É ótimo, mas podia ser menor – “Starboy” (álbum), The Weeknd

the-weeknd-starboyO sucesso inebria, nos coloca no topo, e oferece um mundo novo e excitante de conquistas e sensações. A percepção de “consegui” que deve ter sentido Abel Tesfaye aka The Weeknd após finalmente estourar para o mainstream com o “Beauty Behind the Madness”, com aclamação de crítica e público, além de Grammys, deve ter sido absurda. O canadense, com uma fã-base mais alternativa, viu-se como um act A-list no jogo pop, com a mistura de R&B, alt-R&B e influências pop que, mesmo com alguns missteps aqui e ali, manteve a sua identidade diante de antigos e novos fãs.

Com o álbum subsequente, “Starboy”, Abel coloca sua musicalidade em outro nível – com uma coesão mais acertada e fechada que no BBTM (que tinha um meio de campo problemático), podemos chamar esse novo álbum de um trabalho conceitual, em que as letras e as produções de pesos pesados da música como Daft Punk, Max Martin e Diplo, e participações especiais de Kendrick Lamar, Future e Lana del Rey, oferecem uma história em que “Starboy” (The Weeknd) alcança a fama e com a fama, abre-se um mundo de luxo, dissipação, tentações, drogas e amores conquistados e perdidos por meio das letras e da ambientação misteriosa, sensual e melancólica. Um trabalho intrigante, que peca por um erro fatal – a duração do álbum.

Hora do track-by-track!

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Rádio FM à meia-noite – “24k Magic”, Bruno Mars

essa capa tá doendo os meus olhos
essa capa sempre vai doer os meus olhos

Quando eu tinha uns 12 anos, antes de dormir eu sempre ligava o meu walkman (em 2002 ainda tinham essas coisas). Era um Aiwa, que me acompanhou desde os sete anos, e estava sempre ao lado da cama, sintonizado nas rádios FM aqui de casa, naqueles programas de fim de noite, tipo “Love Story”, “Momentos de Amor” e similares. Não que eu fosse uma menina romântica (na verdade, nunca fui – minha Lua em Aquário e minha Vênus em Gêmeos sempre me impediram), mas eu adorava aquelas músicas antigas que tocavam. Marvin Gaye, Lionel Richie, Brian McKnight. Seal, Boyz II Men, Bobby Brown, Rick James, Smokey Robinson, Jermaine Jackson, Rick Astley, Gregory Abbott, e a lista segue. Os clássicos dos anos 80 e 90 se misturavam na minha memória antes de dormir e acabaram me educando musicalmente, o que ajudou alguns anos depois quando decidi ter um blog sobre música. E especialmente quando não é só você que aparentemente tem essa relação próxima com esse R&B gostosinho daquela época.

As influências do Bruno Mars vão além do doo-wop, reggae, The Police e o Michael Jackson. O havaiano tem uma relação muito profunda com o R&B que era feito nos anos 90 – ele já declarou amor pela sonoridade da época algumas vezes, e a ideia de “24k Magic”, o terceiro álbum na curta discografia do moço, é homenagear essa época, cantores e grupos como Jodeci, Boyz II Man, Jagged Edge e todos os nomes do R&B que faziam babymaking songs; mas é claro, com o flavor atual que só o Bruno sabe fazer. Por cortar a “linha de influência” para um período muito específico – o final dos anos 80 até os anos 90 – o CD não é exatamente instantâneo como as outras incursões dele (se você perceber, é como se ele estivesse fazendo um estudo musical do pop com a própria discografia: o pop inocente com ecos de doo-wop e rock dos anos 50/60 com o retropop do “Doo-Wops & Hooligans”; e a vibração dos anos 70 e começo dos 80, com pop, reggae, rock, disco e uma slowjam de respeito como “Gorilla” no “Unorthodox Jukebox”), por ser bem mais R&B que todos os álbuns anteriores – e mesmo alguns acusando o lead single de ser parecido com singles do passado, o CD numa linha geral não se parece com nada dos anteriores – e nem com nada que tá tocando nas rádios.

Não é instantâneo. Mas é uma viagem daquelas (que dura pouco mais de MEIA HORA e tem NOVE FAIXAS. Tenha dó, Bruno!). Confira o track-by-track após o pulo: Continuar lendo

Previsões para o Grammy 2017 – Edição com estrelas e bicicletas

Esse ano parece que as pessoas ficaram mais ansiosas para as previsões do Grammy 2017. Eu não sei se é por causa da própria tensão que o prêmio mais importante da música traz – especialmente com o vazamento das submissões (e a gente tem a chance de xingar nossos artistas que fizeram caquinha na submissão – né FRANK OCEAN?); ou porque a gente já está escaldado de injustiças nos últimos anos. Mas como a gente gosta de sofrer, estamos aqui com a segunda parte das previsões para o Grammy, sempre incluindo o momento pós-Julho onde realmente tudo aconteceu.

Agora, a pergunta é: por que o post se chama “edição com estrelas e bicicletas”? Simples. Finalmente temos indicados mais fechados que no meio do ano, e podemos fechar questão sobre uma série de indicados que estavam enfiados lá nas wild cards e que chegaram à primeira divisão do nosso exercício de futurologia!

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