O Grammy 2017 vem aí parte 3 – A era pop

Tensões sociais e culturais sempre são refletidas na música e nas premiações, como uma forma de avalizar mudanças ou participar das modas, mesmo que com atraso. O Grammy não foge à regra, especialmente após a premiação passar a ser televisionada ao vivo, o que colocou na tela os artistas mais bem sucedidos de seu tempo, alçados ao patamar de lendas. No entanto, o surgimento da MTV em 1981 sacode o mundo da música com a possibilidade firme de aliar imagem e som de uma forma indelével e não apenas como um acompanhamento para a canção, mas também para oferecer visões de mundo, divulgar ideias, produtos, “educar” um novo público.

Essa geração MTV logo tomará o Grammy de assalto, a tal ponto que muitos, compreendendo o quanto a imagem era forte nos anos 80, decidiram focar apenas no visual e esquecer a música – e esse encontro primeiramente feliz entre arte e comércio tornou-se um problema que a Academia resolveu da pior forma possível.

Mas pra que spoilers, né dona Marina? Em primeiro lugar, acompanhe a curta e excitante “era pop” do Grammy!

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O Grammy 2017 vem aí parte 2 – o período clássico

A décima-terceira edição do Grammy foi realizada em 16 de Março de 1971, premiando os destaques da música do ano de 1970. A diferença da premiação naquele ano foi o fato de que, pela primeira vez, as cerimônias passaram a ser televisionadas ao vivo pela ABC (atualmente, o canal que transmite o Grammy é a CBS, e essa saída de cena da ABC levou à criação do American Music Awards em 1973, criado para rivalizar com a outra premiação BARRACOS EM NY). A primeira edição exibida ao vivo do Grammy veio num período de grande diversidade de estilos e quando grandes artistas conviviam juntos nas rádios, oferecendo uma variedade única de canções e álbuns que definiram gerações. Ver esses astros sendo indicados e premiados na televisão, ao vivo e a cores, deixou uma marca que pavimentou o caminho para compreendermos algumas das motivações do prêmio hoje  – mais performances que premiações, a tentativa da Academia em atender a anseios do mercado colocando artistas mais populares no centro para chamar audiência etc. O jogo começa a virar, mas neste momento, vira para os grandes nomes que se tornam lendas.

É a era de Paul Simon, Stevie Wonder, Aretha Franklin, dos Carpenters. É o período clássico do Grammy.

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O Grammy 2017 vem aí parte 1

No dia 6 de dezembro, serão revelados os nomes dos artistas e bandas que vão concorrer ao chamado “Oscar da música”, o nosso querido e famigerado Grammy Awards. Nessa época, eu sempre faço um esquenta antes da divulgação dos indicados, comentando sobre o processo de votação ou algumas curiosidades históricas de premiações passadas (é só buscar os meus posts de 2014 e 2015); mas neste ano, eu estava sem muitas ideias interessantes pra trabalhar até que me deu um insight – que tal fazer uma viagem no tempo, cobrindo acontecimentos importantes dos Grammys em décadas anteriores?

(como eu amo posts históricos, essa opção me pareceu mais confortável e divertida)

Por isso, que tal viajar nessa história que começa lá atrás, em 1959, e chega ainda com muita força, buscando relevância e adequação aos tempos modernos, quase 60 anos depois? É só dar o pulo!

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [8]

O maior vencedor no geral do Grammy é o compositor Sir Georg Solti, um maestro que comandou a Orquestra Sinfônica de Chicago por 22 anos. O número de gramofones que o senhorzinho (falecido em 1997) levou foram 31. Nenhum artista, nem clássico nem popular, chegou a tantos.

Entre as mulheres, a maior vencedora no geral é Alison Krauss, cantora country e de bluegrass que ganhou 27 Grammy. 17 deles como parte do grupo Union Station. Ela é seguida de perto por Beyoncé, com 20 gramofones, e esse recorde tem chance de ser disputado, porque Krauss ainda está em plena atividade, e volta e meia é indicada (a última aparição da moça foi este ano, indicada a Best American Roots Performance).

Outros recordes bacanas são: o U2 é o grupo com mais prêmios, 22 Grammy; Quincy Jones REI é o produtor mais laudeado com um Grammy (tem 27 em casa, tanto como produtor, arranjador e artista principal); as pessoas mais novas a levarem um Grammy são as Peasall Sisters, creditadas na trilha sonora do filme “E aí, meu irmão, cadê você?”, vencedor do prêmio de Álbum do Ano em 2002 (Leah Peasall tinha sete anos, e suas irmãs Hannah e Sarah tinham respectivamente nove e 13 anos. Com essa idade eu ainda brincava de boneca). LeAnn Rimes, cantora country, é a pessoa mais nova a levar o prêmio de Artista Revelação, com 14 anos.

Já a pessoa mais idosa a ganhar um Grammy é Pinetop Perkins, que levou em 2011 o prêmio de Melhor Álbum de Blues Tradicional aos 97 anos. Será que nossas faves chegarão a esse nível de produtividade? Enquanto a pessoa mais nova a ganhar o Grammy de Álbum do Ano é Taylor Swift, com 20 anos de idade.

Após a introdução de alguns dos recordes do Grammy, é hora de falar de três momentos históricos da premiação – e especificamente de três recordistas.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [7]

O Grammy é a premiação das vitórias acachapantes, das consagrações esperadas, dos prodígios descobertos e dos experientes abraçados. Mas também é o award das surpresas estranhas, das vitórias fora da zona de conforto e das esnobadas históricas.

Quem não ficou de queixo caído com a Beyoncé perdendo o Grammy de Álbum do Ano pro Beck?

Ou não se revoltou pelo Kendrick Lamar ter sido ignorado em todas as categorias, e perdendo no rap field pro Macklemore & Ryan Lewis?

E quando o Grammy premiou como Artista Revelação Esperanza Spalding quando as pessoas achavam que Justin Bieber seria o vencedor? (sério que vocês acreditavam nisso? Eu estava apostando na Florence)

E a maravilhosa Amy Winehouse não ficou com o prêmio de Álbum do Ano, entregue ao Herbie Hancock. Nada contra o Herbie Hancock, mas a impressão que ficou foi que Grammy não quis dar a “cereja do bolo” pra uma “bad girl” e preferiu jogar no seguro.

Pois é, o tema do nosso esquenta de hoje serão os prêmios curiosos, esnobadas e algumas surpresas que sempre animam ou viram tema de treta nos anos seguintes à premiação.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [6]

A música disco não foi apenas um gênero. Foi um movimento cultural, um estilo de vida influenciado pelos grupos marginalizados que se tornaram protagonistas após a revolução social dos anos 60. Mulheres, negros, homossexuais e latinos foram os grandes vetores para o desenvolvimento de um gênero que derivou do funk e do soul dos anos 60 para algo mais sincopado, constante, rápido e usando tanto do baixo (só que com menos groove e um padrão mais repetitivo) quanto da bateria eletrônica, sintetizadores, percussão de inspiração latina e mesmo orquestração.

Para além do crescimento das discotecas, da dominância da disco nas rádios e de artistas que não eram ligados ao gênero – e que pularam no barco de lurex e esferas espelhadas no final da década de 70 – a disco foi uma movimentação de estilo, com as roupas, com a liberdade sexual, com a liberdade na identidade das pessoas, com a autodescoberta e a individualidade características da década de 70 (sem contar com as drogas da moda, apropriadas para a noite que nunca terminava – a exemplo da cocaína e dos Quaaludes). No entanto, nem todo mundo estava curtindo a festa.

A “Disco Demolition Night” em 1979, quando vários LPs de disco foram destruídos no meio de um campo de baseball, incentivados por um disc-jóquei de Chicago, foi o auge da insatisfação que grupos ligados ao rock, deixado à margem na época, tinham contra a disco. Outros jornalistas e analistas musicais acreditaram que um dos motivos pelos quais a disco foi rejeitada por um grupo específico foi por haver um componente de racismo, sexismo e homofobia, já que os principais nomes do gênero e as manifestações culturais ligadas à disco eram as mulheres, os negros e latinos, e os homossexuais. Já outros teóricos afirmam que o estilo estava realmente saturado e o público queria outros gêneros de volta.

A questão é que o boicote acabou funcionando, já que no final daquele ano, os hits da disco passaram a rarear, e os artistas ligados ao gênero decaíram em popularidade.

E foi nesse cenário decadente que o Grammy decidiu criar uma nova categoria para a premiação – a Melhor Gravação de Disco, relativa ao ano de 1979, e premiada em 1980.

Too late to the party, folks.

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Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [5]

Imprensa e público adoram um grande retorno. O famoso “comeback” que traz de volta à cena um artista cambaleante, que superou seja ostracismo, seja vício em drogas ou confusões pessoais, é a trajetória que todos adoramos acompanhar e torcer – e se o artista em questão conseguir prêmios e reconhecimento do Grammy, melhor ainda.

A indústria da música já viu vários retornos à música extremamente bem sucedidos. Já comentei no post anterior sobre o comeback da própria Natalie Cole; e um dos retornos mais conhecidos foi o de Mariah Carey com o “The Emancipation of Mimi” – que a tirou do ostracismo após uma década de sucesso e a apresentou a uma nova geração de ouvintes.

Mas o blog vai destacar hoje dois retornos especiais para o mundo da música – que tiveram consequências bem distintas…

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