Janet Jackson volta fazendo música boa com “No Sleeep”

Cover Janet Jackson No SleeepUma das rainhas da música que dominou os charts e o praise da crítica entre os anos 80 e 2000, e que serviu de inspiração para gerações de artistas femininas, misturando música, consciência social, despertar da sexualidade e amadurecimento em álbuns considerados lendários. Janet Jackson não é apenas um sobrenome famoso, ou a mais nova de uma família extremamente talentosa – Janet é um ícone feminino importante, que conseguiu se desvencilhar da máquina familiar orquestrada pelo pai e construiu uma carreira independente dos irmãos, conseguindo até mesmo ofuscar o irmão mais velho, um certo Michael Jackson.

No entanto, após o episódio do “Nipplegate”, em que o seio de Janet foi exposto no meio do halftime show do Superbowl, durante sua apresentação com Justin Timberlake, a carreira dela foi afetada, com boicotes e pouca repercussão de seus álbuns posteriores (enquanto a carreira de Timberlake não sofreu nenhum revés, o que depõe de forma evidente a sociedade em que vivemos); por isso, foi com muita surpresa e uma certa dose de ceticismo que o mundo pop recebeu o lead single do novo trabalho da Janet, sete anos após o último lançamento, “Discipline”(2008). O álbum tem o suposto nome de “Conversations in a Café”, mas o primeiro single tem nome, música e uma boa posição no iTunes – após alcançar a décima-quarta colocação, agora está em 22º: trata-se de “No Sleeep”:

Ao invés de se jogar num batidão bem urban quebração, ou uma farofa EDM – ou seja, qualquer coisa que pudesse Janet Jacksonfazê-la hitar com o público jovem, Janet optou por mostrar suas raízes R&B com essa música mais slowtempo, mais anos 90, quase uma trilha sonora de rádio Adulto Contemporânea. A música, composta por ela e pelos parceiros de anos Jimmy Jam e Terry Lewis, consegue lembrar a década de 1990 quase no limite entre a inspiração e o datado, mas o grande trunfo da canção é ser coerente com a trajetória da Janet – e fazer com que você saiba que isso é Janet Jackson.

A letra fala de uma noite de amor com a pessoa amada, com sutileza e muita elegância. Adoro o começo e a parte final da música, com o barulho da chuva. O vocal suave e aveludado da Janet traz uma sensação de sensualidade com sugestão, o que promete algo a mais.

Apesar do bom desempenho no chart digital – lembre-se de que ela não lança nada há sete anos, sequer aparece na mídia e para o mercado musical americano, está velha (49 anos – lembra aquela história sobre as rádios americanas descartarem as estrelas pop femininas quando elas passam dos 35 anos?) – eu não vejo a faixa como sucesso. Não é um hit marcado, apesar do refrão catchy e repetitivo, é uma slowtempo mais adequada ao inverno que ao concorrido verão americano. Mas é um statement do que a Janet quer passar como artista em 2015 (e que, claro, quer oferecer uma música ao público antes de iniciar sua nova turnê, a “Unbreakable”). Para uma mulher que conquistou tudo, e passou por todos os momentos que um artista já viveu na carreira, talvez ela saiba que hoje, pode simplesmente fazer a música que quer e agradar a si mesma, e não querer jogar um jogo que poderia tirar sua identidade.

 

Estou bem curiosa com o próximo álbum. E você? O que achou de “No Sleeep”?

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Onde foi parar a Disney Star que estava aqui? “Good For You”, Selena Gomez feat. A$AP Rocky

A Disney já deu ao mundo várias estrelas, desde os participantes do Clube do Mickey até os atores/cantores que protagonizam seus seriados voltados ao público infantojuvenil. O fato é que após o sucesso da geração de Hilary Duff e Lindsay Lohan, as estrelas da Disney que conseguiram carreiras dignas de registro foram o trio Miley Cyrus-Selena Gomez-Demi Lovato.

Mas as adolescentes crescem e têm que enfrentar as agruras de uma indústria cada vez mais sedenta pelo novo – e enquanto Miley, após dois álbuns irregulares sob o crivo da Hollywood Records, se reinventou com o “Bangerz” e se dissociou da imagem que tinha na Disney, as suas amigas de emissora lutam para descolar do rótulo teen. Enquanto Demi Lovato ainda procura uma identidade própria, em meio a álbuns problemáticos e músicas de apelo juvenil, Selena Gomez – que já tinha mostrado um material bem sólido (mesmo direcionado aos adolescentes) com a banda The Scene, e se lançado como artista solo com o “Stars Dance”, um álbum até bom, mas que se fosse lançado dois anos antes faria mais barulho – começou a dar mostras de maturidade com o single “The Heart Wants What it Wants”, da sua coletânea que encerrou o contrato com a Hollywood. Uma midtempo pop madura e competente, com uma letra pessoal e o uso adequado de sua voz, que possui limitações.

Agora, nova contratada da Interscope, Selena parece disposta a tirar de vez o rótulo de “artista teen” e entrar no jogo dos tronos da música pop com o primeiro single de seu novo álbum solo, a sensual “Good For You”.

Misturando pop e um pouco de urban, tem uma ambientação bem misteriosa, com os vocais da Selena bem etéreos, utilizados novamente de forma orgânica e bem colocados (ótima produção). A letra é isso mesmo que você está pensando, um convite para o sexo, e as batidas acompanham o pedido sexy da Selena de uma forma que quando acaba a música, você começa a perguntar cadê seu namorado e a barra de pole dance. Porque a música é da linha fuck music mesmo. O rap do A$AP está no local certo, e tem uma quebra bem gostosa dela cantando para os versos dele, com direito a gemidos na segunda parte do rap.

O refrão não é instantâneo, mas quanto mais você ouve, mais fica na sua cabeça. No geral, “Good For You” não é catchy de primeira, mas é grower as fuck, e uma jogada arriscada da Selena em lançar um primeiro single com esse tempo – já que não é uma uptempo quebração urban ou uma farofa de verão. É uma música mais suave, menos energética; mas isso não significa que a faixa não seja comercial. Pelo contrário, tem muito potencial. Como a música será lançada dia 22 oficialmente e o vídeo no dia 23, já vai aproveitar os streamings e o início das vendas digitais, e com a base sólida de fãs vindos da Disney para sustentar esse lançamento, acho que “Good For You” tem chance de estourar logo nas primeiras semanas. Os próximos passos serão conquistar o público que ainda a vê como Disney Star (ou a ex-namorada do Justin Bieber) e mostrar que é artista adulta. E essa faixa oferece à Selena muito mais possibilidades de se mostrar como uma estrela pop A-list competitiva do que uma “Come and Get It”, por exemplo.

Por fim, Selena Gomez se mostra numa lógica diferente de suas peers. Enquanto Miley aparentemente quer misturar o urban e o hip hop com o pop e empacotar tudo isso em seu pacote de polêmicas (as quais ela consegue lidar com segurança, já que Miley sempre corre risco de se tornar uma caricatura mas consegue de alguma forma virar o jogo em relação à imagem que vem construindo), Selena tem sua dose de controvérsias, só que apenas inclui esses elementos como parte de uma personalidade mais “múltipla” (já que ela precisa agradar a dois públicos, por também ser atriz), e a sua música seria um elemento a mais dessa personalidade (tentando explicar melhor, ao contrário da Miley, que vende sua música e sua imagem de forma intercambiáveis – ou seja, música e imagem caminham juntas – Selena consegue dividir essas duas imagens como se a imagem que ela vende musicalmente não seja a mesma que ela vende para lançar seu próximo filme.), que é menos agressiva e contundente. Já Demi Lovato ainda procura algo que a possa diferenciar de suas amigas da Disney e se firmar no mundo pop.

É bom correr, porque o passo da Selena foi muito largo – e muito bom, pela primeira ouvida.

 

A verdadeira revolução vem com a Apple Music?

Apple MusicNa última segunda-feira, dia oito de junho, a Apple realizou sua tradicional conferência e entre vários anúncios, a empresa tratou do lançamento da Apple Music, que acontece no dia 30 de Junho. O serviço de streaming da Apple chega no mercado para concorrer com outros serviços como o Spotify, Deezer, Rdio e o Pandora (eu não incluí o TIDAL nisso por motivos óbvios né). Além de todo o capital simbólico e financeiro que a Apple carrega, toda a ansiedade em torno da Apple Music está relacionado ao fato da empresa, sempre que entra em algum mercado importante, chegar agressivamente, com o claro objetivo de monopolizar esse mercado. E eles vão tentar de todas as formas pegar o público dos concorrentes. Continuar lendo

Design de um Top 10 [20]: E você que achava que não o veria novamente

Banner-Design-de-um-Top-10O Design de um Top 10 chega ao seu vigésimo post! Honestamente, eu não achei que fosse durar tanto (para ser mais honesta ainda, nem achei que o blog fosse chegar a um ano e quatro meses), e como vinte é um número redondo, o Design de hoje tem algumas mudanças no desenvolvimento do texto; e duas adições interessantes ao cardápio: o “Essa é flop?” – um destaque para aquela música que prometeu muito mas não alcançou o sucesso – e vamos tentar entender o porquê desse single não ter chegado ao nível de hit – e se a música pode ressurgir e queimar as línguas dos analistas de música; e o “#cheirinhodehit”: trata-se da faixa que ainda não chegou ao top 10 da Billboard, mas tem chances de fazer parte desse seleto grupo.

As duas análises não vão aparecer o tempo todo – depende da música, das movimentações dos charts e até mesmo questões pessoais entram na peneira… Mas a introdução foi só para falar de mais uma semana de surpresas! na parada musical mais famosa do mundo… Ou não, se você estiver acompanhando a semana sólida de “See You Again” nos charts, que colocou a canção-tributo novamente em primeiro lugar na Billboard.

Mas será que isso é suficiente para não deixar “Bad Blood” voltar ao topo outra vez?

E essa subida de “Uptown Funk”?

As respostas, depois do top 10, claro.

Top 10 Billboard Hot 100 (13/06/2015)

1: “See You Again” – Wiz Khalifa (feat. Charlie Puth)
2: “Bad Blood” – Taylor Swift (feat. Kendrick Lamar)
3: “Trap Queen” – Fetty Wap
4: “Shut Up and Dance” – Walk the Moon
5: “Uptown Funk” – Mark Ronson (feat. Bruno Mars)
6: “Earned It” – The Weeknd
7: “Want to Want Me” – Jason Derulo
8: “Hey Mama” – David Guetta (feat. Nicki Minaj, Bebe Rexha e Afrojack)
9: “Sugar” – Maroon 5
10: “Nasty Freestyle” – T-Wayne

Wiz KhalifaApesar da audiência da música não estar tão forte quanto em outros momentos, as subidas de “See You Again” estão sólidas e altas no Mediabase, o que fez a música do Wiz Khalifa & Charlie Puth liderar a parada das rádios americanas. Essas subidas da música estão sempre entre as maiores, juntamente com faixas mais novas como a própria “Bad Blood” (no caso, o remix), “This Summer’s Gonna Hurt” (a nova do Maroon 5); além de uma faixa ainda longe do pico – “Want to Want Me”, do Derulo.

Acredito que o acumulado das rádios pode ter ajudado SYA no seu retorno ao #1, mas diante da música estar em segundo lugar no iTunes, acho que o fator que colaborou na equação vencedora da música foram os streams. Enquanto “Bad Blood” diminuiu um pouco o buzz ganho com o vídeo estrelado, “See You Again” continua reinando nos charts de streaming, contando com o apoio do Youtube e das plataformas como Spotify, Deezer, Rdio e Pandora (especialmente o Spotify). Ou seja, o maior rival da Taylor Swif em 2014/2015 – e não a Katy Perry.

(não estou dizendo que os streams são problemáticos para Taylor; apenas que em alguns momentos, ter suas Taylor Swiftmúsicas em plataformas de stream que não sejam o Youtube pode ser o somatório que faltava para deixar a música no topo. No entanto, estou falando de uma faixa que é o quarto single de um álbum historicamente bem sucedido, não acho que a Taylor ande se importando ultimamente com esses detalhes).

Por isso, acho que esse #1 de “See You Again” (que chegou à sétima semana não consecutiva no topo) pode estar ameaçado na próxima semana. “Bad Blood” pode compensar os streams com vendas digitais, aonde lidera há duas semanas, e a audiência cada vez mais crescente nas rádios. A disputa entre as duas músicas será ferrenha, com o #1 sendo decidido por muito pouco.

E você que pensava que esse verão seria chatíssimo, pode ter uma bela surpresa, como esse quinto lugar nonsense de “Uptown Funk”, subindo uma posição! Será que as pessoas ainda ouvem, ainda consomem a música? Acho que nem o Mark Ronson e o Bruno Mars se lembram mais da faixa… (ou não.) Há muito que a “Uptown Funk season” terminou, mas a música, atualmente num honroso top 20 no iTunes, ainda não desapareceu do top 10 do Mediabase, como normalmente ocorre quando hits massivos já saíram do topo. As quedas são constantes, mas volta e meia ocorrem subidas que fariam “American Oxygen” morrer de inveja.

???????????Evidentemente, a subida de UF está relacionada também com as quedas de outras músicas já em decadência no chart, o que ajuda bastante, mas como a faixa está resistindo tanto a ir embora do top 10 – e conseguindo subir? Aqui o MVP é ele mesmo, o stream. A música ainda está no quinto lugar no Streaming Songs da Billboard, e mesmo as quedas constantes nas rádios não são quedas livres – ou seja, a música ainda toca de forma constante (se não toca bastante – desculpa a rima). Ou seja, a “Uptown Funk season” não morreu, apenas se metamorfoseou em estabilidade.

(sabe como? A música empatou com “How Do I Live”, de LeAnn Rimes”, como a música com mais semanas no top 5 da Billboard na história do Hot 100, com 25 semanas. E ó, pode estraçalhar esse recorde.)

 

Vamos agora às duas novidades do “Design” de hoje – o primeiro é o ESSA É FLOP?, estrelando Carly Rae Jepsen e “I Really Like You”.

A faixa divertida e hiper catchy, lead single do novo álbum da canadense, “Emotion”, consegue ser mais grudenta e com potencial que o single que a catapultou ao estrelato – “Call me Maybe – mas apesar de um clipe viral estrelando Tom Hanks e divulgação em programas importantes (Carly emplacou até Saturday Night Live), a música não aconteceu. As rádios simplesmente ignoraram (supostamente estão boicotando IRLY), a faixa está lutando na meiúca do chart digital (45º no iTunes) em 32º nas rádios, e nem no top 25 do Streaming Charts a música está. Em #77 no Hot 100, o pico da faixa (39º lugar) parece um passado distante, e difícil de buscar.

É muito complicado dizermos que “I Really Like You” tem salvação, mas se um clipe cheio de potencial (além de um vídeo viral estrelado por Justin Bieber e Ariana Grande, que têm o mesmo empresário da Carly) e a série de divulgações não funcionaram, o que pode ajudar a música a subir?

 

E estrelando o #cheirinhodehit, as meninas do Fifth Harmony, que só conhecem o verbo subir. A girl band revelada na segunda temporada do X-Factor americano tentou, tentou, e conseguiu uma música com grande potencial: a urban-inspired filha mais nova de “Talk Dirty” “Worth It”:

Em vigésimo segundo no chart de stream, 11º no chart digital (as últimas semanas de WI foram bem emocionantes, entrando e saindo regularmente do top 10 do iTunes) e em #22 nos charts de rádio, a música só faz crescer. Apesar de ter caído uma posição na Billboard Hot 100 esta semana (agora está em #18), a trajetória da faixa é de ascensão, apesar de não ter tido uma promoção tão sortida como a da Carly, por exemplo, e com uma gravadora conhecida por não tratar bem seus acts (a Epic) por trás. Mesmo assim, elas possuem uma fã-base extremamente fiel e exigente (além de grande), e observando as movimentações, acredito que “Worth It” é o pontapé que as meninas do Fifth Harmony precisavam para sair da imagem de “artistas de show de calouros” para artistas reais – e com potencial para algo grande.

E você, o que achou dos charts esta semana?