Indicados ao Video Music Awards 2017 [5] COMBO DE CHANCES 4x

Daqui a pouquinho tem alerta performances, tretas e momentos fabulosos da cultura pop com o Video Music Awards 2017! Com a Katy Perry de host e prometendo uma apresentação de 9 minutos no final do award e performances de Kendrick Lamar, Miley Cyrus, Fifth Harmony, Lorde, Demi Lovato, Rod Stewart e DNCE, além da entrega do Vanguard para a P!nk, ainda tem as decisões sobre os vencedores dessa edição, que surpreendeu muita gente com indicados impensados e esnobadas imperdoáveis (cadê “Despacito” deve ter sido o meu mantra desde sempre).

Por isso, já esperando o começo da premiação, a partir das 21h, hora de fazer um último post sobre os indicados, desta vez falando das chances de vitória nas categorias que faltam ainda serem discutidas, na segunda parte do famigerado COMBO DE CHANCES.

Confira tudo após o pulo!

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Indicados ao Video Music Awards 2017 [2] Melhor Colaboração

A categoria de “Melhor Colaboração” no Video Music Awards surgiu em 2007 com o nome de “Most Earthshattering Collaboration”, o que quer que esse troço signifique (foi naquele ano em que todas as categorias tiveram os nomes modificados), e durou apenas aquela edição. Esse award sumiu por dois anos seguidos e voltou a ser premiado em 2010, prosseguindo até hoje.

Num século em que colaborações entre artistas são essenciais para o sucesso de determinadas faixas – e ainda ajudam a lançar novos nomes na cena, essa categoria acaba se tornando uma das indispensáveis dentro do VMA (e por consequência, em outros awards importantes de música). Por isso, a categoria este ano me parece tão confusa e com possibilidades interessantes de vitória.

(que parecem anticlimáticas pensando que “Despacito” não foi indicada e um vídeo com TRÊS BILHÕES DE VISUALIZAÇÕES foi ignorado)

Primeiro, os indicados:

BEST COLLABORATION
Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels”
Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)”

Maior favorito: o maior sucesso tem mais chances, e da lista que a MTV ofereceu, quem tem mais chances de ganhar o Moonperson (o nome do troféu mudou, partindo da nova abordagem da emissora com prêmios não mais separados por gênero) é seguramente “Closer“, do The Chainsmokers com a Halsey. Apesar de “antigo” em relação aos outros indicados, a música foi um dos maiores hits do ano passado, e mesmo tendo sido lançado após o boom da música (e não antes do estouro, para ajudar a hitar, como geralmente acontece), o clipe foi bem produzido e tem uma historinha que faz algum sentido em relação à letra. É o natural favorito, mesmo que em relação à fanbase, tenham outros concorrentes mais fortes ao prêmio.

Mas lembre-se sempre: você até vota, mas quem dá o prêmio é a MTV.

(minha nossa, esse moço do Chainsmokers é péssimo cantando)

Concorrentes“I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)” chegou ao #2 na Billboard, tem dois artistas com fandom grande (apesar do Zayn não ter alcançado nada com aquele single derivativo “Still Got Time”) e além da música ser muito boa, o vídeo tem uma ambientação e uma sensualidade sutil que vale a pena acompanhar até o fim. Na verdade, a “sensualidade sutil” fica por conta do britânico, que até parado num elevador é sexy, e cuja voz funciona MUITO bem na música – é impressionante o quanto o vocal juvenil da Taylor, com leves vibrações country, fica deslocado numa faixa R&B-influenced. Mas é um belo vídeo, que vende tanto a música quanto a ideia sensual do filme (Cinquenta Tons Mais Escuros) e a música fez sucesso. A diferença entre essa faixa e “Closer” é que Zayn e Taylor tem fandom suficiente pra votar até cair o dedo – e de certa forma, é mais um round do feud entre Taylor e Katy nessa categoria, né?

(esse Zayn é um negócio, viu?)

“Wild Thoughts” conseguiu chegar ao #1 no iTunes, chegou a #2 na Billboard Hot 100. Ou seja, é hit (e a MTV procura justamente isso em seus vencedores, não importando a qualidade do vídeo), e afortunadamente, tem um bom vídeo, que não é uma Brastemp (basicamente é a Rihanna sensualizando e andando num cenário tropical com looks fashion matadores, DJ Khaled gritando DJ KHALED e o Bryson Tiller em outro lugar do vídeo, iluminado por luzes quentes), mas é recente e tá na memória coletiva, o que ajuda bastante nas votações e na escolha final da emissora para entregar o Moonperson. A Navy é sempre sedenta em premiação com escolha do público e quem não quer ver o Asahd subir com o pai pra receber mais um brinquedinho, né? A única implicação do vídeo é ser muito recente. Há hits maiores e mais longevos que merecem ser lembrados (e já que não tem “Despacito”, né…). Classifico como azarão aqui, com menos chances que por exemplo, “I’m The One” na categoria de hip hop.

(esse sample é muito bem colocado na música, impressionante)

Agora, como a gente sabe que a MTV é sacana, não duvide de que ela esqueça qualquer lógica e dê o prêmio de Melhor Colaboração para “Feels” do Calvin Harris/Pharrell/Big Sean/Katy Perry apenas pelo fato da Katy ser a host e a concorrência aqui estar menos complicada que em Best Pop, onde tem MUITO artista com fandom grande disposto a votar até o fim dos tempos. Marque minhas palavras.

E vocês, o que acham? Quem vai levar essa categoria?

 

Indicados ao Video Music Awards 2017 [1] Melhor Vídeo Hip Hop

O rap teve um ano mágico – no período de elegibilidade para o Video Music Awards, foram quatro músicas que chegaram ao topo das paradas, além das faixas de urban/hip hop que alcançaram o top 10 da Billboard e mantiveram um dos anos mais masculinos dentro da popsfera (“Juju on the Beat”, “Mask Off”, “iSpy”, “DNA.”, “XO TOUR Llif3”, qualquer música do Drake, e segue a lista). Parece 2004 all over again, e se para uma parte do público essa dominância deixa o pop para trás, esse poder prova que o hip hop se tornou o gênero mais ouvido nos EUA, superando o rock.

É importante ressaltar que essa reemergência do rap na cena não vem de hoje – desde a queda do eletropop como força máxima no pop, ali por 2013-14, e uma certa reorganização das forças com o tropical house que todo mundo andou fazendo em 2015-16, o urban vinha dando sinais de retorno. Mas em 2016 a coisa explodiu e hoje vemos a consequência, com um top 10 urban-oriented, rappers de vários estilos e sonoridades emplacando top 10, artistas femininas de R&B tendo a chance de lançar álbuns em #1 ou escapar do nicho (como SZA) e o Spotify dominado por rappers, tanto nas playlists mais ouvidas quanto nos charts.

Pensando nisso, os indicados aqui a melhor vídeo de Hip Hop do VMA 2017 acabam sendo bem representativos em relação à variedade na sonoridade, apelo mainstream e estilo dentro do rap. Hora de conferir quem são eles e quem tem mais chance de levar o Moonman.

BEST HIP HOP
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Big Sean – “Bounce Back”
Chance the Rapper – “Same Drugs”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
Migos ft. Lil Uzi Vert – “Bad & Boujee”
DJ Khaled ft. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne – “I’m The One”

 

Entre os seis indicados, quem tem mais chances de levar o Astronauta?

Favorito: “HUMBLE.” não é apenas o melhor clipe e a melhor música dentre os que foram hits e #1, mas ambos foram aclamadíssimos, com doses iguais de praise e polêmica (deem um google sobre a treta da “beleza natural” que o Kendrick fala na música e mostra no clipe). Com efeitos visuais dignos de cinema, uma fotografia incrível, trabalho de direção notável e referências religiosas e artísticas que são óbvias sem parecerem “na sua cara” (analogias religiosas que o Kendrick sempre vem inserindo em suas obras) – e até mesmo as referências “ostentação” são interessantes, e até com um toque de humor – é um daqueles videos que você poderia assistir numa boa no Cinemark que faria todo o sentido. Favoritíssimo.

Agora, indicação a Melhor Coreografia é demais, né MTV?

Quem tem chance de tirar?

Rivais: “I’m the One” foi outro hit e também foi #1, mas entre os vídeos indicados, é mais um mega clichê estereotipadíssimo de clipe de rapper – festa com gente sem roupa (geralmente mulheres), charutos e ilícitos, champanhe e uma mansão lindíssima, sem contar o Justin Bieber fazendo cosplay de hood e hustla. A faixa é chiclete, mas cringe, só que 1. foi hit, tá na memória das pessoas; e 2. a possibilidade de Bieber levar outro VMA. As beliebers vão votar com força nessa categoria (assim como em Dance Video). Ou seja, é hit e pode trazer audiência? Tem chance da MTV entregar o prêmio pra essa turma. E quem não vai querer ver DJ Khaled levando o filho Asahd ao palco pra receber o novo brinquedinho dele?

(mas hit factor só não vale pra Despacito, né?)

“Bad and Boujee” do Migos com o Lil Uzi Vert, curiosamente, teve mais semanas em #1 que os outros possíveis vencedores (três semanas não consecutivas), mas foi um baita viral, citado até pelo Donald Glover no Globo de Ouro e ainda colocou o Migos no mapa dos featurings (especialmente o Quavo, de uma forma inexplicável – STOP MAKING QUAVO HAPPEN). Entre os possíveis vencedores, o vídeo segue uma linha de raciocínio mais divertidinha que “I’m the One”, por exemplo, mostrando três mulheres bonitas, elegantes e ricas fazendo coisas comuns em ambientes cotidianos. Parece até uma brincadeira com esse universo-ostentação estereotipado hip hop, que traz um resultado estético curioso – especialmente porque os Migos estão nesse clima ostentação, com vários acessórios de ouro. Tem chances pelo hit factor e o viral.

(sempre bom repetir STOP MAKING QUAVO HAPPEN)

 

Agora, se a MTV estivesse fora da casinha, daria uma chance pra “Same Drugs”, do Chance the Rapper. O clipe tem uma estética retrô, VHS, com um vídeo completamente nonsense em que ele toca piano e canta ao lado de um Muppet-meets-personagem do Castelo Rá-Tim-Bum numa realidade alternativa em que todo mundo no vídeo É UM MUPPET.

 

E vocês, acham que esse Moonman é do K-Dot ou podemos ter surpresas no meio do caminho?

Combo de álbuns – Kendrick Lamar, “DAMN.”e Harry Styles, “Harry Styles”

Prometi, protelei e cheguei com mais um “Combo de Álbuns”, com dois lançamentos que considero entre os melhores de 2017. Qualidade comercial, identidade artística e retorno comercial são elementos que ajudam a tornar os dois CDs alguns dos lançamentos mais vibrantes do ano, cada um em fields distintos.

“DAMN.“, o quarto álbum do Kendrick Lamar (lançado em 14.04.17), o sucessor da obra-prima “To Pimp A Butterfly”, chegou com uma missão – corresponder às altíssimas expectativas em torno do trabalho do K-Dot, alçado a uma das cabeças pensantes da música atual, gênio e uma das figuras mais relevantes da cultura pop. O rapper conseguiu fazer algo incrível – se não superou TPAB (o que é uma missão ingrata), ele ofereceu a todos nós um álbum excelente, com ótima qualidade, e com apelo comercial suficiente para colocar três músicas no top 10 da Billboard e “Humble” como seu primeiro #1 solo.

Já o self-titled do Harry Styles (lançado em 12.05.17) é o debut do britânico após o hiato do One Direction. Todo mundo ficou de olho no que o jovem colocaria pro jogo – afinal de contas, ele era o membro mais popular da boyband e todos consideraram que ele tinha maior potencial para hitar. O que Harry ofereceu ao grande público foi uma verdadeira – e grata – surpresa: um CD de rock, mais precisamente emprestando o estilo soft rock, setentista, com um ar nostálgico, tocante e melancólico. Um álbum de muita personalidade e que alcançou muita gente fora do espectro do One Direction, e que além das boas críticas, foi lançado em primeiro lugar na Billboard 200 com mais de 230 mil cópias, sendo 190 mil só de álbuns (imagine isso em 2017, e com um artista cuja base de fãs é formada por jovens adultos e adolescentes que não compram CD físico nem digital há séculos).

Hora de saber o que há de tão bom nesses dois álbuns!

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Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

Isso não é arte – Kanye West, “Famous”

Kanye West FamousO novo vídeo do Kanye West, “Famous” (aquela música em que o rapper diz que ele e Taylor Swift deveriam transar porque “I made that bitch famous”) vem sendo aclamado por vários veículos por aí, como épico, obra de arte, mais uma prova do quão visionário Kanye é. Vanity Fair destaca o sentido quase religioso daquele grupo de corpos vulneráveis e nus juntos na cama; Complex reforça que o vídeo é mais um exemplo do Kanye misturando música e visual, por meio de seu interesse por arte; a Rolling Stone chamou “Famous” de o mais controverso e provocador vídeo do rapper até hoje.

Mas não há arte aí. Não há sentido religioso. A arte é importante, ela deve ser provocadora e nos fazer pensar. Mas ela tem um limite (assim como o humor) – há um limite quando ofende quem sempre foi ofendido. Quem sempre levou o tapa. Ofende quando a arte está baseada num contexto misógino de um artista que usa corpos nus de mulheres para provar um ponto – “homens como eu fizeram dessas mulheres famosas, e elas devem entender isso, por isso estão nessa cama”. Ofende quando ele expõe nomes que deveriam ser banidos de qualquer discussão como Trump, Chris Brown e Bill Cosby (pelo amor de Deus) ao lado dessas mulheres, homens que – como Kanye, é hora de colocá-lo na discussão – subjugam direta ou indiretamente mulheres todos os dias. Não tem como defender, qualquer que tenha sido a referência, por mais ~gênio~ que Kanye seja (e eu já duvido disso). Não dá pra defender uma estátua da Rihanna sendo colocada ao lado do seu espancador. Não dá pra defender uma estátua da Taylor Swift ao lado do Kanye pra expô-la. (aliás, só os corpos femininos são expostos mais longamente, como se fosse um voyeur sinistro) Se era para falar sobre a cultura da celebridade e que todo mundo pode ser famoso, você tem tantas possibilidades; você pode criar tantos conceitos; e a música, apesar da letra extremamente egocêntrica, era uma das mais comerciais do confuso “The Life of Pablo”. Britney Spears com “Everytime” e Jennifer Lopez com “Jenny From The Block” foram mais efetivas e diretas ao ponto em seus vídeos e nunca foram consideradas gênios da música (mesmo com o praise em torno do vídeo da Brit).

O ponto de discussão é: até que ponto é arte quando ela vem imbuída de misoginia e preconceito?

O vídeo de Famous está por aí, você pode encontrá-lo.

No “Team” da Iggy Azalea, só ela entra

Cover Iggy Azalea TeamVocê ainda se lembra de Iggy Azalea? Ela mesma, o furacão australiano que estava na boca do povo em 2014 com os hits do debut “The New Classic”, com músicas mais pop que hip hop e uma imagem aceitável para o público médio consumir, em se tratando de rap, e criando feuds com outras rappers mais talentosas no pedaço – como a encrenqueira Azealia Banks e a bem sucedida Nicki Minaj.

O problema foi que o hype passou e Iggy não conseguiu segurar a onda – nem as críticas, bem-vindas, ao sotaque forçado de mulher negra americana (sendo que a moça é loira australiana), à música que era um hip hop para neófitos ou de rápido consumo; os tweets de cunho preconceituoso do passado e à ausência nos movimentos de defesa dos negros que tiveram em 2014-15, já que a moça usava da música negra para obter sucesso – que desse apoio aos negros quando eles eram vítimas de truculência policial e preconceito.

Um flop monumental aqui (“Pretty Girls”) e uma turnê cancelada acolá, Iggy Azalea sumiu da mídia e agora está de volta com o desafio do segundo álbum, chamado “Digital Distortion”, e a chance de provar que sua imagem não possui mais as rachaduras do passado. Com isso, a moça abre os trabalhos do novo CD com “Team”, uma faixa menos pop que todos os singles do “New Classic”. Juntos.

Mas isso não significa que Iggy (nascida Amethyst Amelia Kelly) tenha ido para um gangsta rap pesado e hardcore. A música tem um refrão fácil e uma batida up, eletrônica mas sem ser EDM, como se fosse um hip hop eletrônico (talvez uma dica do título do CD?) e uma letra até interessante, com referências até às Kardashians, sobre se bastar, ser independente diante do mundo.

A faixa demora pra pegar, mas quando pega, fica na sua cabeça. É grower e tem um crescendo no pré-refrão que literalmente vira um break trap no refrão, e depois sobe de novo – ou seja, perfeita para se jogar nas pistas e rebolar até o chão (aliás, “Team” já tem um dance video). É uma música pronta para fazer sucesso, e com o olho bom da Iggy para vídeos, espere algo extremamente bem produzido e inspirado.

No entanto, será que faz sucesso? Como música, neste período do ano – primavera – e os grandes artistas A-list ainda se movimentando em produzir e compor (Adele é outra liga); e com a era confusa da Rihanna (mesmo com um #1), é o momento da Iggy brilhar. E “Team” é perfeita pra isso. Só que a imagem da moça já está intacta o suficiente para conquistar pelo menos um top 10? E o público ainda quer Iggy Azalea? Esse é o grande mistério da rapper.

O que você achou de “Team”? Pode fazer sucesso ou a vez da Iggy já passou?