Esquentando os tambores para o Grammy 2016 [1]

A época mais tensa do ano está chegando, e não é exatamente o Grammy… E sim a revelação da lista de indicados, que sempre gera tretas, dúvidas, revolta geral, além da emoção de ter o seu fave indicado naquela categoria que você esperava – ou que ele conseguiu ser indicado em todos os prêmios os quais a gravadora o submeteu.

Sete de dezembro é o dia em que serão revelados os nomes dos indicados, e até lá, o blog realiza um esquenta com algumas curiosidades sobre grandes vencedores, mudanças da Academia e uma ou outra polêmica. Ano passado, o Duas Tintas de Música tinha feito um esquenta mais “perguntas-e-respostas”, e quem tiver curiosidade, pode conferir nos links abaixo o que foi publicado no período.

Especial 1

Especial 2

Especial 3

Especial 4

Especial 5

Porque este ano, a ideia será um pouco diferente – e você vai entender um pouco quando conhecer o homem, o mito, a lenda…

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Uma jornada de amadurecimento com Adele e o 25

adele-25-coverQuando fiz a resenha de “Hello”, o já recordista lead single do álbum da Adele vazado nesta quarta-feira, tinha introduzido o post com uma pequena história tratando da trajetória da minha relação com a britânica, começando com o “19”, e encerrando com a sensação de que finalmente a minha maturidade emocional estava no mesmo ponto onde a Adele começou a produzir esse álbum.  A ideia de nostalgia, de entrar em contato com a sua idade adulta, de compreender os erros do passado e seguir em frente.

A audição inicial do “25” foi mais marcada pela empolgação em ouvir o material novo da Adele – quatro anos depois, ela está de volta! – mas o que, acredito eu, ela quis propor nesse álbum eu só senti mesmo na segunda ouvida, voltando pra casa após o trabalho, quando as faixas começaram a calar fundo. E eu, que não sou exatamente um poço de emoções, me senti especialmente movida com o CD.

Essa identificação, essa sensação de conexão emocional que temos com as músicas da Adele, é o grande charme dela. As melodias e as produções não são revolucionárias, não vão mudar a história do pop – e nem é essa a proposta. O trabalho da Adele é focado nessa simbiose entre letra e melodia, mas principalmente em como as músicas, que são parte de sua história, conseguem influenciar tantas pessoas. É nessa simplicidade – traduzida no caráter acústico e confessional do “19”, na força e fragilidade através do peso das baterias, das batidas do “21”; e agora com a organicidade do “25” – que a gente vê o diferencial da Adele. Porque mesmo que a gente não tenha passado pelas mesmas situações que a britânica, nós sentimos algo diferente. Ficamos na bad, rimos, sentimos saudade; como se o diário das nossas emoções fosse traduzido em versos e refrões pela moça.

E a palavra do dia aqui é: MATURIDADE.

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Design de um top 10 [26] Adele III

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Num mundo em que Adele domina, a gente acaba esquecendo de alguns nomes que ficam entrando e saindo do top 10 do Hot 100 e que merecem nossa atenção neste final de ano, quando aos poucos vamos nos despedindo das músicas animadas e uptempos para as baladas e midtempos do inverno no hemisfério norte (e as nossas próximas músicas de sofrimento pelo fim do namoro).

É claro que determinados artistas simplesmente foram foguetes que apagaram com rapidez incrível (a estreia de “Focus” da Ariana Grande em sétimo semana passada… onde foi parar?); enquanto outros foram galgando posições de pouquinho em pouquinho até chegar lá. E um certo rapper, com mais um sucesso, pode ser o candidato mais forte a chegar no corte final – e levar – o sonhado prêmio de Artista Revelação no Grammy 2016.

Porque no reino de Adele que é o Hot 100, é hora de conhecer a corte.

Top 10 Billboard Hot 100 (28.11.2015)

1. Hello – Adele
2. Hotline Bling – Drake
3. Sorry – Justin Bieber *
4. The Hills – The Weeknd
5. Stitches – Shawn Mendes *
6. What Do You Mean – Justin Bieber
7. 679 – Fetty Wap feat. Remy Boyz (+2)
8. Wildest Dreams – Taylor Swift
9. Like I’m Gonna Lose You – Meghan Trainor feat. John Legend(+1)
10. Ex’s And Oh’s – Elle King (+2)

Justin BieberSe não fosse Adele, Justin Bieber poderia ser #1 na Billboard. Poderia ter perdido o #1 pro Drake depois (aliás, o rapper não tem sorte NENHUMA), mas o rapaz teria mais um topo na carreira, desta vez com “Sorry“, uma música melhor que o primeiro single, a derivativa “What Do You Mean?”. Mas os números ajudam Bieber – em terceiro no iTunes (estava em segundo nos últimos tempos, mas caiu uma posição porque um participante do The Voice tirou a Adele do topo – CALMA, GENTE, daqui a pouco volta ao funcionamento normal); no top 20 do Mediabase (enquanto o primeiro single cai com consistência mas aos poucos) e em terceiro lugar nos charts de Stream, “Sorry” ainda está longe do peak, e com a proximidade do American Music Awards, sem contar com vários programas de impacto para participar, a música tem chance de se manter muito tempo nos charts.

 

Outro que desde que chegou ao top 10 não sai mais de lá é o conterrâneo do Bieber, Shawn Mendes. Estrela do Shawn MendesVine alçado à sensação teen, tentaram vender o rapaz justamente como um novo Bieber, mas logo a gravadora (ou os empresários) perceberam que a linha do Mendes era diferente – algo mais acústico – e ele alcançou o top 10 com a bacaninha “Stitches“, que me lembra um Ed Sheeran teen. O rapaz, de apenas 17 anos, já tinha alcançado um recorde com 15 – o mais novo artista a debutar no top 35 da Billboard com um debut, em 24º lugar com a música “Life of The Party” (que aliás, chegou ao #1 no iTunes na época como um rastilho de pólvora). Terceiro single do debut álbum “Handwritten”, pode-se dizer que a faixa está bem perto do seu peak (se ainda não chegou). Ainda liderando a Pop Songs, mas com subidas menores no Mediabase, a música está no top 20 do iTunes, mas nada que uma performance num programa de impacto pra dar mais sobrevida à música né?

 

Fetty WapEu não sei se você percebeu, mas o Fetty Wap – que tinha estourado lá no início do ano com o viral “Trap Queen”, tá com mais uma música morando no top 10, “679” – que curiosamente, não tem a mesma pegada pop do primeiro single. É uma música um tantinho mais difícil, mas o peak da faixa foi #4, depois caiu e agora subiu mais duas posições. A faixa já chegou ao peak, mas é notável o quanto a faixa conseguiu se manter mesmo sem o Fetty Wap aparecendo em todos os cantos possíveis. O rapper novato do ano – e talvez o azarão de 2015, num ano da consagração pop do Drake, além de Kendrick Lamar inserido dentro da cultura e da sociedade com o “To Pimp a Butterfly”, Fetty está fazendo sucesso fazendo o básico: hip hop com apelo e aquele jeitinho de anos 2000. Os vídeos dele parecem os clipes que passavam no Yo! MTV há uns bons anos. Por isso, eu imagino que, com esse sucesso de singles + boa recepção do álbum de estreia (que foi lançado no finalzinho do período de elegibilidade para os indicados ao Grammy), Fetty Wap tem muitas chances de fazer o corte final para os indicados e tem jeito de favorito a Artista Revelação (mesmo com a resistência histórica do Grammy a artistas de hip hop negros).

 

Por falar em novatos, Meghan Trainor pode ter batido na trave com “Dear Future Husband”, mas com “Like I’m Meghan TrainorGonna Lose You” a moça conseguiu mais um top 10. A baladinha fofa com John Legend parece uma paridade estranha, mas funciona muito bem em estúdio e ao vivo, sem contar com o timing ótimo do lançamento no final do ano. Boa parte das músicas reservadas para o final do ano são baladas ou midtempos, ao contrário da animação ostensiva do meio do ano; e essa música foi uma ótima escolha – John Legend teve um ótimo 2015, o momento da Meghan na popsfera ainda não passou (especialmente porque os trabalhos como compositora andam de vento em popa) e essa é a clássica faixa que pode angariar uns prêmios por aí. A loirinha tem chances fortes de conseguir entrar no corte final pro Grammy – e merecidas. Foi a novata mais bem sucedida em 2015 e um dos nomes femininos de maior apelo num ano de sucessos masculinos. (e só eu vejo semelhanças curiosas entre a carreira dela com a da Katy Perry?)

 

Elle KingE a nova entrada no top 10 é a da cantora Elle King, com a faixa “Eh’s & Oh’s“. A música já estava subindo de pouquinho em pouquinho nos charts – atualmente em oitavo no iTunes, no top 10 do Mediabase e #39 nos charts de Stream, sem contar a liderança por cinco semanas no Hot Rock Charts – e agora conseguiu o feito de entrar no top 10, com uma faixa pouco usual para os tempos que correm nos charts (mas bem representativa da variedade de estilos que andou circulando pelo mainstream neste ano): uma faixa meio rock, meio pop, meio country, com uma letra pessoal e uma atitude “I don’t give a fuck” que deixa a música mais gostosinha de ouvir. O mais curioso é que a música, apesar de gostosa, não é extremamente comercial (apesar do refrão grower), o que torna a chegada da Elle (filha do comediante Rob Schneider, que você deve lembrar dos filmes com Adam Sandler e de “Gigolô por Acidente”) mais surpreendente ainda. Agora é saber se ela pode ter um sucesso mais crossover, ou será uma One-Hit Wonder, ou mesmo ganhará espaço no field rock/alternativo.

É esperar pra ver. (e conhecer a moça. se você não conhece, pode dar play no vídeo abaixo)

 

Pedido de desculpas: Justin Bieber – Purpose

Cover CD Justin Bieber PurposeO caminho para o crescimento diante dos tabloides, dos fotógrafos, das fãs, dos empresários e da gravadora nunca é fácil para um artista adolescente. Ceder à pressão acaba sendo o caminho mais fácil, especialmente quando você está no topo do jogo.

Justin Bieber surgiu como um astro teen de rosto infantil, ar andrógino, voz aguda e músicas pop com traços R&B para encantar as fãs pré-adolescentes que o idolatravam de forma quase obsessiva. O rapaz cresceu, a voz encorpou e com o “Believe”, segundo álbum após o “My World”, Bieber mostrou versatilidade, e parecia pronto para encontrar um caminho até um público crossover, mesmo que o hate fosse alto (mas todo artista que polariza emoções tem grande hate). No entanto, o sucesso (e a pressão) subiu à cabeça do jovem, que passou a ficar conhecido pelas confusões, farras, bebedeira e prisão do que por música.

Até mesmo o terceiro álbum, “Journals”, um esforço bem mais puxado pro urban R&B, acabou sendo lançado no meio dessa confusão, ainda nessa busca do Bieber para ser visto como um rapaz crescido e maduro (enfim, pelas atitudes fora da música, não passou uma coisa nem outra).

Agora, é hora do canadense se provar mais uma vez – e mostrar para o grande público que sim, cresceu e pode ser consumido por um público mais velho – para além das fiéis Beliebers – com o “Purpose”, vazado nesta quarta-feira, dois dias antes do lançamento oficial, carregado por uma era extremamente bem sucedida (um #1 com “What Do You Mean” e um debut em #2 com “Sorry”, atrás apenas do furacão Adele; esta semana a faixa ficou na quarta posição na Billboard) e algumas polêmicas do rapaz.

Será que musicalmente falando, Bieber pode dizer que chegou à idade adulta? Confira no track-by-track!

(obs: as faixas resenhadas foram da standard edition)

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Demi Lovato na busca pela própria voz em “Confident”

2015 tem uma marca sutil, não sei se percebida pelos ouvintes casuais ou mais perceptivos de música pop. É o ano em que os artistas com grande público adolescente lançaram (ou vão lançar) materiais com objetivo de atingir um público maior – e por fim, fazer com que esse público perceba que os artistas cresceram. Selena Gomez mostrou uma maturidade reflexiva no ótimo “Revival”, enquanto Justin Bieber logo vai lançar o seu “Purpose” para provar aos críticos que pode ser levado a sério.

Cover CD Demi Lovato Confident Demi Lovato, que deve ter tido a trajetória mais cheia de conflitos de todas as estrelas teen do final da década de 2000, encontrou uma confiança e uma atitude mais sexy com o “Confident“, lançado em Outubro. Apesar dos dois primeiros singles, “Cool For The Summer” e “Confident”, não terem sido (ou serem) os smashs pretendidos de quem decidiu trabalhar com o midas Max Martin, Demi conseguiu o seu objetivo: crescer diante do público com um material que, entre altos e baixos, consegue passar uma mensagem de crescimento e desenvolvimento de uma autoestima mais positiva, com um importante ponto: a jovem consegue controlar aqui finalmente o seu potencial vocal em músicas nas quais ela consegue finalmente se impor como intérprete, para além de cantora.

Especialmente para uma artista que até o momento, ainda me parece em busca de uma identidade que a classifique como “Demi Lovato”, para além do vozeirão (que sempre me pareceu utilizado de forma pouco inteligente no decorrer da sua carreira). Se essa identidade foi alcançada aqui? Confira no faixa-a-faixa!

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Design de um top 10 [25] O ano de Adele

Adele decidiu voltar quebrando todos os recordes. Se um dia existiu o famoso recorde de debut digital do Flo Rida, com “Right Round” em 2009 (636.000 downloads), ele foi pulverizado pela britânica. E se um dia houve o debut da Britney com o “Oops! I did it Again” em álbuns, ele fatalmente será destruído pela Adele e seu “25”, cujo conteúdo só sabemos baseado nas entrevistadas da própria cantora (o CD chega em 20 de novembro e nem prévias temos). Como questionar o poder da moça, que apenas com um spot curto na TV e um lançamento simples + vídeo conseguiu deixar a indústria aos seus pés?
Hora de conferir um pouco dos elementos mais importantes do top 10 histórico da Billboard nesta semana.
Top 10 Billboard Hot 100 (14/11/2015)
1. Adele – Hello
2. Justin Bieber – Sorry
3. Drake – Hotline Bling
4. The Weeknd – The Hills
5. Justin Bieber – What Do You Mean?
6. Shawn Mendes – Stitches
7. Taylor Swift – Wildest Dreams
8. Fetty Wap – 679
9. R City Feat. Adam Levine – Locked Away
10. The Weeknd – Can’t Feel My Face
adele-25-coverCom um debut de um milhão e 110 mil downloads, Adele conseguiu o maior lançamento digital de todos os tempos com a balada brilhante “Hello” debutando diretamente em primeiro lugar na Billboard. É a vigésima quarta canção a estrear no topo dos charts, e junto com o segundo debut na parada – o segundo single do Justin Bieber, “Sorry” (que debutou com 277 mil downloads digitais), faz parte de um outro recorde: as duas canções são as primeiras a debutarem diretamente em 1º e 2º lugares na Billboard desde 2003, quando os singles de dois finalistas do American Idol estrearam em primeiro e segundo: Clay Aiken com “This is The Night” e Ruben Studdard, com “Flying Without Wings”, respectivamente.
O quarto #1 da Adele também veio através de 61 milhões e 600 mil streams, número menor apenas que o viral “Harlem Shake”, com 103 milhões de streams. Sem contar a audiência absurda nas rádios americanas – 73 milhões. Ou seja, um sucesso completo, e com possibilidade de crescer ainda mais, porque mesmo com lançamentos importantes – a exemplo da própria “Sorry” e “Focus”, da Ariana Grande; além de “Hotline Bling” hitando – é como se eles não existissem diante da força da Adele, que promoveu um marketing que-não-parece-marketing, falando menos e apresentando só o suficiente, sem contar com o hype absurdo de alguém de quem todos esperavam o retorno, todos de oito a 80 anos.
O mais curioso é que a estreia de Adele acabou ofuscando o que poderia ser O comeback: Justin Bieber, o bad boy Justin Bieberteen pop, voltando com uma sonoridade mais adulta, meio EDM meio tropical (os dois primeiros singles parecem variações rítimicas de “Cheerleader” ou é só impressão?), e com “I’ll Show You”, meio trap; já tinha sido #1 com “What Do You Mean?”, mas “Sorry”, debutando com 277 mil downloads digitais e puxado por um vídeo de dança viral, era o mais provável lançamento direto em #1 da Billboard. O furacão Adele arrastou Bieber e seus singles para trás; sem contar com o fato de que o canadense ainda terá que enfrentar a competição com o One Direction no lançamento dos álbuns (aliás, o “Made in A.M. vazou dez dias antes do previsto). Ou seja, o que parecia um retorno seguro, nadando de braçadas num segundo semestre com mais promessas que realidade, virou poeira com Adele no meio.
Por isso, eu acho que tem muitos artistas escolhendo lançar ou depois ou mesmo no ano que vem seus novos trabalhos. Quem terá força para disputar com a britânica o topo? Que tipo de recordes ela pode bater ainda? Será que “One Sweet Day” estará ameaçada?
Acompanhe os próximos capítulos, será incrível!
Com informações de billboard.com