Indicados ao Video Music Awards 2017 [1] Melhor Vídeo Hip Hop

O rap teve um ano mágico – no período de elegibilidade para o Video Music Awards, foram quatro músicas que chegaram ao topo das paradas, além das faixas de urban/hip hop que alcançaram o top 10 da Billboard e mantiveram um dos anos mais masculinos dentro da popsfera (“Juju on the Beat”, “Mask Off”, “iSpy”, “DNA.”, “XO TOUR Llif3”, qualquer música do Drake, e segue a lista). Parece 2004 all over again, e se para uma parte do público essa dominância deixa o pop para trás, esse poder prova que o hip hop se tornou o gênero mais ouvido nos EUA, superando o rock.

É importante ressaltar que essa reemergência do rap na cena não vem de hoje – desde a queda do eletropop como força máxima no pop, ali por 2013-14, e uma certa reorganização das forças com o tropical house que todo mundo andou fazendo em 2015-16, o urban vinha dando sinais de retorno. Mas em 2016 a coisa explodiu e hoje vemos a consequência, com um top 10 urban-oriented, rappers de vários estilos e sonoridades emplacando top 10, artistas femininas de R&B tendo a chance de lançar álbuns em #1 ou escapar do nicho (como SZA) e o Spotify dominado por rappers, tanto nas playlists mais ouvidas quanto nos charts.

Pensando nisso, os indicados aqui a melhor vídeo de Hip Hop do VMA 2017 acabam sendo bem representativos em relação à variedade na sonoridade, apelo mainstream e estilo dentro do rap. Hora de conferir quem são eles e quem tem mais chance de levar o Moonman.

BEST HIP HOP
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Big Sean – “Bounce Back”
Chance the Rapper – “Same Drugs”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
Migos ft. Lil Uzi Vert – “Bad & Boujee”
DJ Khaled ft. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne – “I’m The One”

 

Entre os seis indicados, quem tem mais chances de levar o Astronauta?

Favorito: “HUMBLE.” não é apenas o melhor clipe e a melhor música dentre os que foram hits e #1, mas ambos foram aclamadíssimos, com doses iguais de praise e polêmica (deem um google sobre a treta da “beleza natural” que o Kendrick fala na música e mostra no clipe). Com efeitos visuais dignos de cinema, uma fotografia incrível, trabalho de direção notável e referências religiosas e artísticas que são óbvias sem parecerem “na sua cara” (analogias religiosas que o Kendrick sempre vem inserindo em suas obras) – e até mesmo as referências “ostentação” são interessantes, e até com um toque de humor – é um daqueles videos que você poderia assistir numa boa no Cinemark que faria todo o sentido. Favoritíssimo.

Agora, indicação a Melhor Coreografia é demais, né MTV?

Quem tem chance de tirar?

Rivais: “I’m the One” foi outro hit e também foi #1, mas entre os vídeos indicados, é mais um mega clichê estereotipadíssimo de clipe de rapper – festa com gente sem roupa (geralmente mulheres), charutos e ilícitos, champanhe e uma mansão lindíssima, sem contar o Justin Bieber fazendo cosplay de hood e hustla. A faixa é chiclete, mas cringe, só que 1. foi hit, tá na memória das pessoas; e 2. a possibilidade de Bieber levar outro VMA. As beliebers vão votar com força nessa categoria (assim como em Dance Video). Ou seja, é hit e pode trazer audiência? Tem chance da MTV entregar o prêmio pra essa turma. E quem não vai querer ver DJ Khaled levando o filho Asahd ao palco pra receber o novo brinquedinho dele?

(mas hit factor só não vale pra Despacito, né?)

“Bad and Boujee” do Migos com o Lil Uzi Vert, curiosamente, teve mais semanas em #1 que os outros possíveis vencedores (três semanas não consecutivas), mas foi um baita viral, citado até pelo Donald Glover no Globo de Ouro e ainda colocou o Migos no mapa dos featurings (especialmente o Quavo, de uma forma inexplicável – STOP MAKING QUAVO HAPPEN). Entre os possíveis vencedores, o vídeo segue uma linha de raciocínio mais divertidinha que “I’m the One”, por exemplo, mostrando três mulheres bonitas, elegantes e ricas fazendo coisas comuns em ambientes cotidianos. Parece até uma brincadeira com esse universo-ostentação estereotipado hip hop, que traz um resultado estético curioso – especialmente porque os Migos estão nesse clima ostentação, com vários acessórios de ouro. Tem chances pelo hit factor e o viral.

(sempre bom repetir STOP MAKING QUAVO HAPPEN)

 

Agora, se a MTV estivesse fora da casinha, daria uma chance pra “Same Drugs”, do Chance the Rapper. O clipe tem uma estética retrô, VHS, com um vídeo completamente nonsense em que ele toca piano e canta ao lado de um Muppet-meets-personagem do Castelo Rá-Tim-Bum numa realidade alternativa em que todo mundo no vídeo É UM MUPPET.

 

E vocês, acham que esse Moonman é do K-Dot ou podemos ter surpresas no meio do caminho?

Indicados ao Video Music Awards 2017…

… alguém me pode resumir tudo sobre Game of Thrones?*

 

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Nada contra as indicações do Video Music Awards 2017,  que acontece dia 27 de agosto; tem coisas coerentes pela própria mudança da onda – os acts consagrados não estão em bons momentos, o pop tá no limbo e os teens são quem vão dominar tudo com as votações non-stop. Além disso, os artistas favoritos da garotada hoje não são os mesmos da geração anterior.

Mas bem que a MTV poderia ser um tiquinho mais coerente nas escolhas de determinados vídeos né? E sem “Despacito”, o vídeo da música do ano? Não faz sentido algum!

Primeiro, hora de destrinchar quem chegou no corte final do VMA pra depois entender a loucura deste ano.

VIDEO OF THE YEAR
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Bruno Mars – “24K Magic”
Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
The Weeknd – “Reminder”

ARTIST OF THE YEAR (agora best male e female estão juntos, como a MTV fez no Movie and TV Awards)
Bruno Mars
Kendrick Lamar
Ed Sheeran
Ariana Grande
The Weeknd
Lorde

BEST NEW ARTIST
Khalid
Kodak Black
SZA
Young M.A
Julia Michaels
Noah Cyrus

BEST COLLABORATION
Charlie Puth ft. Selena Gomez – “We Don’t Talk Anymore”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
Calvin Harris ft. Pharrell Williams, Katy Perry & Big Sean – “Feels”
Zayn & Taylor Swift – “I Don’t Wanna Live Forever (Fifty Shades Darker)”

BEST POP
Shawn Mendes – “Treat You Better”
Ed Sheeran – “Shape of You”
Harry Styles – “Sign Of The Times”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Miley Cyrus – “Malibu”

BEST HIP HOP
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Big Sean – “Bounce Back”
Chance the Rapper – “Same Drugs”
D.R.A.M. ft. Lil Yachty – “Broccoli”
Migos ft. Lil Uzi Vert – “Bad & Boujee”
DJ Khaled ft. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne – “I’m The One”

BEST DANCE
Zedd and Alessia Cara – “Stay”
Kygo x Selena Gomez – “It Ain’t Me”
Calvin Harris – “My Way”
Major Lazer ft. Justin Bieber and MØ – “Cold Water”
Afrojack ft. Ty Dolla $ign – “Gone”

BEST ROCK
Coldplay – “A Head Full of Dreams”
Fall Out Boy – “Young And Menace”
Twenty One Pilots – “Heavydirtysoul”
Green Day – “Bang Bang”
Foo Fighters – “Run”

BEST FIGHT AGAINST THE SYSTEM
Logic ft. Damian Lemar Hudson – “Black SpiderMan”
The Hamilton Mixtape – “Immigrants (We Get the Job Done)”
Big Sean – “Light”
Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful”
Taboo ft. Shailene Woodley – “Stand Up / Stand N Rock #NoDAPL”
John Legend – “Surefire”

— Categorias técnicas–

BEST CINEMATOGRAPHY
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Imagine Dragons – “Thunder”
Ed Sheeran – “Castle On The Hill”
DJ Shadow ft. Run The Jewels – “Nobody Speak”
Halsey – “Now or Never”

BEST DIRECTION
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Bruno Mars – “24K Magic”
Alessia Cara – “Scars To Your Beautiful”
The Weeknd – “Reminder”

BEST ART DIRECTION
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Bruno Mars – “24K Magic”
Katy Perry ft. Migos – “Bon Appetit”
DJ Khaled ft. Rihanna & Bryson Tiller – “Wild Thoughts”
The Weeknd – “Reminder”


BEST VISUAL EFFECTS

Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
A Tribe Called Quest – “Dis Generation”
KYLE ft. Lil Yachty – “iSpy”
Katy Perry ft. Skip Marley – “Chained To The Rhythm”
Harry Styles – “Sign Of The Times”


BEST CHOREOGRAPHY

Kanye West – “Fade”
Ariana Grande ft. Nicki Minaj – “Side To Side”
Kendrick Lamar – “HUMBLE.”
Sia – “The Greatest”
Fifth Harmony ft. Gucci Mane – “Down”


BEST EDITING

Future – “Mask Off”
Young Thug – “Wyclef Jean”
Lorde – “Green Light”
The Chainsmokers ft. Halsey – “Closer”
The Weeknd – “Reminder”

Em primeiro lugar, hora de lembrarmos os esquecidos no churrasco. “Despacito” é o maior hit do ano, com 11 semanas liderando o Hot 100, e não foi indicado? Já que não existe o vídeo do remix, o mínimo que poderia ser lembrado é o clipe da versão só em espanhol, um dos mais assistidos entre os de música latina (se não o mais assistido). Uma decisão péssima, fora de qualquer noção da realidade – considerando que a MTV está sendo bem coerente com o que o universo musical ofereceu durante o período de elegibilidade (1º de Julho de 2016 até 30 de Junho de 2017) – e que pode gerar alguns questionamentos importantes: ou seja, só vale se a música for em inglês?

Selena Gomez, apesar de indicada por suas parcerias com Kygo e Charlie Puth, sequer aparece nos vídeos – e na música solo, é solenemente ignorada. Apesar de “Bad Liar” não estar sendo um estrondoso sucesso (muito por conta da divulgação nula – deal com Spotify não salvou nem a Katy que costuma divulgar seus singles – nesta era menos do que o habitual; que dirá Selena, cujo nome como cantora nem está sedimentado?), o vídeo é bem feito e tecnicamente impecável – reconstituição de época, maquiagem, fotografia retrô… Uma excelente produção que merecia pelo menos uma lembrança nas técnicas.

E por falar em Selena, o que dizer desse vídeo do The Weeknd, “Reminder”? Alguém pode me explicar como surgiu o amor imenso da MTV por esse clipe que eu, por exemplo, nunca vi na vida, de uma música que nem hitou? Porque a MTV valoriza bastante os grandes sucessos (mais até do que a qualidade dos vídeos), e entre “Starboy” e “I Feel it Coming”; ou mesmo “False Alarm”… De onde surgiu “Reminder”?

Outras perguntas sem resposta que ainda não entendi bem:

  • se “That’s What I Like” do Bruno Mars foi #1 e tecnicamente é um tour de force, por que todas as indicações foram para “24k Magic”, que mesmo sendo bem produzido, não tem a mesma qualidade no geral (efeitos visuais, coreografia, fotografia)?
  • gosto muito da Ariana Grande, mas indicar a moça a Artist of The Year é um passo imenso. Se essa categoria fosse criada ano passado, a lembrança era válida. Outros artistas tiveram mais exposição no período específico de elegibilidade do que a própria Ariana (eu não morro de amores, mas sem lançar CD Justin Bieber teve um ano melhor e ficou esquecido nessa categoria);
  • “Down”, da Fifth Harmony, é um clipe bem feitinho e legalzinho, mas sem replay value. A música não aconteceu. Quem explica essas indicações? Só pode ser pra chamar fanbase do grupo e trazer audiência, porque não tem outro motivo. (enquanto isso, Camila Cabello não emplacou nenhuma indicação… Mas “Crying in the Club” também não foi um hit massivo e o clipe é bem disperso)
  • Ah, e o que cargas d’água Alessia Cara está fazendo em Vídeo do Ano? Cadê “Despacito”, né gente?

Em segundo lugar, sobre o que eu venho comentando sutilmente nesse texto – sobre a MTV estar sendo coerente, mesmo de forma estranha, com as indicações apresentadas. A questão é: o pop está num limbo nos charts e os acts A-List ou estão de férias, ou terminando a era; ou lançaram produções fora do período de elegibilidade (como a Kesha e a Demi Lovato, por exemplo, que de formas diferentes trouxeram trabalhos interessantes visualmente). Dessa forma, quem segura a onda nessas premiações são os acts mais novos, que a gente chama de “teens” mais porque o público-alvo é adolescente. Eles estão trabalhando, lançando seus materiais, que para nós (mais “velhos”) pode ser aquém do que vimos quando éramos adolescentes, mas para os fãs e ouvintes regulares mais novos é bacana. E trazem audiência. Merecem estar ali, mesmo que a gente ache as indicações broxantes.

No fim das contas, é a Katy Perry, na ausência das divas pop e de Rihanna/Beyoncé (desconsiderando que RiRi foi indicada), quem será a “veterana” do rolê, com as indicações por “Chained to the Rhythm” (uma delas NÃO sendo em “Melhor Luta contra o Sistema”) e “Bon Appétit” nas técnicas. Nesse caso, indicações merecidíssimas. Katy entregou bons clipes dentro do espectro pop, impecáveis tecnicamente, apesar do baixo replay value, e considero a posição dela neste VMA 2017 muito justa.

Por último, é importante deixar registrado que, mesmo quando digo que um clipe é bom, bem feito, tecnicamente impecável, não é exatamente isso que a MTV procura no fim das contas. Não dá pra esperar mais da MTV que “escolha” o melhor vídeo tecnicamente dito (porque, só pra constar, a gente até vota, mas no fim quem dá o prêmio é a emissora e ela pode entregar o Moonman até pra mim). Tanto que o foco deles no VMA é audiência através das votações com o público e as indicações de artistas com fã-base forte (lembra quando eu falei sobre os teens lá em cima? Então…). Se o objetivo é premiar o melhor vídeo tecnicamente falando, as categorias técnicas estão lá para isso.

Hoje, o melhor clipe é o que gera buzz, é o vídeo do hit, e não necessariamente precisa ser o melhor. Às vezes, as duas coisas se unem (“Lemonade”, “Bad Romance”, “Single Ladies”, “Hey Ya”…), mas não se surpreendam se aparecerem vencedores nonsense na premiação do dia 26.08.

Mesmo assim, o principal indicado em 2017 foi um vídeo de um hit, que gerou buzz e é um biscoito fino – “HUMBLE”, do Kendrick Lamar, um indicado e futuro vencedor muito merecido. Dessas indicações, nada a reclamar. (exceto “Melhor Coreografia”…)


Agora é com vocês: o que acharam das indicações? Ficaram confusos, acharam coerentes ou já nem valorizam mais o VMA?

Eu começo as previsões logo logo com “Best Hip Hop”, em que todo mundo vai ficar só fazendo número pro K-Dot levar um Moonman Até logo!

 

*ah, aliás, essa referência a Game of Thrones é que a series finale da série da HBO será na mesma noite do Video Music Awards e tem muita gente que, sem ver as faves entre os indicados, vai optar por GOT. Como eu nunca vi a série (nunca entendi o hype, desculpa), estou apenas fazendo uma perguntinha curiosa… Mas eu vou ver o VMA daqui a um mês 🙂 

Últimos lançamentos – Kesha, Demi e Selena

As duas últimas semanas foram repletas de ótimas, surpreendentes e deliciosas estreias especialmente no combalido pop feminino de 2017. Uma delas talvez seja um dos melhores do ano, em que finalmente tivemos a oportunidade de ouvir a verdadeira voz de uma artista – em todos os sentidos.

Kesha, de verdade, em “Praying”

Em primeiro lugar, quem escondeu essa voz de nós, da Kesha, esses anos todos? (pergunta retórica, mas não custa nada nos surpreendermos) Essa voz forte, potente, cheia de emoção e alma foi finalmente apresentada ao grande público com o single “Praying”, o lead de seu novo álbum, “Rainbow”. Uma das melhores músicas lançadas no ano, merece não apenas o praise da crítica como awards e o retorno de público.

Um pop piano-driven com refrão épico, tem uma letra diretamente indireta para o Dr. Luke, em que mesmo tendo consciência de todo o mal (a perseguição, abusos) que ele lhe fez, a Kesha segue um caminho de perdão (“I hope you’re somewhere prayin’, prayin’ / I hope your soul is changin’, changin'”), mas sabendo que com sua música e composições a sua verdade se torna algo tão forte que depois de “Rainbow”, era uma vez Dr. Lúcifer (em “When I’m finished, they won’t even know your name”). Um comeback absolutamente perfeito.

Apesar de ser uma grande canção, “Praying” não é exatamente radiofriendly; no entanto, isso não tira o fato da faixa ser um musicão da porra que abre os trabalhos para a era “Rainbow” em grande estilo. É pop, tem produção bem trabalhada e orgânica e nos deixa loucos para ouvir o resto do CD (aliás, ela já lançou outra faixa, a rock/soul “Woman“, a cara da old Kesha, mas com um groove inesperado). Se você ainda não se interessou por “Rainbow”, melhor entrar no hype.

Enquanto isso, outro lead lançado recentemente é “Sorry not Sorry”, primeiro single da Demi Lovato abrindo os trabalhos de seu novo álbum sem título.  Aparentemente, a Demi realmente decidiu investir mais a fundo numa sonoridade pop/R&B que se enquadra muito bem em sua voz, mas não era isso exatamente que eu estava pensando que ela seguiria…

Que legal essa música nova da Ariana GrOPA

“Sorry not Sorry” é boazinha, upbeat, a cara do verão, com uma letra direcionada aos haters e cheia de quotes perfeitos pra usar nos stories do Instagram (aliás, já imagino as pessoas dublando o refrão no Snapchat usando um filtro de cachorro ou a coroa de flores). No entanto, é uma faixa extremamente derivativa, muito parecido com o pop/R&B que a Ariana sempre faz (o acompanhamento ao piano é bem parecido com o mood meio retrô das faixas do “Yours Truly”). Apesar da faixa ter ecos anos 90, o que é sempre legal, não há muita coisa que me faça revisitar a música depois de uma ou duas ouvidas – especialmente com o refrão gritado e o tom da música estar sempre acima (Demi ainda não entendeu que menos é mais).

No entanto, a música é ideal para o verão americano, o refrão é repetitivo e feito pra grudar e se a Demi/gravadora souberem divulgar, considerando ainda que o clipe pode ter artistas famosos (ou seja, forte potencial de viralização) consegue fácil um top 10. De uma coisa é certa: a Demi não tem medo de batalhar pelos singles, tá sempre divulgando e tentando emplacar. (só não entendi SNS ainda não estar no Youtube…)

Mas bem que poderia ser algo melhor, né? “Sorry not Sorry” não me faz ganhar nenhum interesse em ouvir o CD.

(aliás, essa música tem sample de “A Little Bit of Love” ou não?)

A outra estreia de destaque é de uma artista que sempre está oferecendo surpresas dentro da sua capacidade vocal, e apesar de não ser tão inspirada quanto seu primeiro single, essa música é outro acerto na carreira dela.

Selena Gomez se conhece bem em “Fetish”

A faixa, aparentemente o segundo single do novo álbum ainda sem título, é uma parceria com Gucci Mane e tem a mesma vibe sexy discreta que a jovem já tinha trabalhado no Revival. Com a mesma pegada urban das faixas do álbum anterior, mas com uma letra mais direta ao ponto, é outro tiro bem dado da Selena: misteriosa e fresh, “Fetish” combina muito bem com o vocal limitado dela. É impressionante como ela compreende bem onde a voz dela pode ir ou não.

(porque tão importante quanto ter uma boa voz, é saber como usá-la)

Apesar de achar a faixa boa, eu particularmente prefiro o pré-refrão do que o refrão (que demora bastante pra pegar), e “Bad Liar” ainda é uma música adorável por ser diferente e fora da caixa para a própria Selena. “Fetish” é mais familiar e confortável para um ouvido distraído escutar, e mais radiofriendly. No entanto, não adianta nada lançar faixas tão envolventes se a cidadã não move um músculo para divulgar essas músicas. Mesmo que o chart digital mostre que a Selena tem força, e o deal com o Spotify ajude na exposição dessas canções, o airplay está abaixo do decente, o que mostra que não se pode esquecer do grande público. E nisso a Selena peca e muito – a impressão que dá é: ela é mais celebridade, ícone fashion, produtora, do que cantora.

Se for assim, melhor selecionar suas prioridades.

E vocês? Qual dessas três músicas vocês mais gostaram?