Design de um top 10 [31] Montanha russa do pop

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A vida está uma loucura – só não tanto quanto o sobe e desce nos charts da Billboard. Nas últimas semanas, finalmente o domínio barbadiano da Rihanna foi interrompido pelo rapper Desiigner, com Panda; além do (finalmente) primeiro #1 solo do Drake, com “One Dance”, depois a faixa do Justin Timberlake para a animação “Trolls”, “Can’t Stop The Feeling”; e agora, já temos duas semanas seguidas de Drake no topo. UFA!

Para que vocês entendam o motivo do título do “Design de um Top 10” desta semana, eu decidi fazer algo de diferente: falar dos três #1 que tiraram “Work” do jogo – e da Rihanna, conseguindo fazer do limão uma limonada (desculpa pelo trocadilho, Bey), com o ANTI.

 

Top 10 Billboard Hot 100 (11.06.2016)

#1 One Dance – Drake
#2 Panda  – Desiigner
#3 Can’t Stop the Feeling – Justin Timberlake
#4 Work From Home – Fifth Harmony
#5 Don’t Let Me Down – The Chainsmokers feat. Daya
#6 7 Years – Lukas Graham
#7 I Took a Pill In Ibiza – Mike Posner
#8 Dangerous Woman – Ariana Grande
#9 Needed Me – Rihanna
#10 Work – Rihanna feat. Drake

Drake gifPode continuar as dancinhas toscas, Drizzy! Depois de bater na trave com “Hotline Bling”, finalmente Drake está dominando o topo do Hot 100, com “One Dance”, single do álbum “Views”. Líder nas rádios, está em segundo nos charts de Stream e em segundo no chart digital (em primeiro está o monstruoso hit do Timberlake), e é uma das músicas mais populares de serviços como o Spotify. A faixa é exatamente o que tá bombando hoje – dançante, com pegada tropical pop e o Drake cantando, mais pop do que nunca. Com o desempenho da música nos charts, está longe de chegar ao peak. E olha que o moço nem clipe da música lançou!

 

O ex-#1 que surpreendeu todo mundo quando alcançou o topo foi o rapper Desiigner, com a faixa “Panda”. Em Desiigner gifprimeiro lugar nos charts de rap, a faixa continua dominando os streams, enquanto se mantém na terceira posição nos charts digitais e em 12º nas rádios. Essa posição super baixa de airplay se explica: ao contrário da super pop “One Dance”, “Panda” é aquele rap que parece feito de improviso, todo sobre uma base musical, e lançado numa mixtape qualquer. Só não dá pra chamar de “freestyle” porque o “panda” se repete várias vezes no meio da música. A faixa do Desiigner é um viral daqueles, graças especialmente à força dos streams, que dão voz a artistas que as rádios mais tradicionais ou crossover jamais dariam hoje em dia.

 

Justin Timberlake gifO terceiro lugar no hot 100 estreou em #1 – e apesar da chegada meteórica, só faz crescer. “Can’t Stop The Feeling”, do Justin Timberlake, ainda lidera nos charts digitais (agora tá vermelhinho no iTunes, mas a música vinha se mantendo muito bem há três semanas); sem contar as subidas respeitáveis nas rádios e a receptividade da música nos streams. Amparada pelo filme “Trolls” (em termos, porque o filme só estreia em Novembro) e pela popularidade do artista, que estava sem lançar álbuns desde 2013 (três anos não se comparam, no entanto, ao hiato de SETE ANOS entre o “FutureSex…” e o “20/20 Experience” – e a minha preguiça de escrever os nomes completos desses álbuns haha) e é sempre uma presença esperada. A música é outra candidata a hit do verão – é pop, fun, fresh e tem uma pegada anos 80 que me lembra vagamente o trabalho que o Max Martin fez com o The Weeknd no “Beauty Behind the Madness”. Lembra quando comentei que o Midas do pop estava começando a se repetir? É que eu estava falando justamente dessa música.

 

Agora é hora do “queimando minha língua awards”: eu lembro que tinha falado super mal de “Needed Me”, single Rihanna Gif Needed Medo “ANTI”, aquele álbum da Rihanna que eu acho insuportável. Pois é, eu falei que a música não tinha potencial de hit, era repetitiva e sem graça. Pois é… Não é que ao invés da “super com potencial de sucesso” “Kiss it Better” é um “super flop” enquanto a “água de salsicha” é um hit massivo? Nunca duvide do poder de Rihanna em ser uma hitmaker… A faixa conseguiu um novo peak (#9 na Billboard), se mantendo apenas com o vídeo dirigido por Harmony Korine, além do streams do Spotify e os outros serviços, já que as rádios tocam bastante, mas com menos alarde que “Work” (“Needed Me” é mais urban para as rádios pop que “Work”, que apesar de suas limitações é no ritmo do que tá bombando) e a música está em #21 no iTunes, bem longe dos atuais hits que dominam o cenário. É mais um top 10 na conta da barbadiana, num álbum onde eu não esperava que ela arrancasse mais nada de relevante além do lead single.

E você, o que achou da movimentação nos charts desta semana? Comente ouvindo o #1 do Hot 100, Drake!

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Encontrando um caminho próprio – Fifth Harmony, “7/27”

Fifth_Harmony_-_7-27_(Official_Album_Cover)Vida de girlband que se lança num reality show e assina com uma gravadora horrenda como a Epic não é fácil. As meninas do Fifth Harmony entraram como acts solo na segunda temporada do The X-Factor e foram unidas como um grupo por Simon Cowell e Demi Lovato na fase do bootcamp. Fazer com que cinco meninas de backgrounds diferentes, vozes distintas e vontades idem se juntassem e tivessem uma identidade é uma ideia difícil, mas funcionou – afinal de contas, além de talentosas e carismáticas, Ally, Normani, Dinah, Camila e Lauren ainda representam meninas de várias origens e raças, provando que a representatividade importa e muito.

No primeiro álbum de estúdio das moças, “Reflection” (que seguiu o EP “Better Together”), as moças ainda não tinham chegado ao ponto de maturação – ou seja, a identidade musical refletida (sem trocadilhos) nas faixas. Elas ainda meio que procuravam um som próprio (e acabam atirando em várias direções). O sucesso de fato só chegou com o terceiro single, “Worth It”, um sucesso estrondoso que conquistou não apenas a fã-base adolescente das meninas, como também ouvintes casuais de música pop.

Com “7/27”, o novo álbum (o nome é baseado no dia em que o grupo foi formado no “X-Factor”, 27 de julho), o Fifth Harmony apresenta um forte coletivo de músicas que tem uma boa coesão (o pop/R&B com uma forte pegada urban e inspiração na sonoridade tropical pop que é a trend atual), agradam aos ouvidos com uma divisão equilibrada de vozes, e principalmente, você vê a identidade e personalidade das meninas em cada faixa, sem perder a visão de mercado.

Entenda o porquê na track-by-track após o pulo!

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Agradecendo a “mim”, “mim”, “mim” com Meghan Trainor

Meghan_Trainor_-_Thank_You_(Official_Album_Cover)Uma das revelações musicais no pop no último ano foi a cantora e compositora Meghan Trainor. Com hits fáceis, uma personalidade cativante e estilo retrô (misturando pop sessentista com doo-wop e influências caribenhas) com identidade bem forte, conseguiu vendas sólidas com o debut album, o delicioso “Title”, e ainda virou uma das compositoras mais procuradas para fazer grandes sucessos (como Fifth Harmony e Jennifer Lopez). Abraçada pelo público americano, Meghan conseguiu três indicações ao Grammy, levando pra casa o disputado (e sempre problemático, pelo futuro indefinido dos acts que ganham o prêmio) Grammy de Artista Revelação.

Por isso, é evidente que todo mundo esperaria os próximos passos da Meghan para um trabalho que fosse, 1. uma sequência natural dos temas e sonoridade apresentados no “Title”; ou 2. uma expansão para outros estilos, mostrando que a jovem sabe sair da zona de conforto. Com , o segundo CD da moça, ela fez as duas coisas: o álbum atualiza as sonoridades do primeiro CD, especialmente em relação à pegada caribenha e as baladinhas doo-wop, incluindo nessa mistura outro throwback bem vindo: o pop dos anos 2000, que ela incorporou de forma excelente em seu lead single “No”.

O problema é que o CD é muito… Difícil, pra dizer o mínimo. Confira a track-by-track da versão standard pra entender melhor.

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A evolução esperada – “Dangerous Woman”, Ariana Grande

Cover Ariana Grande Dangerous Woman
Esse título é ruim, essa capa é horrível… Mas o álbum é ótimo!

Ariana Grande fez uma porção de coisas erradas que quase colocaram a carreira ascendente em risco – o Donutgate criou problemas sérios na reputação de boa moça (meio diva, mas boa moça) da cantora, sem contar com as desculpas mais esfarrapadas de todos os tempos naquele vídeo terrível. Ter lançado “Focus” como uma “limpeza de imagem” pouquíssimo tempo após a polêmica não ajudou nem um pouco, especialmente pela faixa ser super derivativa em relação ao hit massivo “Problem”.

No entanto, o tempo sumida ajudou Ariana a pensar em novas possibilidades – como por exemplo, mudar de empresário (Scooter Braun, ótimo em marketing; mas um pouco problemático em controlar jovens artistas – Justin Bieber, alguém?) e ter tempo hábil e criativo para compor boas músicas que fossem uma evolução comparados ao já excelente segundo álbum, My Everything, lançado há dois anos. Mesmo mantendo parte do time vencedor daquele CD (o Midas Max Martin, sem contar com Ilya e Savan Kotecha), o espírito de unidade e coesão desse álbum me lembraram bastante o que ela fez no excepcional debut (Yours Truly) – o que foi uma win win situation.

Apesar do título cafona, “Dangerous Woman” é um material que passa longe de ser breguinha. Musicalmente e na qualidade da interpretação, o álbum finalmente é uma apresentação de uma Ariana mais focada em ser crossover de público (e não de estilos), sem perder sua identidade.

É hora de conferir o track-by-track da versão standard!

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Uma estranha surpresa tropical – Alicia Keys, “In Common”

Aliás, que capa é essa? parece que tiraram a mulher da cama pra fotografar

Alicia Keys é sinônimo de R&B/soul sofisticado, bem trabalhado e com forte influência do piano, instrumento no qual a americana é uma atenta estudiosa. E mesmo quando Alicia flerta com o pop (como em “No One” e “Girl on Fire”, falando de lead singles), há uma identidade sedimentada e uma inquietação de quem quer se manter fiel às raízes, mas gosta de sair um pouco da zona de conforto. 

Para iniciar os trabalhos do seu novo álbum, Alicia Keys fugiu ainda mais do óbvio, com uma midtempo meio up, tropical/pop/ com um pezinho no R&B, a interessante “In Common

A faixa está bem na trend do momento, mas sem ser tropical house ou EDM, e sim com um flavor mais R&B, bem pronto para o verão. 

A letra é até interessante – duas pessoas ferradas na vida se apaixonam – e o refrão é grower, mas eu fiquei com a impressão de que não é coisa da Alicia. É surpreendente e eu tenho que me acostumar ainda, mas parece muito alguma coisa que a Rihanna gravaria fácil.  

Na verdade, eu tenho que vê-la cantando ao vivo, pra ver como a Alicia orna com a faixa. Porque essa saída da zona de conforto foi ótima, mas será que funcionou mesmo? Afinal de contas, uma artista com uma identidade forte como a da Alicia parece desperdiçada numa música que parece até que foi composta com outra cantora em mente. (Aliás, ela escreveu a faixa com um colaborador do The Weeknd e uma compositora em ascensão entre artistas teens e do R&B field, Taylor Parks. Sinceramente, uma mistura estranha que não sei até que ponto funcionou ou não)

E você, o que achou de “In Common”?