As narrativas do Grammy [3] Gravação do Ano

banner-roty-2017

No Big Four do Grammy Awards, as narrativas nunca estão sozinhas, elas dependem dos entrechos de outras categorias. Quem ganha em seus fields nas categorias de song/performance tem mais chances aqui; e discutindo os álbuns, quem leva o field tem meio caminho andado para o principal prêmio.

Falando em Gravação do Ano, que celebra as melhores produções do período de elegibilidade, trata-se de uma categoria onde os grandes sucessos se encontram. Mas também temos narrativas aqui, e 2015-16 foi um momento em que as bolhas social e musical se mesclaram de uma maneira surpreendente especialmente no big 4 – o  que pode criar algumas narrativas e divisões interessantes (ou surpresas imprevisíveis) no grande dia. Algumas dessas narrativas continuarão resistindo, outras não.

Hora de falar dos indicados, com análise após o pulo:

GRAVAÇÃO DO ANO:
“Formation” – Beyoncé
“Hello” – Adele
“7 Years” – Lukas Graham
“Work” – Rihanna Feat. Drake
“Stressed Out” – twenty one pilots

Continuar lendo

Dividido ao mesmo tempo agora – Ed Sheeran – Castle on The Hill / Shape of You

Nem me lembrava mais de que pessoas lançavam singles simultâneos, e que isso era a “thing”, mas na última sexta-feira, Ed Sheeran me provou que esse tipo de coisa na era do streaming ainda era possível – e dá certo – com o lançamento dos singles “Castle on the Hill” e “Shape of You”, do seu novo álbum “÷” (pronuncia-se “divide”). Afinal de contas, duas músicas lançadas ao mesmo tempo podem alienar os consumidores, especialmente se eles preferirem uma canção à outra.

No entanto, o que prova o desempenho das duas faixas no iTunes e nas outras plataformas de música é que, quando você é uma das forças musicais dos últimos anos (especialmente no Spotify) como o ruivo, ter duas músicas rolando por aí é um ganho. Especialmente quando são músicas diferentes em estilo, mas que funcionam bem pro Sheeran e em um caso, surpreende por não ser o que tá tocando exatamente na rádio.

Castle on the Hill –  a sonoridade aqui é mais pop/rock anthem, aquela música pra todo mundo cantar e pular junto na plateia no melhor momento do show. Me lembra algo do Mumford & Sons, e a letra é uma graça, super evocativa e nostálgica – a bridge me faz lembrar daquelas vezes que você quer ver o que os seus colegas da escola estão fazendo da vida depois que saem da escola. É real, é a gente, é a nossa vida.

Aliás, nem parece o vocal do Sheeran aqui, e se eu não soubesse de antemão que ele tinha lançado single, acharia que se tratava de outro artista. Achei a música muito boa, diferente do que tá tocando na rádio (e essa coisa fresh é tão, mas tão boa!), e ainda bem que está fazendo sucesso. Merece muito, porque “Castle on the Hill” é aquela música que vai ficar na sua cabeça e ser trilha sonora da sua vida por anos.

Shape of You – CHAMA A SIA QUE ROUBARAM SUA MÚSICA. A intro é muito “Cheap Thrills”, mas o resto da canção segue um ritmo diferente; mas mesmo assim, ainda é estranho. Não que a música seja ruim; a faixa é boa, dá pra dançar um pouco, e ao contrário de “Castle…”, é justamente a trend musical do momento, com um certo toque pessoal do próprio Ed, e uma letra bem graciosa, pra não dizer simples, mas bem efetiva, especialmente no refrão. Conquistar a menina na balada nunca foi tão charmoso (se bem que não dá pra imaginar Ed Sheeran na boate xavecando ninguém ao som dessa música).

No entanto, “Shape of You” me decepcionou um pouco justamente por ser mais do mesmo. Essa trend tropical já tá dando sinais de saturação, meio mundo já lançou música nesse estilo, e o cara me lança o outro lado do single simultâneo uma faixa que segue justamente a trend mais usada do ano passado? E ainda numa sonoridade perigosamente similar ao hit de outro artista? Se o Ed tivesse procurado um outro caminho dentro do mesmo estilo, eu poderia até questionar a trend, mas o aplaudiria pela inteligência; mas a impressão que ficou aqui é que ele jogou no seguro muito bem.

Resumo: não sei se esse é o pensamento dele, ou se é o conceito do próprio CD (“divide”, dividido em dois? dois estilos? dois modelos? duas sonoridades?), mas achei que ele optou pelo lançamento simultâneo como um risco extremamente calculado. “Castle on the Hill” é mais “arriscada” que a Cheap Thrills; então, fica mais fácil lançar as duas faixas e se a primeira não bombasse, você teria a segunda para segurar o começo da era. Teria o risco das duas floparem porque, afinal de contas, qual single priorizar? Teria, por isso é que é um risco calculado, e que deu muito certo. Especialmente porque as duas músicas são muito boas, e o Ed Sheeran ganhou uma aceitação muito grande do público justamente no momento certo: na ascensão dos streamings como uma força a ser reconhecida no consumo de música.

No entanto, ele podia ter sido mais inspirado na dançante do CD, né?

E vocês, o que acharam?

As narrativas do Grammy [2] Melhor Performance Pop por um Duo ou Grupo

banner-performance-pop-duo-grupo-2017

A categoria de Performance Pop por Duo ou Grupo é sempre um espaço onde os grandes hits se encontram, já que a narrativa mais recente do pop acabou girando em torno das colaborações (e curiosamente, esse encontro entre as categorias antigas – Colaboração Pop com Vocais e Melhor Performance por um Duo ou Grupo com Vocal, junto com a categoria instrumental – é algo que fez mais sentido que juntar as categorias de gênero numa só), e como esses encontros fizeram sucesso e lançaram carreiras (a trajetória de um dos últimos vencedores nessa categoria se deu justamente por causa de um featuring). Por isso, é sempre interessante ver quais são os nomes que aparecem aqui no corte final do Grammy, especialmente porque durante as minhas previsões, essa categoria era algo tranquilo que virou uma grande confusão… E cujo candidato favorito da pessoa que vos escreve mal chegou na lista final.

Pois bem, diante de grandes hits que dominaram um ano curioso, em que lembramo-nos muito mais dos artistas como entidades únicas do que das colaborações entre eles (sorry, mal me recordo da dupla Closer), o hit com envolvidos mais poderosos da indústria pode ser o vencedor natural da categoria.

Por isso, a narrativa aqui é: quem tem chances de tirar o Gramofone das mãos de Rihanna e Drake?

Primeiro, os indicados:

Best Pop Duo/Group Performance
“Closer” – The Chainsmokers Featuring Halsey
“7 Years” – Lukas Graham
“Work” – Rihanna Featuring Drake
“Cheap Thrills” – Sia Featuring Sean Paul
“Stressed Out” – Twenty One Pilots

Agora, a análise!

Continuar lendo

As narrativas do Grammy 2017 [1] Melhor Performance Pop Solo

 

banner-performance-pop-solo-2017

O Grammy, como qualquer outra premiação, é construído por narrativas, que vão se descortinando durante o ano (de elegibilidade) até chegar ao ponto de explosão – o momento das indicações, quando as histórias que acompanhamos (o grande comeback, o grande álbum, o coming-of-age, o azarão) se encontram numa categoria para definir qual é a história que a Academia decidiu comprar e adotar.

Dessa forma, as narrativas que se apresentam para a categoria de Melhor Performance Pop Solo, onde se encontram as duas grandes artistas femininas do ano – Adele e Beyoncé – estão entrelaçadas pelas histórias delas, de outros artistas em destaque e das tendências musicais de um período curioso para a música pop, onde vemos aspectos técnicos, artísticos e sociais se misturando dentro da cultura pop.

Primeiro vamos aos indicados!

Best Pop Solo Performance
“Hello” – Adele
“Hold Up” – Beyoncé
“Love Yourself” – Justin Bieber
“Piece By Piece (Idol Version)” – Kelly Clarkson
“Dangerous Woman” – Ariana Grande

Agora é a hora da análise!

Continuar lendo