QUERO: Nick Jonas – Close (feat. Tove Lo)

CloserNickJonasDesde que Nick Jonas deixou o anel da pureza, as músicas fofinhas do Jonas Brothers e o ar fofo para se metamorfosear no príncipe do sexo e da safadeza com o incrível self-titled, todo mundo espera que o próximo trabalho do rapaz tenha a mesma maturidade, inteligência e produção refinada do “Nick Jonas”, que deve ter sido um dos álbuns de artistas jovens mais fortes que ouvi nos últimos dois anos.

Mesmo com o retorno de outros artistas com mesmo público-alvo – como Justin Bieber – e o Zayn querendo entrar nessa linha de “R&B rapaz crescido” que o Nick se colocou tão bem no último ano, era de se esperar que no mínimo, o novo trabalho teria essa vibe sensual mas com apelo crossover – o que funcionou muito bem com “Jealous” e “Chains”. Com o lançamento de “Close”, primeiro single do terceiro álbum solo (mas o segundo após a metamorfose), “Last Year Was Complicated”, a sensação foi de que sim, Nick se manteve na mesma vibe, mas fugindo um pouco daquele R&B gostosinho do self-titled e partindo para algo mais pop; no entanto, sem perder uma inspiração daquele som do CD anterior.

Mantendo a ambientação sexy e misteriosa dos temas do “Nick Jonas”, com mais sugestões que palavras, “Close”, que tem uma ótima participação da sueca Tove Lo, consegue se diferenciar pela batida mais sintetizada que orgânica, mais atualizada, tendo um feeling R&B, mas a faixa é predominantemente pop. Aliás, sobre a Tove, o featuring dela aqui é tão legal que remete ao fato de que as parcerias femininas do Nick na era anterior eram muito boas e foram desperdiçadíssimas, tanto os remixes com a Tinashe (“Jealous”) e Jhené Aiko (“Chains”) quanto “Numb” com a Angel Haze (esnobada que jamais perdoarei).

Espertamente, o moço lançou juntamente com o single, o vídeo bem inspirador de “Close”, pra dizer o mínimo.

Bem bolado e muito bem produzido (a Island tá investindo hein), traz de forma inteligente a mensagem da música e toda a sensualidade sutil expressa na música, explodindo tudo no refrão final, cuja dança contemporânea e roupas bege parecem vindas diretamente de um clipe da Sia. Nada contra. Queria ser a tensão sexual entre os dois durante todo o vídeo.

Como havia dito, Nick fez o certo – lançou logo o combo música + vídeo pra contar todos os streams possíveis (aprende Meghan!). Um artista como ele, que ainda está num processo ascendente na carreira, não pode se dar ao luxo de desperdiçar promoção e locais para divulgar sua música – especialmente se o objetivo é um top 10 (e “Close” é boa o suficiente para um top 10). Mesmo com um chart movimentado e disputado como o atual, acho que a música tem chance de hitar, funciona, está de acordo com a época, tem uma ótima produção.

Agora é só divulgar até na barraquinha da esquina, como ele fez na era passada.

 

E você, o que achou de “Close”?

 

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Design de um top 10 [30] O que será 2016 musicalmente?

Estamos em fins de Março, e a pergunta que não quer calar é: o que esperar finalmente de 2016? O ano pra música pop só começa mesmo após a premiação do Grammy, e os players da música pop se movimentam para dominar o ano ou passar lutando contra outros jogadores mais poderosos, a gravadora, as vontades do público… E por falar nele, o que o público quer? Após um 2015 imprevisível, onde você nunca sabia o que estava pronto para hitar, e mesmo com poucos #1, tivemos uma variedade de estilos no top 10 da Billboard, este ano a dúvida continua a consumir. O #1 da Rihanna com “Work” é só mais uma confirmação de que tropical house e música caribenha estão na moda mesmo – a julgar pelo sucesso de “Sorry” do Justin Bieber desde o ano passado.

No entanto, será que esse é o estilo dominante de 2016? E o R&B mais dark do The Weeknd, que foi sucesso ano passado, terá outros representantes este ano? Será que finalmente daremos adeus ao EDM farofa ou ele encontrará sobrevida? O segredo é perceber o que as movimentações do top 10 da Billboard tem a oferecer para o ano de 2016…

Top 10 Billboard Hot 100 (09.04.2016)

1. Work – Rihanna feat. Drake
2. 7 Years – Lukas Graham
3. Love Yourself – Justin Bieber
4. My House – Flo Rida
5. Stressed Out – twenty one pilots
6. NO – Meghan Trainor
7. Me, Myself & I – G-Eazy feat. Bebe Rexha
8. PILLOWTALK – Zayn
9. Cake By The Ocean – DNCE
10. I Took A Pill In Ibiza – Mike Posner

Lucas Graham 7 YearsEnquanto Rihdrake (ou Drakanna, vá saber o nome do shipp) continuam expondo seu amor por seis semanas no topo do Hot 100, a principal ameaça ao poderio da barbadiana é um viral bem grudento que vem trocando posições no chart digital há algumas semanas. É “7 Years”, da banda dinamarquesa chamada Lukas Graham (eu crente que era um act solo, mas o vocalista se chama realmente Lukas Graham hahaha), famosa no país natal, e que está estouradíssima com esse single que só faz crescer nas rádios e nos serviços de streaming. Apesar de, nesta semana, estar em #2 no chart digital (mesmo em #1 no iTunes), tem fortes chances de conseguir o #1 logo logo – especialmente porque RiRi está penando para conseguir melhores resultados nas rádios pop (porque “Work” seria urban demais para esse nicho?). Já virou tradição ter uma música random pela qual os americanos se afeiçoam – e “7 Years” tem uma batida fácil, repetitiva e uma letra bem bacaninha sobre crescer e envelhecer. A questão é: será que a banda tem fôlego para mais na terra do Tio Sam, ou será mais um hit de momento, como “Rude”, “Am I Wrong” e congêneres?

 

O candidato a one hit wonder já tem, mas a farofada do ano não é cortesia do Flo Rida. Eu venho sempre cantando a Flo Rida Gifbola do rapper, porque o cara nunca fica uma era sem sucesso. Daqui a pouco ele completa dez anos de carreira, sempre emplacando uma música – e sempre na crista da moda. Quando o negócio era hip hop/pop com autotune, Flo Rida lança “Low”. Quando a pegada era dance pop, tome-lhe “Right Round”; e no auge da farofa, o cara me lança uma “Good Feeling” (pobre Etta James). Agora, com a chicletíssima “My House”, o rapper volta a uma pegada mais hip hop, mas com um balanço meio urban, meio pop, bem a cara do verão e de fraternidades de faculdade americana a la American Pie. Imagina isso nas festas na gringa! E ao contrário de “Work”, a faixa tá recebendo uma aceitação absurda das rádios pop – está neste momento liderando o chart de Pop Songs há três semanas, e em terceiro lugar no iTunes (sem contar o crescimento no Spotify), Flo Rida pode dar mais um pulo do gato e conseguir outro #1. Hitmaker faz assim mesmo.

 

Meghan Trainor NO GifSe até o Flo Rida percebeu que EDM hoje não é mais a mesma coisa, será que o throwback da vez é o dos anos 2000? É hora de celebrar o pop simples e os clipes futuristas bregas e as coreografias facilmente imitáveis? Porque apesar de Austin Mahone ter tentado, quem conseguiu mesmo recolocar o estilo na popsfera foi Meghan Trainor com a maravilhosa “NO”, que conseguiu subir seis posições com a faixa, chegando à sexta posição e pegando o quarto top 10 da carreira. Neste momento a faixa está em segundo lugar no iTunes, e o vídeo – apesar de não tão bacana quanto todos pensavam, deu um boost absurdo na música, já que na semana que contabilizou para o chart esta semana a música conseguiu #1 no Chart digital. Crescendo horrores nos charts de streaming e nas rádios, onde está no top 10 da parada pop, a faixa só tende a crescer – com a divulgação que evidentemente promete ser massiva; afinal de contas, Meghan é uma das duas máquinas de dinheiro da Epic, sempre na pendura (a outra são as meninas do Fifth Harmony). A única coisa que podemos dizer de errada nessa história toda é: se a Meghan tivesse feito o Nick Jonas e lançado música e vídeo no mesmo dia, vinda de uma era bem sucedida como o “Title” e com um Grammy de Best New Artist nas costas, não sei se teríamos Rihanna em primeiro hoje não…

Enquanto tentamos nos despedir das farofas, podemos já adivinhar o que nos espera 2016. Com um punhado de músicas relativamente novas e em crescimento nos charts, podemos inferir um ano que promete mais variedade ainda que 2015. Ao mesmo tempo em que tendências observadas no ano passado continuam rendendo este ano – e se aprofundando (afinal de contas, quem diria que seria Zayn Malik viraria o “The Weeknd teen”?), há uma mistura curiosa e interessante de sons rolando por aí, o que é bom pro pop e pra quem quer aparecer mostrando serviço com personalidade. Ou talvez essa mistura de sons represente um acomodamento das forças para o pop mais simples voltar à cena? O que você acha?

Deixo vocês com a atual sétima posição no Billboard Hot 100, “Me, Myself & I”, do rapper G-Eazy com vocais de Bebe Rexha, bem mais interessante aqui que em “Hey Mama”.

2000 é o novo 90 mesmo para Meghan Trainor no vídeo de “No”

Meghan Trainor No Video

Você percebeu? A lembrança do Disk MTV, dos dias tentando pegar junto com a turma (eu tinha as primas), as coreografias das nossas artistas favoritas; ouvindo as músicas sem parar e sonhando com o dia em que iríamos nos casar com Nick (se ele não me desse bola, eu casava com o Brian, porque era sempre bom ter um plano B naquela época. E eu tinha dez anos no ano 2000)… Ouvir a grudentíssima e throwback-ish “No”, da Meghan Trainor, traz todas essa memórias de infância e pré-adolescência represadas; e com o vídeo lançado nesta segunda-feira (ô estrago de streams!), a sensação de revival é mais clara ainda.

No vídeo, Meghan e seu grupo de amigas dançam num cenário que parece uma fábrica, com imagens das coreografias num fundo vermelho e em sombras, e closes da Meghan com um vestido vermelho e cabelos ao vento – sem contar com a cena dela com as amigas todas com roupas sensuais, num sofá onde tudo pode vir a acontecer. Parece uma mistura feliz e inspirada, mas com uma simplicidade mais 2010, daqueles clipes de bubblegum pop do final dos anos 90 e início dos 2000, com closes beirando o cafona dos cantores, coreôs marcadas em cenários que nada tinham a ver com a letra da música e os figurinos perto do futurista (aquele casaco da Meghan deve ter sido retirado de um dos extras dos vídeos da Britney do início da década passada). Digo parece feliz e inspirada porque em cada frame do vídeo, você tem aquela velha sensação de nostalgia da sua diva pop adolescente, de como ela lacrava naquela época e como era tudo melhor na época da escola.

O problema é que deveria funcionar a contento, mas Meghan Trainor não é uma dançarina brilhante como a Britney nem competente como a Aguilera, por exemplo. Visivelmente travada seguindo os passos marcadinhos da música, ela fica bem mais à vontade fazendo a sexy com meia arrastão do que dançando. A ideia foi bem-vinda, mas a execução não foi uma das mais brilhantes. A sassiness continua ali, a autoconfiança e o carisma (mesmo com o cabelo ruivo que tirou muito do que eu achava interessante na Meghan, que dava uma ironia fina ao estilo dela – a garota americana típica cantando músicas debochadas); mas num vídeo em que o foco não era em ser engraçada ou debochada e sim em ser a ESTRELA, a moça ficou devendo muito.

Mesmo assim, acho que o vídeo não vai afetar o crescendo da Meghan. Se tivesse sido lançado junto com a música talvez desse um efeito mais impactante, mas acho que a faixa já tá crescendo pelos próprios méritos, e o vídeo só vai colaborar para essa evolução. Mas que podia ser melhor, acho que podia.

Nem que fosse um vídeo no espaço, ou numa boate futurista, ou em cenários de tons cítricos

No “Team” da Iggy Azalea, só ela entra

Cover Iggy Azalea TeamVocê ainda se lembra de Iggy Azalea? Ela mesma, o furacão australiano que estava na boca do povo em 2014 com os hits do debut “The New Classic”, com músicas mais pop que hip hop e uma imagem aceitável para o público médio consumir, em se tratando de rap, e criando feuds com outras rappers mais talentosas no pedaço – como a encrenqueira Azealia Banks e a bem sucedida Nicki Minaj.

O problema foi que o hype passou e Iggy não conseguiu segurar a onda – nem as críticas, bem-vindas, ao sotaque forçado de mulher negra americana (sendo que a moça é loira australiana), à música que era um hip hop para neófitos ou de rápido consumo; os tweets de cunho preconceituoso do passado e à ausência nos movimentos de defesa dos negros que tiveram em 2014-15, já que a moça usava da música negra para obter sucesso – que desse apoio aos negros quando eles eram vítimas de truculência policial e preconceito.

Um flop monumental aqui (“Pretty Girls”) e uma turnê cancelada acolá, Iggy Azalea sumiu da mídia e agora está de volta com o desafio do segundo álbum, chamado “Digital Distortion”, e a chance de provar que sua imagem não possui mais as rachaduras do passado. Com isso, a moça abre os trabalhos do novo CD com “Team”, uma faixa menos pop que todos os singles do “New Classic”. Juntos.

Mas isso não significa que Iggy (nascida Amethyst Amelia Kelly) tenha ido para um gangsta rap pesado e hardcore. A música tem um refrão fácil e uma batida up, eletrônica mas sem ser EDM, como se fosse um hip hop eletrônico (talvez uma dica do título do CD?) e uma letra até interessante, com referências até às Kardashians, sobre se bastar, ser independente diante do mundo.

A faixa demora pra pegar, mas quando pega, fica na sua cabeça. É grower e tem um crescendo no pré-refrão que literalmente vira um break trap no refrão, e depois sobe de novo – ou seja, perfeita para se jogar nas pistas e rebolar até o chão (aliás, “Team” já tem um dance video). É uma música pronta para fazer sucesso, e com o olho bom da Iggy para vídeos, espere algo extremamente bem produzido e inspirado.

No entanto, será que faz sucesso? Como música, neste período do ano – primavera – e os grandes artistas A-list ainda se movimentando em produzir e compor (Adele é outra liga); e com a era confusa da Rihanna (mesmo com um #1), é o momento da Iggy brilhar. E “Team” é perfeita pra isso. Só que a imagem da moça já está intacta o suficiente para conquistar pelo menos um top 10? E o público ainda quer Iggy Azalea? Esse é o grande mistério da rapper.

O que você achou de “Team”? Pode fazer sucesso ou a vez da Iggy já passou?

A evolução que a gente esperava – Ariana Grande, “Dangerous Woman”

Cover Ariana Grande Dangerous WomanAriana Grande está numa curiosa enrascada. Depois de superar a famosa “maldição” do segundo CD com honras, lançando um dos melhores trabalhos de uma artista voltada para o público adolescente dos últimos anos (o ótimo “My Everything”, que chegou até a ser indicado a Grammy) (mesmo eu considerando o melhor trabalho dela o fofo “Yours Truly”, bem mais coeso e bem acabado), a coisa se complicou quando a moça, acusada de ser uma diva bem bitch nos bastidores, acabou cuspindo num donut que não comprou e dizendo que “odeia a América”. E como vocês sabem, ser antipatriota é um pecado mortal nos EUA.

Na busca rápida por “limpar a imagem” e manter o nome quente na mídia, Ariana e sua equipe (liderada por Scooter Braun, mesmo empresário de Justin Bieber) lançaram logo o lead single do terceiro CD, que seria chamado “Moonlight”, a derivativa “Focus“, que apesar de um top 10, flopou mares numa conclusão final. Voltando pra casa de novo, a moça repensou todo o trabalho, incluindo o nome do novo álbum – que agora se chama “Dangerous Woman” (ô nome cafona) – e um novo lead single, a balada sensual “Dangerous Woman”.

Com produção dele mesmo, Max Martin, a faixa é um upgrade mais adulto para Ariana, que trabalha aqui com menos notas agudas (“Problem” era no agudo o tempo todo), uma performance mais sensual, com uma sutileza interessante – apoiada pela letra que mais sugere que mostra, e comprova a maturidade de intérprete da moça. Ao mesmo tempo, eu gosto bastante do arranjo (me lembra The Weeknd no “Beauty Behind the Madness”), especialmente do acompanhamento com a guitarra que dá uma pegada de balada R&B sexy perfeita para usar nas preliminares.

Uma óbvia evolução em relação ao segundo álbum – e especialmente, a evolução que nós esperávamos, porque “Focus” foi um erro crasso de ideia e execução – e mesmo não sendo instantânea como “Problem” ou “The Way”, que eram grudentas na primeira ouvida, “Dangerous Woman” cresce dentro de você aos poucos. Quando ouvi pela primeira vez, achei com muita cara de balada quarto single do álbum. Quanto mais se ouve, mais se percebe que é o primeiro single ideal – não é um upbeat nervoso, nem uma reciclagem do passado, ao mesmo tempo que mostra uma intérprete em pleno controle da voz e do que fazer com ela. O que muita artista com mais tempo de estrada ainda não percebeu – seja pelo material, seja pelos caminhos que ainda precisa seguir (sim, pensei na Demi o tempo todo nessa resenha).

E você? Gostou de “Dangerous Woman”? Acha que a Ariana vai conseguir “limpar” a imagem com o single? Deixe seu palpite nos comentários! 😉

2000 é o novo 90, que é o novo 80… Meghan Trainor, “No”

Cover Meghan Trainor NoQuando descobri os Backstreet Boys, NSync e a Britney Spears, devia ter uns dez anos. Era ali, a virada do século, eu era uma criança assistindo à MTV, filhote da segunda metade dos anos 90 e pronta para receber sem defesa as mudanças intermináveis da sociedade e da tecnologia que tornariam os últimos 16 anos justamente a era em que a tecnologia faria parte de nossas vidas como uma extensão do nosso corpo (smartphones, alguém?).

Como a maioria das pessoas que teve acesso àquele turbilhão cultural atualmente já chegou à idade adulta, e aparentemente nós temos um sentimento de nostalgia meio estranho para os vinte e poucos anos – as listas do Buzzfeed não nos deixam mentir – é claro que música tinha que refletir o sentimento de “gente, 2000 já tem 16 anos né? Já dá pra pensar num revival!”. E quem poderia pensar num “recordar é viver” dentro da popsfera?

Uma boa candidata que veio com um dos bops do ano é a Meghan Trainor. O som da ex-loira e atual ruiva já trabalhava com uma pegada mais old-school (o doo-wop do primeiro álbum, “Title”), e o lead single do segundo CD (intitulado “Thank You”), a uptempo “No”, vai atrás de outra época do passado: o final da década de 90/início dos anos 2000, com aquele pop delicioso, meio bubblegum, mas com uma coisa meio sassy vinda do rapzinho no refrão e toda a personalidade na voz da própria Meghan, que se mostra aqui mais bossy que em seus singles anteriores.

A música é simples – é a moça recusando os avanços de um engraçadinho na balada. Mas a melodia e a construção da faixa traz algo diferente: é um pop com várias referências às músicas de boybands dos anos 90/2000 (lembra algo das músicas do NSync), ao mesmo tempo em que o rap do refrão mantém a personalidade da cantora, sem parecer uma cópia fiel da sonoridade daquela época.

Outro triunfo de “No” diz respeito à habilidade da própria Meghan Trainor em não se perder na necessidade de mudar completamente do primeiro pro segundo CD – a faixa é mais “moderninha” (guardadas as proporções de moderno, considerando que o throwback aqui é 2000), mas mantendo o espírito mais despreocupado das músicas da jovem e o sabor de “vintage” – e se tem uma coisa que o público dos vinte e poucos (e os Millennials em geral) adoram é ter saudades do passado, mesmo que o passado seja bizarramente recente.

Ou seja, um hit prontinho para destruir nas rádios. Só espero que a equipe seja rápida no vídeo e na divulgação massiva.

E você? O que achou desse gostinho de nostalgia de “No”?

Combo de Álbuns [1] Sia, Charlie e Kanye

Como nos últimos tempos a vida andou uma loucura – Grammy, mudei de emprego, cobertura de carnaval – muitas coisas vem acontecendo na popsfera e se torna difícil alcançar tudo. A gente faz o que pode, sendo uma pessoa só.

Enquanto você não é a Beyoncé ou Rihanna, que obrigam o mundo a te ouvir mesmo que você já esteja dormindo a essa hora, os outros precisam esperar um pouco para serem ouvidos e resenhados. Por isso, fiquei matutando uma seção neste blog chamada “Combo de Álbuns”, que funcionaria como uma resenha grande de três álbuns lançados recentemente, mas que não tive tempo (ou espaço) para escrever sobre eles no momento do lançamento.

Por três motivos distintos, optei por três artistas bem diferentes entre si – Sia, que lançou o “This Is Acting”, sétimo álbum na sua discografia, no dia 29 de Janeiro; Charlie Puth e seu debut “Nine Track Mind”, também lançado em 29 de Janeiro; e Kanye West, que até o momento só colocou o seu “The Life of Pablo” no famigerado TIDAL desde 14 de fevereiro.

Hora de conferir, de forma bem resumida, esta humilde opinião sobre esses três lançamentos.

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