Previsões para o Grammy 2016

UPDATE: você pode conferir as previsões atualizadas (chamadas de “The Madness Edition”) aqui

A temporada de especulações sobre o Grammy do ano que vem começou! Jornalistas americanos como Paul Grein já fizeram suas previsões em JUNHO, mas seguindo a linha temporal do ano passado, decidi fazer as previsões por agora. O material já é vasto e os possíveis indicados estão meio que na cara, então acho que teremos pouquíssimas surpresas daqui até o final do ano. O período de eligibilidade para o Grammy vai de 1º de Outubro de 2014 até 30 de Setembro de 2015, ou seja, as bandas e os artistas que lançaram singles e álbuns nesse meio tempo podem submeter suas canções para a bancada do Grammy e torcer para que as escolhidas entrem no corte final.

A minha análise se restringe ao pop field, onde as cartas já estão lançadas desde o lançamento do “1989”, pra ser bem honesta, mas a depender do que as gravadoras mandem, podemos ter surpresas.

(lembrando que eu upo as previsões após o dia 30 de setembro com novas possibilidades porque até lá, muita água pode rolar)

A pergunta que não quer calar é: em quem já podemos apostar nossas fichas? Clique em “continuar lendo“!

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Confira os indicados ao VMA 2015

Video Music Awards 2015

Eu acredito que vocês já devem saber os indicados ao Video Music Awards 2015, que prometia ser uma premiação bem morninha, mas parece que terá shade, barraco e climão por todos os lados. Por isso, é bom ficar ligado: a cerimônia acontece dia 30 de Agosto, um domingo, e a depender da pós revelação dos indicados, a promessa é de que será uma das premiações mais divertidas em anos.

Primeiro, os indicados – algumas surpresas aparecem de cara, como a presença de “7/11” vídeo despretensioso da Beyoncé, que foi indicado a cinco astronautas de prata; além de “Bad Blood” e não “Blank Space” ter sido indicado a vídeo do ano; e as ausências de Meghan Trainor e “Anaconda” da Nicki Minaj em vídeo do ano.

VIDEO OF THE YEAR
Beyoncé – “7/11”
Ed Sheeran – “Thinking Out Loud”
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood”
Mark Ronson ft. Bruno Mars – “Uptown Funk”
Kendrick Lamar – “Alright”

BEST MALE VIDEO
Ed Sheeran – “Thinking Out Loud”
Mark Ronson ft. Bruno Mars – “Uptown Funk”
Kendrick Lamar – “Alright”
The Weeknd – “Earned It”
Nick Jonas – “Chains”

BEST FEMALE VIDEO
Beyoncé – “7/11”
Taylor Swift – “Blank Space”
Nicki Minaj – “Anaconda”
Sia – “Elastic Heart”
Ellie Goulding – “Love Me Like You Do”

BEST HIP HOP VIDEO
Fetty Wap – “Trap Queen”
Nicki Minaj – “Anaconda”
Kendrick Lamar – “Alright”
Wiz Khalifa ft. Charlie Puth – “See You Again”
Big Sean ft. E-40 – “IDFWU”

BEST POP VIDEO
Beyoncé – “7/11”
Ed Sheeran – “Thinking Out Loud”
Taylor Swift – “Blank Space”
Mark Ronson ft. Bruno Mars – “Uptown Funk”
Maroon 5 – “Sugar”

BEST ROCK VIDEO
Hozier – “Take Me To Church”
Fall Out Boy – “Uma Thurman”
Florence + the Machine – “Ship To Wreck”
Walk the Moon – “Shut Up and Dance”
Arctic Monkeys – “Why’d You Only Call Me When You’re High?”

ARTIST TO WATCH
Fetty Wap – “Trap Queen”
Vance Joy – “Riptide”
George Ezra – “Budapest”
James Bay – “Hold Back The River”
FKA Twigs – “Pendulum”

BEST COLLABORATION
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood”
Mark Ronson ft. Bruno Mars – “Uptown Funk”
Wiz Khalifa ft. Charlie Puth – “See You Again”
Ariana Grande & The Weeknd – “Love Me Harder”
Jessie J, Ariana Grande, Nicki Minaj – “Bang Bang”

VIDEO WITH A SOCIAL MESSAGE
Jennifer Hudson – “I Still Love You”
Colbie Caillat – “Try”
Big Sean ft. Kanye West and John Legend – “One Man Can Change the World”
Rihanna – “American Oxygen”
Wale – “The White Shoes”

PROFESSIONAL CATEGORIES

BEST ART DIRECTION
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood” (Charles Infante)
Snoop Dogg – “So Many Pros” (Jason Fijal)
Jack White – “Would You Fight For My Love” (Jeff Peterson)
The Chemical Brothers – “Go” (Michel Gondry)
Skrillex & Diplo – “Where Are U Now” with Justin Bieber (Brewer)

BEST CHOREOGRAPHY
Beyoncé – “7/11” (Beyoncé, Chris Grant, Additional choreography: Gabriel Valenciano)
OK Go – “I Won’t Let You Down” (OK Go, air:man and Mori Harano)
Chet Faker – “Gold” (Ryan Heffington)
Ed Sheeran – “Don’t” (Nappy Tabs)
Flying Lotus ft. Kendrick Lamar – “Never Catch Me” (Keone and Mari Madrid)

BEST CINEMATOGRAPHY
Flying Lotus ft. Kendrick Lamar – “Never Catch Me” (Larkin Sieple)
Ed Sheeran – “Thinking Out Loud” (Daniel Pearl)
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood” (Christopher Probst)
FKA Twigs – “Two Weeks” (Justin Brown)
Alt-J – “Left Hand Free” (Mike Simpson)

BEST DIRECTION
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood” (Joseph Kahn)
Mark Ronson ft. Bruno Mars – “Uptown Funk” (Bruno Mars & Cameron Duddy)
Kendrick Lamar – “Alright” (Colin Tilley & The Little Homies)
Hozier – “Take Me To Church” (Brendan Canty and Conal Thomson of Feel Good Lost)
Childish Gambino – “Sober” (Hiro Murai)

BEST EDITING
Beyoncé – “7/11” (Beyoncé, Ed Burke, Jonathan Wing)
Ed Sheeran – “Don’t” (Jacquelyn London)
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood” (Chancler Haynes at Cosmo Street)
A$AP Rocky – “L$D” (Dexter Navy)
Skrillex & Diplo – “Where Are U Now” with Justin Bieber (Brewer)

BEST VISUAL EFFECTS
Taylor Swift ft. Kendrick Lamar – “Bad Blood” (Ingenuity Studios)
FKA Twigs – “Two Weeks” (Gloria FX, Tomash Kuzmytskyi, and Max Chyzhevskyy)
Childish Gambino – “Telegraph Ave.” (Gloria FX)
Skrillex & Diplo – “Where Are U Now” with Justin Bieber (Brewer)
Tyler, The Creator – “F****** Young/Death Camp” (Gloria FX)

Agora, evidentemente, uma análise rápida das indicações – no geral, os vídeos que comportaram esse período 2014-2015 foram bons. As produções em sua maioria foram esmeradas, clipes que acompanharam ótimas músicas e ajudaram a viralizar esses singles. A MTV não fugiu da obviedade aqui – Taylor Swift é o nome do ano? Tem que enfiar mesmo a moça em todas as indicações (mas “Blank Space” é melhor que “Bad Blood”, e merecia a indicação a Vídeo do Ano).

“Uptown Funk”, o hit do ano e um dos hits da década? Indicado em todas as categorias possíveis (se bem que senti falta da indicação em Coreografia). “Thinking Out Loud”, um dos hits do ano, com um vídeo sensível e delicado? Igualmente indicado. A MTV segue o fluxo – e o fluxo é indicar os hits do ano, mesmo que os vídeos não façam jus. A sorte da emissora é de que os hits foram acompanhados por ótimos vídeos, então todo mundo merece.

Algumas surpresas positivas da premiação foram colocar o alto número de indicações ao Kendrick Lamar , que ficou com cinco indicações, liderando a corrida. Seu vídeo “Alright” é um dos contenders ao principal prêmio da noite – não se esqueça de que, tirando “Bad Blood”, nenhum outro single do Kendrick pode ser considerado um hit crossover como os outros indicados – o que mostra a força do trabalho completo do rapper e o impacto do “To Pimp A Butterfly” na cultura em 2015. Outras lembranças que mereciam uma olhada mais carinhosa foram Sia, com “Elastic Heart”, indicada a vídeo feminino; e Nick Jonas com “Chains” entre os indicados a vídeo masculino.

As ausências evidentemente mais sentidas foram as da Madonna, que trouxe clipes interessantes (mas sofre com a barreira da idade, que tira dela e de outras acts femininas mais experientes a chance de concorrer); Rihanna (que obviamente, diante de uma era tão bagunçada e de uma já divulgada rixa com a MTV, não teve chances de concorrer – apenas em Melhor Vídeo com Mensagem para “American Oxygen”); e a sempre pedida Britney Spears – mas com o desempenho problemático de “Pretty Girls”, nem mesmo um ótimo vídeo pode salvar uma era que mal começou e já parece perdida.

AGORA SENTA QUE LÁ VEM TRETA: após o anúncio das indicações, a Nicki Minaj reclamou do fato de não ter sido indicada com “Anaconda” em Vídeo do Ano, já que o clipe tinha quebrado recordes e tido impacto cultural – e que quando outras pessoas fazem a mesma coisa, são aplaudidas, indicadas e premiadas. O tweet que gerou a megatreta da noite foi aquele em que a Minaj diz que, quando são as moças magras e longilíneas de “Bad Blood”, a emissora indica. (ou seja, o modelo de beleza padrão)

Treta Nicki e Taylor 1

Aí a Taylor Swift responde que sempre a apoiou e que talvez o problema tenha sido que um dos homens tenha tomado o lugar dela nas indicações, e que não era do temperamento dela (da Nicki) incitar briga de mulheres entre mulheres. E depois ainda disse que se ela (a Taylor) ganhar, as duas podem subir ao palco.

Treta Nicki e Taylor 2

Só que a Nicki começou uma série de tweets raivosos, citando até mesmo o TIDAL e provando pontos importantes – e pontos que a Taylor perdeu. A crítica não era para a Swift, e sim para uma indústria musical que desvaloriza mulheres negras. Mesmo que você, cantora negra, se esforce para chegar lá, precisa lutar muito mais do que uma cantora branca. (o maior exemplo é a própria Minaj, que nunca alcançou um #1 na Billboard, enquanto a Iggy alcançara rapidamente com “Fancy”). Muitas vezes você precisa se afastar das raízes R&B pra hitar de forma crossover – veja como atualmente Beyoncé consegue seus hits com virais; enquanto Rihanna, que sempre foi uma artista pop, tem mais facilidade para fazer sucesso com os singles por suas músicas terem maior penetração em diversos segmentos de rádio? E onde o Grammy a coloca para concorrer com os álbuns? em “urban contemporary”… Por que não em Melhor Álbum Pop?

A Nicki estava discutindo a falta de representatividade da mulher negra nas principais premiações – só a Beyoncé (e depois a Rihanna) concorre, e é usada como token – “olha, não somos racistas, a Beyoncé tem cinco indicações, ó!” – sendo que o vídeo mais representativo do impacto na cultura pop que o VMA procura não tá na lista de indicados. A crítica não era pra Taylor Swift, ela foi usada como exemplo do que a indústria valoriza e procura em suas acts femininas. Mas ela comprou uma briga que não era dela, fez parecer que era com ela [levando muita gente a achar/concluir que ela é (realmente) uma garota mimada] e acho que deve estar fora do Twitter neste momento, porque a rede está on fire com os posts da Nicki.

Ou seja, o que era apenas reclamação virou uma discussão social importante e, para a MTV, um chamariz para o VMA, que evidentemente vai aproveitar essas tensões para criar um buzz.

E você, o que achou das indicações? Concorda com as considerações da Nicki ou é da #TaylorSquad?

Lembrando que teremos análises dos indicados das categorias com votação do público. A gente começa com o duelo de hits em “Melhor Colaboração”. Até lá!

Design de um Top 10 [21] Sob nova direção

A principal parada musical do mundo está sob nova direção! No dia 10, o Billboard Hot 100 entrou numa nova “era” – como toda sexta-feira, contando a partir daquele dia, será data mundial de lançamentos de músicas, as datas de fechamento dos charts que contabilizam as posições dos singles mudaram e agora, a divulgação dos charts completos da semana será na segunda-feira.

E em clima de nova era, há duas semanas o Hot 100 tem um novo líder! Após 12 semanas não sucessivas em que “See You Again”, a canção-tributo a Paul Walker, dominou o verão, o topo foi parar em outras mãos. Desta vez, em mãos que parecem dignas de um One Hit Wonder, nos mesmos moldes de “Rude”, do MAGIC! – é OMI, com “Cheerleader”, que já vinha subindo muito tanto nas rádios quanto no chart digital e nos streams (parada em que “See You Again” ainda sobrevivia). A música já prometia ser hit do verão, mas agora com o #1, é apenas a confirmação de que, antes tarde do que nunca, as músicas animadas chegaram ao top 10 da Billboard e um chart novinho em folha está tomando forma.

 

Top 10 Billboard Hot 100 (01/08/2015)

#1 Cheerleader – OMI
#2 Can’t Feel My Face – The Weeknd
#3 See You Again – Wiz Khalifa feat. Charlie Puth
#4 Bad Blood – Taylor Swift feat. Kendrick Lamar
#5Watch Me- Silento
#6 Trap Queen – Fetty Wap
#7 Shut Up And Dance – Walk the Moon
#8 Fight Song- Rachel Platten
#9 Lean On – Major Lazer & DJ Snake (feat. MØ)
#10 The Hills – The Weeknd

 

OMI“Cheerleader” é a prova de que no verão, às vezes o público americano nem se toca da música que elege como hit. Logo explicarei o motivo. A faixa que manteve o primeiro lugar na Billboard tinha sido lançada em 2012, mas apenas quando veio o remix do Felix Jaehn, um remix bem caribenho de uma música que é originalmente um reggae-pop meio ska, a faixa ganhou notoriedade. Antes de chegar ao topo nos EUA, a música já tinha estourado na Europa e na Austrália, colocando o nome de OMI (nome artístico do jamaicano Omar Samuel Pasley) no mapa da música pop.

No entanto, a música é tão simples (tanto em sua versão original quanto o remix) que chega a ser fraquíssima. Aqueles hits de verão que pouco marcam de tão sem graça e whatever, que servem apenas para ouvir e esquecer assim que Setembro bater na porta. Não que eu adore um hit descartável de verão (senão o que estaria fazendo escrevendo um blog de música pop né), mas até mesmo pra ser descartável tem que marcar de alguma maneira.

Acho que os americanos adotaram a música pelo ritmo de verão (essa pegada caribenha, dançante mas sem ser farofa) e até pra se purgar do climão de enterro que foram as doze semanas de “See You Again” no topo. Agora, se essa música será o passaporte do OMI ao estrelato, aí é o problema. A vibe da música é tão avulsa que ele me parece mais um novo MAGIC que uma nova Katy Perry.

 

Mas o topo de OMI está ameaçado pela dominação de The Weeknd. Abel Tesfaye está no ano da vida, tanto que já The Weekndconquistou quatro top 10 na Billboard, e essa semana de uma vez: o vice lider “Can’t Feel My Face” (e provável próximo #1) e o novo morador “The Hills”, que teve uma subida de duas posições. Não ficaria surpresa se o canadense conseguisse uma dobradinha no topo.

The Weeknd hitmaker pode ser uma surpresa, dado o caráter mais pesado de suas canções, e a ambientação obscura, mas a popficação do artista teve consequências bem positivas para o chart e a movimentação dos acts masculinos no pop – uma classe com pouquíssimos representates de nome – e com duas músicas muito boas no top 10, a promessa é de que o novo álbum do Abel, “Beauty Behind the Madness” seja sensacional. Com previsão de lançamento para 28 de agosto, eu já estou esperando com muita ansiedade a chegada do segundo álbum dele.

Por enquanto, CFMF está numa ascendente óbvia:  quarta posição no chart de Rádio, em segundo no chart Digital, e sexto lugar no chart de stream. A música já vem apresentando um desempenho invejável de hit massivo desde seu lançamento. Já OMI teve uma queda nas vendas, mas todas as músicas passaram por isso, já que o chart essa semana contou seis dias de vendas (enquanto na outra semana foram 11 dias contados). Quanto a “The Hills” (que é o primeiro single do novo CD), a faixa continua em quinto no chart de stream e sexto na parada digital. As rádios não vem contando significativamente para o desempenho de TH no Hot 100.


SilentóO top 10 do Hot 100 está cheio de caras novas (o que é ótimo para dar uma refrescada no mundo pop, mas para os nomes consagrados é mais um desafio, e uma delas é Silentó com “Watch Me”. Além dele, ainda tem a chegada de acts mais populares no indie/alternativo que agora aproveitam a popularidade mainstream, como Major Lazer e MO (além de DJ Snake, que já tinha aparecido ano passado com o hit memético “Turn Down For What”), e é hora de vermos se essa galera tem chances de topo.

Silentó é um novato no jogo MESMO. O rapper de 17 anos viralizou com o primeiro single da carreira, e já alcançou o peak, em #3. A música caiu para a quinta posição, mas acho que terá uma carreira longa tão longo dure o verão. O motivo é que a música é basicamente aquela dancinha viral a la Macarena, Harlem Shake e afins. A letra incentiva os ouvintes a fazerem determinada coreografia (sobra até para o Soulja Boy), mas o negócio é tão bizarro (faça a dança x, faça o movimento y) que você se pergunta por que cargas d’água um negócio desses tá fazendo sucesso. (a quem tenho que culpar????)

“Lean On” é bem mais elaborada. Eletrônico com forte pegada de música oriental, tomando emprestado os MAJOR-LAZERritmos indianos, é empolgante e tem uma série de onomatopeias que grudam no ouvido. Outra música com a cara do verão, mas “exótica” o suficiente para estar no Spotify de ouvintes casuais e de hipsters, foi uma bola dentro do Major Lazer, grupo de EDM liderado pelo DJ, produtor e enfant terrible das redes sociais Diplo, que se uniu ao DJ Snake e à voz monocórdica da MO para criar essa música que teve uma subida meteórica de oito posições na Billboard Hot 100 e chegou a uma merecida nona posição. A música é boa, tem certo apelo (apesar de não ser radio-friendly) e é bem marcante.

A música tem potencial para voos mais altos, especialmente por causa dessas subidas – no entanto, há canções que vem impactando mais no chart e que estão numa trajetória ascendente sólida, e que pode quebrar as chances de “Lean On” até mesmo ser #1. Não vejo como um #1, mas dá pra arriscar um top 5 ou top 3.

Rachel PlattenPor último, mas não menos importante, o outro viral do verão que veio subindo aos poucos nos charts e que agora fez morada na oitava posição: “Fight Song”, da cantora e compositora Rachel Platten. A música é um pop inspirador com jeito de anthem, e a própria Rachel explicou que a música é inspirada na luta dela em conseguir uma chance na indústria e as dificuldades que ela passou no caminho. A canção tem essa pegada auto-ajuda, um ritmo marcado, que lembra um pouco o trabalho da Kelly Clarkson no “Piece By Piece” e tem ecos de Sara Bareilles (apesar da canção em questão não ser piano based). O refrão é instantâneo e a música é muito cativante.

Não sei até que ponto essa música em específico pode classificar a Rachel como uma possível one-hit wonder, porque não é um smash hit massivo destruidor ouvido em todos os lugares, e sim uma música que pode sobreviver bem no chart adulto. Quem ouve rádios adulto contemporâneas pode ouvir bem músicas como FS. Pode ouvir bem vozes como a dela. E pode ouvir a sua história. Acho que um viral acontece uma vez em cada mil oportunidades, mas aqui dá pra ver que tem algo mais que uma música certa na hora certa.

 

E você, o que acha das músicas que dominam o chart atualmente?

 

A hora da virada para The Weeknd?

Quem acompanha R&B alternativo já conhecia o trabalho de Abel Tesfaye, ou The Weeknd. O canadense ficou conhecido pela turminha mais indie pelas músicas sensuais, praticamente sexuais e a voz elegante, suave e hipnótica; e pelas três mixtapes que lançou em 2011 -“House of Balloons”, “Thursday” e  “Echoes of Silence”, que logo foram compiladas em “Trilogy”, de 2012. Foi com “Wicked Games” que o grande público passou a prestar atenção no trabalho de The Weeknd – mesmo assim, ainda não tinha sido o momento dele chegar ao mainstream.

O primeiro álbum, “Kiss Land”, de 2013, de certa forma não passou de forma marcante no mainstream, e The Weeknd começou a ficar na boca das pessoas a partir do ano seguinte, quando seu nome apareceu como featuring na música “Love Me Harder“, da Ariana Grande, para o segundo álbum da jovem, “My Everything”. Uma música bem “saidinha” para o catálogo até então “sweet” da jovem, uma evolução para Ariana, e uma oportunidade de ouro para o cantor aparecer numa música que, se não é tão direta ao ponto quanto seus outros trabalhos, é uma faixa bem característica do seu trabalho.

A música chegou à sétima posição no Hot 100 da Billboard, marcando a primeira entrada de The Weeknd no top 10 e o primeiro top 40 do rapaz. Mas era apenas o começo, já que foi uma trilha sonora que finalmente deu ao canadense a exposição máxima – “Cinquenta Tons de Cinza”.

“Earned It” tocou duas vezes dentro do filme, o que mostra a força da canção, um R&B cheio de soul e elegância, com uma ambientação obscura e sensual, puramente sexy, uma fuck music de respeito que chegou à terceira colocação no Hot 100 e tinha chances claras até mesmo de ser #1 se não fosse a “Uptown Funk Season” e o fenômeno “See You Again”.

Evidentemente aproveitando o buzz em torno do canadense, logo começaram os trabalhos para o novo álbum, “Chapter III”, com previsão para ser lançado agora em setembro. E a julgar pelo desempenho dos dois primeiros singles, 2015 pode ser o momento em que The Weeknd deixe de ser o queridinho dos indies para um artista de expressão no cenário pop.

O primeiro single, “The Hills”, é menos puxado pro pop – até certo ponto menos radio-friendly, mais alt-R&B e mais parecido com os trabalhos anteriores dele. Apesar de não ser tão instantânea, a faixa consegue pegar você a cada ouvida. A letra e a produção tem um ambiente melancólico e sensual ao mesmo tempo. Uma ótima canção, que alcançou o peak de #20 na Billboard, após subida meteórica no chart digital – mas que agora, puxado pelo desempenho absurdo do segundo single do “Chapter III”, “Can’t Feel My Face”, voltou a crescer, fazendo The Weeknd hitar duas músicas ao mesmo tempo. No momento, “The Hills” está na quarta posição do iTunes, enquanto CFMF está na segunda posição.

“Can’t Feel My Face” é foda pra caralho. É o mais sucinto que eu posso dizer dessa faixa. Abel chamou hitmakers consagrados como Ali Payami, Savan Kotecha e o mito Max Martin pra fazer uma canção pop, radiofriendly e crossover e um: manteve a identidade do artista; dois, trouxe um som moderninho (essa pegada synth 80’s já consagrada no mainstream mas com um funkeado gostosinho a la Michael Jackson, cuja voz do The Weeknd o emula em toda a faixa); e três, conseguiu tornar tudo isso uma música coesa, muito bem produzida e boa o suficiente para ser hit. Subindo feito foguete nas rádios (é top 10 no Mediabase) e muito bem no chart digital – além de 12º no charts de streaming (TH é oitavo). Com fortes chances de finalmente ser o primeiro topo do The Weeknd no Billboard Hot 100, pode vingar as tentativas de “Earned It” em grande estilo.

Com esses dois “teasers” do segundo trabalho do The Weeknd, o que se pode esperar é que o canadense finalmente dará o pulo do gato para conquistar os ouvidos e os corações do grande público.

 

E você, o que acha?

 

 

 

 

Rihanna assassina vingativa em “Bitch Better Have My Money”

Rihanna Bitch Better Have My Money video

Rihanna quebrou a internet nesta madrugada! A rainha barbadiana lançou à uma hora da manhã (horário de Brasília) o vídeo do segundo single do álbum sem nome ainda (e que a internet e a indústria chamam de #R8), o urban pesadíssimo “Bitch Better Have My Money”. Enquanto o minimalismo musical e visual era presente no vídeo do primeiro single, “FourFive Seconds”, aqui a RiRi não economiza em nada – além da batida pesada e dura, no limite entre um urban menos pop e instrumental de hip hop; e a letra explícita sobre alguém que está devendo dinheiro a ela (ou seja, hino dos bancos que cobram o pagamento do cartão), o vídeo é grande, produzidíssimo, tem uma história sólida e com um belo twist final, além de participações estreladas – o policial é Eric Roberts (irmão da Julia Roberts e que você deve lembrar do clipe “Smack That”, do Akon) e o contador AKA The Bitch é Hannibal himself, Mads Mikkelsen.

O clipe mostra Rihanna sequestrando uma mulher e aparentemente pedindo dinheiro pelo seu resgate. O que começa com tortura e uma RiRi e suas amigas em high fashion revoltadíssimas com a falta de resposta, vira festança com maconha e paquerinha com policial; para no fim, descobrirmos que o foco do grupo não era exatamente a esposa, e sim o marido contador que roubou todo o dinheiro da Rihanna (o que realmente aconteceu com ela – a cantora teve um contador que lhe deu um golpe e quase a deixou sem dinheiro em 2009). Ela queria o dinheiro em troca da esposa, mas como ele estava se divertindo, RiRi preferiu retalhar o rapaz e pegar o dinheiro de volta. #SaveHannibal

Dirigido de forma cinematográfica pela própria cantora e os franceses do Megaforce (os mesmos de “Give Me All Your Luvin'”, da Madonna), o vídeo tem momentos brilhantes (como a câmera de cabeça pra baixo a fim de mostrar a “viagem” de Rihanna e as amigas no hotel), a fotografia sensacional, cores fortes, figurino haute couture e muita nudez, com free nipples aparecendo naturalmente no vídeo – e um close do bumbum da Rihanna numa das cenas mais divertidas do vídeo.

Mas o clipe é repleto de cenas divertidas e altamente gifáveis – e pode ser premiado, pela qualidade técnica do trabalho. Por isso, não me surpreenderia se estivesse na lista de indicados ao Video Music Awards, ou mesmo no Grammy.

Quanto ao impacto do vídeo nos charts, o timing do lançamento é praticamente inexistente né? A música foi lançada em Março, está no top 50 do iTunes e foi hit nas rádios urban, e de divulgação teve apenas o vídeo e a apresentação no iHeartRadio Awards – e só agora terá divulgação nas rádios pop. Seria incrível se ela tivesse lançado na época da performance, mas não podemos dizer que é tarde demais – pode ganhar sobrevida (não acredito num top 10 na Billboard) e o buzz do vídeo está alto nas redes sociais e sites (apesar do vídeo já ter sido bloqueado no Youtube pelo conteúdo). Pelo menos não ficou exclusivo só no TIDAL né.

De uma coisa é certa: top 10 do ano, “Bitch Better Have My Money” deve ser.

Demi Lovato em busca de identidade com Cool For The Summer

Demi LovatoAlém de Selena Gomez, outra ex-Disney lançou um novo single para iniciar os trabalhos do futuro álbum – é a Demi Lovato. Eu já havia comentado na resenha de “Good For You” que a Demi ainda estava em busca de identidade própria, em trabalhos irregulares e ainda muito associados ao público juvenil. Conhecida pela voz potente, letras confessionais e pela história de superação do vício em drogas, Demi tinha começado a carreira com um pop/rock nos moldes de Kelly Clarkson, depois flertou com o R&B e agora é bem pop, o que mostra o lead-single do quinto CD da carreira, a sintetizada “Cool For The Summer”.

 

 

Com Max Martin, Savan Kotecha e Ali Payami na produção, não tem muito como dar errado. Com visível influência dos anos 80, tanto na batida sintetizada (e atualizada com as guitarrinhas ao fundo do instrumental),o teclado que parece ter vindo de alguma faixa dance-pop de 86/87 de um bom One-Hit Wonder, a música tem um refrão pegajoso que pega você na primeira ouvida. Música ótima para remixes de boate e para dançar, é extremamente comercial e radio-friendly, e consegue oferecer um pulo do gato para Demi – não esquece a sua fã-base mais jovem, mas se abre para ouvintes mais adultos como música para o verão. A música é bem mais madura nesse aspecto que outros lead-singles, como “Get Back”, “Here We Go Again” ou “Heart Attack”.

Agora os problemas – que não são poucos: se Demi espera que “Cool For The Summer” ajude a sedimentar uma identidade dela para o público e colocá-la como uma pop star de fôlego, não é exatamente essa a música que pode ajudar nisso. Ser comercial e radio-friendly não significa que sua voz tenha que estar super parecida com a Avril Lavigne nos versos e a Katy Perry (ou a Jessie J) no refrão. A impressão que ficou é que essa música ficou rodando na mão de muita gente por aí e sobrou para a Demi, que não imprimiu nenhuma identidade sólida, nada que fosse dela mesmo na música. A letra é muito fraquinha – considerando que a própria cantora já ofereceu músicas mais interessantes em seu catálogo (mesmo na fase Disney) – e eu sei bem que Max Martin poderia ter se esforçado mais. Ficou um instrumental poderoso a serviço de uma letra preguiçosa – e uma interpretação até equivocada.

(e por falar em Jessie J, só eu achei que a marcação do refrão lembrou “Domino”?)

Sobre a possibilidade de sucesso, acho que a jogada da Demi aqui foi mais certeira que a da Selena, por exemplo, que colocou uma música mais arriscada para tentar hitar no verão: “Cool for the Summer” é música pra estourar no verão mesmo, pra ficar na cabeça de todo mundo, pra ouvir sob o sol quente e repetir até cansar no Spotify. Com esse refrão grudento, é muito difícil não ficar imune ao poder da canção. Como estamos em tempo de transição de vendas digitais para a dominação total dos streams com o lançamento do Apple Music, acho que a Demi vai se aproveitar desse período com boas vendas digitais, mas principalmente com audio stream – ela tem uma fã-base fiel que vai colaborar e muitos ouvintes curiosos que podem vir a gostar da música. Repito aqui o que disse na resenha da Selena: os próximos passos serão conquistar o público que ainda a vê como Disney Star e mostrar que é artista adulta. 

Mas primeiro precisa decidir que tipo de artista quer ser, de verdade.

P.S.: mas se o álbum todo vier nessa pegada, acho que o jogo pode ficar interessante…