As linhas borradas dos samples

Se tem uma coisa que é mais comum que feuds na música pop é o uso dos samples. O sampling é o ato de usar uma parte de uma música (normalmente o instrumental) e utilizá-la para fazer outra música. Claro que dando os devidos créditos ao cantor/compositor original.

Normalmente, a gente encontra os samples no hip hop, mas algumas músicas pop famosas já se utilizaram desse recurso na construção de suas canções, tanto que muitas vezes, você acaba ouvindo uma música e percebendo que já a ouviu em algum lugar. Ou então achando que artista x plagiou alguma canção desconhecida e ninguém informou isso até agora.

Foi o que aconteceu comigo quando ouvi “Blurred Lines” do Robin Thicke pela primeira vez: eu achei que tinha sample de “Got To Give It Up”, do Marvin Gaye, e fiquei realmente surpresa quando soube que a composição não incluía os créditos do Gaye – ou seja, era apenas uma música parecida. Quando a família do Marvin colocou Pharrell e Thicke na justiça, tentando provar que a música era plágio, não me senti enganada – as duas músicas eram parecidas. Por isso, quando você sentir que “já ouviu aquela música antes” e achar que alguém está sampleando/plagiando um artista anterior, não tenha medo em procurar saber (ou desconfiar) sobre a canção.

E como a decisão já foi tomada nos EUA – declarando que “Blurred Lines” realmente tinha plagiado “Got to Give it Up” e que tanto Robin Thicke quanto Pharrell devem pagar uma soma milionária à família de Gaye, achei interessante fazer um post aqui sobre melodias e batidas emprestadas de forma honesta dos artistas originais – os samples. No caso, samples curiosos e não tão conhecidos de músicas que vocês amam, odeiam ou amam odiar (ou odeiam amar, tudo vale).

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“We Are One (Ole Ola)” vai grudar na sua cabeça, mesmo que você não queira

Pitbull JLo e Claudia Leitte We Are One

Quem acompanha os fóruns de música sabe alguma coisa sobre como seria a música-tema da Copa do Mundo 2014, que será aqui no nosso Brasil varonil – já que uma rádio do Centro-Oeste divulgou a versão solo do Pitbull (uma das vozes da música), numa baixa qualidade. Mas agora, brasileiros e gente de todo o mundo podem conferir “We Are One (Ole Ola)”, a música que vai embalar a competição, com a voz do Pit, Jennifer Lopez e Claudia Leitte cantando em português. Será que a faixa vai honrar a tradição de clássicos como “The Cup Of Life”, de Ricky Martin; e “Waka Waka”, da Shakira?

A resposta é: bem…

(link alternativo se esse não funcionar: http://iamstevieb.tumblr.com/post/82023760409/pitbull-we-are-one-ole-ola-feat-jennifer)

 

Capa We Are OneAgora, por que “bem…”? A canção, um eletropop-latino que se assemelha a milhares de outras canções lançadas por Pitbull nos últimos anos, peca por essa razão: não tem um diferencial que a defina, que coloque “We Are One” como a canção-tema de uma competição tão relevante quanto a Copa do Mundo. Aqui e ali, pontuado por alguns violões, assovios a la “Moves Like Jagger” e tambores que lembram o Olodum nos versos de Claudinha, a canção tem uma sonoridade o mais genérica possível. Aparentemente, os compositores não faziam ideia do que tocava no Brasil, então decidiram escrever uma música que englobasse tudo que fosse considerado “latino”, com um recheio eletropop para as pistas e BOOM nasce uma música para a Copa. A letra trilingue (inglês, português e espanhol), não é um primor de lirismo, com os cantores convidando o público a participar da copa e a se unir em torno da copa, já que todos. somos. um.

As participações de Jennifer Lopez e Claudia Leitte não são exatamente memoráveis – a brasileira tem o que, dez, 12 segundos de tempo na música (além dos versos de resposta no refrão), e a música talvez funcionasse só com o Pitbull. No entanto, apesar da música ter carinha de 2012/2013, “We Are One” é grower as fuck, por duas razões bem específicas: uma, os benditos assovios, que entoam justamente a melodia do refrão da música; e segundo, o refrão, seguido pelo Ole Ole Ole Ola mais catchy desde qualquer canto de torcida aleatório em estádio num jogo random de futebol pela vigésima rodada do Brasileirão. Se você não tiver terminado de ouvir a música sem cantar sem querer esse bendito Ole Ole Ole Ola, eu te parabenizo, porque na minha primeira ouvida esse trecho já tinha grudado na minha cabeça. E às vezes, são esses detalhes singelos que fazem toda a diferença numa música.

“We Are One” tem cara de que vai fazer um bom barulho na Europa, bem como na América Latina em geral. Veremos se a canção vai fazer a América, mas de uma coisa é certa: você vai ouvir muito Ole Ole Ole Ola no mês de junho.

P.S.: para efeito de comparação, deixo aqui as outras clássicas músicas-tema da copa e escolha sua preferida! (por questões sentimentais, meu coração fica com “The Cup Of Life”)