Bom, mas não Bond: “Writing’s on the Wall”, Sam Smith

O novo filme do James Bond, “Spectre“, está chegando, e além das novas Bondgirls, novos vilões e se o Daniel Craig vai continuar mais uma vez interpretando o agente secreto britânico, a expectativa de público e crítica é a respeito da música-tema que vai conduzir os créditos de abertura do filme. O último trabalho, “Skyfall”, da Adele, não foi bem recebido apenas por público e a crítica especializada, como também ganhou todos os prêmios relacionados a trilha sonora, incluindo o Oscar de Melhor Canção Original.

Após muita especulação, ficou a cargo do britânico Sam Smith a missão de escrever e interpretar o próximo tema do 007 – evidentemente já trazendo comparações com a compatriota, em especial pelo fato dele já ter surgido na cena pop como uma versão masculina da Adele, com baladas sofridas e muita dor-de-cotovelo. Mas será que Smith conseguiu repetir o momento criado por Adele com “Writing’s on the Wall”, faixa composta por ele para “Spectre”?

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A música é uma balada orquestrada, com acompanhamento de piano e cordas, além de um instrumental que lembra os filmes sessentistas de James Bond. A letra é simples e direta, e o refrão tem um falsetinho em “How do I live? How can I breathe?…” que deve ser o ponto alto da música. Um dos elementos mais importantes da faixa é o fato do instrumental captar uma essência mais “antiga” do Bond. Você já imagina tocando em vários pontos do filme.

O problema aqui, e ele é grande, é que apesar da faixa ser boa – o fato é que a música te prende – isso não é o suficiente para ser forte o suficiente para ser uma música tema dos filmes do 007. “Writing’s on the Wall”, ao contrário de “Skyfall”, sua última colega de trilha, não impacta como uma música do Bond. Não há uma explosão. A faixa fica num mesmo tempo, numa mesma pegada o tempo todo, sem alcançar o grande momento. Até músicas que careciam desse “MOMENTO” como “Moonraker” (de “007 Contra o Foguete da Morte”) e “Thunderball” (de “007 Contra a Chantagem Atômica”), têm determinados picos (seja na interpretação da Shirley Bassey, em “Moonraker” ou na própria melodia da música, como em “Thunderball”, cantada por Tom Jones) que fazem com que a música seja marcante. Falta clímax numa música que já tem um tempo mais lento.

Além disso, eu tento pensar em como essa música vai funcionar na abertura (onde imagem e som formam uma mensagem perfeita) e não consigo imaginar nada. Passa totalmente despercebido.

No fim das contas, “Writing’s on the Wall” é uma boa música, mas não é o suficiente para funcionar como uma música de abertura dos filmes do 007. Mas não é tão péssima o suficiente para figurar nas listas de piores – particularmente, eu tenho vergonha alheia de ouvir “The Man With a Golden Gun”, “Licence To Kill” e a pavorosa “Die Another Day”.

 

E você, o que achou da música?

Design de um top 10 [24] O ano de Abel, parte 2

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Semana passada eu tinha comentado sobre o #1 de “Can’t Feel My Face”, do The Weeknd, e como a faixa mais importante daquele top 10 era “The Hills”, o single anterior do “Beauty Behind the Madness” – já que estava crescendo de forma consistente e poderia disputar com “What Do You Mean?” o primeiro lugar na Billboard Hot 100.
Pois é, parece que Abel Tesfaye ganhou a briga dos canadenses mais uma vez – mas com um detalhe especial: “The Hills” foi o single anterior, e com uma pegada menos comercial que CFMF, mostrando que o sucesso de The Weeknd é algo especial: os americanos abraçaram o cantor, com seu repertório meio creepy, as letras pesadas e o ar misterioso, não importando que tipo de música ele venha lançando. Contanto que seja música boa, evidentemente.
Top 10 Billboard Hot 100 (06/10/2015)
#1 The Hills – The Weeknd
#2 What Do You Mean? – Justin Bieber
#3 Can’t Feel My Face – The Weeknd
#4 Watch Me – Silentó
#5 Good For You – Selena Gomez feat A$AP Rocky
#6 Locked Away – R. City feat. Adam Levine
#7 679 – Fetty Wap feat. Remy Boyz
#8 Cheerleader – OMI
#9 Hotline Bling – Drake
#10 Lean On – Major Lazer & DJ Snake feat. MO
Substituir a si mesmo na liderança do Hot 100 não é algo comum. The Weeknd, com “The Hills” e “Can’t Feel My Face”, entra num grupo seleto de artistas que inclui os Beatles com TRÊS músicas, Boyz II Men, Usher, Ja Rule e Taylor Swift, ano passado. “The Hills” conseguiu vencer a disputa com o primeiro single do novo álbum do Bieber graças ao crescimento da faixa nas rádios (onde ainda não alcançou o peak, o que é incrível em se tratando de uma música que foi lançada antes do segundo single), onde está entre as maiores subidas (perdendo para a Taylor Swift, um monstro nesta era, e o Drake com “Hotline Bling”, que pode subir muito e entrar nessa bagunça do top 3 na próxima semana). Além disso, a faixa está em primeiro lugar nos charts de Stream e ficou em segundo lugar no Digital Charts (até a chegada do Drake, quem vinha liderando o iTunes era o próprio Bieber).
Um dos motivos pelos quais “The Hills” vem conseguindo esse sucesso absurdo, ao meu ver, diz respeito ao boost dado por “Can’t Feel My Face”, que puxou as músicas do The Weeknd lançadas anteriormente e criou uma curiosidade, uma procura, sobre o material do canadense. Como “The Hills” já estava tocando nas rádios, é uma música muito boa, já tinha audiência, as pessoas vão abraçar essa música – e considerando que o cantor já vem numa crescente de visibilidade com o público pop desde o ano passado (com “Love me Harder” e depois “Earned It agora em 2015), a faixa vai saciar a necessidade dos ouvintes que já começam a cansar de “Can’t Feel My Face”. É só a Republic deixar rolar e no tempo certo, escolher as músicas certas para lançar como próximos singles e terão uma era brilhante em mãos.
Outro destaque do chart desta semana é a menina Selena Gomez, que conseguiu o melhor peak da carreira com “Good For You” sem sair de casa para performar. A música, com o featuring do rapper A$AP Rocky, chegou a quinta posição, após duas semanas seguidas em sétimo. Selena já lançou música e vídeo do novo single, “Same Old Love” (um pop com batidas eletrônicas e uma pegadinha urban que parece vir da mesma “família” do lead-single), por isso, creio que este #5 seja o peak – afinal de contas, a música já está caindo nas rádios (com lentidão, podemos dizer). No chart digital, a faixa está em #23, enquanto SOL já aparece em #17. Apesar da divulgação nula, parece que o novo trabalho da Selena foi abraçado pelos americanos.
Agora, imagina se a moça tivesse performado num VMA ou nos principais programas de auditório americanos? Não duvido de que ela teria conseguido posições bem melhores…
Enquanto isso, outras movimentações interessantíssimas são a da tropical e gostosinha “Locked Away”, do duo R. City (ou Rock City), com um featuring delicinha do Adam Levine. O R. City é uma dupla de irmãos produtores do meio urban, que já trabalhou com gente como Sean Kingston, Rihanna, Mary J. Blige, Miley Cyrus, Nicki Minaj e até Ariana Grande, e que volta e meia lança álbuns e mixtapes. Esse single (que tem sample do clássico “Do That To Me One More Time”, do Capitain and Tenille)  subiu três posições, alcançando o peak de #6 na Billboard. A música parece seguir na mesma linha “caribenha” do hit “Cheerleader”, mas a faixa é mais romântica e agradável, me lembrando um fim de tarde com a pessoa amada, bem fim de festa (e de certa forma, fim do verão americano né). É a segunda música do Adam Levine fora do Maroon 5 a chegar ao top 10 (a outra foi “Stereo Hearts” com o Gym Class Heroes em 2011).
Já a outra movimentação do chart, desta vez bem mais marcante, foi a subida meteórica de “Hotline Bling”, do Drake. Single que até o momento ainda não sei de que material é (não tá na mixtape dele com o Future, “What a Time To Be Alive”, não parece estar no futuro álbum solo do Drake, “Views from the 6”, é música avulsa?), é promessa de mais um hit do canadense (é impressão minha ou os canadenses estão dominando os charts?) e chegou à nona colocação após pular sete posições no chart. A música é outra delicinha (um hip hop com uma pegadinha pop), e até o lançamento de “Infinity”, single promocional do One Direction, liderava o chart digital, onde subiu feito foguete no lançamento. Na semana, chegou à terceira posição no chart digital, e o sexto lugar nos charts de stream (considerando que você só pode encontrar a faixa nos serviços de stream como Apple Music e o Spotify), além de começar uma trajetória bacana nas rádios – o debut nos charts de Rádio foi na 33ª posição.
A faixa tem muito potencial, e se tiver lançamento de um vídeo bacana para aumentar as views no Youtube, pode ter um caminho mais bem sucedido que a última faixa a chegar ao top 10 do Drake, “Hold On, We’re Going Home”, em 2013. Cara, nunca pensei que iria dizer que 2013 era muito tempo.
E você? O que achou das últimas movimentações nos charts da Billboard?

Design de um top 10 [23] O ano de Abel

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Já dá pra dizer que 2015 é o ano do The Weeknd, não é? Álbum lançado em #1, quatro músicas no top 10 da Billboard, um #1 e entrada numa lista importante: a de artistas que ficaram uma semana em #1 e #2 no Hot 100 – o canadense é o décimo sexto artista a conseguir esse feito desde a criação do Hot 100, em 1958; e o décimo a fazer isso com duas músicas na qual ele é o artista principal – desde o Black Eyed Peas em 2009.

Tudo isso com os dois singles do “Beauty Behind the Madness”, já resenhado pelo blog, e que está na segunda semana em #1 na parada de álbuns da Billboard. Não dá pra negar que os americanos estão amando Abel Tesfaye.

Mas além da dominação de The Weeknd, o Hot 100 está bem diferente dos últimos meses. Finalmente as músicas vem se movimentando nos charts, após um 2015 praticamente estático, com uma ou duas músicas dominando o primeiro lugar. Parece que a própria indústria deixou pra esquentar agora no segundo semestre, e temos um ano bem diverso de canções. Qualquer estilo pode fazer sucesso.

Top 10 Billboard Hot 100 (26/09/2015)

1. Can’t Feel My Face – The Weeknd
2. The Hills – The Weeknd
3. What Do You Mean? – Justin Bieber
4. Watch Me (Whip / Nae Nae)  – Silentó
5. Cheerleader – OMI
6. Lean On – Major Lazer & DJ Snake feat. MO
7. Good For You = – Selena Gomez feat. A$AP Rocky
8. 679 – Fetty Wap feat. Remy Boyz
9. Locked Away – R.City feat. Adam Levine
10. Photograph – Ed Sheeran

Liderando por três semanas não consecutivas o Hot 100 da Billboard, The Weeknd tirou do topo Justin Bieber, que tinha conseguido o topo na última semana com “What do You Mean?” após uma estreia hypadíssima e vendas digitais bem altas. Mas “Can’t Feel My Face” voltou ao topo especialmente pela força da música nas rádios (ainda lidera o chart específico) e ao acumulado nos charts de Streaming e digital. A música do Bieber ainda é a mais vendida no chart digital, mas a audiência nas rádios não foi o suficiente para manter o #1. (atualmente, a faixa está em 15º na parada das rádios. )

Mas o elemento mais importante do top 10 hoje é o segundo lugar, “The Hills”. O single anterior do BBTM demorou pra fazer sucesso, mas agora está subindo de forma consistente nas rádios e no chart digital. Enquanto “Can’t Feel My Face” chegou ao peak, TH ainda tem muito o que crescer – e ser o rival de “What do you Mean” na disputa pelo #1 na Billboard (porque com a divulgação massiva que o Scooter Braun está preparando para o Bieber, a expectativa é de que a faixa suba ainda mais – porque a trajetória mal começou. E a força do Bieber estará nos streams, com os fãs assistindo ao clipe e ouvindo a música no Spotify).

Enquanto isso, em notícias de rivalidades, nem toda a promoção e apresentações de Demi Lovato estão fazendo com que o primeiro single do álbum “Confident”, “Cool for The Summer”, consiga o top 10. O peak até agora foi de #11, e com a música perdendo o timing, é melhor a Demi correr com o segundo single. Já sua ex-ex-melhor amiga Selena Gomez, que mal sai de casa para se apresentar, continua mais uma semana em sétimo lugar com “Good For You”. A faixa chegou ao topo da Pop Songs da Billboard e ainda tem fôlego nas rádios. Já o segundo single, “Same Old Love”, já começa a fazer sua trajetória nas rádios americanas. Impressionante como os americanos aceitaram bem mais a música da Selena, bem menos “legal para o verão” e com nenhuma divulgação a não ser os dois vídeos e capas de revista. Não sei qual é o plano da Interscope, mas se a moça continuar entregando materiais tão interessantes quanto os dois primeiros singles, pode continuar só acompanhando a Taylor Swift nas premiações que tá ótimo 😉

O que você achou das movimentações dos charts esta semana? Qual a sua música preferida deste top 10?

A beleza bagunçada por trás da loucura

Cover CD Beauty Behind the Madness The WeekndAté mais ou menos um ano atrás, pouca gente fora da popsfera sabia quem era The Weeknd. Cultuado no meio indie como um talento no altR&B com sua ambiência soturna, letras envolvendo sexo, drogas e autodestruição, e EPs bem recebidos, assim como um álbum já lançado, “Kiss Land” (bem menos comercial que o seu novo trabalho).

No entanto, a sorte do canadense Abel Tesfaye (nome de batismo do artista) mudou no final de 2014. Ele ficou nos ouvidos do grande público ao aparecer como featuring em “Love Me Harder”, da Ariana Grande; e logo depois, no início de 2015, sua “Earned It” virou hit massivo por causa da exposição trazida pelo filme “Cinquenta Tons de Cinza”. Dessa forma, The Weeknd conseguiu dois top 10 e um público que começava a observá-lo com mais apuro – mas isso era só o começo.

Atualmente com duas músicas no top 10 da Billboard (“The Hills”, lançada primeiro e que fez sucesso depois; e o smash “Can’t Feel My Face”, que chegou à primeira posição nos charts), é a hora e a vez de The Weeknd mostrar com o lançamento de “Beauty Behind the Madness” que, com todo o apelo do mainstream, ele continuaria a manter a mesma qualidade e identidade dos trabalhos anteriores. Mesmo trabalhando com Max Martin, aliás.

 

O resultado dessa ascensão meteórica? Você confere após o pulo!

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