Previsões para o Grammy 2017

GRAMMYS_logo_backplateUPDATE! https://duastintasdemusica.wordpress.com/2016/11/06/previsoes-para-o-grammy-2017-edicao-com-estrelas-e-bicicletas/

Chegamos no mês em que todo mundo começa a especular sobre as indicações ao Grammy 2017. Antes mesmo do fim do período de elegibilidade, os jornalistas na gringa começam a fazer previsões e pensar em quais álbuns até o momento estão mais próximos de fazer o corte final.

Aqui não é um jornalista gringo, mas eu sempre faço essas previsões desde a criação do blog – tanto agora em Julho quanto lá pra Setembro/Outubro, após o período de elegibilidade – tanto para ver como está o ambiente para a popsfera para indicações ao Grammy; quanto pra gente brincar de futurologia. Afinal de contas, o próximo ano promete ser mais incrível e polêmico que no último Grammy!

Quer saber se o seu artista favorito pode fazer parte do corte final? Então clique em continuar lendo! *lembrando sempre que eu brinco de futurologia no pop field e no general field 😉

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Tretas, rivalidades e shows icônicos – chegou o VMA 2016

Mtv-vma-2015-logoHoje foram revelados os indicados ao Video Music Awards 2016, a premiação da música que um dia já foi o irmão mais novo e mais cool do Grammy (o irmão do meio mais desencanado é o AMA), onde os artistas resolvem tretas, criam tretas, lançam tendências ou se revelam diante da plateia e do público na telinha. A premiação acontece no dia 28 de agosto, em Nova York.

Durante muitos anos se discutiu a relevância do prêmio, em especial mais recentemente, já que a MTV já não tem mais os clipes musicais como carro-chefe da emissora. Além disso, os próprios vídeos passaram por uma fase minimalista-boring que nem valiam a pena serem premiados – e só o eram porque, numa jogada ao mesmo tempo inteligente (por entender que atualmente há uma cultura do stan fortíssima entre os fãs de música pop) quanto ruim para a credibilidade da premiação – a votação das categorias principais foi aberta ao público.

Mas o ressurgimento dos vídeos como uma força que impacta a primeira impressão sobre uma música, a capacidade de viralizar e entrar no inconsciente coletivo das pessoas (pode creditar à Lady Gaga esse feito) trouxe uma sobrevida ao Video Music Awards como uma premiação que tenta ser importante na captação do zeitgeist. A emissora às vezes planta a treta, por outras inclui prêmios de momento só pra incluir um artista que ficou de fora dos indicados (lembra-se do “Melhor Vídeo com uma Mensagem”???), mas sempre com um objetivo claro: já que não é mais o trendsetter, é hora de seguir as tendências como dá e manter a relevância.

A lista de indicados este ano parece ter encontrado um equilíbrio interessante nesse aspecto. Os vídeos indicados são bons (alguns ótimos, outros excepcionais), os artistas são de vulto e ainda foi incluído nesse pacote um video só para render a treta (e vocês já devem saber qual é).

Se ainda não viu, confira os indicados ao Video Music Awards 2016.

Vídeo do Ano
“Hello” – Adele
“Formation” – Beyoncé
“Hotline Bling” – Drake
“Sorry” – Justin Bieber
“Famous” – Kanye West

Melhor Vídeo Feminino
“Hello” – Adele
“Into You” – Ariana Grande
“Hold Up” – Beyoncé
“Work” – Rihanna ft Drake
“Cheap Thrills” – Sia

Melhor Vídeo Masculino
“Don’t” – Bryson Tiller
“This Is What You Came For” – Calvin Harris
“Hotline Bling” – Drake
“Famous” – Kanye West
“Can’t Feel My Face” – The Weeknd

Melhor Vídeo Pop
“Hello” – Adele
“Formation” – Beyoncé
“Hotline Bling” – Drake
“Sorry” – Justin Bieber
“Wild Things” – Alessia Cara
“Into You” – Ariana Grande

Melhor Vídeo Hip-Hop
“Watch Out” – 2 Chainz
“Don’t” – Bryson Tiller
“Angels” – Chance The Rapper
“Panda” – Desiigner
“Hotline Bling” – Drake

Melhor Colaboração
Beyoncé feat. Kendrick Lamar – “Freedom”
Fifth Harmony feat. Ty Dolla $ign – “Work From Home”
Ariana Grande feat. Lil Wayne – “Let Me Love You”
Calvin Harris feat. Rihanna – “This Is What You Came For”
Rihanna feat. Drake – “Work”

Melhor Vídeo de Rock
All Time Low – “Missing You”
Coldplay – “Adventure of a Lifetime”
Fall Out Boy feat. Demi Lovato – “Irresistible”
twenty one pilots – “Heathens”
Panic! At The Disco – “Victorious”

Melhor Vídeo Eletrônico
Calvin Harris & Disciples – “How Deep Is Your Love”
99 Souls feat. Destiny’s Child & Brandy – “The Girl Is Mine”
Mike Posner – “I Took a Pill in Ibiza”
Afrojack – “SummerThing!”
The Chainsmokers feat. Daya – “Don’t Let Me Down”

Melhor Vídeo Longo
Florence + The Machine – “The Odyssey”
Beyoncé – “Lemonade”
Justin Bieber – “PURPOSE: The Movement”
Chris Brown – “Royalty”
Troye Sivan – “Blue Neighbourhood Trilogy”

Melhor Artista Novo
Bryson Tiller
Desiigner
Zara Larsson
Lukas Graham
DNCE

Melhor Direção de Arte
Beyoncé – “Hold Up”
Fergie – “M.I.L.F. $”
Drake – “Hotline Bling”
David Bowie – “Blackstar”
Adele – “Hello”

Melhor Coreografia
Beyoncé – “Formation”
Missy Elliott feat. Pharrell – “WTF (Where They From)”
Beyoncé – “Sorry”
FKA twigs – “M3LL155X”
Florence + The Machine – “Delilah”

Melhor Direção
Beyoncé – “Formation”
Coldplay – “Up&Up”
Adele – “Hello”
David Bowie – “Lazarus”
Tame Impala – “The Less I Know The Better”

Melhor Fotografia
Beyoncé – “Formation”
Adele – “Hello”
David Bowie – “Lazarus”
Alesso – “I Wanna Know”
Ariana Grande – “Into You”

Melhor Edição
Beyoncé – “Formation”
Adele – “Hello”
Fergie – “M.I.L.F. $”
David Bowie – “Lazarus”
Ariana Grande – “Into You”

Melhores Efeitos Visuais
Coldplay – “Up&Up”
FKA twigs – “M3LL155X”
Adele – “Send My Love (To Your New Lover)”
The Weeknd – “Can’t Feel My Face”
Zayn – “PILLOWTALK”

Primeiro as esnobadas: Selena Gomez não conseguiu uma indicação com os clipes do “Revival”, mesmo com uma era bem sucedida. Os vídeos não eram exatamente uma Brastemp, por isso, nem me surpreendi com a ausência. Mesmo assim, ao menos “Hands To Myself” merecia ser lembrado, nem que fosse em vídeo feminino. No entanto, o corte final parece muito forte para a Selena.

A ex-BFF Demi Lovato ao menos conseguiu uma indicação como featuring em Melhor Vídeo Rock, mas com uma era cheia de investimentos (especialmente nos dois primeiros clipes), mais uma vez a cantora passou despercebida na premiação.

Nick Jonas se queixou de ter sido esnobado e eu até entendo – podia ter entrado em Melhor Vídeo Masculino, já que eu quero saber o que um vídeo sem graça como o do Calvin e outro já cansado (“Can’t Feel My Face”) estão fazendo aí. No entanto, como Bieber não fez o requisito nessa categoria e nem o Zayn – que foi #1 com “PILLOWTALK”, e esses tiveram hits mais consistentes do que o Nick, melhor chorar no cantinho mesmo.

Outra que ficou de fora foi a Taylor Swift, que até tinha material pra entrar no corte final (“Wildest Dreams”), mas ficou de fora. Sinceramente, apesar da grande produção, o vídeo é bem boring – e a lista de indicados é bem bacana.

E o Justin (Timberlake)? Um dos hits do ano ficou de fora?

Agora, quem você não sentiu falta: acha que tinha espaço pra Meghan Trainor aí?

Surpresas e destaques bacanas: a MTV tem que seguir as tendências, e nada melhor do que colocar no spotlight revelações que de certa forma, surgiram meio fora do esquemão – ou não estouraram de vez. Você imaginava o cantor e rapper Bryson Tiller indicado a três Moonman? Ou Alessia Cara aparecendo no corte final em Melhor Vídeo Pop? Ou a queridinha Zara Larsson lembrada em Artista Revelação? Se a gente garimpar, tem artista bom fazendo som bacana, que às vezes pipoca no mainstream, mas é importante a MTV abrir espaço pra essa galera hitar, nem que seja pra abrir portas ao público médio. Será que se a Florence não tivesse roubado a cena no VMA de 2010 com “Dog Days Are Over”, o Florence + The Machine seria a força que é hoje? Talvez até fosse, e demorasse, mas a exposição que o grupo teve naquela época – e como foi aproveitada essa oportunidade – foi primordial para obter sucesso.

Outra surpresas, mais prosaicas, foram a ausência do Justin Bieber com “Sorry” em Vídeo Masculino e Coreografia, o Fifth Harmony conseguindo uma indicação merecida por “Work From Home” (clipe pop de respeito) e o David Bowie (RIP) lembrado nas categorias técnicas. Podia ter tirado o Kanye pra dar essa homenagem ao Camaleão do Pop, né?

Aliás, alguém me explica o que “Famous” está fazendo aí? O mau gosto desse vídeo deveria afastá-lo de qualquer award. Acho sinceramente que a MTV só o pôs aí para gerar buzz e possibilidades de treta. Mas se a emissora queria treta, era melhor ter indicado a Swift também…

E você? O que achou dessas indicações? O blog começa uma série de posts logo logo, relativos aos indicados ao VMA, e começaremos pela categoria das surpresas boas, a de Artista Revelação. Para quem você está torcendo?

É por esse motivo que eu pago minha internet – Britney Spears, “Make Me” feat. G-Eazy

Quem acompanhou o mundo pop hoje pelos fóruns e a internet da vida deve ter surtado com o lançamento do primeiro single do novo álbum da Britney Spears, a faixa “Make Me“(que neste momento disputa o primeiro lugar no iTunes com a Katy Perry e a música pra Olimpíada “Rise”). Não é para menos: além do single ter sido pimpado desde que começaram a surgir rumores do comeback da Brit (sem contar com a apresentação sensacional da princesa do pop no Billboard Music Awards deste ano), tudo indicava que ela estava muito mais empolgada e feliz com o projeto do que em outras vezes – e quando a Britney tá empolgada, pode se segurar que ela vem pra não dar chance à concorrência.

Mas toda a loucura da internet tinha um motivo específico. “Make Me”, além de colocar Britney Spears com um single que tá dentro do que está bombando no mercado – midtempos quase slow (seja no pop seja no R&B), como se fosse uma trilha sonora pré-sexo – apresenta a Britney com uma faixa em que, mesmo seguindo o fluxo, é algo que consegue se destacar do resto das peers porque ao mesmo tempo em que é o ritmo do momento, não lembra de cara nada que você esteja ouvindo no momento.

“Make Me” é o clássico single com letra cheia de segundas intenções falando de sexo, mas com aquela mistura de safadice e doçura que é a cara da Britney – especialmente porque os vocais dela estão ao natural na maior parte da música. E como é bom ouvir a voz da Britney mais madura, ainda marcante e sabendo usar a voz para interpretar as canções. As pessoas veem a Britney como apenas uma dançarina, mas esquecem do quão inteligente como cantora ela sempre foi, tirando proveito da pouca potência para reforçar em outras técnicas vocais e interpretações on point das faixas. Além disso, a faixa tem um ritmo que no pré-refrão, com a parte mais eletrônica, você acha que vai explodir, mas pelo contrário, a explosão parece o ponto anterior ao alcance do prazer (e com o refrão “you make me ooh ooh ooh…” isso fica mais evidente). Quando bem trabalhado, essa quebra de expectativa traz uma música ótima.

Gosto muito de uma guitarrinha que passeia por toda a música, dando um ar mais orgânico à canção. Gosto ainda mais da produção acertadíssima desse rapaz chamado BURNS, um dos compositores da música (junto com a Britney, Joe Janiak e o G-Eazy, que faz um bom trabalho no featuring, onde não parece um bando de versos aleatórios jogados na faixa – faz sentido e é um complemento ao que a Britney tá cantando). O moço em questão é DJ e produziu pra pouca gente; um achado da Britney, já que ele conseguiu imprimir pra ela uma música que consegue passear pelos ritmos que estão em alta no mercado, especialmente com artistas mais novos; e meio que só faltava alguém mais consagrado dar o aval de “ritmo do momento”. Sendo a Britney, e a faixa encontrando o sucesso, melhor ainda. 

Curiosamente, eu estranhei a primeira  vez que ouvi a música, mas logo depois fiquei viciada. Acho que a música terá vida longa… 
E você? O que achou de “Make Me”?

Demi Lovato acertou finalmente com “Body Say”

Cover Demi Lovato Body SayJá tem algum tempo que venho comentando da busca da Demi Lovato em busca de uma identidade que se reflita no reconhecimento da jovem como uma estrela da música. Talentosa, com uma grande voz e letras confessionais sobre sua vida e relações pessoais, além de uma imagem de superação conhecida, Demi acabou pecando por trabalhos irregulares, ainda no limite entre ser adulta ou teenager. Além disso, o lançamento de “Confident” ano passado, um álbum com boas ideias, que numa primeira ouvida é um bom álbum de uma jovem artista adulta (eu elogiei o CD na época, mesmo questionando onde estava a “Demi Lovato” real no álbum), mas depois de algum tempo soa cansativo e pecando nos mesmos erros de “não saber o que quer”, não ajudou em nada no fortalecimento da imagem da Demi como artista adulta.

No entanto, pouco antes do início da turnê conjunta com o Nick Jonas – a “Future Now – Demi lançou um single que parece abrir os trabalhos para o novo álbum, já fora da tenebrosa Hollywood Records. A música em questão, “Body Say”, é uma Demi Lovato que realmente parece uma artista adulta, cantando uma música com apelo a um público crossover e usando a voz com parcimônia, graças a uma produção equilibrada e gostosa.

Um pop/R&B que lembra bastante o breakthrough single do amigo Nick, “Jealous” (o que se explica pelo fato de um dos compositores e produtores ser Sir Nolan, produtor da faixa), especialmente no refrão, é uma faixa que atrai ouvintes para além do público mais jovem da Demi, com uma letra safadinha e bem sacada, ótima para as preliminares pré-sexo. Especialmente o refrão é um achado.

“You can touch me with slow hands
Speed it up, baby, make me sweat
Dreamland, take me there cause I want your sex
If my body had a say, I wouldn’t turn away
Touch, make love, taste you
If my body told the truth, baby I would do
Just what I want to”

Adoro essas músicas que te colocam numa ambientação, meio que contam uma história mesmo com o intérprete cantando em primeira pessoa. E a produção da música é melhor do que qualquer coisa lançada no álbum anterior. Simples, equilibrada, sem superprodução, sem exageros. A voz da Demi está no ponto -nada de gritarias, firulas desnecessárias, apenas o trabalho de performance e os agudos nos pontos certos. A voz não está parecida com ninguém, não parece música rejeitada de outros artistas; é uma música que tem o jeito e a identidade dela.

Pop/R&B é o negócio da Demi, e se a vibe do futuro álbum for nessa linha, sem overproducing, finalmente sabendo como usar a voz dela, teremos um ótimo lançamento.

E você, o que achou de “Body Say”?

 

Atualizada – Fergie, “M.I.L.F. $”

Cover Fergie MILFSUm dos grandes desafios das cantoras pop quando chegam a uma certa idade (o número mágico é 35) é se manter relevante para um público cada vez mais jovem, que descarta artistas todo verão; além de superar o desdém das rádios e uma mídia pronta para chamar essas mulheres de “velhas” e “cansadas”. É o ageism (ou etarismo), com fortes tintas machistas, influenciando as carreiras de muitas grandes artistas da popsfera.

Eu já comentei sobre esse assunto há algum tempo (aqui), tratando especialmente de Fergie e Gwen Stefani, que haviam lançado novos singles – e passando despercebido pelo mainstream. Enquanto a segunda conseguiu superar o flop extremo com um CD moderadamente bem sucedido, “This Is What the Truth Feels Like”, especialmente após a separação do marido; a primeira sumiu outra vez para retornar com um single mais a cara do verão – e bem mais parecido com a própria Fergie.

“M.I.L.F. $” não é exatamente uma Brastemp – é um pop/urban com toques eletrônicos e a Fergie rapping em mais da metade da faixa, até uma atualização do que a Duchess fez lá em 2006 no primeiro álbum solo. No entanto, é uma música que parece justamente o que a Fergie faria, e não uma cópia sem graça de uma outra produção, como era “L.A. Love”. A letra também é fraquinha, mas dá pra sacar que a ideia é celebrar as mulheres que conseguem se dividir sendo mães, trabalhando e se divertindo (por isso o trocadilho infame do M.I.L.F. – “mothers I’d like to fuck” com M.I.L.F – “mothers i’d like to follow”). O clipe ajuda a ampliar essa impressão, apresentando uma estética meio Stepford Wives (aquele filme com a Nicole Kidman, lembra?) meio “Grease”, super colorida, com Fergie e seu squad materno – incluindo Kim Kardashian, Ciara, Alessandra Ambrosio, Isabeli Fontana e Chrissy Teigen – seguindo o contexto da música.

Mesmo não sendo um single extremamente criativo, “M.I.L.F $” é a cara da Fergie, e ainda consegue soar atual e pronta pro verão. Ótima para viralizar em vídeos curtos como vines e snaps, ainda tem nomes famosos da cultura pop no vídeo, o que colabora para atrair mais visualizações, e a batida é forte e viciante, embalada para as boates. E o verso “I got the M.I.L.F money” é um quote ideal para hitar em todos os lugares. Foi uma jogada esperta, inteligente, e a Fergie que o mundo pop estava esperando.

(observação: alguns comentários de mães no Facebook criticaram o vídeo e a ideia de uma cultura “MILF” que só valoriza as mães quando elas estão no corpo “padrão” ou são gostosas. Dessa forma, o vídeo da Fergie seria um desserviço às mães que não conseguem alcançar esse padrão. Fiquei curiosa – e achei a observação pertinente, mas queria ver a opinião de vocês sobre o assunto. E aí, o que acham?)