Design de um top 10 [29] Bora trabalhar

Depois do Grammy, é hora da gente dizer finalmente que “2016 já começou”. E começou mesmo, com Justin Bieber continuando a dominar os charts com “Love Yourself”, Zayn (aquele que foi embora do One Direction) se mostrando uma força a ser reconhecida com o single solo “Pillowtalk” (inspirado naquele som altR&B do The Weeknd com resultados mistos na minha cabeça) e agora, uma lenda trabalhando (quase nada) para colocar seu nome entre os grandes.

Esta semana, Rihanna e seu amigo colorido Drake chegaram ao #1 com “Work”, o real primeiro single do ANTI, aquele álbum da barbadiana que chegou, deu um brilhinho e sumiu como poeira no deserto. Apesar da divulgação confusa, com direito a até apresentação no Grammy cancelada, a faixa tropical chegou à liderança sem promo, sem apresentação, e sem o clipe (que estreou nesta segunda-feira, num esquema pague um e leve dois, já que você tem duas “versões” de “Work”: a jamaicana com twerk, mais sensual; e uma só com a RiRi e o Drake fazendo o casal apaixonado num cenário rosa.)

Mas, por que a música teve tanta força pra chegar à liderança, mesmo contra todas as expectativas? Hora de conferir no nosso Design de um Top 10!

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Top 10 Billboard Hot 100 (05.03.2016)

  1. Rihanna feat. Drake – “Work”
  2. Justin Bieber – “Love Yourself”
  3. twenty one pilots – “Stressed Out”
  4. Justin Bieber – “Sorry”
  5. Flo Rida – “My House”
  6. Zayn – “Pillowtalk”
  7. Adele – “Hello”
  8. G-Eazy feat. Bebe Rexha – “Me, Myself & I”
  9. The Chainsmokers – “Roses”
  10. DNCE – “Cake By The Ocean”

 

Rihanna Gif Work Rihanna não ia ficar muito tempo sem um hit – e “Work”, o real primeiro single do ANTI, é o hit pronto que a barbadiana estava precisando para manter o nome quente na mídia, após a confusão com as músicas trabalhadas ano passado, que não caíram na boca do povo como (eu acho que) ela esperava. Apesar de não ser exatamente aquela brastemp, a faixa em parceria com o Drake é chiclete e pop o suficiente para ganhar o interesse do grande público – e de certa forma, a Rihanna hitmaker é a encarnação mais interessante da legend in making.

O segredo para esse #1 sem promo, sem vídeo (já que o clipe foi lançado hoje, e creio eu vai ajudar a manter a música mais uma semana em primeiro) e sem sequer uma apresentaçãozinha na Ellen foi o crescimento da música nos Streams (já que a música está em todos os serviços – e não apenas no TIDAL); a estabilidade no iTunes (atualmente, a faixa está em #2 no chart, mesmo com as chegadas e saídas das faixas do Bieber e do Zayn, além do fator Flo Rida) e chegou ao top 10 das rádios (onde ela sempre foi queridinha). A música está em plena ascensão, e a moça nem se mexeu pra divulgar a faixa.

Mas quando eu falo de “legend in making”, eu falo do fato da Rihanna ter chegado ao décimo-quarto #1 na Billboard – DÉCIMO. QUARTO, o que significa que RiRi já passou Michael Jackson e está galopando em direção a Mariah Carey, que atualmente tem 18 #1, e os Beatles, que tem 20. Ou seja, ela tem chance de engolir essas lendas da música – como já engoliu e digeriu forças como Whitney Houston, Stevie Wonder e Janet Jackson em basicamente dez anos (desde o seu primeiro #1, lááááá em 2006, com a deliciosa “SOS”) – porque a menos que alguém descubra um single perdido dos rapazes de Liverpool e lance do nada, e a Mariah lance um single em parceria com a ADELE, me parece complicadíssimo manter essa primazia por muito tempo.

 

Um dos players que sempre dá medo no jogo dos #1’s no Hot 100 é o Flo Rida. O rapaz, até chegar a ADELE, tinha o Flo Rida Gifrecorde de debut digital de 636.000 vendas (isso em 2009, quanto tempo tivemos que remar pra chegar até aqui), e em toda era, sempre emplaca pelo menos um #1: Low (2007, no debut album “Mail On Sunday”); “Right Round” (o ex-recordista, em 2009, com o segundo CD “R.O.O.T.S.”);  e “Whistle” (2012, no quarto CD, “Wild Ones”). Só no “Only One Flo (part 1)” que o melhor desempenho foi com “Club Can’t Handle Me”, que chegou à nona posição. Mas mesmo assim, o homem consegue hits com uma facilidade impressionante, e sempre essas músicas extremamente grudentas de verão.

A próxima ameaça de ficar na nossa memória até março do ano que vem é “My House”, bem menos eletropop que outros singles do Flo Rida, e com uma pegada urban pop bem vinda (eu já tô cantando sem querer o refrão, sorry). A música já conquistou o público – onde o Flo Rida é fortíssimo, o digital, ele está em primeiro – está crescendo nas rádios (oitava posição) e se encontra na nona colocação dentro dos charts de stream. Ou seja, está crescendo bastante, bem longe de chegar no peak, e mesmo com players fortíssimos nessa equação (quase que “Love Yourself” não deixava a RiRi ser primeiro), não duvide de que o Flo Rida emplaque o quarto #1 da carreira. O poder desse homem dá medo!

 

DNCE gifMas quem chegou sem querer, de pouquinho em pouquinho, sem chamar muita atenção, mas se tornando parte da história, foi o Joe Jonas. É, ele mesmo, o outro Jonas Brother que não é o Nick; que se lançou na carreira solo e flopou miseravelmente, retornando como parte de uma banda pop despretensiosa chamada DNCE e que agora chega ao top 10 com a igualmente despretensiosa “Cake By The Ocean”. Aquele popzinho gostoso, simples, com um groovezinho de guitarra e uma levadinha funkeada que lembra bem de longe o Maroon 5, e que mostra o Joe Jonas funcionando bem melhor como membro de banda do que act solo.

O crescimento da música foi lento, mas conquistando os ouvidos do grande público e chegando à décima-primeira posição nos charts de Streaming; 14º no chart digital e a mesma décima-quarta colocação nas rádios. Tudo muito calmo, em comparação aos outros pesos-pesados no top 10, mas a faixa tinha sido lançada em Setembro do ano passado. Considere a situação: ex-membro de boy band juvenil que flopou em carreira solo que mal nasceu se lança numa banda de pop rock com sonoridade que nada tem a ver com nada que ele tinha feito nos dois estágios iniciais da carreira. Lança o single sem muito alarde, crescendo aos poucos com promos específicas em programas de TV e muita apresentação em casa de show e boca a boca (eu até desconto as antigas fãs do Jonas Brothers porque se elas entrassem na equação a DNCE já seria um sucesso estrondoso assim que o Joe Jonas criasse a conta no Instagram).

O segredo aqui foi ter remado e acreditado numa boa música. Se o ano será mais dançante para a banda? Boa pergunta, mas é hora de aproveitar o sucesso que é merecido – e o lugarzinho na história, já que com “Cake By The Ocean” Joe se torna o terceiro artista a conseguir top 10 no Hot 100 como solo e com dois grupos – em 2008, ele conseguiu duas vezes com os Jonas Brothers em “Burnin’ Up” e “Tonight”; e no mesmo ano entrou em nono lugar com a Demi Lovato pela música “This Is Me”, trilha sonora do filme “Camp Rock”, da Disney. Quem são os outros artistas que adoram variedade de parcerias? Jimmy Page, com top 10 nas bandas The Yardbirds, Led Zeppelin e The Honeydrippers, além de um top 10 solo como featuring do Puff Daddy (!) em “Come With Me” (#4, 1998); Paul McCartney, um homem cheio de amigos – 34 top 10 com os Beatles; 14 com o Wings e 17 solo; Paul Carrack, solo e com Ace e Mike + the Mechanics; Johnny Gill – solo, New Edition e LSG;  e Donny Osmond, solo e com o the Osmonds e Donny & Marie. UFA! 

Você ainda não ouviu “Cake By The Ocean”? Então dê play no clipe pra conferir!

Com informações do billboard.com

Indicados ao Grammy 2016 [6] Álbum do Ano

O prêmio principal da noite, aquele que todos os grandes artistas querem, em diferentes estágios da carreira, é o de Álbum do Ano. O principal prêmio do Big Four é a consagração, a confirmação de uma trajetória bem sucedida ou o surgimento de um grande artista – ou mesmo a compensação por anos de indicações malsucedidas.

Entre os vencedores já tiveram clássicos atemporais (“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”, Beatles, 1968); o mesmo artista duas vezes seguidas (além do Frank Sinatra em ’66 e ’67, Stevie Wonder teve esse privilégio em 1975 com o “Innervisions” e no ano seguinte com “Fulfillingness’ First Finale”); recordistas (um tal de “Thriller” em 1984, de um mocinho chamado Michael Jackson; além daquele senhorzinho Santana em 2000); trilhas sonoras marcantes (além de “Saturday Night Fever” em ’79, Whitney Houston levou com a trilha de “O Guarda-Costas” em 1994; sem contar a trilha de “E Aí Meu Irmão, Cadê Você”, em 2002); arrasa quarteirões (“21”, alguém? – 2012) e vitórias envoltas num ambiente de “what?” (estou falando de você, Beck, e o “Morning Phase”).

Os indicados este ano compõem um espectro que representa bem como a bancada do Grammy estrutura seus indicados – um representante pop, outro R&B/urban, outro country, outro indie e um de hip hop. Por vezes, o representante de R&B é o representante do hip hop, os indies ficam de fora da equação, ou como neste ano, não teve um grande rock act fazendo o corte final, porque algum gênero diferente se destaca no ano anterior ou tem um álbum extremamente bem sucedido por aí (ou as divisões de votos fizeram vítimas aqui). Anos extremamente pop já estiveram presentes (como em 2012, na vitória do 21, com três indicados pop, um rock – Foo Fighters – e um mais eletrônico, o “Born This Way” da Gaga). Este ano foram mais álbuns de R&B contemporâneo (dois, o da Beyoncé e do Pharrell), com dois álbuns pop na equação e um de rock. Se formos para um passado mais distante, a predominância de um gênero se torna uma lógica fortíssima na escolha de álbuns para compor a lista final de indicados – como em 1978, quando entre os cinco indicados, apenas dois não eram álbuns de rock – justamente a trilha sonora de Star Wars (!!) e o comeback de James Taylor com o “JT”. Os outros eram “Aja”, do Steely Dan (classificado como jazz rock), o clássico “Hotel California” do Eagles e o vitorioso “Rumours”, do Fleetwood Mac.

Pois bem, como o ano de elegibilidade foi um dos mais diversos musicalmente dos últimos tempos (refletindo este período bem específico da música em que você não sabe exatamente o que está fazendo sucesso – e que brand seguir), hora de conferir os indicados e as análises para Álbum do Ano:

Alabama Shakes, “Sound and Color”
Kendrick Lamar, “To Pimp a Butterfly”
Chris Stapleton, “Traveller”
Taylor Swift, “1989”
The Weeknd, “Beauty Behind the Madness”

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Indicados ao Grammy [5] Melhor Álbum Pop

Finalmente o blog chegou aos momentos mais nervosos do Grammy – a premiação dos álbuns! A indicação ou a vitória em Melhor Álbum dentro de um field (pop, rock, country, R&B), além de trazer credibilidade e relevância ao trabalho do artista vencedor, pode ser um passo a mais até a cereja do bolo: Álbum do Ano (quando o indicado dentro do field também está indicado nesta categoria).

No caso de Melhor Álbum Pop, categoria que estreou em 1968 com a vitória do icônico “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band” e ficou de fora das premiações até 1995, quando Bonnie Raitt ganhou com “Longing in Their Hearts”, o binômio “vitória no field > vitória no prêmio principal” funcionou com Celine Dion com “Falling Into You” em 1997; Steely Dan com “Two Against Nature” em 2000 (ano que teve sua sorte de polêmicas em Álbum do Ano, já que a opção mais conservadora levou em cima do enfant terrible e grande revelação do ano, Eminem, que concorria com o “The Marshall Mathers LP”); “Come Away With Me” de Norah Jones em 2003; Ray Charles de forma póstuma com “Genius Loves Company” em 2005; e Adele com o “21” em 2012.

Este ano, o único indicado a Melhor Álbum Pop que está entre os concorrentes a Álbum do Ano é o “1989”, da Taylor Swift, e com chances fortes de fazer esse binômio acontecer – e entrar nessa lista bem curiosa, que inclui nomes poderosos da indústria misturados com artistas à época quase-novatas. A chance da Taylor levar no field é alta; o problema são as confusões em torno dessa categoria, que não me parece mais óbvia como nas previsões – porque aqui temos a maior vencedora (e maior indicada) em Álbum Pop; e uma lenda da música.

Antes de entendermos as possibilidades, vamos aos indicados.

Kelly Clarkson, “Piece By Piece”
Florence + the Machine, “How Big, How Blue, How Beautiful”
Mark Ronson, “Uptown Special”
Taylor Swift, “1989”
James Taylor, “Before This World”

A análise vem após o pulo!

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Beyoncé fez a Beyoncé com “Formation”

Cover Beyoncé FormationApós o lançamento surpresa do “BEYONCÉ”, em que o álbum completo (com direito a vídeos de todas as músicas) foi lançado no iTunes e criou até a expressão “fazer a Beyoncé” (ou seja, lançar alguma coisa de surpresa) – sem contar com toda a discussão social gerada pelo conteúdo do álbum e do que houve no Grammy deste ano, público e crítica começaram a imaginar o que Beyoncé faria no próximo lançamento.

Lançar single e clipe e álbum no formato tradicional?

Jogar o álbum todo no infame TIDAL?

Divulgar o CD no Soundcloud?

Não, Beyoncé basicamente “fez a Beyoncé” e um dia antes do Superbowl em que ela fará participação especial (o headliner é o Coldplay, mas ninguém parece muito interessado neles 😉 ), lançou uma faixa nova junto com o vídeo, chamada “Formation“. O clipe é repleto de referências à cidade de Nova Orleans, Louisiana, e a música é um urbanzão daqueles que funciona como uma continuidade mais pesada à sonoridade do selftitled.

Com produção de um inspiradíssimo Mike Will Made It (a mente por trás das batidas do Bangerz), “Formation” não é exatamente a música mais fácil e acessível do catálogo da cantora. Na sonoridade, a música tem algumas quebras no meio, com inclusão de samples e um refrão que se revela lá no meio do álbum, enquanto Beyoncé emula seu lado rapper, mais versando que cantando. Um urban/hip hop mais pesado e pouco convidativo a um ouvido pop, tem uma letra igualmente contundente, falando de empoderamento – Beyoncé tem orgulho de seus traços, de suas raízes, do seu poder como mulher (no trecho “When he fuck me good I take his ass to Red Lobster, cause I slay”, Red Lobster é uma rede de restaurantes que servem pescado – ou seja, se o rapaz fizer o serviço direito, ela leva ele no restaurante – ela paga, btw) e como figura pública.

É uma música com uma mensagem direta, não só da Beyoncé para os críticos ou para a comunidade negra, mas também é uma canção para que a comunidade negra a abrace, especialmente as mulheres – para que elas também digam e se orgulhem de sua estética, de que são bem sucedidas, independentes. Em meio a tantas tensões relacionadas à representatividade negra no show biz (o #OscarsSoWhite é o maior exemplo disso), “Formation” vem para colocar mais um ponto nessa discussão, no sentido positivo de empoderar a população negra – especificamente a feminina.

É uma ótima, grande canção, e impactante – só não vejo como um hit crossover na rádio pop. Não é soft para as rádios pop, mas funciona perfeitamente para o público urban (o público que, imagino, Beyoncé queira continuar ligada agora, nos próximos passos da carreira, já que é um público fiel e não volátil como o pop, que lança e descarta novos artistas a cada mês). Acho que fará um sucesso absurdo nas rádios urban, e se for lançada a tempo no iTunes, pode subir muito por ser Beyoncé (já que o impacto do lançamento foi perdido) (digo se lançado porque a música ainda não está no chart digital /parabéns aos envolvidos), sem contar o fator stream. Vai ficar no TIDAL? Vai manter as views do Youtube?

(a pergunta é: e Beyoncé quer ainda esse tipo de exposição? Lançando “Formation”, seguindo a tendência do “BEYONCÉ”, nascido pela curva ao R&B do “4”, Beyoncé acaba se reposicionando no mercado – acredito que são passos largos para a artista se atrelar a um público que continuará consumindo seu trabalho, por identificação mútua, e por também falar sobre aquilo que esse público quer ouvir.)

E você? O que achou desse novo trabalho da Bey?