Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]

A melhor época do ano chegou! Junho-julho é o período em que os jornalistas gringos começam a especular sobre as indicações ao Grammy 2018, e apesar do meu oráculo favorito Paul Grein ainda não ter informado quais são os palpites dele, vou me adiantar e brincar de futurologia logo. (especialmente porque ano passado protelei até não poder mais essa postagem)

Pra quem já acompanha este humilde blog, eu geralmente faço duas postagens – uma agora em Junho/Julho e a outra lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade, porque geralmente vazam as submissões das gravadoras e a gente vai confirmando quem fez escolhas boas e quem cagou nos artistas.

As previsões começam após o pulo – com foco em Pop Field e no General Field – mas como vocês viram pelo título, tem algo um tanto diferente nesta previsão…

Melhor Álbum Pop

Possíveis indicados:

Ed Sheeran – “÷”
Lady Gaga – “Joanne”
Lorde – “Melodrama”
Harry Styles – “Harry Styles”*
Halsey, “Hopeless Fountain Kingdom”

Wild cards: “Witness”, Katy Perry, novo álbum de uma das ex-Disney (suspeito que seja a Miley)

2017 foi um dos anos mais complicados para o pop, em todos os gêneros. Para além da falta de representatividade feminina no top 10, o próprio gênero está por baixo, graças à dominância do urban/hip hop e do EDM mais orgânico a la Chainsmokers; por isso, escolher os prováveis indicados aqui não será um grande trabalho. Aliás, eu acho que a coisa tá tão feia pro pop que será mais um ano de award apresentado no pre-telecast.

Entre a lista que eu emplaquei aí, dá pra ver que até os wild cards estão miados. Lock pra mim é o Ed Sheeran, o lançamento pop mais bem sucedido do primeiro semestre, capitaneado pelos streams e vendas altas – além de “Shape of You”, um dos hits do ano; assim como a Lorde e seu “Melodrama”, que mesmo sem vendas expressivas em relação ao ruivo, foi universalmente aclamado e ganha um boost absurdo para Álbum do Ano. Já a Gaga entra aqui com o “Joanne” graças ao renascimento da artista nos charts pós-SuperBowl com “Million Reasons”, que eu acredito carregará o álbum nas costas no Grammy.

Quanto ao Harry, eu asterisquei o cidadão por um motivo simples: caso a gravadora não arrisque uma manobra ousada em submeter o álbum no rock field (o que seria ousado por ser um ex-membro de boy band, mas óbvio pela sonoridade do CD),  eles jogarão o self-titled no pop field. Nem sei se o Grammy levaria o CD (que é excelente) até aí – dado o preconceito ainda existente contra boy bands – mas ficaria contente se o fizesse. Já a Halsey é um bold move meu – o CD estreou em #1, teve boas críticas e o primeiro single, “Now or Never”, está acontecendo. Além disso, como ela já tem duas indicações no bolso (uma delas por “Closer”), não duvido de que ela consiga ter força pra chegar no corte final.


Entre os wild cards miadíssimos, eu incluo Katy Perry aqui porque, apesar dessa era cheia de missteps (pra ser eufêmica), ela pode ser beneficiada pela falta de acts poderosos para fazer o corte final, graças à situação terrível do pop em 2017; associado com a “antiguidade é posto” situation (afinal de contas, a Katy tem duas indicações por Melhor Álbum Pop, com “Teenage Dream” e “PRISM”), e outra situação que vou explicar direitinho no futuro (o motivo deste post se chamar assim). Além dela, acho que alguma das ex-Disney Acts pode emplacar uma indicação a Álbum Pop se lançarem seus materiais até o dia 30 de setembro – mais precisamente a Miley, que já tem uma indicação com o “Bangerz” – ou seja, a Academia já olha para o material que ela trouxer com outros olhos.

Melhor Performance Pop Solo

Possíveis indicados:

Ed Sheeran, “Shape of You”
Lady Gaga, “Million Reasons”
Lorde, “Green Light”
Bruno Mars, “Versace on the Floor”
Julia Michaels, “Issues”

Wild cards: Miley Cyrus, “Malibu”; Selena Gomez, “Bad Liar”, Halsey, “Now or Never”

Apesar de ter sido um ano bem forte em featurings e Justin Bieber cantando em singles de todas as pessoas do mundo, a disputa de Performance Pop Solo fica em altíssimo nível – e, apesar de eu achar que o Ed Sheeran leva fácil aqui, os rivais são formidáveis, se assim eu posso dizer. “Green Light” pode não ter sido O sucesso da Lorde, mas novamente, Lorde é querida pela Academia, o CD foi muito bem recebido, assim como a faixa. Apesar de ainda achar a música estranha, é inegável que mais uma vez a Lorde entregou um trabalho vocal intrigante por aqui. Já a Gaga tem sua melhor chance de Grammy aqui nesta categoria (ela pode ser o azarão de Pop Solo Performance), porque “Million Reasons” é uma grande canção que GRITA Grammy e, além do ótimo desempenho nos charts, mostrou uma Lady Gaga mais sensível e clássica no seu delivery, o que anima os votantes.

Uma indicação que PODEM ME PRINTAR vai acontecer bastante é a da Julia Michaels, com “Issues”. A música é BOA, a performance dela tem um toque único que surpreende quando você ouve em sequência a outras músicas na rádio, e detalhe importante: a moça é COMPOSITORA, e o Grammy adora premiar ou indicar seus iguais. Fiquem de olho nessa música – e depois não digam que eu não avisei.

No entanto, o fiel da balança nesta categoria aqui é: qual a música que a Atlantic vai submeter do álbum do Bruno Mars? Eles tem um lindo problema em mãos, dividido em três: mas aqui, eu creio que a escolha da gravadora é por “Versace on the Floor”, porque dos três singles lançados, é a mais pop do álbum. Curiosamente, a música mal foi lançada nas rádios, mas eu já tô considerando que a música será hit o suficiente pra entrar na lista de submissões ao corte final do Pop Solo.


Os meus wild cards continuam sendo miados porque o nível é tão alto nessa categoria que vai ser difícil fugir dessa configuração (exceto se sair Renner no Chão e entrar É Isso que eu Gosto, ou outra surpresa daqui até lá), mas novamente Miley e Selena, respectivamente com “Malibu” e “Bad Liar”, podem surpreender por aqui – principalmente “Malibu”, que até o momento teve uma performance nos charts melhor que a faixa da ex-colega da Disney. Eu particularmente prefiro a performance da Selena, que oscila entre o sexy, divertido e o ingênuo; mas se a moça divulgasse mais ou tivesse mais vontade com a própria música, os jurados também poderiam se empolgar mais.

Já a Halsey depende das configurações de Pop Album. Se o “Hopeless Fountain Kingdom” entrar, pode ser que “Now or Never” acompanhe. Caso o CD não faça o corte final, são duas opções: 1. não veremos uma terceira indicação da Halsey ao Grammy; 2. ela entra no corte final no lugar de só Deus sabe quem, apenas se a música realmente acontecer como os charts estão prevendo.

 

Melhor Performance Pop por Duo ou Grupo

Possíveis indicados:

Despacito Remix by Luis Fonsi.jpg“Despacito” (remix) – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat. Justin Bieber
“Something Just Like This” – The Chainsmokers feat. Coldplay
“I Don’t Wanna Live Forever” – Zayn & Taylor Swift*
“I Feel It Coming” – The Weeknd feat. Daft Punk
(alguma música a ser lançada até 30.09.2017)

Wild cards: Katy Perry, “Chained”, “Lust For Life”, Lana del Rey e The Weeknd

Em primeiro lugar, só quero ver se o Grammy vai ignorar o maior sucesso de 2017 só porque a música é cantada em espanhol. “Despacito” é um evento cultural, um hit massivo e incrivelmente o featuring do Bieber caiu como uma luva na música. No meu mundo ideal, ganharia ainda em Gravação do Ano (mas no meu mundo ideal eu seria casada com o Benedict Cumberbatch, soooo), mas cada coisa de uma vez.

De resto, a faixa dos Chainsmokers mais pop dentre o “EDM orgânico” que eles vem lançando pode entrar fácil aqui (eu até gosto de “Something Just Like This”, para meu choque) – e a mesma coisa ocorreu com “Closer”, então essa possibilidade existe. Em relação ao The Weeknd, curiosamente eu tinha até pensado que o Grammy não ia indicar “Starboy” pelas possibilidades que o álbum ganharia ano que vem; e aqui nesta categoria, eu sinto que o tempo do lead single já passou e o Abel/gravadora vão investir em “I Feel It Coming” pra ver se emplacam indicações no Pop e no General Field (eu até gosto mais desta que de “Starboy”)

(já a quinta vaga é do futuro – especialmente porque as colaborações famosas deste ano são EDM oriented, e nem todas as faixas se aplicam a fazerem esse jump pro pop.)

Sobre a colaboração do Zayn com a Taylor, eu asterisquei porque pode ser que, como a música é parte da trilha sonora de um filme (“Cinquenta Tons mais Escuros”), provavelmente a gravadora submeta em “Visual Media”. Mas aqui tem chances fortes também de ganhar, se os bonitos do Grammy ignorarem injustamente “Despacito”.


Entre as wildcards miadas, a Katy Perry tem em “Chained to the Rhythm” a chance mais possível de chegar ao corte final do Grammy – foi o único sucesso real do CD e a colaboração realmente é boa – o rap do Skip Marley dá uma nova vida à música. Já “Lust For Life” está aqui por puro wishful thinking meu: Lana del Rey já foi indicada ao Grammy antes (não nessa categoria, entretanto), o fator “The Weeknd” pode ajudar a chegar na lista final; e as colaborações pop puras de fato foram tão esparsas que, ou esperamos até setembro para ver no que vai dar; ou alguma colaboração de DJ com artista vai fazer o Chainsmokers e partir pro Pop.

 

General Field

Artista Revelação

Possíveis indicados

Kehlani
SZA
Julia Michaels
(act country)
(act rock/alternative)

**Migos
***Halsey

Se o pop está sofrendo para fazer sucesso em 2017, imagina lançar nomes relevantes para a categoria de Artista Revelação. Se fôssemos julgar pelas tentativas de várias newcomers em impactar a cena (como Zara Larsson e Dua Lipa), nem dava pra incluir aqui no corte final – ou pode ser que eu inclua se algumas delas realmente causar um impacto nos moldes que o Grammy sugere para entrar nesta categoria.

Na verdade, tá tudo bem difícil pra meio mundo, especialmente com essas regras cada dia mais confusas para a escolha dos indicados nessa categoria. Por exemplo**, eu já estava pronta para colocar o Migos aqui na lista, que estourou com “Bad and Boujee” e está em vários featurings por aí (especialmente o Quavo), e considerando as novas regras do Grammy, é ok você ter tido pelo menos três álbuns ou 30 tracks, e ser indicado. Só que os caras tem DOZE mixtapes antes do estouro, aí realmente você fica meio sem entender como funcionaria a cabeça dos votantes.

(considerando que entre as regras, ter tido um grande impacto no período de elegibilidade também é ok…)

Outra pessoa que eu colocaria fácil era a Halsey***, porque ela só teve dois CDs (incluindo o lançamento recente), mas ela ficou conhecida do grande público em “Closer”, em OUTRO período de elegibilidade. Ou seja, a possibilidade dela entrar aqui é improvável, mais do que o Migos.

(mas a cabeça da Academia não funciona como a dos meros mortais, porque ela pode muito bem entrar na “Ed Sheeran Rule” – o ruivo foi indicado a Canção do Ano em 2013 e um ano depois emplacou uma indicação a Artista Revelação, soo…)

Pois bem, como eu acho que pode ficar: já que a cabeça do General Field pensa em FIELDS (ooh), ou seja, uma cota de field pra cada artista, eu duvido muito que DUAS artistas de R&B puxado pro alternativa (Kehlani e SZA) entrem no corte final; mas acho possível que uma construção dessa ocorra pelo destaque que a vibe mais alternative urban teve este ano. Já a Julia Michaels pode ser a cota pop que está faltando – “Issues” realmente aconteceu e principalmente, ela é compositora, e como já disse e vou dizer por todo esse texto, a Academia adora se autocongratular.

Pra completar, o Grammy sempre vai arrancar do éter um act country pra agradar Nashville e outro act rock ou alternative, pra completar o pote.

 

Body-Like-a-Back-Road-Cover-Art.jpgRecord of the Year

2017 para o Big Four (especialmente as categorias envolvendo single) é um ano confuso, porque tem muitos candidatos com chance de fazer o corte final e que merecem nossa atenção. Além disso, as duas categorias são elaboradas muitas vezes (na maioria) levando em conta os fields – o maior destaque nos fields consegue a vaga aqui (o que em alguns casos, ajuda até a adivinhar quem vai levar o desejado Álbum do Ano). Também é um jogo de poderes (Quem já ganhou anteriormente? Quem tem mais chances atualmente? Qual foi o maior hit? Quem tem mais força em Record e/ou Song e pode ser jogado para um lado ou outro?), e por isso, separei tudo em hipóteses, destacando a que pode chegar mais longe em negrito.

(e se o Grammy tiver cojones, indica Despacito porque sim)

**Hipótese 1 (com os fields completos)**

“Shape of You”, Ed Sheeran (cota pop)
“Despacito” (remix) – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat Justin Bieber (cota do hit -ver “Work”, “Uptown Funk”, “All About that Bass” e longa lista)
“Body Like a Back Road” – Sam Hunt (cota country, é um hit crossover)
“Believer” – Imagine Dragons (cota rock)
“24k Magic” – Bruno Mars (cota “R&B” pela música, não pelo artista)

Hipótese 2 (sem “Despacito”)
“Shape of You”, Ed Sheeran
“Body Like a Back Road” – Sam Hunt
“Believer” – Imagine Dragons
“Humble” – Kendrick Lamar (cota rap, apesar de achar que “Humble” tem mais força em song)
“24k Magic” – Bruno Mars

Hipótese 3 (com The Weeknd)
“Shape Of You”, Ed Sheeran
“Despacito” (remix) – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat Justin Bieber
“Body Like a Back Road” – Sam Hunt
“Believer” – Imagine Dragons
“I Feel it Coming” – The Weeknd feat. Daft Punk (cota “R&B”, mesmo a música sendo mais “pop”, é uma alternativa a 24k se considerar que esta é uma música de R&B feita por um artista pop)

Hipótese 4 (sem Imagine Dragons)
“Shape Of You”, Ed Sheeran
“Despacito” (remix) – Luis Fonsi & Daddy Yankee feat Justin Bieber
“Body Like a Back Road” – Sam Hunt
“Humble” – Kendrick Lamar
“24k Magic” – Bruno Mars // “I Feel it Coming” – The Weeknd feat. Daft Punk

Wild cards: “Hard Times”, Paramore, “Mask Off”, Future, “Fake Love”, Drake, “Bad and Boujee”, Migos, “Now or Never”, Halsey; “Something Just Like This”, The Chainsmokers feat. Coldplay, “Redbone”, Childish Gambino, “Million Reasons”, Lady Gaga

 

Song of the Year

Essa é a categoria dos compositores, em que tudo novamente depende do jogo de xadrez + escolha dos fields. Imagine-Dragons-Believer-art.jpgPensem no seguinte: aqui, temos dois artistas que já ganharam por Song anteriormente, o que os credencia para serem lock (um deles dono de um dos hits de 2017). Kendrick Lamar é reverenciadíssimo e o melhor rapper de sua geração, e com certeza a Academia vai premiá-lo em tudo quanto for possível, já que “DAMN.” manteve o nível alto de todos os seus lançamentos (e eles tem uma dívida com o K-Dot que tem de pagar logo).
Já o Imagine Dragons, que voltou à vida após uma segunda era apagadíssima, tem uma boa chance com “Belieber”, tanto como field quanto pela lista de compositores que inclui um dos it compositores do ano, Justin Tranter – provável indicado a Produtor do Ano – Não-Clássico com sua parceira Julia Michaels. Aliás, a mesma Julia Michaels que tem um single solo com boas possibilidades por aqui.

Novamente, separei tudo em hipóteses, destacando a que pode chegar mais longe em negrito.

Hipótese 1 (fiel às fields, com o Ed Sheeran)
“Shape of You”, Ed Sheeran (cota pop) 
“Humble”, Kendrick Lamar (cota rap)
“Believer”, Imagine Dragons (cota rock)
“Body Like a Back Road”, Sam Hunt (cota country)
“Green Light”, Lorde (cota pop/alternative)

**Hipótese 2 (fiel às fields, sem o Ed Sheeran)**
“Green Light”, Lorde
“Humble”, Kendrick Lamar
“Believer”, Imagine Dragons
“Body Like a Back Road”, Sam Hunt
“Issues”, Julia Michaels (cota pop, compositora com chances de ser indicada em produção)

Hipótese 3 (fiel às fields, entra Lady Gaga)
“Green Light”, Lorde
“Humble”, Kendrick Lamar
“Believer”, Imagine Dragons
“Body Like a Back Road”, Sam Hunt
“Million Reasons”, Lady Gaga (cota pop, uma das compositoras tem DUAS indicações a Canção do Ano)

Wild cards: “Hard Times”, Paramore, “Mask Off”, Future, “Fake Love”, Drake, “Redbone”, Childish Gambino, “I Feel it Coming”, The Weeknd feat. Daft Punk”, “That’s What I Like”, Bruno Mars

 

Álbum do Ano

Bob Dylan - Triplicate (album cover).jpegO prêmio mais desejado (e ultimamente o mais polêmico) do Grammy está com novidades nas regras: agora compositores podem ser indicados a álbum do ano, e artistas/compositores/produtores que participam de um álbum indicado devem ter participação em mais de 33% do álbum pra levarem o gramofone pra casa (se essa regra valesse para este ano, tem artistas famosíssimos que ficariam de mãos vazias com a vitória do “25”…). Apesar dessa mudança afetar mais questões internas dentro da produção dos álbuns, nas maquinações das escolhas dos CDs para o corte final ainda vale a regra dos fields + sucesso, caso um dos álbuns tenha tido um grande impacto em vendas (nunca se esqueça de que o Grammy é um prêmio da indústria).

Então, acredito que a lista final (neste momento) consistirá em:

Ed Sheeran, “÷” (o lançamento pop bem sucedido do ano, recordes no Spotify e vendas físicas, um dos grandes #1 do ano)
Kendrick Lamar, “DAMN.” (o lançamento rap bem sucedido do ano, recordes no Spotify e vendas físicas, tem bem mais chances de levar o Grammy este ano, por ter melhores críticas, por exemplo, além de um #1 em casa)
Lorde, “Melodrama” (lançamento pop com aclamação da crítica, pode ser o azarão aqui)
Bob Dylan, “Triplicate” (álbum triplo do atual detentor do prêmio Nobel de Literatura, é uma aposta óbvia por ser de um artista experiente e lendário)
Arcade Fire, “Everything Now (a banda indie ainda vai lançar esse álbum no final de julho, mas eles SEMPRE recebem praise e já tem um Album of the Year com o “The Suburbs”. Óbvio que entram aqui)

Wild Cards: “Joanne”, Lady Gaga; “Starboy”, The Weeknd; “Awaken, My Love”, Childish Gambino; “24k Magic”, Bruno Mars; “More Life”, Drake; “Evolver”, Imagine Dragons; “Harry Styles”, Harry Styles


Depois de tantas previsões, é hora de explicar exatamente o que cargas d’água é a 24k Magic Album Situation.

Apesar de sabermos desde 2010 que o Bruno Mars é um artista pop, o terceiro CD do havaiano está firmemente calcado no R&B, especificamente na fase dos anos 80/90. O material não apenas flerta, está inscrito como poucos dentro do gênero, o que faz com que em algumas premiações, como o BET Awards e o Billboard Music Awards estejam inserindo o 24k no R&B field. Essa situação nos leva a alguns questionamentos, que devem estar fervendo (ou não) a cabeça da Atlantic (por isso falei de “lindo problema”) e do próprio Bruno, como

1) a gravadora vai submeter em que field? O pop parece bem cheio, se configurando uma rivalidade entre Ed e Lorde, e as chances de vitória são poucas. No R&B field, que depois da junção ficou A MESS, se pensarmos em álbum, o maior rival no momento me parece o “Awaken, My Love!”, do Childish Gambino, que vem recebendo bastante praise. Mas no R&B field tudo parece bem mais equilibrado e tranquilo pra ganhar um gramofone (o que seria interessante, já que o Bruno tem vitórias em performance E álbum no pop field; seria algo notável ganhar no R&B field e o Grammy adora uma história de recorde pra ganhar audiência).

(só lembrando que The Weeknd se insere em Urban Contemporary Album, um blend de só Deus sabe o quê no R&B contemporâneo que jamais entenderei o que signfica)

2) que músicas vão ser escolhidas pra submissão? Considerando que são TRÊS músicas lançadas no período de elegibilidade e já adivinhando que “Versace on the Floor” será hit, eu suspeito que será assim:
– VOTF entra nas pop (como Pop Performance)
– That’s What I Like entra em R&B Performance (apesar desta ser a mais pop do CD, melodicamente e em questão de arranjo e produção faz mais sentido em R&B que em Pop)
– 24k Magic entra em R&B Song e Record of the Year (hoje eu tenho uma relação muito melhor com essa música – acho uma das produções mais esmeradas do ANO, mais até que “Uptown Funk”; e o que tem de vídeos no Youtube destrinchando a produção e composição dessa música, se tornaria compreensivo o Grammy também querer mostrar amor.)

3) e quem entraria em Canção do Ano? Acho que Song é the weakest spot para o Bruno – mas jogaria “That’s What I Like” para ver se colava. Apesar de não serem inspiradas no mesmo período, a estrutura de 24k e “Uptown” são parecidas, e se não teve nomination pra segunda, teria pra primeira? Já “Versace on the Floor”, apesar de achar um dos grandes momentos do álbum, tem um componente cafona demais para as sensibilidades da categoria (sorry Bruno). Já TWIL tem ótimas sacadas, versos interessantes e um refrão bem construído, além de uma puta bridge.

 

UFA, terminei! E vocês, o que acham das previsões? Fariam alguma mudança ou acham que eu esqueci alguém? Fiquem à vontade para comentar!

Anúncios

8 comentários sobre “Previsões para o Grammy 2018 [edição 24 quilates]

  1. Oi Marina!

    AMO O SITE ❤

    Bem… Eu concordo com algumas coisas do seu post, outras acho incrivelmente improváveis e também que você subestimou algumas pessoas. Vamos lá:

    1 – Ed Sheeran

    Ele vai levar indicação em tudo quanto à categoria. Isso me chateia? Muito! O 'Divide' (que até no título é sem graça) foi o álbum POP desse ano, até agora, que fez mais barulho, por isso eu aposto no Ed até em Country, huahua. E MORRO de medo dele levar o prêmio de 'Album of the Year' pra casa.

    2 – Katy Perry

    As pessoas estão subestimando bastante a Katy nessa era, e acho que ela ainda pode surpreender… Bem, CTTR não foi um grande hit, mas vejo ela como uma música maior que Million Reasons (pelo menos no mercado mundial). Dou a indicação em 'duo' certa pra Katy e acho muito provável que ela possa aparecer em Vocal POP, e quem sabe, em Song of The Year com CTTR. Uma indicação, pelo menos, é certa. Se Swish Swish acontecesse (a música ta caminhando lentamente, mas quem sabe…) seria aclamada pela academia, porque é musica com cara de Grammy.

    3 – Harry Styles

    Infelizmente acho a indicação do Harry mais improvável que indicações para a Lana, por exemplo. O álbum tem uma qualidade inegável e fez um barulho considerável na indústria, mas o preconceito da academia com ex boy band é imenso e ele tem muita coisa que provar ainda. SE for indicado, eu arriscaria em Revelação, mas não sei…

    4 – Despa(ZzZzZ)cito

    Eu ABOMINO essa música, mas tá… Smash! O Grammy vai ser enormemente criticado se boicotar essa música nas categorias principais, e levando em conta a força do Bieber no mainstream, acho bem provável que ela leve mais de 3 indicações. Pelo menos nas categorias principais, né.

    5 – Duas perguntinhas:

    1 – Por que você acha que a academia boicota tanto a Lana? Levando em conta que os trabalhos dela tem qualidade maior que 60% dos indicados anualmente.

    2 – Será que a Lorde abocanha esse prêmio de Álbum of the Year?

    Bjs!

    • Sobre Harry, eu suspeito que ele não entra em revelação por causa da carreira anterior no One Direction. É raro ex-membros de bandas serem indicados a Best New Artist (mas acontece e uma pessoa ganhou, e deu treta pra nunca mais ter – Jody Watley, ex-Shamalar). Meu sonho era que ele fosse indicado, mas é sonho haha

      Acho que a indicação mais “certa” pra Katy é em duo, mas a Academia vê muito o sucesso – e o caso dela me lembra a RiRi que foi ignorada na época do Rated R (e olha que a Rihanna tinha um hit na época e melhores críticas naquele álbum).

      Acho que a Academia não gosta dela. Tem artistas que os jurados gostam, tem outros que eles detestam, e outros que eles não entendem. Acho que a Lana eles não gostam e não entendem (seja porque o som dela é um pop pouco vendável mas difícil de ser classificado como “alternativo” ou “tradicional”; e a construção dela como artista (em que ela foi deliberadamente “fabricada”)… eu não sei, acho que é má-vontade com misto de incompreensão e recalque porque ela mostra o quanto a indústria é hipócrita hahahaha

      A Lorde pra mim é o voto da Academia se eles não quiserem premiar o Kendrick DE NOVO.

      • Acho uma pena a Lana ser tão boicotada. Amo o trabalho dela, e acho que qualidade pra Grammy ela tem de sobra. Sobre ela ter sido ‘fabricada’ eu concordo. Ela é outra pessoa pós a era BTD (talvez daí o preconceito da academia).

        Bom, sobre a Katy, eu acho que ela pode surpreender. O Grammy tem uma fascinação por indicá-la, sem igual. Aliado ao fato dela não ter nenhum grammy com +10 indicações (um absurdo, se formos considerar o nome dela até hoje) e também o elemento surpresa, do tipo: HÁ, a era mais “fracassada” rendeu a ela o que os maiores sucessos não. Entende?

        Beijos 🙂

  2. Parabéns pela ótima review! Sempre amo ler e comentar na mente os palpites! Acho que Shape of You e HUMBLE. já podem ser dadas como certas nas categorias do General Field. Creio eu que Gaga pode receber indicações para Vocal Solo Performance por Million Reasons, porém não sei se Joanne se mantém nas de Pop Album, vai depender bastante do que há por vir. Acredito muito que Halsey pode ser 100% esnobada em tudo ali. Miley e Selena (ela só precisa divulgar) vêm em boas crescentes para a disputa, tbm não duvidaria do poder de I Don’t Wanna Live Forever, já que Taylor é muito querida pela academia e a música foi um hit. Espero muito que a qualidade prevaleça as vendas e o Melodrama vença em Pop Album, seria muito merecido, tal como muitas indicações a Lorde. Não sei o que esperar de Lana, ela sempre lança e acaba por fazer pouco caso na divulgação e não há tanta força por parte da gravadora em fazê-la nomeada novamente. A situação de Katy é crítica, acredito que pode ser indicada apenas em Best Duo Performance e, quem sabe, o clipe de CTTR renda alguma nomeação. Creio eu que com os possíveis comebacks do 2º semestre (olá Sam Smith, olá Miss Swift) o jogo pode mudar muito, será interessante.
    Gostaria de saber quem você acredita ter chances para Best Music Video? E, por fim, o que tu achas de It Ain’t Me da Selena com Kygo? Teriam eles reais chances de uma indicação?

    • Acho que a música da Selena pode acontecer em Dance Recording; mas podem arriscar um Pop Duo/Group pela sonoridade do material.

      Já de Melhor Vídeo vou ficar te devendo haha esse ano foi tão marcante musicalmente que o premiado será alguém de uma banda indie/alternativa. Mas eu curti muito a videografia do Abel e do Kendrick nessa era, se eles escolherem bem podem conseguir chegar no corte final.

  3. Oi Marina! Parabéns por mais um excelente post!

    Achei bem legal você continuar com as suas previsões para o Grammy; no entanto, acho que esse ano anda tão parado no cenário musical – principalmente dentro da música pop – que chega a ser até difícil e chato pensar em quem serão os indicados do ano.

    Concordo com grande parte da sua lista, mas há alguns pontos que fogem completamente do que eu acho:

    1. As indicações do Harry Styles.

    Amei o novo álbum do Harry e Sign of the Times é uma música excelente e deveria conseguir uma vaga, não só Solo Performance, como em SOTY. No entanto, a história prova que não basta apenas um álbum para um artista se desgrudar do selo teen (e de boyband) que lhe marcou por anos. Portanto por mais que acredite no potencial do CD e do próprio Harry como artista, não vejo ele sendo indicado nessa era.

    2. As indicações da Lady Gaga.

    Joanne é o meu álbum favorito da Lady Gaga e adoraria ver ele entre os indicados à Melhor Álbum Pop, mas acontece que, à essa altura, muita gente nem se lembra mais do CD. Isso sem falar que Million Reasons fez um sucesso temporário nas charts e só conseguiu um top 10 por conta do Superbowl. Acho que a Gaga não será lembrada pela academia, embora eu consiga ver ela cravando alguma indicação no Country Field – ou você não pensou nisso? Hahaha.

    3. Os próximos 3 meses.

    Como disse, eu achei o ano musical bastante morno, e não será Justin Bieber ou Ed Sheeran que irá mudar minha opinião. Mas fato é que junho foi um mês de grandes lançamentos musicais, como hopeless fountain kingdom da Halsey e Melodrama da Lorde, e os próximos meses também devem trazer lançamentos bem interessantes. Em breve teremos álbuns que prometem muito em quesito de qualidade, como Lust for Life da Lana del Rey, o Something to Tell You do HAIM, e os untitled da Miley Cyrus e Selena Gomez. Pode discordar de mim, mas ainda acho que tem muita água para rolar nos próximos três meses e espero num grande lançamento para virar o jogo (fracassado, permita-me dizer) de 2017.

    Abraços e até o próximo post!

    • Concordo plenamente que o ano tá morto, por isso eu tive tanta dificuldade até em encontrar alguns azarões pra fazer as “wild cards”. Eu acho que as indicações do Harry são meu wishful thinking – eu adoro o CD, mas sei que o Grammy tem resistência absurda a boy bands ou ex-membros (só o Timberlake conseguiu quebrar essa escrita), mas o CD do Harry pode ser o segundo a mudar o jogo (mas tudo depende de onde eles vão enfiar o álbum – que não é pop, mas do jeito que o field rock é idiossincrático, acho que a gravadora jogará no seguro.)

      Acho que a Gaga pode surpreender porque é a Lady Gaga, tem serviços preparados com a Academia, e pelo menos Million Reasons fará um barulho. É a cara do Grammy e tem gente de nome envolvida na composição e produção. A partir daí, pode ser que carregue o álbum nas costas (isso aconteceu antes, mas o caso que eu tô lembrando aqui, nem vou falar porque não tenho certeza, a música que carregou era um hit muito maior que MR)

      Acho que os próximos três meses serão cruciais – vai que aparece algum act que roube as atenções como o Abel fez e bagunce o coreto. Dos nomes que vc citou, eu confio mais na Miley – a Lana só foi indicada uma vez com o Paradise; as Haim são muito “indie” (?) pro gosto da Academia e a Selena só se garante se sair do Instagram e for divulgar o material.

      Valeu pelas considerações!

Comente aqui!

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s