I’m bringing sexyback… Again

Justin Timberlake - Filthy (Official Single Cover).pngApós cinco anos, muitos filmes, um hit massivo indicado ao Oscar (“Can’t Stop that Feeling!”) e participações no programa do Jimmy Fallon, Justin Timberlake está de volta! Mas, a julgar pelo vídeo promocional em que Justin aparece no meio da floresta, em contato com a natureza, revelando um lado mais pessoal e inspirado na família, tudo indicava que seu novo CD, intitulado “Man of the Woods”, seria mais puxado para uma vibe country/americana (especialmente porque o JT já vinha comentado sobre um CD country há algum tempo, e sua parceria com Chris Stapleton era bem celebrada dentro do mainstream).

Para surpresa dos críticos musicais, stan twitter e minha pastinha de memes, o lead single “Filthy” não é exatamente a nova Jolene.

Parte de uma estratégia de divulgação que inclui um clipe a cada semana até o lançamento do álbum dia 02.02 (Checkmate her influence), o primeiro gosto da nova era do “Presidente do Pop” foi sentido na madrugada de hoje, com áudio e vídeo do Steve Jobs do sexo.

Enfim, quem acompanhou o twitter, os fóruns, o pessoal comentando, deve ter sua opinião sobre o single. Particularmente, eu estou tão confusa com “Filthy” que o máximo que eu posso dizer é: não é O FUTURO DA MÚSICA e a inovação que querem vender, mas também não é o lixo sonoro que estão comentando na internet. É basicamente uma faixa eletro-funk com uma ótima linha de baixo retrô (o que já é meio caminho andado pra me comprar) que lembra essencialmente o que o Justin fazia no “FutureSex/LoveSounds”, lá em 2006. Ou seja, todos nós já ouvimos isso antes – só que com melhores resultados.

Musicalmente falando, é uma faixa confusa, porque eu gostei muito mais dos versos e do pré-refrão do que o refrão, que praticamente broxa você – eu espero explosão depois do pré-refrão, que me faz balançar os ombros e me soltar e o cara me aparece com um refrão-não-refrão falado? “Look What You Made Me Do” parte 2?

(aliás, acho que o JT deve ter contratado o mesmo ghost writer de 13 anos que compôs o lead da Taylor, não é possivel! A letra é constrangedora!)

A ambientação futurista é uma ótima ideia, apesar de a partir de 3:26 parecer que alguém exagerou nos efeitos e abafou o vocal do Justin; mas na primeira metade da música, estava tudo bem colocado. No geral, “Filthy” é grower, mesmo que estranha. De primeira, eu achei esquisitíssima, mas depois já estava dançando ao som da música. Agora, se tivesse um refrão explosivo e mais agudo, como um clímax pra vibe misteriosa e perigosa do arranjo, seria um grande momento pop. Uma boa ideia desperdiçada, infelizmente.

Agora é esperar como será a linha musical das próximas faixas a serem lançadas. Afinal de contas, acho que a impressão geral foi de que alguém vendeu gato por lebre – toda a primeira impressão da era “Man of The Woods” foi “roots”, “grittness”, “country”, “wild west, but now” e a apresentação musical desse trabalho é uma faixa futurista com a mesma vibe do segundo álbum do cidadão lançado há 12 anos atrás? É como se eu tivesse sido enganada na compra, e agora tô xingando no twitter e mandando uma mensagem pro Reclame Aqui.

E vocês, o que acharam do single do Timberlake?

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Eu gostava mais da Old Taylor

… porque pelo menos a velha Taylor escrevia músicas melhores.

Um dos grandes trunfos da carreira da Taylor Swift sempre foi sua habilidade como compositora, de escrever exatamente o que uma jovem sentia ou passava, mesmo que você não fosse uma cantora de country-pop de 17/18 anos. E mesmo em suas incursões mais pop (a exemplo de algumas faixas no “Red” e no primeiro trabalho todo pop da moça, “1989”), você sabia que encontraria ótimas músicas com letras relatáveis, joviais, com aquele senso de humor meio awkward e especialmente no último álbum, uma despretensão da artista que sabia bem quem era e sabia brincar com a maneira como os outros a viam. O maior exemplo disso é “Blank Space”, uma maneira divertida, irônica e genial de reverter a reputação que a Taylor tinha de “man-eater” a favor dela, com uma visão bem curiosa de si mesma.

Mas 2016 chegou e passou como se fosse um furacão tirando tudo aquilo que a tornava imune e criadora da própria narrativa – através de situações como o namoro altamente publicizado com Tom Hiddleston, a treta com Calvin Harris, o interminável beef com Kanye West. E Taylor sumiu. Até mesmo o atual relacionamento é low-profile, com o desconhecido ator britânico Joe Alwyn.

Black-and-white image of Taylor Swift with the album's name written across itPara aparecer rebranded como alguém mais esperto, mais irônico, assumindo a própria má-reputação e tentando retomar o controle da narrativa que os outros tinham dela. A estratégia para esse renascimento da Taylor, em que ela desejava retomar a narrativa em suas mãos, foi evitar divulgação tradicional, conversas com a mídia – e até mesmo a forma de lançamento do CD, que manteve a característica da velha Taylor, avessa às modernidades do stream, fazia mais sentido ainda dentro do rebranding da Taylor.

Só que isso teria de se refletir no produto principal… o CD. E é aí que “reputation”, o álbum em que Taylor Swift teria de assumir sua nova persona badass, “sou a vilã da história e gosto disso”, parece um trabalho incompleto. E pior: trend chaser, quando a Taylor fez um pop puro e sem influências no “1989”.

Todo o álbum, que conta com a produção dos suspeitos de sempre (Max Martin, Shellback, Jack Antonoff), tem uma produção com pegada eletro pesada e um certo flavor urban que nos leva à conclusão de que a Taylor já vinha testando essa sonoridade pra ver se “acreditavam” nela seguindo a vibe lá atrás, em “I Don’t Wanna Live Forever”, mas é tudo pouco confortável ou gostoso de ouvir. As produções são pesadas, não servem para dançar na balada nem pra dançar agarradinho nem servem como fuck music (não, “Dress” não serve pra isso, é mais broxante que qualquer outra coisa), ou como música ambiente, ou como diversão pra ouvir na ida ou volta ao trabalho no buzú. É tudo muito anticlimático.

As letras, que são sempre o trunfo da Taylor, estão em momentos bem irregulares. Tem as deep cuts com produção mais elegante, discreta e esmerada – a exemplo de “Delicate” (mesmo que lembre vagamente a onipresente “Sorry” de todas as músicas possíveis, e tropical house Taylor? você está uns dois anos atrasada!), “Getaway Car”, que deve ser a melhor música do CD – uma gracinha, e não é uma produção tão irritantemente pesada (a metáfora de fim de romance através de uma relação sem futuro entre um casal é bem trabalhada e bem escrita e amarrada; enfim, essa é a Taylor que a gente gosta); além de “New Year’s Day”, a última faixa do CD, com uma vibe acústica e narrativa mais reflexiva sobre crescimento, maturidade, após a agonia e êxtase da juventude.

De resto, tem muita coisa ruim e forçando todo o conceito da era, o de assumir a reputação que outros imprimiram à Taylor, e apenas se revelar quem é às pessoas que realmente gostam e se importam com ela. Nesse meio do caminho, tem coisas pavorosas como “I Did Something Bad”, “Don’t Blame Me”, e a diss pro Kanye “This Is Why We Can’t Have Nice Things” que eu não entendo como não poderia ser mais divertida e despretensiosa. E eu nem falei das tentativas falhas da Taylor investindo no rap (em “…Ready For It” e “End Game”, uma colaboração errônea entre ela, Future e Ed Sheeran que não faz nenhuma das partes brilharem); as produções do Antonoff que deixam a Taylor parecendo uma sub-Lorde; além das faixas mais românticas, dedicadas ao atual namorado, fillers em comparação ao que ela escreveu pro Harry Styles no “1989”, por exemplo.

Mas talvez a minha crítica em relação ao “reputation” se dá porque eu tive uma impressão errada do álbum quando ouvi o primeiro single (que realmente não aprecio, mas se torna uma highlight do álbum, graças à irregularidade do material completo) e toda a organização da era. Pensei que o CD teria poucas faixas românticas (e não 90% do álbum) e sim uma obra mais reflexiva sobre o preço da fama e da exposição, o posicionamento dela como cantora e compositora numa indústria machista que se importa mais com seus relacionamentos do que com sua musicalidade, um upgrade na percepção pública sobre a Taylor (como ela tinha feito em “Blank Space”, só que de forma mais madura) e faixas super fun e despretensiosas sobre os beefs. No entanto, toda a parte do “assumir o lado malvado” fica em versos e referências em músicas esparsas, apenas para reforçar o tom do CD, mas nada que me faça querer dar play ou analisar quando o álbum chegar ao Spotify.

Que pena. Eu esperava mais da nova Taylor.

 

P.S.: Max Martin precisa urgentemente de um ano sabático. E Jack Antonoff não é nem metade do que ele pensa que é.

 

Uma grata surpresa – Demi Lovato, “Tell Me You Love Me”

Demi Lovato - Tell Me You Love Me (Official Standard Album Cover).pngDe todas as ex-acts da Disney, Demi Lovato é seguramente, a artista que possui a trajetória mais irregular de carreira. Saindo do pop/rock dos dois primeiros álbuns para uma blend de resultados questionáveis entre pop e R&B, apenas no “Confident” (2015) ela conseguiu apresentar maior controle da própria voz em aspectos técnicos; mas em relação ao estilo, ainda patinava em encontrar sua verdadeira identidade.

Problema resolvido em seu novo lançamento – “Tell Me You Love Me“, sexto álbum na discografia, mostra uma Demi muito confortável com uma sonoridade pop/R&B condizente com seu vocal (que não é extremamente soul e com volume, e sim indiscutivelmente pop, mas com a já conhecida potência). Além disso, a cantora finalmente se provou uma intérprete versátil em músicas excelentes que trazem uma audição surpreendente: é o melhor álbum da Demi, com material de alta qualidade e um som gostoso, agradável de ouvir, controlado, maduro e que tem muita personalidade.

Para saber mais sobre as canções, é só conferir depois do pulo!

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Como se reinventar (ou não) com dois lançamentos de setembro

Setembro para a música pop é aquele mês em que os A-lists ou artistas em ascensão lançam os singles de trabalho antes do fim do período de elegibilidade pra ver se emplacam alguma música para o Grammy 2018. Dois desses artistas que podem entrar no corte final são Kelly Clarkson e Sam Smith, que lançaram seus leads recentemente e encontraram desempenhos curiosos até agora nos charts.

Onde hoje se define o que é hit ou não – o Spotify – o britânico teve uma excelente estreia, e no chart semanal do serviço de streaming, “Too Good at Goodbyes” está em segundo lugar. Nada mal para um artista cujo último single lançado foi a trilha sonora de um filme em 2015 (sim, é um filme do James Bond, mas é OST). Já “Love So Soft” da KC estreiou lá embaixo, quase no final do top 200 do Spotify. Nas rádios, no entanto, o desempenho da Kelly é muito bom, especialmente nas rádios adultas, assim como o próprio Sam. Já no iTunes, Kelly está no top 50, já com o (ótimo) clipe lançado; enquanto Sam Smith está ainda no top 10, em franca queda – mas não se esqueça de que ainda tem clipe pra lançar.

A partir dessas primeiras reações das duas faixas, é hora de entender como as músicas que comandam o comeback dos dois artistas podem oferecer insights sobre a era de cada um deles – assim como óbvias resenhas sobre a reinvenção (ou não) com um grande retorno à cena.

Reinventar-se usando suas influências

Quem acompanha desde sempre a carreira da Kelly Clarkson sabe que ela sempre teve como influências as grandes cantoras do R&B/soul, as grandes vozes como Aretha, Mariah e Whitney. Apesar de uma carreira extremamente bem sucedida fazendo aquele pop/rock gostoso a cara da minha adolescência nos famigerados anos 2000, a voz da moça sempre foi extremamente versátil – passando do pop, rock, country e agora esse retro-soul gostosíssimo de “Love So Soft”, lead single do “Meaning of Life”, novo álbum agora na gravadora Atlantic Records (adeus RCA).

O som é identificadíssimo com sua voz potente, é upbeat, fun, super KC – no caso, a sassy Kelly de “Walkaway” – e tem ainda um curioso break no refrão. Consegue ser moderna mesmo bebendo de fontes mais retrô, e tem uma óbvia maturidade que garante o estrago nas rádios adultas. O que é evidente, já que desde a aproximação da Kelly com o country, e a sonoridade mais pop do “Piece By Piece”, ela já vem indicando que vai se aproximar cada vez mais de um pop mais adulto, para um público maduro. E ela não tá errada, nem um pouco. É esse público que comprará seus álbuns, irá às suas turnês; e Kelly fica livre das pressões de gravadora e da mídia por hits e sucessos instantâneos. Tem carreira consolidada e Grammys.

O mais legal é que a Kelly conseguiu isso sem perder a identidade, trazendo um som novo pro repertório dela, mas que faz parte das suas influências. (e um certo award já deve estar de olho nela, cuidado)

Reinvenção é o quê? É de comer?

O segundo álbum é um desafio para qualquer artista, especialmente para quem vem de uma era bem sucedida e premiada. Você pode se superar e fazer coisas ótimas (“21”, “Futuresex/Lovesounds”, “The Fame Monster”, “Fearless”), pode cagar sua carreira inteirinha (“Thank You”, tô falando com você) ou pode ser o Michael Jackson mesmo. No caso do Sam Smith, ele optou pela safe choice de uma versão levemente mais up que o seu maior sucesso (“Stay With Me”) com o lead single do novo álbum, “Too Good At Goodbyes”.

Aqui, continuamos ouvindo o mesmo pop soul com coral gospel, e apesar do vocal melancólico do Sam continuar o mesmo. A diferença é que o arranjo é só um pouquinho (inho) mais animado e a letra tem um cinismo delicioso, versos super relatable – além do pré-refrão e refrão bem grudentos. Mas de resto, achei bem decepcionante. Não era isso que eu esperava do trabalho novo de um Grammy e Oscar winner. Porque dá pra se reinventar mantendo seu estilo, mas isso não significa que você siga a mesma cartinha de seu álbum anterior. Soa preguiçoso e calcado essencialmente em jogar no seguro.

Apesar disso, o negócio é que a faixa do Sam tem potencial para fazer mais do que o desempenho atual. O clipe ainda não foi lançado e ainda tem a divulgação massiva (a Kelly, por exemplo, já se apresentou no Today Show), e a faixa se mantém apesar dos pesares no top 10 do iTunes. O que me surpreende mesmo foi a boa estreia no Spotify: a faixa passa longe dos hits virais do serviço (mais urban e rap) e tem forte apelo adulto (por isso o sucesso nas rádios AC). Talvez o fato da música ter sido lançada com um clipe exclusivo para o Spotify tenha ajudado; ou o público comprou a música especialmente porque é uma midtempo lançada quase no Outono americano, e tradicionalmente o que bomba são faixas mais lentinhas. O que eu sei é que – se o Sam conseguir emplacar mesmo no Spotify, terá fácil o selo de hit. (e pode garantir lugar NAQUELA premiação do ano que vem)


E aí, qual destas foi o seu lançamento favorito? Deixe suas considerações nos comentários! 😉

Um organograma de referências – Taylor Swift, “Look What You Made Me Do”

Durante o Video Music Awards 2017, Taylor Swift apresentou para todo o mundo o vídeo de seu já bem sucedido lead single, “Look What You Made Me Do”, cuja letra está meio definida que é para o casal Kimye, mas o vídeo metralha praticamente todo mundo com shades e referências, óbvias ou não. Tantas que você precisa até de um organograma de referências.

Na primeira vez que vi o vídeo, consegui enxergar algumas; depois, ainda deu pra captar outras que não tinha reparado de primeira; mas de uma coisa é certa, o vídeo de “Look What You Made Me Do” ganha altíssimo nível de replay value só pra gente confrerir todas essas referências. Smart move, Taylor.

  1. O “TS” que parece um 13, número da sorte da Taylor

2. O pseudônimo (Nils Sjoberg) que Taylor usou para assinar a composição de “This is What You Came For”, do Calvin Harris com a Rihanna

3. O Grammy, evidentemente, é sobre a Katy, e até a aparência dela no take parece com a versão loira da “arquiinimiga”

4. Spotify, com a referência “Stream.co” e a Taylor saindo do cofre com dinheiro, quando foi taxada por público e parte da mídia de mercenária

5. O infame squad – outra famosa acusação de que as amigas da Taylor tinham todas o mesmo padrão: mulheres brancas com pinta de modelo

6. A infame camisa “I ❤ TS”

7. As “old taylors” tentando ser salvas pela “nova” (com referências a apresentações antigas e looks de vídeos e awards)

8. E evidentemente, o diálogo final entre elas, em que as associações consagradas em torno da Taylor (fake, forçada, “bancando a vítima” e a famosa linha “excluded from this narrative” mostram bem o quanto ela é informada sobre o que dizem da cantora nas mídias sociais)

(quem tiver outras referências fiquem à vontade para apresentar nos comentários!)

No geral, o vídeo é caro, bem trabalhado, muito bem produzido, e inteligentemente dirigido pelo atual parceiro de Taylor nas videografias, Joseph Kahn, não é muito curto nem muito longo: possui o tempo certo pra você captar as referências principais e ainda tem um replay value fortíssimo – ou seja, as referências colaboram para que você assista outras vezes ao clipe só pra captar referências mais discretas. Fãs e quem acompanha música pop vão se esbaldar. Em critérios técnicos, já é forte candidato a tudo possível no VMA 2018.

A parte mais ou menos é que, ao contrário da ironia fina e divertida de “Blank Space”, onde a Taylor brinca com os estereótipos de “serial dater” com um humor até agradável, aqui em “Look What You Made Me Do” não chega a ser tão fun e fresh. Não é um vídeo que depois de um tempo, você queira revisitar – por ter tantas referências até temporais, corre o risco de ficar datado após um tempo. Mas a depender de seu engajamento com o trabalho da Taylor, isso não interfere.

Já os aspectos negativos são mais semânticos do que outra coisa. Apesar do esforço em parecer “vilã”, “malvadona” e “badass”, a Taylor não vende essa imagem de “cobra” com tanta facilidade quando toda a narrativa de sua história (história no sentido da música que acompanha o vídeo) é ela ter “mudado” por ações de “outras pessoas”, ou seja, ela ainda é vítima, não full time vilã. São duas mensagens díspares, e o pior é que não dá pra acreditar muito nessa imagem “malvadona” da New Taylor. Parece uma adolescente revoltada porque a mãe tirou o cartão de crédito.

Pra completar, aquela coreô final. Não gente, Taylor não segura na dança. Não adianta, os dançarinos atrás ENSINARAM com presença, carão e rebolado. Eu fiquei com vergonha.

E vocês? Tiveram tempo de conferir todas as referências do vídeo novo da Taylor? Encontraram outras? 😉

 

Taylor Swift arranjou uma ghost writer de 13 anos

Eu demorei de escrever uma resenha sobre o lead single da Taylor Swift, “Look What You Made Me Do” (do novo álbum da estrela pop, “Reputation”, que chega dia 10 de novembro), porque estava morrendo de preguiça. A velha preguiça que me acomete sempre; e preguiça da música mesmo. Eu não acredito que uma das letristas mais competentes da música pop dos últimos 10 anos teria regredido para uma adolescente revoltada de 13 anos em 2004.

Nem me importo com o beef dela com o Kanye West – que continua a ser alimentada há quase uma década, assim como o cansado feud Katy x Taylor – porque ela poderia ter escrito algo do gênero com mais habilidade e inteligência. “I don’t like your little games / Don’t like your tilted stage / The role you made me play / Of the fool, no, I don’t like you” (e repete I don’t like you na mesma estrofe), ou “I don’t trust nobody and nobody trusts me” parecem vindos de um diário revoltado juvenil (o que é aquela frase da bridge “I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now /Why? Oh, ‘cause she’s dead!”? Minhas discussões com os meus pais aos 12 anos eram mais evoluídas que isso aí). Uma letra preguiçosa, sem graça, um eletropop com uma ambientação “obscura” anos 2000 com o sample de “I’m Too Sexy” no refrão igualmente sem graça de uma música onde muita coisa acontece, mas pouca coisa realmente marca você.

“Look What You Made Me Do” padece de um problema que eu tinha indicado na resenha de “Green Light”, da Lorde (que curiosamente, compartilha o mesmo compositor e produtor, Jack Antonoff): as quebras da música – ela começa com um arranjo 1, segue para o pré-refrão em coro (a melhor coisa da música, que curiosamente lembra algo da Lorde) 2, o refrão falado 3 (que tem uma bateria meio seca acompanhando); volta para o arranjo 1, e pula para um arranjo 4 sem sentido algum. É muita informação acontecendo ao mesmo tempo e algumas vezes me senti ouvindo uma colagem de músicas escrita pelo Victor Frankenstein.

(Taylor, quando eu tinha 12 anos escrevia uma lista de pessoas que eu gostava e não gostava no meu diário. Era um ranking semanal. Eu tinha 12 anos, com 27 eu não ligo a mínima. Conselho de amiga.)

No entanto, mesmo que eu diga que a música não é boa, é esquisita, é ame-ou-odeie, a construção é confusa e a letra pedestre, “Look What You Made Me Do” já é um monstro no digital, streams e rádios, pode tirar “Despacito” da décima-sétima semana em #1 e certeza que arranja indicação este ano mesmo a Pop Solo no Grammy (por estar dentro do período de elegibilidade). O hype da Taylor é forte, todo o marketing em torno da música e da volta da cantora é evidente, e os deals com as plataformas de execução da música darão esse empurrãozinho para a música iniciar uma trajetória de sucesso. Mas nada disso tira a decepção de saber que Taylor Swift, uma das singers-songwriters mais interessantes do pop, contratou uma menina de 13 anos para escrever seu novo hit.

O que vocês acharam da música?

Últimos lançamentos – Kesha, Demi e Selena

As duas últimas semanas foram repletas de ótimas, surpreendentes e deliciosas estreias especialmente no combalido pop feminino de 2017. Uma delas talvez seja um dos melhores do ano, em que finalmente tivemos a oportunidade de ouvir a verdadeira voz de uma artista – em todos os sentidos.

Kesha, de verdade, em “Praying”

Em primeiro lugar, quem escondeu essa voz de nós, da Kesha, esses anos todos? (pergunta retórica, mas não custa nada nos surpreendermos) Essa voz forte, potente, cheia de emoção e alma foi finalmente apresentada ao grande público com o single “Praying”, o lead de seu novo álbum, “Rainbow”. Uma das melhores músicas lançadas no ano, merece não apenas o praise da crítica como awards e o retorno de público.

Um pop piano-driven com refrão épico, tem uma letra diretamente indireta para o Dr. Luke, em que mesmo tendo consciência de todo o mal (a perseguição, abusos) que ele lhe fez, a Kesha segue um caminho de perdão (“I hope you’re somewhere prayin’, prayin’ / I hope your soul is changin’, changin'”), mas sabendo que com sua música e composições a sua verdade se torna algo tão forte que depois de “Rainbow”, era uma vez Dr. Lúcifer (em “When I’m finished, they won’t even know your name”). Um comeback absolutamente perfeito.

Apesar de ser uma grande canção, “Praying” não é exatamente radiofriendly; no entanto, isso não tira o fato da faixa ser um musicão da porra que abre os trabalhos para a era “Rainbow” em grande estilo. É pop, tem produção bem trabalhada e orgânica e nos deixa loucos para ouvir o resto do CD (aliás, ela já lançou outra faixa, a rock/soul “Woman“, a cara da old Kesha, mas com um groove inesperado). Se você ainda não se interessou por “Rainbow”, melhor entrar no hype.

Enquanto isso, outro lead lançado recentemente é “Sorry not Sorry”, primeiro single da Demi Lovato abrindo os trabalhos de seu novo álbum sem título.  Aparentemente, a Demi realmente decidiu investir mais a fundo numa sonoridade pop/R&B que se enquadra muito bem em sua voz, mas não era isso exatamente que eu estava pensando que ela seguiria…

Que legal essa música nova da Ariana GrOPA

“Sorry not Sorry” é boazinha, upbeat, a cara do verão, com uma letra direcionada aos haters e cheia de quotes perfeitos pra usar nos stories do Instagram (aliás, já imagino as pessoas dublando o refrão no Snapchat usando um filtro de cachorro ou a coroa de flores). No entanto, é uma faixa extremamente derivativa, muito parecido com o pop/R&B que a Ariana sempre faz (o acompanhamento ao piano é bem parecido com o mood meio retrô das faixas do “Yours Truly”). Apesar da faixa ter ecos anos 90, o que é sempre legal, não há muita coisa que me faça revisitar a música depois de uma ou duas ouvidas – especialmente com o refrão gritado e o tom da música estar sempre acima (Demi ainda não entendeu que menos é mais).

No entanto, a música é ideal para o verão americano, o refrão é repetitivo e feito pra grudar e se a Demi/gravadora souberem divulgar, considerando ainda que o clipe pode ter artistas famosos (ou seja, forte potencial de viralização) consegue fácil um top 10. De uma coisa é certa: a Demi não tem medo de batalhar pelos singles, tá sempre divulgando e tentando emplacar. (só não entendi SNS ainda não estar no Youtube…)

Mas bem que poderia ser algo melhor, né? “Sorry not Sorry” não me faz ganhar nenhum interesse em ouvir o CD.

(aliás, essa música tem sample de “A Little Bit of Love” ou não?)

A outra estreia de destaque é de uma artista que sempre está oferecendo surpresas dentro da sua capacidade vocal, e apesar de não ser tão inspirada quanto seu primeiro single, essa música é outro acerto na carreira dela.

Selena Gomez se conhece bem em “Fetish”

A faixa, aparentemente o segundo single do novo álbum ainda sem título, é uma parceria com Gucci Mane e tem a mesma vibe sexy discreta que a jovem já tinha trabalhado no Revival. Com a mesma pegada urban das faixas do álbum anterior, mas com uma letra mais direta ao ponto, é outro tiro bem dado da Selena: misteriosa e fresh, “Fetish” combina muito bem com o vocal limitado dela. É impressionante como ela compreende bem onde a voz dela pode ir ou não.

(porque tão importante quanto ter uma boa voz, é saber como usá-la)

Apesar de achar a faixa boa, eu particularmente prefiro o pré-refrão do que o refrão (que demora bastante pra pegar), e “Bad Liar” ainda é uma música adorável por ser diferente e fora da caixa para a própria Selena. “Fetish” é mais familiar e confortável para um ouvido distraído escutar, e mais radiofriendly. No entanto, não adianta nada lançar faixas tão envolventes se a cidadã não move um músculo para divulgar essas músicas. Mesmo que o chart digital mostre que a Selena tem força, e o deal com o Spotify ajude na exposição dessas canções, o airplay está abaixo do decente, o que mostra que não se pode esquecer do grande público. E nisso a Selena peca e muito – a impressão que dá é: ela é mais celebridade, ícone fashion, produtora, do que cantora.

Se for assim, melhor selecionar suas prioridades.

E vocês? Qual dessas três músicas vocês mais gostaram?