You’re not going to happen! Por que o jump de compositor para artista famoso é tão difícil

Você já deve conhecer a história – compositor escreve músicas para outros artistas enquanto espera a hora dele ou dela aparecer na frente do palco. Às vezes, o songwriter em questão precisa apenas de um featuring ou uma faixa viral pra ficar na boca do povo e instigar a gravadora a lançar um trabalho solo. Outras vezes, é só a progressão natural da carreira – você entra como cantor, mas precisa melhorar suas habilidades e passa a compor para os outros – até o momento em que está pronto para fazer sucesso com o próprio nome.

Só que nem sempre essa progressão natural acontece – pelo contrário: muita gente rala horrores pra deixar o anonimato da composição e chegar no topo do sucesso como artista principal, mas não dá certo e o topo fica bem distante. Os motivos são inúmeros, e os exemplos de como às vezes essa transição não se converte em sucesso ou reconhecimento são vários. Esse é o tema do novo vídeo lá do canal Duas Tintas de Música no Youtube, usando três exemplos bem interessantes pra ilustrar as dificuldades desse jump. É só dar play (e não se esqueça de se inscrever no nosso canal!)

 

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Lançamentos da semana: do pior para o melhor

Essa quinta-e-sexta-feira teve uma quantidade tão grande de lançamentos pop que a gente tem até que respirar em pensar quais são as músicas e que artistas lançaram alguma coisa. Mas eu decidi juntar tudo num post só, com o velho combo de singles, só que com um diferencial: do pior material lançado até a melhor música divulgada neste fim de semana.

Esse é o meu top 4, veremos se será parecido com o de vocês 😉

4. “Switch”, Iggy Azalea feat. Anitta

Um dia a Iggy foi uma rapper ascendente com um som bacana, e que prometia ser a grande revelação na cena, a julgar pelas antigas mixtapes. O “The New Classic”, primeiro CD, foi aquele rap para neófitos, mais pop que qualquer outra coisa, que apesar do sucesso, não se converteu depois numa segunda era bem sucedida – pelo contrário, depois daquele CD, a queda da australiana foi uma das coisas mais rápidas e frenéticas já vista na popsfera.

Atualmente a mulher ainda está tentando lançar alguma coisa para o segundo CD, “Digital Distortion”, e até agora o que eu tenho consciência que foi single mesmo foi “Team“, que teve uma certa divulgação e algum buzz. O resto foi lançado daquele jeito, e nada foi tão interessante. Pra completar, todo single que a Iggy vinha apresentando parecia sem sal, sem apelo; e pior – agora com “Switch”, sem personalidade alguma.

Esse ritmo tropical já cansado, essa música batida, a Iggy cantando por cima do featuring … Aliás, Anitta foi desperdiçadíssima na faixa: parece uma backing vocal qualquer e o vocal ficou abafado por tanta camada e efeito que eu só percebi que era ela mesmo porque o timbre, mesmo em inglês (um bom inglês até), se sobressaiu. Mas sinceramente, se colocassem a Iggy com autotune no lugar não fazia diferença alguma.

Para a brasileira, o featuring valeu a pena para apresentá-la ao mercado americano de uma forma mais “oficial” (mesmo que o nome dela já esteja rodando aqui e ali, em matérias da Billboard e interações com artistas no twitter e no instagram), mas pra Iggy Azalea, é mais uma oportunidade desperdiçada numa música que é bem ruinzinha e esquecível.

(curiosamente, a parte mais marcante pra mim foi o pré-refrão da Anitta. A única coisa que tá na minha cabeça até agora de “Switch”)

nota: ⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Crying on the Cheap Thrills of You”, Camila Cabello

Quando você sai em carreira solo de uma boyband/girlband, onde geralmente as canções eram bem polidas e produzidas para gerar uma sonoridade generalista (pra não dizer outra palavra) e puxada para o público jovem, o que se espera é que o artista em questão mostre o motivo pelo qual ele ou ela se sentiu pronto/a para dar o jump e mostrar “identidade musical”. O Zayn, com o “Mind of Mine”, fez isso – quem imaginava que o menino do One Direction lançaria aquele petardo de álbum alt-R&B todo moody e misterioso?

Pois bem, depois de ver o vídeo de “Crying on the Club”, da Camila Cabello, duas coisas ficaram na minha mente. Uma é: alguém cancela a Sia, porque essa música é mais um derivado da fórmula “Cheap Thrills”/”The Greatest”, e pior, a faixa me lembra “Shape of You”, ou seja, música mais genérica não há! Pra piorar a situação, o delivery vocal da Camila tá muito parecido com o da Rihanna (como todas as últimas 1500 pop starlets tentam fazer – e a Pitchfork pontuou muito bem recentemente). Zero personalidade numa música que mesmo grudenta, é bem safe, bem “o que tá tocando por aí.

Aí a cidadã me lança um clipe (chatérrimo, aliás), onde a intro é com uma midtempo pop mega dramática, com um letrão daqueles, os vocais impecáveis; pra combar com “Cheap Thrills parte 3”. Quem é a gravadora da Cabello, minha gente, que não colocou “I Have Questions” de lead? Isso seria um tapa na cara maravilhoso de quem acha que a menina não tem identidade musical!

(btw, a melhor coisa de “Crying on the Shape of the Club” é o sample de “Genie on the Bottle” haha)

nota: ⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

 

3. “Swish Swish”, Katy Perry feat. Nicki Minaj

Primeiramente, mais uma música da Katy que não aconteceu, né? Eu tô impressionada com a era dela, porque nada deu certo – até mesmo o vídeo de “Bon Appétit”, que fez um barulho nas redes sociais, não ajudou no desempenho da faixa nos charts. Daqui a pouco a mulher lança o álbum e a gente só vai ouvir a imprensa caindo em cima e o público realmente desinteressado na Katy.

(ou seja, ela nunca conseguiu firmar uma base de fãs que a seguem aonde vai, a fã-base sólida e fiel que outras colegas tem aos montes, como a Lady Gaga, por exemplo)

Pois bem, “Swish Swish” é o single promocional do “Witness”, o novo álbum da californiana (que tem essa capa bem “teoria da conspiração”), e deve ser sobre a Taylor Swift né, só pra confirmar… Mas enfim, a faixa passa longe do “pop com propósito” ou daquele treco inominável que era “Bon Appétit”: é um dance-pop que lembrou uma versão mais pesada de “Walking On Air” (que a KATY NÃO LANÇOU COMO SINGLE NA ERA PRISM, desperdício!), uma letra debochada que rememora a velha Katy de “One of The Boys” e que tem um clima menos infantil que boa parte dos singles da moça desde “Teenage Dream”. É um pop adulto, divertido, despretensioso, com uma letra fácil e cheia de shades e um bom momento da Nicki Minaj, que como rapper anda tendo um ano criativamente tenso (aquela resposta à diss da Remy Ma foi ridícula…).

Infelizmente, apesar de crescer na gente igual bolo no forno, “Swish Swish” não chega perto daquele soco no estômago de outros singles da Katy Perry – sabe, aquela sensação de OMG QUE HINO de quando a gente ouvia “Teenage Dream”, “Hot ‘n Cold” e “Dark Horse”? Tá faltando aqui e nas outras faixas que ela trouxe nessa era. E o pior é que as músicas dessa nova era poderiam ser melhor trabalhadas, ou até retrabalhada com ganchos menores, mas o resultado final infelizmente é muito aquém do que a Katy poderia oferecer como uma das maiores hitmakers da década.

nota: ⭐⭐⭐/5 de ⭐⭐⭐⭐⭐

1. “Bad Liar”, Selena Gomez

Quando a gente fala de evolução dos artistas, não é apenas evolução de imagem (mais edgy, mais madura, ou conceitual); dizemos também sobre a evolução do som deles.

Neste momento, não dá pra pensar na Selena Gomez como aquela cantora fofa do pop adolescente da banda “Selena Gomez & The Scene como a mesma pessoa que canta “Bad Liar”, lead single do seu segundo álbum solo. “Bad Liar” é um pop fresco, diferente de tudo que tá tocando por aí. É uma música única por não ser tropical house, urban, EDM, ou um derivado da Sia.

A faixa, escrita por Selena junto com os hitmakers do momento Julia Michaels e Justin Tranter, usa de forma inteligente o sample de “Psycho Killer” do Talking Heads pra criar uma história de amor meio confusa entre Selena e o boy, com estrutura meio sincopada, alguns trechos falados, gemidos bem colocados, o refrão mais grudento do primeiro semestre e uma interpretação impecável da Selena. O que é essa menina hoje, que puta intérprete! É uma artista que conhece suas limitações, sabe trabalhar com elas e o que fazer com a própria voz.

O resultado é um dos melhores singles pop do ano, que recebeu praise da Pitchfork com uma “Best New Track” e a bênção do David Byrne, vocalista e guitarrista do Talking Heads e um dos artistas mais cultuados da indústria.”Bad Liar” mostrou uma evolução grande e surpreendente (a Interscope confia mesmo na Selena, porque a música tem risco, mesmo sendo extremamente pop), e me fez ficar ainda mais curiosa com o que  ela vai oferecer na sua segunda empreitada solo.

(agora, é fato que a Selena capturou o delivery vocal TODINHO da Julia Michaels no começo da faixa né haha)

⭐⭐⭐⭐⭐ de ⭐⭐⭐⭐⭐

Bonus track: “Strip That Down” (Liam Payne feat. Quavo)

Né… Enfim…

Zayn, Niall e Harry possuem vozes distintas e marcantes no ouvido do público comum, na hora de divulgar o material solo… Porque o Liam é lindo, mas tem o vocal tão marcante quanto um boi pastando.

Pra piorar, parece alguma coisa que o Justin Timberlake rejeitou e foi passada pelo Nick Jonas, que nem quis gravar; e ficou dentro do guarda-roupa do Justin Bieber. Que horror.

 

E você,  o que achou dos lançamentos da semana? Concorda com a ordem que eu listei aqui ou preferia outra música nas primeiras posições?

Anticlímax – Miley Cyrus, “Malibu”

Eu acompanhei a Miley Cyrus crescendo diante da mídia, com Hannah Montana, os álbuns como Miley, a explosão do “Bangerz” e a surpresa do Dead Petz. Acompanhei porque no auge do Orkut, as comunidades e os fakes da Miley vinham em quantidades absurdas, e quem vivia música pop também lidava com a ascensão das Disney Stars, e se elas conseguiriam fazer de forma bem sucedida o jump de child star para artista respeitável.

Posso dizer que hoje, eu mal me recordo dos tempos de Hannah Montana, nem da imagem que a Miley tinha naquele período. Ela conseguiu deixar pra trás aquela fase com muita maestria e bom conhecimento de cultura pop. É uma das grandes marketeiras da popsfera (e isso é um termo positivo), e eu a admiro por isso.

Por outro lado, todos nós crescemos e nos arrependemos das merdas do passado (às vezes não, às vezes a gente só queria ter feito alguma merda relevante pra ter uma adolescência digna de nota), mas levando em consideração que a gente aprende algo do passado pra levar pro resto da vida. Claro que nossa adolescência não foi sob os holofotes, mas crescer sempre é um processo difícil, especialmente quando você lança mão de determinados artifícios para amadurecer.

Antes de resenhar “Malibu”, lead-single do novo álbum da Miley Cyrus, gostaria de ressaltar uma coisa, que me incomodou bastante em 2013 e hoje continua me incomodando (e olha que 2013 eram tempos menos descontruídos pra todos nós): crescer é bom, mostrar que amadureceu melhor ainda, mas não negue, nem deixe de lado que você se apropriou e usou como fantasia e estereótipo uma cultura alheia pra ser vista como “madura” e “cool”. E isso a Miley fez; usando de todos os estereótipos possíveis ligados à cultura negra pra lucrar, pra depois se afastar de elementos que ela considerava “ruins” mas que em 2013 eram bem bacanas pra pagar de “crescida”. Assumir esse erro – ninguém assume. E isso é o que todo mundo está tentando levar em consideração e colocar na discussão, especialmente as publicações ligadas aos negros, como a Complex e o BET.

(curiosamente, eu nem acho o “Bangerz” ruim – fiz alguns comentários bem elogiosos certa feita, mesmo achando que o CD envelheceu mal)

Problema é: o que em 2013 passou, hoje não passa.

E ainda pra completar, o retorno da Miley à cena ainda tem como gênero-da-vez o country (um estilo musical que faz parte das raízes da jovem, nada mais justo que trabalhá-lo), mas tudo soa como “limpeza” de imagem – especialmente considerando a pegada conservadora do country lá nos States. Sabe, depois de ser “ratchet” com o rap, hora de se “adequar” cantando country.

(as críticas também são pautadas por essa mudança. E isso deve ser levado em consideração e pontuado sim, até mesmo pelos jornalistas que forem entrevistá-la.)

Após essa breve introdução, vamos à “Malibu“:

O single é um pop/rock praiano que lembra algo da Colbie Caillat e com ecos de Sheryl Crow. A letra é interessante, com referências ao retorno do seu relacionamento com o Baby Thor aka Liam Hemsworth. A vibe é bem fim de tarde de verão, luau na praia ao pé da fogueira, comecinho de romance com abraços furtivos ouvindo música no violão – ou seja, perfeita para o Hemisfério Norte. A voz da Miley funciona muito bem com esse tipo de música – ela tem um vocal de muita personalidade, a voz é marcante, você sabe exatamente quem é, assim que ouve.

No entanto… Apesar da vibe, a faixa me pareceu muito anticlimática, indo do nada ao lugar nenhum. Monótona, não explode, e a música fica no mesmo tempo o tempo todo, tirando do refrão (bom, fácil) todo o “momento” da música. Refrão é pra ser o centro das coisas, a explosão, ou o grande momento (ou mesmo quando tratamos do pré-refrão, a hora em que você segura a respiração para o big break)… O refrão aqui parece perdido no meio da melodia, e a música perde muito com isso.

Quando se tem uma música assim, é necessário que o clipe traga o “momento” que o single não possui. E o clipe de “Malibu” não ajuda. Chato, não é um vídeo que veria de novo. Ver a Miley de um lado a outro correndo na relva e na praia, na cachoeira e segurando balões ao som de um non-event como essa música não me atrai nem um pouco. Essa coisa meio only girl in the world só funciona se a música te leva junto, num crescendo que explode (como em “Only Girl in the World” da RiRi), e essa música não cresce, não acontece.

(especialmente no chart male-dominated de 2017, em que as faixas mais bem sucedidas são urban/hip hop e EDM pasteurizado a la Chainsmokers, “Malibu” é um risco calculado, e poderia ser mais marcante até por ser um risco)

Por fim, pode ser que faça sucesso (chegou ao #1 no iTunes) porque a Miley (que já tem performances engatilhadas no Billboard Music Awards e no Today Show Concert Series) sabe render as músicas, seja com performance, seja com a imagem; e além disso, ela tem uma fã-base bem sólida (ao contrário de outra act pop por aí), construída desde os tempos da Disney – gente que literalmente cresceu com ela. Só que eu vejo a possibilidade de hit diretamente relacionada à divulgação disso, porque a música em si é tão meh…

E vocês, o que acharam de “Malibu”?