Por que “Chained to the Rhythm” não aconteceu?

“Mas Marina”, você deve estar questionando, “a música tá no top 5 do iTunes, ainda tem lenha pra queimar”… 

Antes de mais nada, esse post tem mais perguntas que respostas, e que vocês podem ir questionando e lançando suas teorias aos poucos. Na verdade, eu até tenho umas hipóteses sobre o desempenho apagado do first single do novo álbum da Katy Perry (ainda sem nome), “Chained to The Rhythm”, uma faixa que aparentemente representaria um novo momento na carreira da californiana – um pop além do som comercial e criticado por soar infantil; um pop com “propósito”, mais “politizado”.

Mas no fim, minhas hipóteses são puramente chutologia. Hora de entender o que aparentemente deu errado, quais foram as razões, e se ainda há alguma chance para Katy.

O último CD da Katy foi lançado em 2013, “PRISM”. De lá pra cá, dois singles #1, alguns top 10, uma turnê bem sucedida e um Halftime Show bem recebido depois, a moça deu uma bela sumida, aparecendo apenas no ano passado, no período da Olimpíada, para lançar o single olímpico para as transmissões da NBC, “Rise”. Inicialmente, seria apenas mais uma música para divulgar os Jogos do Rio (SDDS Olimpíadas), mas aparentemente, a Capitol tratou como um lançamento sério, com direito a exclusividade na Apple Music (o que no fim afetou o desempenho da faixa no Spotify, e por consequência, nos streamings em geral), assim como uma apresentação bem bacana na Convenção Democrata pra escolha da Hillary Clinton como candidata à presidência dos EUA. Além disso, “Rise” ainda contou com um vídeo bem produzido (além do clipe feito pela BBC com momentos de atletas de competições passadas), ou seja, para muitos, foi tratado como um single.

E muita gente acreditou que “Rise” era um “balão de ensaio” da gravadora pra ver como a Katy se sairia com um single mais grandiloquente e menos óbvio.

No entanto, se a Katy tivesse deixado a faixa viver a vidinha dela sendo só “Olympic Anthem”, okay. Mas creio que “Rise” matou muito do buzz da californiana para o verdadeiro comeback. Uma música que ninguém entendeu direito se poderia ser tratado como single ou apenas uma música olímpica, e que acabou tirando aquele caráter de “surpresa” que uma volta da Katy proporcionaria.

Mas… E se a Katy não tivesse lançado “Rise”? Se ela tivesse lançado o comeback single em 2016, tempo suficiente para manter o buzz e não ser esquecida? Olha quantas coisas aconteceram, olha a leva de pop acts chegando (Zara, Dua Lipa, Anne Marie, a Camila Cabello, Alessia Cara). Porque você sabe, a Katy não é uma artista de massa – ela depende de uma fã-base, fã-base essa sempre jovem e adolescente. Com uma demora nos lançamentos, ela perde terreno para acts mais jovens e fresh no pop (a lista tá lá em cima); e você sabe, adolescentes um dia crescem. Nem pra fazer um featuring nesse meio tempo pro pessoal ainda lembrar a existência.

O caso em comparação aqui para entender o erro da Katy em relação ao timing (e que vou repetir algumas vezes na discussão) é o do Bruno Mars – outro hitmaker que demorou para fazer o comeback (quatro anos, pense bem). Só que 1. o homem apareceu em todo canto quando “sumiu” (“Uptown Funk” OI, aquele Halftime dele e da Beyoncé), então ele não estava necessariamente desaparecido numa caverna; 2. o principal: a fã-base é diferente. Por mais que não seja um grande vendedor de discos na primeira semana, os CDs estabilizam muito as vendas e os dois primeiros CDs do Bruno tem grande vendagem no fim das contas. O homem é artista do povão – ele atinge de criança a velho, todos os gêneros e raças. A Katy precisa do público jovem, e os jovens são volúveis. Se demorar muito, eles te esquecem.

 

Primeiro single de um comeback esperado? Tem que fazer a rota das rádios, especialmente quando o single não é fácil – logo vou explicar a razão. Tem que fazer pelo menos um talk show, cantar na Ellen, no Jimmy Fallon, na final do The Voice. Eu sei que as A-Lists estão largando de mão a divulgação, mas a Katy sempre foi uma artista que divulgou, sempre deu sangue pelas músicas, especialmente pelo material ser extremamente comercial. Pior que a Katy não é uma grande performer, então com divulgações muito esparsas (Grammy e iHeart Radio Awards, nos EUA; e o BRIT Awards na Inglaterra), fica difícil a música acontecer também. A cada performance, a faixa pelo menos ficaria na cabeça das pessoas e dava pra sugar até virar bagaço. Mas pior – a cada performance, a qualidade vocal da Katy piorou e muito.

(curiosamente, a Capitol fez um acordo com o Spotify onde a faixa seria tocada em várias playlists do serviço. Até ajudou num desempenho aceitável nos streams, não o suficiente pra dizer “QUE HIT!!!”. É como o famoso jabá das rádios – o dinheirinho inicial dá o empurrão, mas se a música não cair no gosto do povo, não tem deal com as rádios que dê jeito.)

Se ela promovesse mais, poderia melhorar até o jeito que ela canta “Chained to the Rhythm” e trazer novas versões (acústico, ou versão rock) que se adequassem mais à Katy. Não sei, a impressão é de que – ou confiaram demais no potencial hitmaker dela, ou escolheram ocasiões específicas esperando que resolvesse a situação. Mas a Katy é artista pra vencer pelo cansaço, não é do tipo que vende com performance. Lady Gaga vende com performance, (ele de novo) Bruno Mars vende com performance; até o Ed Sheeran sedento pelo #1 tá aprendendo a ser promo-sensivity.

(pra não dizer que não teve presença, e aquele viral FAIL das bolas espelhadas?)

 

Eu gosto de “Chained to the Rhythm”. A música tem uma ironia fina escondida por uma faixa upbeat, só que menos uptempo que outras coisas lançadas pela Katy. O featuring do Skip Marley é uma presença válida e relevante num mundo de feats desnecessários – especialmente porque ele traz força e reiteração da mensagem através ds versos da Katy – mas sinceramente, CTTR não tem a mesma força de uma “I Kissed a Girl”, “California Gurls” ou mesmo “Roar”, super derivativa. A faixa não inspira muita confiança – você não sabe pra que serve a música: se é música pra inverno, faixa pro verão, música de festa, ou faixa viral pra render streaming. A única coisa que deu certo foi a lyric dos ratinhos; porque nem o clipe cheio de easter eggs viralizou pra incentivar o pessoal a repetir as views.

“Chained to the Rhythm” é anticlimática, tem cara de fim de festa. O top 10 foi até bom pra música. E talvez as pessoas tenham percebido, o público não é bobo.

A gente volta a falar do fato da demora dela, como representante desse pop mais comercial, leve e despreocupado, ter afetado a carreira da Katy a um longo prazo. Como eu disse, já tem muita novata, fresh e jovem, fazendo um som carefree que é representativo da Katy – e nisso entra o horroroso componente do ageism, já que a Katy tem 32 anos, perto dos 33, e a cada ano em que as acts femininas ficam mais velhas, menos elas tocam na rádio (já contei sobre isso outra vez aqui). Para as rádios, se tem acts mais novas fazendo um som comercial, porque ouvir Katy Perry, que voltou com uma música aparentemente “sem graça” e “politizada”?

Pra completar, com esse distanciamento da Katy, sem promoções e exposição massiva da figura, nem parece que uma das maiores hitmakers dos últimos anos voltou. Agora, com as promos no iTunes e uma ação da Capitol, eles estão tentando dar uma chance de sobrevivência à música, que está caindo igual a fruta madura no Hot 100. Eu não sei se continuaria insistindo numa música que não aconteceu – mas ao mesmo tempo, ela poderia cair na “24k Magic Situation” – (ele de novo) Bruno Mars performou essa música tanto, mas tanto, mas tanto, que as performances ajudaram a faixa a se manter no top 10 da Billboard. Sugou até o osso e depois saiu feliz para o segundo single, mais fácil de trabalhar, e com mais potencial viral.

Mas, novamente: Katy não é uma grande performer, e não é uma artista de massa. Apenas se ela tivesse performando, divulgando e sendo capa de revistas (cadê o SNL?), CTTR poderia conseguir essa “sorte” do colega hitmaker havaiano.


Tempo de lançamento demorado aka sumiço longo? Falta de exposição e divulgação maciça? Música que não “pega”, não “gruda”? Saturação da artista? O que você acha que está relacionado a “Chained to the Rhythm” não ter “acontecido”?

Não tô chamando de flop, estou chamando de uma música que “não pegou”, um primeiro single de desempenho apagado que poderia ser melhor, julgando pelo nome envolvido… Ou foi flop?

So many questions… Qual a sua teoria?

(aproveite e veja o clipe da música que Katy tá precisando)

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Lançamentos da semana [1] Zayn, Iggy, Guetta, Kendrick

Neste final de semana, vários lançamentos de singles agitaram a popsfera, que está com um 2017 meio lento. O álbum pop mais bem sucedido foi o do Ed Sheeran (praticamente um anticlímax) e a primeira megastar de vulto a fazer seu comeback, Katy Perry, virou praticamente um não-evento (falarei mais sobre ela na hora oportuna). Por isso, exceto pelos suspeitos de sempre que já vem emplacando seus hits desde o ano passado (Chainsmokers, Bruno, a Gaga – se escolher bem o próximo single), quem pode ter em mãos o próximo hit que vai embalar o verão americano – ou ser a música-tema de 2017?

Vamos aos candidatos:

Zayn feat. PARTYNEXTDOOR – “Still Got Time”

Pois é, parece que alguém é mesmo one hit wonder. O primeiro single do segundo álbum do britânico é outro não-evento. O choque maduro e intrigante de alt-R&B que foi “PILLOWTALK” foi substituído por essa letfover do Drake com trend tropical que ninguém aguenta mais. “Still Got Time” é bem qualquer coisa, apesar do refrão repetitivo, e eu realmente esperava mais, porque o “Mind of Mine” é um excelente álbum de estreia para um ex-membro de boyband.

Por enquanto, a música está penando um pouco nas plataformas – creio ter duas razões pra isso: primeiro, o estouro de “PILLOWTALK” (que fez muita gente acreditar que o Zayn fosse um celebrado hitmaker) veio na esteira da separação do rapaz do One Direction, e meio que tava TODO MUNDO esperando o que ele ia aprontar (só que o buzz do #1 se perdeu com a pouca divulgação, gerada pelo problema de ansiedade que ele tem, o que é absolutamente compreensível); e segundo, o buzz da volta do Zayn foi eclipsado pelo próprio sucesso da faixa dele com a Taylor Swift pro “Cinquenta Tons Mais Escuros”, que é um hit ainda quente nas paradas. Dava pra esperar um pouco mais.

Chances de sucesso? A música é da trend, né (DENISE EU NÃO AGUENTO MAIS), e o featuring é com um artista em ascensão na cena urban, o que garante streams e audições em rádios do gênero. Além disso, a música tem uma certa pegada de “playlist ‘pegue uma praia’ do Spotify”, o que pode ajudar com ouvintes casuais ouvindo a faixa em listas de reprodução. Ou seja, há chance de sucesso, mas depende muito da divulgação e se o público ainda é capaz de abraçar esse tipo de sonoridade, que já está saturando os nossos ouvidos.

Iggy Azalea – “Mo Bounce”

Pra quem tá cansado de conceito (já viu que a popsfera tá toda conceitual-quero-ser-séria?), tinha que ser Iggy Iggz pra trazer a farofa! Depois do fracasso de “Team” (que era até boazinha) e vários adiamentos e músicas avulsas lançadas, Iggy Azalea lança o que provavelmente deve ser o primeiro single do novo CD (que ainda vai se chamar “Digital Distortion”) e ainda com o clipe, misturando twerk, Iggy fazendo carão e crianças fofas dançando ao som da música (sim, estou falando sério, aperte play e veja).

“Mo Bounce” não tem nada demais, aliás, deve ser o material mais fraquinho que ela já lançou, mas a batida meio eletrônica meio urban é perfeita pra dançar na pista até o dia amanhecer. Tem pinta de música do verão, viral e hit no Spotify…

No entanto, se fosse com outra rapper, essa faixa seria o maior sucesso – mas a imagem da Iggy está tostadíssima. E eu até acho que o momento dela já passou, mas talvez com um bom jabá e performances nos lugares certos, pode chegar ao top 10 da Billboard.

 

David Guetta feat. Nicki Minaj e Lil Wayne – “Light My Body Up”

Segura a farofa! David Guetta está de volta com a trilha sonora da sua balada com “Light My Body Up”, parceria com Nicki Minaj e Lil Wayne, um EDM dentro da moda atual de ser mais stripped down do que upbeat até entupir a gente de Yoki. Desta vez, as batidas tem uma pegada mais trap, o que é bem-vindo, e é impressionante como a Nicki funciona bem com o material do Guetta.

Clássica música que fica ótima ouvindo na balada, academia (mas nunca numa audição aleatória enquanto você está no meio do engarrafamento num busão lotado), novamente traz a Nicki num vocal processado (o que é uma pena, porque a singing voice dela é bem cativante), tanto que em alguns momentos eu fico na dúvida de que ela canta todos os versos mesmo (Bebe Rexha situation); assim como os versos nonsense do Lil Wayne (sério, ainda preciso entender a função dele na faixa) estão cheios de efeito – mas pra quem ouviu aqueles singles rock do “Rebirth”, os ouvidos estão acostumado. Ou seja… é farofa? é. Tem jeito de hit? com certeza.

Kendrick Lamar – “The Heart Part 4”

ALGUÉM ANOTOU A PLACA DO CARRO? Que atropelo é esse, meus irmãos? Durante a semana, Kendrick Lamar já tinha dado uma “dica” de algo novo com o post dele no Instagram mostrando o número “IV” num fundo preto, mas quem imaginava que isso ia acontecer? “The Heart Part 4” é mais uma faixa da “The Heart” series que o K-dot sempre lança, ora como faixa avulsa, ora como parte de mixtape. Essa faixa, que sampleia James Brown e Faith Evans, é um tiro de bazuca maravilhoso que mostra – o homem tá de volta, e vem pra derrubar forninhos. Diss no Drake e no Big Sean, muita autorreferência ao lado dos melhores (e ele pode) e críticas políticas mostram que o próximo material do Kendrick vem tinindo, um novo clássico chegando.

Eu adoro como a música vai numa ranting sem parar, e a mudança no ritmo não afeta em nada a audição, só empolga você a ouvir o que ele tá falando, e como é bom ter o Kendrick de volta pra fazer a trilha sonora do nosso zeitgeist. A gente precisa ouvir K-dot falar, 2017 precisava dele e nem sabíamos disso. E o povo estava tão sedento por ele que a faixa chegou ao #1 do iTunes quando foi lançado ❤ imagina quando chegar dia 07 de Abril, porque ele deixou registrado no fim da música que “Y’all got til April the seventh to get y’all shit together”

CORRE DRAKE

E aí, qual dessas quatro músicas você curtiu mais?

Pop baunilha – Ed Sheeran – ÷

Nas últimas semanas, vocês já devem ter tido acesso à célebre resenha do novo álbum do Ed Sheeran, “÷” (lê-se “divide“), feita pela conceituada Pitchfork (spoiler: a publicação deu 2.8 ao CD, menos que o pavoroso “Nine Track Mind”, do Charlie Puth). Mas será que o novo álbum do ruivo é tão ruim assim?

Antes da resenha, é importante dizer que durante a divulgação do álbum, Ed deu algumas declarações no mínimo estranhas para um pop act – como dizer que “abaixo de Adele, só ele vendeu discos” e que “agora tem vários cantores-compositores e que eu estou muito feliz por todo mundo, mesmo que eles copiem tudo que eu tenho feito” (foi mais ou menos isso que ele disse, como se Ed Sheeran fosse o rei da originalidade). Pois bem, pra quem se arvorou o criador do WGWG (Bob Dylan foi uma alucinação coletiva,  I guees), o material do moço é bem aquém. Especialmente o “÷“, que é até um improvement em relação ao snoozefest que era o Multiply (que dor ouvir aquele CD que foi indicado ao Grammy!!!!), mas não tem nada de diferente, curioso ou groundbreaking em relação a outros male acts e parece um pop baunilha, pronto pra consumo nas rádios, tocar na novela e ganhar “respeito” do Grammy que vai indicar esse CD a qualquer coisa porque é puro middle-of-the-road.

Pois bem, dá pra ver que eu não gostei do CD né. Bora pro track-by-track:

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Ainda tentando entender – Lorde, “Green Light”

lorde-green-light-2017-2480x2480Vocês se lembram da Lorde, adolescente prodígio que tomou o mundo pop de assalto em 2013 quando lançou “Royals”, hino dos adolescentes comuns; juntamente com o celebrado “Pure Heroine”? Aquela garota talentosa, com habilidades de composição avançadas para a idade e com entrevistas até certo ponto polêmicas (toda semana os fóruns de música surtavam com a Lorde criticando alguma A-List do momento) levou para a Nova Zelândia dois Grammys (incluindo o prestigiado Canção do Ano) e muitas expectativas sobre o próximo trabalho. Afinal de contas, a garota de 16 anos que via o mundo por uma perspectiva de outsider era parte do círculo de celebridades de Hollywood, parte do squad de Taylor Swift, participando de featuring com o Disclosure e ainda produzindo a trilha sonora de Jogos Vorazes – A Esperança parte 1. Ou seja, qual seria o conteúdo que Lorde traria para o seu novo álbum?

Pois é, a neozelandeza chegou mais madura, e dançando com o “jeitinho Lorde” de ser através do single e vídeo para “Green Light“, primeira música de trabalho do segundo álbum, “Melodrama” (é, no fim do dia todo mundo é adolescente ainda).

O vídeo mostra que aquela menina cresceu, vai à balada, dança ao som da música do iPhone e em cima do carro que ela pediu no Uber (o que é bem diferente da jovem outsider de “Royals” ou “Team”). Meu problema é com a música mesmo. A faixa tem uma construção esquisita, com o verso-verso-ponte-refrão parecendo três músicas diferentes num single só. Pra completar, o refrão não é tão catchy e a música parece ame ou deixe: ou você acha foda ou você detesta. Até o momento eu só tô ouvindo pra escrever essa resenha, porque tô bem indiferente à canção.

Além disso, ainda tô tentando processar a letra – já que estamos tratando de uma compositora laureada. Aparentemente, trata-se de uma desilusão amorosa, mas apesar de alguns bons insights, como em
“All those rumors, they have big teeth
Oh they bite you
Thought you said that you would always be in love
But you’re not in love no more”

 

mas no fim não ficou tão bom. Eu não sei, eu queria ter gostado, mas tudo parece tão meh.

Sobre o sucesso, depende: ela ficou fora da cena por quatro anos, apenas com aparições esporádicas em featurings e a participação na trilha sonora do Jogos Vorazes; mas evidentemente esse tempo deve se refletir tanto no crescimento pessoal dela quanto na maturidade musical da menina. Além desse “abraço” do público a esse novo trabalho e à “nova Lorde”, ainda tem a parte da divulgação – ela foi esperta em lançar single e clipe, colocar direto no Spotify (ou seja, STREAMS!!!)  e parece já ter um mega acordo com as rádios (sem contar promo no SNL).

Por isso eu disse “depende”. A música é muito ame-ou-deixe, pode ser que estoure e tire o Ed Sheeran do #1 ou fique lá lutando com os a-lists no top 10.

E você, o que achou?

Design de um top 10 [34] O que aconteceu? Estava lavando o cabelo em Estocolmo

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Literalmente, se assim posso dizer.

Pois é, após uma viagem a temperaturas entre -1° e 3° (e finalmente conhecer a neve), não sem antes tweetar sobre o Grammy (e todo aquele final anticlimático em Album of the Year), hora de recuperar o tempo perdido e começar de fato 2017 – porque o ano sempre começa após o Grammy – com a situação dos charts neste início de ano, onde já podemos colocar Ed Sheeran com o primeiro grande hit pop do ano, entre os A-Lists. Afinal de contas, o ruivo conquistou a plataforma do futuro presente: os streamings.

Com sete semanas não consecutivas em #1, é o óbvio primeiro sucesso de 2016; mas temos outra turma de artistas classe A por aqui que com certeza vão dar muito trabalho em 2017 – além dos sucessos via stream com os quais vocês precisam se acostumar. Bem-vindo à nova era!

Top 10 Billboard Hot 100 (11.03.2017)

#1 Shape Of You – Ed Sheeran

#2 Bad and Boujee – Migos featuring Lil Uzi Vert

#3 I Don’t Wanna Live Forever – Zayn & Taylor Swift

#4 That’s What I Like – Bruno Mars

#5 Closer – The Chainsmokers feat. Halsey

#6 Paris – The Chainsmokers

#7 Love On The Brain – Rihanna

#8 Chained to the Rhythm – Katy Perry feat. Skip Marley

#9 Bounce Back – Big Sean

#10 Bad Things – Machine Gun Kelly x Camila Cabello

 

ed-sheeran-shape-of-youShape of You“, o outro lado do single duplo do novo álbum do Ed Sheeran, “÷” (que pronuncia-se divide), está estourado, em #1 no iTunes, destruindo nos streams (onde o Ed é poderosíssimo desde o “X”) e vem sendo muito bem recebido nas rádios, onde está em #1 no Pop Airplay, Adult Pop Songs e evidentemente na Radio Songs. A música, que também pode ser conhecida como “Cheap Thrills parte 2”, é super catchy e tem cara de sucesso, e a julgar pelo desempenho da música, será um ótimo lead para um terceiro CD extremamente bem sucedido em 2017. Será que o ruivo será o grande nome do pop neste ano?

Enquanto isso, o outro single do Ed, “Castle on the Hill”, peakou na estreia em #6 e neste momento está na 66ª posição. Uma pena, porque a música é cativante e bem melhor do que “Cheap Thrills parte 2”.

 

Se o britânico domina todas as plataformas de música neste começo de ano, os streamings estão como os principais migos-bad-and-boujee-gifresponsáveis pela subida de “Bad and Boujee“, do grupo de hip hop Migos, com featuring de Lil Uzi Vert. A música, que subiu feito um furacão viral e ficou em #1 no Hot 100 da Billboard por três semanas não-consecutivas. Como você sabe, quando a faixa é viral, o consumo é rápido, mas quando os streamings abraçam de verdade, não tem iTunes que venha de encontro. “Bad and Boujee” está em primeiro nos charts de stream há NOVE semanas, mas tem desempenhos moderados nas rádios e no digital, neste momento. Mesmo assim, é lider nos charts de hip hop, o que ajuda a manter a faixa nas primeiras posições do chart. O retorno à segunda posição só reforça isso.

Não é a minha faixa favorita do mundo e tampouco faz o meu gênero, mas é sempre bacana ver uma faixa de rap menos pop e mais “raiz” fazendo sucesso, sem fazer concessão a algum featuring pop ou pandering pra um público crossover. É original na sua pegada mais tradicional, e segue novamente a tendência de hits massivos nessa linha mais noventista, mais seca, do rap, como “Trap Queen” e “Panda”.

 

bm-24k-3Crossover, curiosamente, é o sucesso de “That’s What I Like”, do Bruno Mars. Amparado por uma excepcional performance no Grammy e subidas cada vez mais consistentes nos charts, a faixa chegou à quarta posição no Hot 100 e ainda nem tem vídeo! Digo “crossover” porque, apesar da música ter a mesma pegada R&B de todo o material do terceiro CD do havaiano, tem um apelo mais pop que outras músicas do curtíssimo álbum, e consegue atingir a todos os públicos – do mais R&B, que abraçou mesmo o material – tanto que no chart do estilo, está há duas semanas em #1 (primeiro topo do Bruno no gênero) – ao público pop que sempre esteve com ele desde o primeiro álbum. “That’s What I Like” só faz crescer nos charts, e tem chances fortes de ser o primeiro #1 da era – basta um bom clipe e uma divulgação on point, já que o Bruno é altamente sensível à promo: ou seja, o público o consome de uma forma diferente: não são fãs die-hard, são consumidores casuas que ouvem, gostam do material e compram/ouvem/pedem na rádio.  Meio artista à moda antiga.

Aliás, a música é a décima-terceira do moço a chegar ao top 5 na década, empatando com a Rihanna. Selo hitmaker comprovado.

 

E se vocês pensaram que a banda Closer, quer dizer, The Chainsmokers, sumiria após o sucesso estrondoso do hino the-chainsmokers-gifdo fim do verão, enganam-se! O duo EDM lançou “Paris” e a faixa chegou à sexta posição na Billboard Hot 100.  Apesar do excelente resultado, em quem vocês devem prestar atenção não é nesta música (que no digital já sumiu de circulação), e sim na parceria com o Coldplay (!) com “Something Just Like This”, que estreou em #56 no chart e nas vendas digitais, debutou na vigésima-primeira posição. No iTunes, a faixa está em segundo, atrás apenas do hit “Shape of You”. Ou seja: cuidado, eles estão chegando.

Quanto a “Paris”, a música não é um bom follow-up pra “Closer”, que bem ou mal era uma música grudenta com um break pronto para os remixes. Essa música não vai pra lugar nenhum. Já a faixa com o Coldplay é bem legal (sim, é boa) e acho que tem futuro neste fim-de-inverno-começo-de-primavera-americana – e ainda segue o padrão desse EDM que o The Chainsmokers vem fazendo, mais mid e menos bate-estaca.

 

katy-perry-gifE após uma boa estreia na quarta posição, a Katy Perry caiu quatro casas no tabuleiro do Hot 100 e está em oitavo com o lead single do novo álbum, “Chained to the Rhythm“, feat. Skip Marley. O problema é que a “boa estreia” está disfarçada por um desempenho bem abaixo do esperado para uma hitmaker como a Katy (por exemplo: a música nem chegou ao #1 no iTunes, está mal nos streams – apesar do acordo massivo com o Spotify, e dizem por aí que a música já começou a tocar nas madrugadas das rádios americanas, quando pouca gente está ouvindo música), e nem o clipe (excelente, aliás) deu resultado. Acredito que nem com uma promoção constante a faixa vai bombar na boca do povo, o que é uma pena – é uma grande canção pop, onde a Katy mantém a pegada pop que sempre teve nos trabalhos, com uma letra inteligente e de crítica sutil; e o clipe prossegue com a Katy usando sua já tradicional estética fun a serviço de um vídeo que em alguns momentos se torna assustador, quando se observa o que ela realmente está dizendo.

Sabe o que é o pior? A música realmente não foi comprada pelo grande público. Acho que nem um Carpool Karaoke com o James Corden dá jeito. 😦

 

Mas se vocês quiserem contribuir para o sucesso da Katy Perry (ou ainda não ouviram a faixa), aproveitem e confiram o vídeo “Chained to the Rhythm”. É só dar play!