas, muita sedução e tudo em preto e branco. Mas se você for RIHANNA, apenas isso basta pra fazer algo épico. Só ela – e umas poucas – pra segurar um vídeo assim.

Apenas uma pergunta: qual é a história daqueles dados? Cadê os little Monsters com as teorias, obrigada!

As linhas borradas dos samples

Se tem uma coisa que é mais comum que feuds na música pop é o uso dos samples. O sampling é o ato de usar uma parte de uma música (normalmente o instrumental) e utilizá-la para fazer outra música. Claro que dando os devidos créditos ao cantor/compositor original.

Normalmente, a gente encontra os samples no hip hop, mas algumas músicas pop famosas já se utilizaram desse recurso na construção de suas canções, tanto que muitas vezes, você acaba ouvindo uma música e percebendo que já a ouviu em algum lugar. Ou então achando que artista x plagiou alguma canção desconhecida e ninguém informou isso até agora.

Foi o que aconteceu comigo quando ouvi “Blurred Lines” do Robin Thicke pela primeira vez: eu achei que tinha sample de “Got To Give It Up”, do Marvin Gaye, e fiquei realmente surpresa quando soube que a composição não incluía os créditos do Gaye – ou seja, era apenas uma música parecida. Quando a família do Marvin colocou Pharrell e Thicke na justiça, tentando provar que a música era plágio, não me senti enganada – as duas músicas eram parecidas. Por isso, quando você sentir que “já ouviu aquela música antes” e achar que alguém está sampleando/plagiando um artista anterior, não tenha medo em procurar saber (ou desconfiar) sobre a canção.

E como a decisão já foi tomada nos EUA – declarando que “Blurred Lines” realmente tinha plagiado “Got to Give it Up” e que tanto Robin Thicke quanto Pharrell devem pagar uma soma milionária à família de Gaye, achei interessante fazer um post aqui sobre melodias e batidas emprestadas de forma honesta dos artistas originais – os samples. No caso, samples curiosos e não tão conhecidos de músicas que vocês amam, odeiam ou amam odiar (ou odeiam amar, tudo vale).

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Kelly Clarkson sabe o que quer em Piece by Piece

Cover CD Kelly Clarkson Piece by PieceEnfim, o “Piece by Piece” da Kelly Clarkson já está rodando pela internet, e a gente não poderia deixar de ouvir o sexto CD da primeira vencedora do American Idol.

Apesar do desempenho moderadíssimo (pra não dizer apagado) do lead-single “Heartbeat Song”, o álbum ainda tem algumas cartas na manga (como uma composição da Sia e o featuring do homem do momento, John Legend). O que esperar desse novo trabalho da Kellyzinha? Confira a resenha da versão standard após o pulo!

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Kelly Clarkson voltou! Ouça Heartbeat Song

Cover Kelly Clarkson Heartbeat SongKelly Clarkson já está aí há um tempão e não sei se você percebeu, a primeira vencedora do American Idol vem desenvolvendo uma carreira muito sólida dentro do segmento pelo qual ficou conhecida – o pop/rock, subgênero de onde surgiram duas joias de sua discografia: o premiado “Breakaway” e o underrated “My December” (o meu preferido da Kellyzinha).

Tem muita gente que subestima o poder da Kelly, e sua habilidade em fazer álbuns coesos e trazer músicas ótimas a cada álbum. Mesmo que o CD não seja lá essas coisas (oi “All I Ever Wanted”), sempre tem alguns singles sensacionais que mostram tanto o trabalho vocal da KC, ou suas composições eficientes, ou a capacidade de se manter fiel ao estilo mesmo flertando com outras áreas – mais frequentemente o country, onde ela também se sai bem.

Mas agora, três anos após o lançamento do “Stronger”, um marido, uma filha linda e um álbum de natal extremamente bem-sucedido (o “Wrapped In Red”), Kellyzinha está de volta para a popsfera disposta a mostrar que não tem três prêmios Grammy e alguns recordes na manga por acaso. E acho que ela está no caminho certo com o lead-single “Heartbeat Song”.

É a Kelly no pop-rock do jeitinho que a gente gosta (sem aquele pop sem graça e derivativo de “Mr. Know It All”), com um refrão pegajoso numa faixa super grower (tô ouvindo pela quarta vez e já comecei a repetir o refrão), e essa quebradinha de ritmo no refrão é muito boa. “Heartbeat Song” não tem muita gritaria e oversinging, é equilibrada e dá pra cantar junto. A letra é extremamente eficiente, e fácil de lembrar.

A única coisa que não gostei muito foi da produção – tem muitos efeitinhos desnecessários na voz da Kelly (especialmente no refrão) e, não sei, acho que a música precisava de algum polimento, ou parecer mais acústica que sintética. Mesmo assim, a faixa tem cheiro de hit. Um top 10 na Billboard e vida longa nas rádios, especialmente na Adult Contemporary. De uma coisa é certa: “Heartbeat Song” me fez ter interesse no que a KC vai aprontar nesse novo álbum, bem mais que no “Stronger” e no “All I Ever Wanted”.

E você, o que achou?