Drops Grammy 2018 [1] “DAMN.”, Kendrick Lamar

Este ano, eu decidi fazer algo diferente… Ao invés do Duas Tintas de Música apresentar os indicados a Álbum do Ano bem pertinho do dia da premiação, optei por fazer uma análise rápida dos indicados por meio de vídeo, através do Drops – vídeos curtos (que eu desejaria ser de cinco minutos, mas viraram nove, dez…) onde a ideia é comentar sobre cada indicado a Álbum do Ano na premiação.

A conversa de hoje gira em torno do álbum favorito (a cada dia menos favorito) “DAMN.”, do Kendrick Lamar. Mais um trabalho admirável do rapper californiano, com rimas inteligentes, produção esmerada e visão de mundo única, desta vez  ele conseguiu unir a qualidade de seus dois trabalhos com o fator comercial nas faixas, especialmente os singles, trazendo no final um CD aclamado pela crítica, pelo público e com top 10 e um #1 solo no bolso do K-Dot. Até segunda ordem, era hora do Grammy finalmente fazer o que deveria ter feito há algum tempo (quase dois anos, pra ser mais exata) e entregar o gramofone pro Kendrick.

No entanto, quando os indicados ao principal prêmio da música foram revelados, o lineup final trouxe surpresas e cenários que podem oferecer nomes distintos no envelope mais desejado da indústria. Por isso, o drops de hoje lança essas questões:

Quais são os pontos fortes? Quais são as ameaças ao novo trabalho do K-Dot? Quais são as chances de vitória?

Aproveite e dê play!

 

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Anotaram a placa do caminhão que me atropelou?

Eu ainda estou tonta com as indicações ao Grammy 2018 – sinceramente, nunca imaginei que a lista final (especificamente o General Field) seria como foi. Deve ser o Big Four mais current e alinhado com as tendências atuais e o landscape musical, além de ter o nome mais surpreendente – pra mim – do ano. Algumas pessoas citaram o Jay-Z em alguns fóruns, mas ele nunca foi um nome forte nas listas finais. A presença dele em Canção/Gravação e Álbum do Ano mexeram completamente com as previsões de muita gente e no caso de AOTY, torna a corrida para o prêmio a mais improvável dos últimos anos.

Porque eu não sei mais se o Kendrick Lamar está tão garantido assim com a vitória.

Aparentemente a bancada ouviu as reclamações dos últimos anos e deram espaço a acts negros e latinos no Big Four. Temos em AOTY três negros e um latino; em Record, três negros e três latinos; e entre os últimos, quatro em Canção (Julia Michaels tem origem mexicana). Os indicados em artista revelação também apresentam essa diversidade. É importante ressaltar que o espaço dado às minorias no Grammy, mesmo que pareça (e tem jeito de) “ato de bondade” (mesmo que saibamos que é uma cortina de fumaça para ano que vem voltar a ser “tudo a mesma coisa”), e sim reconhecimento de quem realmente movimenta e lança trends no mercado musical. Quem realmente domina o mainstream e deveria receber mais crédito.

Para a 60ª edição do Grammy, a promessa é de mais surpresas do que eu pensava – se eu achava que a noite seria dispersa com vários prêmios espalhados para artistas distintos, agora acho que se bobear, vai ter gente saindo com um prêmio cada (ou pelo menos um artista dominando seu field). Surpresas como a indicação de “Despacito” em Gravação E Canção; as indicações recebidas pela Kesha (lembra-se de que eu achava que ela só teria chance em Pop Solo – e conquistou uma indicação merecida, maravilhosa, por Álbum Pop?); o Grammy mostrar algum amor pela Lana del Rey; as indicações pro Childish Gambino (Donald Glover), coroando um ano maravilhoso para o rapaz, que já em tem casa Globo de Ouro e Emmy. Será que rola Grammy no caminho?

Entre surpresas e indicações até óbvias (Lady Gaga no pop field, as indicações do K-Dot e do Bruno Mars, até mesmo a indicação dos Imagine Dragons), a esnobada que talvez seja a mais dolorida foi a do Ed Sheeran. Para muitos (eu mesma!) era lock em Record, tinha chances altas de levar prêmio e era o rival perfeito do “DAMN.”, mas a Academia simplesmente restringiu o medíocre “÷” nas categorias onde ele deve estar, pelo apelo comercial e abrangência pop, no field pop. E sinceramente? Não duvido nada de que o ruivo saia de mãos vazias da premiação. A categoria em que ele está se tornou forte demais.

Já a Lorde, podemos desconfiar do objetivo do Grammy em relação a essa indicação solitária para Álbum do Ano. Acredito que ela pode não ter conseguido os votos suficientes para fazer o corte final no Pop Field, mas os votantes do General Field “empurraram” a indicação da neozelandeza em AOTY por objetivos políticos – para que a lineup não fosse totalmente masculina. Lorde é uma artista com aclamação da crítica, ninguém acharia estranho. Só que soa pouco sutil a única mulher indicada a Álbum do Ano ser branca. Como se fosse uma “safe choice” caso os votos se dividam.

Dadas essas considerações (e perguntas para queimar sua mente), vamos acompanhar calmamente essa campanha do Grammy, mas a corrida do Big Four vai ser surpreendente. Vai depender muito dos fields e dos gostos dos votantes (e da política, claro). Aposto que eles vão encontrar uma solução safe, mas edgy, pra ninguém ficar chateado.

Agora é hora de conferir os indicados ao Grammy 2018!

RECORD OF THE YEAR
Redbone – Childish Gambino
Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
The Story Of O.J. – JAY-Z
HUMBLE. – Kendrick Lamar
24K Magic – Bruno Mars

 

ALBUM OF THE YEAR
“Awaken, My Love!” – Childish Gambino
4:44 – JAY-Z
DAMN. – Kendrick Lamar
Melodrama – Lorde
24K Magic – Bruno Mars

 

SONG OF THE YEAR
Despacito – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
4:44 – JAY-Z
Issues – Julia Michaels
1-800-273-8255 – Logic feat. Alessia Cara
That’s What I Like – Bruno Mars

 

BEST NEW ARTIST
Alessia Cara
Khalid
Lil Uzi Vert
Julia Michaels
SZA

 

BEST POP SOLO PERFORMANCE
“Love So Soft” – Kelly Clarkson
“Praying” – Kesha
“Million Reasons” – Lady Gaga
“What About Us” – P!nk
“Shape Of You” – Ed Sheeran

 

BEST POP DUO/GROUP PERFORMANCE
“Something Just Like This” – The Chainsmokers & Coldplay
“Despacito” – Luis Fonsi & Daddy Yankee Featuring Justin Bieber
“Thunder” – Imagine Dragons
“Feel It Still” – Portugal. The Man
“Stay” – Zedd feat. Alessia Cara

 

BEST POP VOCAL ALBUM
“Kaleidoscope EP” — Coldplay
“Lust for Life” — Lana Del Rey
“Evolve” — Imagine Dragons
“Rainbow” — Kesha
“Joanne” — Lady Gaga
“÷” — Ed Sheeran

 

BEST DANCE RECORDING
Bambro Koyo Ganda – Bonobo Featuring Innov Gnawa
Cola – Camelphat & Elderbrook
Andromeda – Gorillaz Featuring DRAM
Tonite – LCD Soundsystem
Line Of Sight – Odesza Featuring WYNNE & Mansionair

 

BEST DANCE/ELECTRONIC ALBUM
“Migration” — Bonobo
“3-D the Catalogue” — Kraftwerk
“Mura Masa” — Mura Masa
“A Moment Apart” — Odesza
“What Now” — Sylvan Esso

 

BEST URBAN CONTEMPORARY ALBUM
“Free 6lack” — 6lack
“Awaken, My Love!” — Childish Gambino
“American Teen” — Khalid
“CTRL” — SZA
“Starboy” — The Weeknd

 

BEST R&B ALBUM
Freudian – Daniel Caesar
Let Love Rule – Ledisi
24K Magic – Bruno Mars
Gumbo – PJ Morton
Feel The Real – Musiq Soulchild

 

BEST RAP PERFORMANCE
“Bounce Back” — Big Sean
“Bodak Yellow” — Cardi B
“4:44” — Jay-Z
“HUMBLE.” — Kendrick Lamar
“Bad and Boujee” — Migos featuring Lil Uzi Vert

 

BEST RAP ALBUM
“4:44” — Jay-Z
“DAMN.” — Kendrick Lamar
“Culture” — Migos
“Laila’s Wisdom” — Rapsody
“Flower Boy” — Tyler, the Creator

 

BEST LATIN POP ALBUM
“Lo Único Constante” — Alex Cuba
“Mis Planes Son Amarte” — Juanes
“Amar y Vivir en Vivo Desde la Ciudad de México, 2017” — La Santa Cecilia
“Musas (Un Homenaje al Folclore Latinoamericano en Manos de los Macorinos)” — Natalia Lafourcade
“El Dorado” — Shakira

 

BEST LATIN ROCK, URBAN OR ALTERNATIVE ALBUM
“Ayo” — Bomba Estéreo
“Pa’ Fuera” — C4 Trío and Desorden Público
“Salvavidas de Hielo” — Jorge Drexler
“El Paradise” — Los Amigos Invisibles
“Residente” — Residente

 

BEST SONG WRITTEN FOR VISUAL MEDIA
City Of Stars – Justin Hurwitz
How Far I’ll Go – Lin-Manuel Miranda
I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker) – Jack Antonoff
Never Give Up – Sia Furler & Greg Kurstin
Stand Up For Something – Common & Diane Warren

 

BEST MUSIC VIDEO
Up All Night – Beck
Makeba – JAIN
The Story Of O.J. – JAY-Z
HUMBLE. – Kendrick Lamar
1-800-273-8255 – Logic feat. Alessia Cara

Vamos começar as análises dos indicados ao Grammy com uma categoria que se tornou de cara a mais excitante dos últimos anos – Pop Solo Performance. Habemus competição!

(e sobre as análises de indicados a Álbum do Ano, tem uma novidade chegando por aí, que não vou contar até que apareça aqui no blog… Fique de olho)

As origens do R&B atual – post-disco

Eu já devo ter comentado algumas vezes por aqui sobre como construí meu gosto musical durante a adolescência. Cresci ouvindo muita música dos anos 80, pop internacional, aqueles DVDs de flashback; e essencialmente, os gêneros que sempre me atraíram do período eram o pop e o R&B. Por isso, eu tenho uma relação afetiva muito forte com um álbum que foi lançado no final do ano passado, que me lembra justamente esse período da minha adolescência – quando eu ouvia rádio às 23h antes de dormir, e tocava sem parar todas aquelas músicas cheirando a naftalina, mas que grudavam na mente e não largavam mais – eu estou falando do “24k Magic”, do Bruno Mars (que eu já resenhei por aqui). Esse CD é uma pequena aulinha intensiva sobre o melhor do R&B no final dos anos 80 e início dos anos 90; e como a cada audição eu fico mais curiosa sobre a produção das músicas e em como o Bruno e os compositores tomaram emprestado as sonoridades daquela época, tornando tudo “fresh” e “current”, um belo dia me vi acompanhando os comentários de “Chunky” no Youtube (a depender do artista, você aprende muita coisa lendo as respostas dos usuários) e um deles tinha uma informação sobre como a música poderia ser um lado B de duas faixas específicas, “Turn Your Love Around” do George Benson; e “A Night to Remember” do Shalamar.

Fui ouvir as duas músicas e percebi que haviam semelhanças de estilo nas três músicas – especialmente porque “Chunky” é uma visível homenagem ao R&B/soul produzido ali entre 1980 e 1983, onde a sonoridade derivada da disco music ganha contornos sintetizados com teclados, baixos elétricos e drum machines. Ainda mais curiosa, dei uma pesquisada sobre as canções e algumas músicas relacionadas, e percebi que essa sonoridade específica era chamada de post-disco, e influenciou de forma definitiva a sonoridade de R&B que se popularizou nos anos seguintes, até hoje.

Mas para entender exatamente o que é a post-disco e como ela influenciou o R&B (e se formos mais extremos, a música pop em geral), é importante voltar no tempo…

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Indicados ao Video Music Awards 2017…

… alguém me pode resumir tudo sobre Game of Thrones?*

 

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Nada contra as indicações do Video Music Awards 2017,  que acontece dia 27 de agosto; tem coisas coerentes pela própria mudança da onda – os acts consagrados não estão em bons momentos, o pop tá no limbo e os teens são quem vão dominar tudo com as votações non-stop. Além disso, os artistas favoritos da garotada hoje não são os mesmos da geração anterior.

Mas bem que a MTV poderia ser um tiquinho mais coerente nas escolhas de determinados vídeos né? E sem “Despacito”, o vídeo da música do ano? Não faz sentido algum!

Primeiro, hora de destrinchar quem chegou no corte final do VMA pra depois entender a loucura deste ano.

VIDEO OF THE YEAR
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Bruno Mars – “24K Magic”
Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
The Weeknd – “Reminder”

ARTIST OF THE YEAR (agora best male e female estão juntos, como a MTV fez no Movie and TV Awards)
Bruno Mars
Kendrick Lamar
Ed Sheeran
Ariana Grande
The Weeknd
Lorde

BEST NEW ARTIST
Khalid
Kodak Black
SZA
Young M.A
Julia Michaels
Noah Cyrus

BEST COLLABORATION
Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels”
Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)”

BEST POP
Shawn Mendes – “Treat You Better”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Harry Styles – “Sign Of The Times”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Miley Cyrus – “Malibu”

BEST HIP HOP
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Big Sean – “Bounce Back”
Chance the Rapper – “Same Drugs”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
Migos ft. Lil Uzi Vert – “Bad & Boujee”
DJ Khaled ft. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne – “I’m The One”

BEST DANCE
Zedd and Alessia Cara – “Stay”
Kygo x Selena Gomez – “It Ain’t Me”
Calvin Harris – “My Way”
Major Lazer ft. Justin Bieber and MØ – “Cold Water”
Afrojack ft. Ty Dolla $ign – “Gone”

BEST ROCK
Coldplay – “A Head Full of Dreams”
Fall Out Boy – “Young And Menace”
Twenty One Pilots – “Heavydirtysoul”
Green Day – “Bang Bang”
Foo Fighters – “Run”

BEST FIGHT AGAINST THE SYSTEM
Logic ft. Damian Lemar Hudson – “Black SpiderMan”
The Hamilton Mixtape – “Immigrants (We Get the Job Done)”
Big Sean – “Light”
Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful”
Taboo ft. Shailene Woodley – “Stand Up / Stand N Rock #NoDAPL”
John Legend – “Surefire”

— Categorias técnicas–

BEST CINEMATOGRAPHY
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Imagine Dragons – “Thunder”
Ed Sheeran – “Castle On The Hill”
DJ Shadow ft. Run The Jewels – “Nobody Speak”
Halsey – “Now or Never”

BEST DIRECTION
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Bruno Mars – “24K Magic”
Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful”
The Weeknd – “Reminder”

BEST ART DIRECTION
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Bruno Mars – “24K Magic”
Katy Perry ft. Migos – “Bon Appetit”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
The Weeknd – “Reminder”


BEST VISUAL EFFECTS

Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
A Tribe Called Quest – “Dis Generation”
KYLE ft. Lil Yachty – “iSpy”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Harry Styles – “Sign Of The Times”


BEST CHOREOGRAPHY

Kanye West – “Fade”
Ariana Grande ft. Nicki Minaj – “Side To Side”
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Sia – “The Greatest”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”


BEST EDITING

Future – “Mask Off”
Young Thug – “Wyclef Jean”
Lorde – “Green Light”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
The Weeknd – “Reminder”

Em primeiro lugar, hora de lembrarmos os esquecidos no churrasco. “Despacito” é o maior hit do ano, com 11 semanas liderando o Hot 100, e não foi indicado? Já que não existe o vídeo do remix, o mínimo que poderia ser lembrado é o clipe da versão só em espanhol, um dos mais assistidos entre os de música latina (se não o mais assistido). Uma decisão péssima, fora de qualquer noção da realidade – considerando que a MTV está sendo bem coerente com o que o universo musical ofereceu durante o período de elegibilidade (1º de Julho de 2016 até 30 de Junho de 2017) – e que pode gerar alguns questionamentos importantes: ou seja, só vale se a música for em inglês?

Selena Gomez, apesar de indicada por suas parcerias com Kygo e Charlie Puth, sequer aparece nos vídeos – e na música solo, é solenemente ignorada. Apesar de “Bad Liar” não estar sendo um estrondoso sucesso (muito por conta da divulgação nula – deal com Spotify não salvou nem a Katy que costuma divulgar seus singles – nesta era menos do que o habitual; que dirá Selena, cujo nome como cantora nem está sedimentado?), o vídeo é bem feito e tecnicamente impecável – reconstituição de época, maquiagem, fotografia retrô… Uma excelente produção que merecia pelo menos uma lembrança nas técnicas.

E por falar em Selena, o que dizer desse vídeo do The Weeknd, “Reminder”? Alguém pode me explicar como surgiu o amor imenso da MTV por esse clipe que eu, por exemplo, nunca vi na vida, de uma música que nem hitou? Porque a MTV valoriza bastante os grandes sucessos (mais até do que a qualidade dos vídeos), e entre “Starboy” e “I Feel it Coming”; ou mesmo “False Alarm”… De onde surgiu “Reminder”?

Outras perguntas sem resposta que ainda não entendi bem:

  • se “That’s What I Like” do Bruno Mars foi #1 e tecnicamente é um tour de force, por que todas as indicações foram para “24k Magic”, que mesmo sendo bem produzido, não tem a mesma qualidade no geral (efeitos visuais, coreografia, fotografia)?
  • gosto muito da Ariana Grande, mas indicar a moça a Artist of The Year é um passo imenso. Se essa categoria fosse criada ano passado, a lembrança era válida. Outros artistas tiveram mais exposição no período específico de elegibilidade do que a própria Ariana (eu não morro de amores, mas sem lançar CD Justin Bieber teve um ano melhor e ficou esquecido nessa categoria);
  • “Down”, da Fifth Harmony, é um clipe bem feitinho e legalzinho, mas sem replay value. A música não aconteceu. Quem explica essas indicações? Só pode ser pra chamar fanbase do grupo e trazer audiência, porque não tem outro motivo. (enquanto isso, Camila Cabello não emplacou nenhuma indicação… Mas “Crying in the Club” também não foi um hit massivo e o clipe é bem disperso)
  • Ah, e o que cargas d’água Alessia Cara está fazendo em Vídeo do Ano? Cadê “Despacito”, né gente?

Em segundo lugar, sobre o que eu venho comentando sutilmente nesse texto – sobre a MTV estar sendo coerente, mesmo de forma estranha, com as indicações apresentadas. A questão é: o pop está num limbo nos charts e os acts A-List ou estão de férias, ou terminando a era; ou lançaram produções fora do período de elegibilidade (como a Kesha e a Demi Lovato, por exemplo, que de formas diferentes trouxeram trabalhos interessantes visualmente). Dessa forma, quem segura a onda nessas premiações são os acts mais novos, que a gente chama de “teens” mais porque o público-alvo é adolescente. Eles estão trabalhando, lançando seus materiais, que para nós (mais “velhos”) pode ser aquém do que vimos quando éramos adolescentes, mas para os fãs e ouvintes regulares mais novos é bacana. E trazem audiência. Merecem estar ali, mesmo que a gente ache as indicações broxantes.

No fim das contas, é a Katy Perry, na ausência das divas pop e de Rihanna/Beyoncé (desconsiderando que RiRi foi indicada), quem será a “veterana” do rolê, com as indicações por “Chained to the Rhythm” (uma delas NÃO sendo em “Melhor Luta contra o Sistema”) e “Bon Appétit” nas técnicas. Nesse caso, indicações merecidíssimas. Katy entregou bons clipes dentro do espectro pop, impecáveis tecnicamente, apesar do baixo replay value, e considero a posição dela neste VMA 2017 muito justa.

Por último, é importante deixar registrado que, mesmo quando digo que um clipe é bom, bem feito, tecnicamente impecável, não é exatamente isso que a MTV procura no fim das contas. Não dá pra esperar mais da MTV que “escolha” o melhor vídeo tecnicamente dito (porque, só pra constar, a gente até vota, mas no fim quem dá o prêmio é a emissora e ela pode entregar o Moonman até pra mim). Tanto que o foco deles no VMA é audiência através das votações com o público e as indicações de artistas com fã-base forte (lembra quando eu falei sobre os teens lá em cima? Então…). Se o objetivo é premiar o melhor vídeo tecnicamente falando, as categorias técnicas estão lá para isso.

Hoje, o melhor clipe é o que gera buzz, é o vídeo do hit, e não necessariamente precisa ser o melhor. Às vezes, as duas coisas se unem (“Lemonade”, “Bad Romance”, “Single Ladies”, “Hey Ya”…), mas não se surpreendam se aparecerem vencedores nonsense na premiação do dia 26.08.

Mesmo assim, o principal indicado em 2017 foi um vídeo de um hit, que gerou buzz e é um biscoito fino – “HUMBLE”, do Kendrick Lamar, um indicado e futuro vencedor muito merecido. Dessas indicações, nada a reclamar. (exceto “Melhor Coreografia”…)


Agora é com vocês: o que acharam das indicações? Ficaram confusos, acharam coerentes ou já nem valorizam mais o VMA?

Eu começo as previsões logo logo com “Best Hip Hop”, em que todo mundo vai ficar só fazendo número pro K-Dot levar um Moonman Até logo!

 

*ah, aliás, essa referência a Game of Thrones é que a series finale da série da HBO será na mesma noite do Video Music Awards e tem muita gente que, sem ver as faves entre os indicados, vai optar por GOT. Como eu nunca vi a série (nunca entendi o hype, desculpa), estou apenas fazendo uma perguntinha curiosa… Mas eu vou ver o VMA daqui a um mês 🙂 

Vencedores e perdedores de 2017 [primeiro semestre]

O ano de 2017 chegou à metade e sempre é bom ver, em retrospecto, as coisas que deram certo ou não dentro do pop – especialmente quando estamos num dos anos mais curiosos dentro do mainstream: com a ascensão quase dominante dos streams como determinante para o sucesso de uma faixa (ou de um estilo), muitos artistas e gêneros estão padecendo para se inserir numa nova cultura de consumo – e atingir o público que lá está, enquanto outros conseguiram o segredo para um hit, um viral, e execuções certeiras no Spotify.

Ao mesmo tempo em que veteranos e novatos lutam para entender e se adequarem à nova ordem da indústria, podemos dizer que a “guerra dos sexos” dentro do mundo pop hoje está com os homens ganhando de goleada. Eles estão com os álbuns mais bem recebidos, singles de sucesso e parcerias que deram certo – além dos gêneros que dominam as rádios e streams atualmente serem justamente aqueles onde os male acts dominam. E o pop, que durante toda a primeira metade da década foi uma festa feminina, hoje se tornou um clube do Bolinha.

Pensando nestes encontros e desencontros é que eu trago uma lista de vencedores e perdedores no pop de 2017, cobrindo o primeiro semestre. Lá no final do ano, eu retomo essa mesma lista com os destaques do ano em geral, e perspectivas para 2018. Por isso, coloque os headphones, aperte play na “Today’s Top Hits” do Spotify e continue lendo!

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You’re not going to happen! Por que o jump de compositor para artista famoso é tão difícil

Você já deve conhecer a história – compositor escreve músicas para outros artistas enquanto espera a hora dele ou dela aparecer na frente do palco. Às vezes, o songwriter em questão precisa apenas de um featuring ou uma faixa viral pra ficar na boca do povo e instigar a gravadora a lançar um trabalho solo. Outras vezes, é só a progressão natural da carreira – você entra como cantor, mas precisa melhorar suas habilidades e passa a compor para os outros – até o momento em que está pronto para fazer sucesso com o próprio nome.

Só que nem sempre essa progressão natural acontece – pelo contrário: muita gente rala horrores pra deixar o anonimato da composição e chegar no topo do sucesso como artista principal, mas não dá certo e o topo fica bem distante. Os motivos são inúmeros, e os exemplos de como às vezes essa transição não se converte em sucesso ou reconhecimento são vários. Esse é o tema do novo vídeo lá do canal Duas Tintas de Música no Youtube, usando três exemplos bem interessantes pra ilustrar as dificuldades desse jump. É só dar play (e não se esqueça de se inscrever no nosso canal!)

 

Lançamentos da semana: do pior para o melhor

Essa quinta-e-sexta-feira teve uma quantidade tão grande de lançamentos pop que a gente tem até que respirar em pensar quais são as músicas e que artistas lançaram alguma coisa. Mas eu decidi juntar tudo num post só, com o velho combo de singles, só que com um diferencial: do pior material lançado até a melhor música divulgada neste fim de semana.

Esse é o meu top 4, veremos se será parecido com o de vocês 😉

4. “Switch”, Iggy Azalea feat. Anitta

Um dia a Iggy foi uma rapper ascendente com um som bacana, e que prometia ser a grande revelação na cena, a julgar pelas antigas mixtapes. O “The New Classic”, primeiro CD, foi aquele rap para neófitos, mais pop que qualquer outra coisa, que apesar do sucesso, não se converteu depois numa segunda era bem sucedida – pelo contrário, depois daquele CD, a queda da australiana foi uma das coisas mais rápidas e frenéticas já vista na popsfera.

Atualmente a mulher ainda está tentando lançar alguma coisa para o segundo CD, “Digital Distortion”, e até agora o que eu tenho consciência que foi single mesmo foi “Team“, que teve uma certa divulgação e algum buzz. O resto foi lançado daquele jeito, e nada foi tão interessante. Pra completar, todo single que a Iggy vinha apresentando parecia sem sal, sem apelo; e pior – agora com “Switch”, sem personalidade alguma.

Esse ritmo tropical já cansado, essa música batida, a Iggy cantando por cima do featuring … Aliás, Anitta foi desperdiçadíssima na faixa: parece uma backing vocal qualquer e o vocal ficou abafado por tanta camada e efeito que eu só percebi que era ela mesmo porque o timbre, mesmo em inglês (um bom inglês até), se sobressaiu. Mas sinceramente, se colocassem a Iggy com autotune no lugar não fazia diferença alguma.

Para a brasileira, o featuring valeu a pena para apresentá-la ao mercado americano de uma forma mais “oficial” (mesmo que o nome dela já esteja rodando aqui e ali, em matérias da Billboard e interações com artistas no twitter e no instagram), mas pra Iggy Azalea, é mais uma oportunidade desperdiçada numa música que é bem ruinzinha e esquecível.

(curiosamente, a parte mais marcante pra mim foi o pré-refrão da Anitta. A única coisa que tá na minha cabeça até agora de “Switch”)

nota: ⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Crying on the Cheap Thrills of You”, Camila Cabello

Quando você sai em carreira solo de uma boyband/girlband, onde geralmente as canções eram bem polidas e produzidas para gerar uma sonoridade generalista (pra não dizer outra palavra) e puxada para o público jovem, o que se espera é que o artista em questão mostre o motivo pelo qual ele ou ela se sentiu pronto/a para dar o jump e mostrar “identidade musical”. O Zayn, com o “Mind of Mine”, fez isso – quem imaginava que o menino do One Direction lançaria aquele petardo de álbum alt-R&B todo moody e misterioso?

Pois bem, depois de ver o vídeo de “Crying on the Club”, da Camila Cabello, duas coisas ficaram na minha mente. Uma é: alguém cancela a Sia, porque essa música é mais um derivado da fórmula “Cheap Thrills”/”The Greatest”, e pior, a faixa me lembra “Shape of You”, ou seja, música mais genérica não há! Pra piorar a situação, o delivery vocal da Camila tá muito parecido com o da Rihanna (como todas as últimas 1500 pop starlets tentam fazer – e a Pitchfork pontuou muito bem recentemente). Zero personalidade numa música que mesmo grudenta, é bem safe, bem “o que tá tocando por aí.

Aí a cidadã me lança um clipe (chatérrimo, aliás), onde a intro é com uma midtempo pop mega dramática, com um letrão daqueles, os vocais impecáveis; pra combar com “Cheap Thrills parte 3”. Quem é a gravadora da Cabello, minha gente, que não colocou “I Have Questions” de lead? Isso seria um tapa na cara maravilhoso de quem acha que a menina não tem identidade musical!

(btw, a melhor coisa de “Crying on the Shape of the Club” é o sample de “Genie on the Bottle” haha)

nota: ⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Swish Swish”, Katy Perry feat. Nicki Minaj

Primeiramente, mais uma música da Katy que não aconteceu, né? Eu tô impressionada com a era dela, porque nada deu certo – até mesmo o vídeo de “Bon Appétit”, que fez um barulho nas redes sociais, não ajudou no desempenho da faixa nos charts. Daqui a pouco a mulher lança o álbum e a gente só vai ouvir a imprensa caindo em cima e o público realmente desinteressado na Katy.

(ou seja, ela nunca conseguiu firmar uma base de fãs que a seguem aonde vai, a fã-base sólida e fiel que outras colegas tem aos montes, como a Lady Gaga, por exemplo)

Pois bem, “Swish Swish” é o single promocional do “Witness”, o novo álbum da californiana (que tem essa capa bem “teoria da conspiração”), e deve ser sobre a Taylor Swift né, só pra confirmar… Mas enfim, a faixa passa longe do “pop com propósito” ou daquele treco inominável que era “Bon Appétit”: é um dance-pop que lembrou uma versão mais pesada de “Walking On Air” (que a KATY NÃO LANÇOU COMO SINGLE NA ERA PRISM, desperdício!), uma letra debochada que rememora a velha Katy de “One of The Boys” e que tem um clima menos infantil que boa parte dos singles da moça desde “Teenage Dream”. É um pop adulto, divertido, despretensioso, com uma letra fácil e cheia de shades e um bom momento da Nicki Minaj, que como rapper anda tendo um ano criativamente tenso (aquela resposta à diss da Remy Ma foi ridícula…).

Infelizmente, apesar de crescer na gente igual bolo no forno, “Swish Swish” não chega perto daquele soco no estômago de outros singles da Katy Perry – sabe, aquela sensação de OMG QUE HINO de quando a gente ouvia “Teenage Dream”, “Hot ‘n Cold” e “Dark Horse”? Tá faltando aqui e nas outras faixas que ela trouxe nessa era. E o pior é que as músicas dessa nova era poderiam ser melhor trabalhadas, ou até retrabalhada com ganchos menores, mas o resultado final infelizmente é muito aquém do que a Katy poderia oferecer como uma das maiores hitmakers da década.

nota: ⭐⭐⭐/5 de ⭐⭐⭐⭐⭐

1. “Bad Liar”, Selena Gomez

Quando a gente fala de evolução dos artistas, não é apenas evolução de imagem (mais edgy, mais madura, ou conceitual); dizemos também sobre a evolução do som deles.

Neste momento, não dá pra pensar na Selena Gomez como aquela cantora fofa do pop adolescente da banda “Selena Gomez & The Scene como a mesma pessoa que canta “Bad Liar”, lead single do seu segundo álbum solo. “Bad Liar” é um pop fresco, diferente de tudo que tá tocando por aí. É uma música única por não ser tropical house, urban, EDM, ou um derivado da Sia.

A faixa, escrita por Selena junto com os hitmakers do momento Julia Michaels e Justin Tranter, usa de forma inteligente o sample de “Psycho Killer” do Talking Heads pra criar uma história de amor meio confusa entre Selena e o boy, com estrutura meio sincopada, alguns trechos falados, gemidos bem colocados, o refrão mais grudento do primeiro semestre e uma interpretação impecável da Selena. O que é essa menina hoje, que puta intérprete! É uma artista que conhece suas limitações, sabe trabalhar com elas e o que fazer com a própria voz.

O resultado é um dos melhores singles pop do ano, que recebeu praise da Pitchfork com uma “Best New Track” e a bênção do David Byrne, vocalista e guitarrista do Talking Heads e um dos artistas mais cultuados da indústria.”Bad Liar” mostrou uma evolução grande e surpreendente (a Interscope confia mesmo na Selena, porque a música tem risco, mesmo sendo extremamente pop), e me fez ficar ainda mais curiosa com o que  ela vai oferecer na sua segunda empreitada solo.

(agora, é fato que a Selena capturou o delivery vocal TODINHO da Julia Michaels no começo da faixa né haha)

⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

Bonus track: “Strip That Down” (Liam Payne feat. Quavo)

Né… Enfim…

Zayn, Niall e Harry possuem vozes distintas e marcantes no ouvido do público comum, na hora de divulgar o material solo… Porque o Liam é lindo, mas tem o vocal tão marcante quanto um boi pastando.

Pra piorar, parece alguma coisa que o Justin Timberlake rejeitou e foi passada pelo Nick Jonas, que nem quis gravar; e ficou dentro do guarda-roupa do Justin Bieber. Que horror.

 

E você,  o que achou dos lançamentos da semana? Concorda com a ordem que eu listei aqui ou preferia outra música nas primeiras posições?