SHADE: Mariah Carey – Infinity

Cover Mariah Carey InfinityMariah Carey está de volta com o lançamento de mais um Greatest Hits – desta vez, é o “#1 to Infinity”, a coletânea de seus #1 (que já tinha sido lançada uma primeira versão em 1998) mas agora com os #1 de “Rainbow” em diante. Ou seja, um feito para poucas. E como em todo GH sempre o artista tem que lançar uma faixa inédita, ou no mínimo uma regravação, Mariah divulgou na segunda-feira o single do álbum, “Infinity“.

A música, particularmente, é uma surpresa. Eu acreditava que a diva viria com mais uma balada romântica ou uma midtempo R&B/pop tentando emular “We Belong Together”, mas ela me surpreendeu: Mariah voltou com um R&B meio modernoso, mais up, com todos os elementos conhecidos de sua carreira, como os agudos, a técnica vocal e os whistles, e uma letra cheia de shades.

Porque assim que você acompanha o lyric video, na hora você pode perceber que tem muita coisa na letra que é uma mensagem ao ex-marido da Mariah, Nick Cannon. Trechos como “Why you mad? Talkin’ ‘bout you’re mad / Could it be that you just lost the best you’ve ever had?”, “Wouldn’t have none of that without me though” e “Why you tryin’ to play like you’re so grown? / Everything you own, boy, you still owe” mostram que a separação não foi exatamente um mar de rosas. O divórcio dos dois teve sua sorte de fofocas de tabloides; e pela música dá pra entender que ela “joga na cara” do ex que quem deu visibilidade e relevância à sua vida foi ela, Mariah.

Mesmo com esses trechos mais pessoais, a letra em geral é um grande “fuck you” para um ex sem noção, e uma das coisas que sempre foi típico da Mariah Carey e suas músicas era o fato das letras terem um fator universal – qualquer um pode se identificar com os temas e as dúvidas que ela sempre punha em suas canções (não se esqueça de que MC compõe todo o material, o que torna seu trabalho extremamente pessoal). Ou seja, “Infinity” é facilmente identificável e atinge a todos.

Agora os pontos negativos: primeiro, o refrão, que não é exatamente catchy. Como ele é meio quebrado, pra pegar você tem que ouvir várias vezes a música – e aí reside o problema. O single não é fácil. Não digo que seja ruim. A música é interessante, mas a produção me parece meio bagunçada, como se fossem várias músicas em uma – especialmente os versos, em que a Mariah canta de tantas maneiras que um ouvinte comum, que não seja fã dela, vai achar um saco e mudar de rádio rapidinho.

Bem ou mal, é bom dar crédito onde há crédito: Mariah não quis se repetir tentando fazer “We Belong Together 2” acontecer, decidindo pensar numa versão mais classuda de “Thirsty” (lembra?) – só que essa bem mais comercial, mais divertida, simples e radio-friendly, enquanto “Infinity” é uma boa música, tem a cara da MC, mas não fica exatamente no top 10 da diva.

 

(agora, se ela quiser hitar como em outros tempos, vai ter que trabalhar BEM com a faixa e lançar um clipe bem viral. Vai que o 18º não vire 19…)

(mas eu duvido muito que ela faça grandes esforços com a música – a coletânea vem para ajudar na divulgação de sua residência em Las Vegas, então Mariah só está compondo o repertório para acalmar o público entre um e outro grande clássico que ela pode colocar como quiser durante a setlist)

 

E você, o que achou de “Infinity”?

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A segunda invasão das soundtracks

A trilha sonora de um filme é uma série de músicas que acompanham o desenrolar da produção. São músicas instrumentais, criadas para dar o toque de tensão, romance, mistério e adrenalina nas cenas (as trilhas do John Williams para os filmes do Spielberg; o trabalho de Bernard Hermann com Hitchcock, Hans Zimmer com as trilhas do Batman do Nolan, Bill Conti quase uma instituição dos filmes do Rocky, e por aí vai); ou são as canções que os personagens interpretam nos musicais (insira aqui todos os musicais que você tenha visto na vida, desde “My Fair Lady” até “High School Musical”); sem contar algum filme cheio de músicas pop que acompanham a vida dos personagens, incluindo uma ou duas músicas-tema que serão lançados como single para alavancar a ida dos espectadores ao cinema (eu poderia citar inúmeros nomes, mas o mais recente é, evidentemente, “See You Again” de Velozes e Furiosos 7).

Em resumo: as trilhas de filmes convivem conosco desde antes mesmo do filme ser falado, mas em alguns momentos específicos da história do cinema, lançar uma música que fizesse parte de um filme era sinônimo de sucesso. E quanto mais pop, melhor. Não falo de faixas icônicas como “Raindrops Keep Falling on my Head” ou “Theme From Shaft”, nem mesmo das músicas de abertura dos filme do James Bond. Estou dizendo do boom de músicas com forte acento pop que estouraram nos anos 80, que chegaram ao #1 lugar nas paradas e conseguiram até mesmo Oscar, acompanhadas por filmes que, se não eram o supra-sumo da qualidade artística, alguns deles foram recordes de bilheteria, enquanto outros acabaram ficando em segundo plano em relação às músicas que acompanhavam a película.

É só ver as músicas indicadas à estatueta dourada naquela época e adivinhar quantas delas você conhece:

indicados oscar 80s
Eu garanto uma coisa: que “A Força do Destino” (“An Oficer and a Gentleman”) e “A Dama de Vermelho” (“The Woman in Red”) não devem estar na sua lista de filmes já vistos.

 

Giorgio Moroder REI o resto nem sei
Giorgio Moroder REI o resto nem sei

Pois é, jogue pelo menos “Take My Breath Away” no Youtube e momentos da sua infância com Tom Cruise voando num caça e paquerando a Kelly McGillis ecoarão em sua mente. E ainda tem mais: desde “Fame” até “Take My Breath Away”, os vencedores do Oscar chegaram à primeira posição na Billboard Hot 100. Ou seja, são hits massivos e clássicos, que até hoje estão na boca do povo (se bem que os fãs de “A Pequena Sereia” devem lembrar de “Under The Sea” 😉

Nos anos 90, a dominação dos vencedores do Oscar foi com as trilhas sonoras da Disney – e “A Pequena Sereia”, como o filme que proporcionou o ressurgimento do estúdio após uma década de flops, acabou abrindo espaço para vitórias de outras trilhas sonoras históricas, como “Beauty and The Beast” (por “A Bela e a Fera”), “A Whole New World” (de “Aladdin”), “Can You Feel the Love Tonight” (de “O Rei Leão”), “Colors of the Wind” (vencedor por “Pocahontas”) e “You’ll Be in My Heart” (música de “Tarzan”). É só ler o nome que a memória volta à infância. Mas apesar de clássicas e icônicas, não são exatamente músicas pop.

A partir da década de 2000, apesar da variedade de músicas vencedoras (dois dos ganhadores são do gênero rap), a maioria dos vencedores perdeu o acento super pop que as vencedoras dos anos 80 tinham. Mas durante o final da década, com a chegada das franquias adolescentes desejosas em repetir o sucesso de bilheteria de “Harry Potter”, um novo combo surgiu: lança o filme + lança o CD da trilha sonora que geralmente é melhor que o próprio filme – lembrando que algumas músicas de franquias foram lançadas na esteira dos filmes, mas não com o estouro provocado por essa tendência, que podemos creditar a “Crepúsculo”.

A partir de “Crepúsculo”, em maior ou menor grau, as franquias se esforçaram em trazer músicas que vendessem – e ajudassem na bilheteria dos filmes. Isso se tornou sinônimo de “prêmio” com o efeito “Let It Go”, quando a Disney voltou à cena das soundtracks e com “Happy”, os artistas pop voltaram ao centro das trilhas sonoras, trazendo de volta o acento pop e as trilhas sonoras com pesos pesados, chegando ao ápice com “See You Again”.

E de “Crepúsculo” até “Velozes e Furiosos 7”, houve um longo caminho…

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Design de um Top 10 [17] It’s been a long day, without you my friend

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Paul Walker his impact, again! Além dos recordes de bilheteria que “Velozes e Furiosos 7” está batendo nos cinemas de todo o mundo, a trilha sonora também está destruindo nos charts. Tão veloz quanto os carros que pulam prédios e caem de despenhadeiros mas ninguém morre por conta disso (é isso mesmo que você leu, vá ver o filme, é divertidíssimo!) foi a subida de “See You Again”, música do rapper Wiz Khalifa com featuring do novato Charlie Puth, que subiu nove posições e destronou “Uptown Funk”, até então reinando absoluta no Hot 100 em primeiro lugar.

O #1 do Wiz não alegrou apenas fãs e admiradores da (ótima) canção – tiveram muitos lambs (como são chamados os fãs da Mariah Carey) torcendo por “See You Again” porque temiam que “Uptown Funk” superasse o recorde de “One Sweet Day”, de 16 semanas em #1. Recorde mantido, corações tranquilizados; mas o Design de hoje precisa falar dessas movimentações – e de alguns moradores do top 10.

 

Top 10 Billboard Hot 100 (25/04/2015)

#1 See You Again – Wiz Khalifa feat. Charlie Puth

#2 Uptown Funk! Mark Ronson feat. Bruno Mars

#3 Sugar – Maroon 5

#4 Trap Queen – Fetty Wap

#5 Thinking Out Loud – Ed Sheeran

#6 Earned It – The Weeknd

#7 Love Me Like You Do – Ellie Goulding

#8 G.D.F.R. – Flo Rida feat. Sage The Gemini and Lookas

#9 Shut Up And Dance – Walk the Moon

#10 Style – Taylor Swift

 

Wiz KhalifaPrimeiro, claro, vamos falar do épico #1 desta semana, “See You Again”, que conseguiu tirar “Uptown Funk” do topo com uma subida meteórica de nove posições, catapultada pelo lançamento do “Velozes e Furiosos 7” assim como a cena final em que a música é utilizada, com muita sensibilidade e emotividade. Mas a caminhada absurda da faixa foi reforçada por uma liderança que nenhuma das outras rivais de UF tinham conseguido chegar: além do 1º no Hot 100, a música ficou praticamente toda a semana (and counting) em 1º no iTunes; assim como a primeira posição no chart Streaming Songs (que conta os serviços de Streaming em geral, desde o Spotify até o Youtube). A música até o momento está em 49º nos charts de Rádio – ou seja, o airplay realmente não contou na escalada ao topo da música (já que UF ainda lidera na audiência); o que colocou Wiz e Charlie lá no #1 foram as vendas digitais massivas (464 mil, as maiores do ano até agora), além do crescimento absurdo no streaming. Essas vendas + stream (com a faixa sendo ouvida nos serviços de audição como Spotify, Deezer e afins, além do vídeo simples e eficiente recebendo visualizações como chuva no inverno) fizeram com que “See You Again” suplantasse UF onde o throwback funk de Mark & Bruno eram mais fortes: nas rádios.

E olha, a julgar pelo hype do filme, uma das maiores bilheterias do ano, perto de alcançar o bilhão (desde a estreia em 03 de Abril, já levou pra casa 803 milhões de dólares em bilheterias), além do fato da música ser absolutamente identificável, com forte pegada crossover e já com a marca de “homenagem a um ator falecido subitamente”, terá longa vida nas rádios – e talvez no topo.

(curiosidade 1: este é o 2º #1 do Wiz Khalifa – o primeiro foi com o debut, “Black and Yellow”, no já distante 2011; enquanto é o primeiro topo do novato Charlie Puth. Isso é que é início de carreira!

curiosidade 2: percebeu como a música que tirou de “Uptown Funk” a possibilidade de chegar no recorde de Mariah Carey e Boys II Men com “One Sweet Day” lida com o mesmo tema da balada da diva?)

É hora de chorar mais um pouquinho com “See You Again”:

 

Mas temos que dar a César o que é de César: galera preocupada com “See You Again” x “Uptown Funk” e nem perceberam a subida discretaFetty Wapmas interessante de duas posições de “Trap Queen“, hein? De pouquinho em pouquinho, a música do Fetty Wap pode ser uma das canções do verão, já que não para de subir. A faixa também está em quarto lugar no iTunes, está em segundo no Streaming Songs e já está no top 20 do Mediabase. Não me parece ainda ter chegado no seu pico, e não me surpreenderia se permanecesse por aí, rondando o quarto, terceiro, segundo, durante algumas semanas, até que fizesse a “All Of Me” e beliscasse um #1 na Billboard.

Como eu tinha dito há alguns “Designs” atrás, acredito que “Trap Queen” vá fazer morada no top 10, e aguente o aguerrido e sempre frenético verão americano. É um rap/hip hop menos uptempo e mais midtempo, com um certo balanço e bem catchy, e enquanto hitmakers provadas como Rihanna parecem estar em outro humor (sério, que era mais maluca é essa da RihRih? Qual é o single mesmo? Só “FourFiveSeconds” se provou consistente, logo a menos comercial delas), outros nomes famosos como Katy Perry estão em fim de era e Taylor Swift vai seguir em turnê, quem chegar com faixas fortes no verão precisa conquistar o público – que, naturalmente, vai consumir mais uma música conhecida e familiar, que ainda não está saturada pelas audições repetitivas; e principalmente, pelas performances em todo o canto.

Porque, se o Fetty Wap conseguir uma apresentação num programa de impacto, esse #1 pode vir.

Enquanto o rapper ronda o topo discretamente, confira “Trap Queen”:

 

Walk the MoonE quem acompanha os fóruns de música já deve estar sabendo dessa música, “Shut Up and Dance”, da banda Walk The Moon. E é bom continuar a saber, porque a depender de como a música chegou ao top 10, subindo três posições e se instalando no nono lugar, com certeza esse não será o peak dos rapazes. A música tem algumas das maiores subidas nas rádios (atrás do peso-pesado “Earned It”, que aparentemente pode não ser #1 com o smash “See You Again”; e de, claro, SYA), além de estar em 2º no iTunes tem uns bons dias e, apesar de ainda não ser uma força nos streamings, agora com o top 10 a tendência é crescer ainda mais (eu mesma já vou catar a música pra adicionar no meu Spotify).

Afinal de contas, “Shut Up and Dance” é aquele upbeat pop/powerpop/rock cheio de synths e bem anos 80 que parece trilha sonora de filme do Brat Pack. Nada contra, achei ótima! Divertida, pra cima, a letra bem sacadinha e o clipe igualmente oitentista e bem humorado, a música tem um refrão forte e que fica na cabeça depois de horas! A chegada da música nesse ponto do chart é importante, porque ela ainda está em crescimento; e ao contrário de “Trap Queen”, que vem crescendo mais discretamente; SUAD tem crescimentos maiores e bem vistosos, o que evidentemente a coloca entre as prováveis “canções do verão”, mas também na luta pelo #1.

Além disso, “Shut Up and Dance” ainda tem o plus de ser mais uma música do “efeito indie” que sempre acomete a Billboard desde o Foster The People e “Pumped Up Kicks em 2011. Já percebeu que to-do ano tem um act alternativo que estoura, fica mofando no top 10 (ou vira 1º) e ninguém sabe por que os americanos acabaram curtindo a música? Pode inserir aqui o fun., Gotye, a Lorde (que depois virou A-List do pop), Bastille, Hozier ❤ … Esse pode ser o ano do Walk The Moon.

(aliás, os caras não são novatos na cena. A banda está na estrada desde 2010 e “Shut Up and Dance” é single do segundo álbum deles lançado por uma gravadora, “Walk The Moon” – eles chegaram a lançar um álbum de forma independente antes)

Áinda não conhece essa música? Pois fique viciado em “Shut Up and Dance”!

E você, o que achou do novo #1?

Design de um Top 10 [16] Veloz, furioso e derrubador de recordes

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Paul Walker his impact! Quando muita gente achava que “Earned It” ou mesmo “Sugar” seriam os próximos #1 na Billboard e tirariam “Uptown Funk” da liderança onde se mantém há 14 semanas (com possibilidades de empatar com “One Sweet Day” em mais semanas em #1, de acordo com perspectivas positivas – a minha já foi destronada na semana passada), estreia o novo filme da franquia “Velozes e Furiosos”, o sétimo filme, último com Paul Walker no elenco (Walker morreu num acidente de carro em 2o13) e uma das músicas da trilha sonora, a midtempo pop/hip hop “See You Again”, do Wiz Khalifa e o novato Charlie Puth, derruba todos os forninhos e salta para a primeira posição do iTunes, com vendas fortíssimas em pouco tempo de vendas.

Com o hype altíssimo de um filme recordista em bilheterias, e amparado por uma cena considerada por muitos que já viram o filme como emocionante (eu ainda não vi – porque a sessão em que eu iria estava lotada –  mas já programei ver “Velozes e Furiosos 7” nesta sexta), sem contar com o fato da música ser muito bonita, “See You Again” ganhou força e entrou no top 10 da Billboard, com possibilidades bem manifestas de ser o próximo #1 na Billboard.

E são sobre essas possibilidades o tema desse fast & furious Design de um Top 10! (com alguns trocadilhos infames sobre carros)

Top 10 Billboard Hot 100 (18/04/2015) 

#1 Uptown Funk! – Mark Ronson feat. Bruno Mars
#2 Sugar – Maroon 5
#3 Love Me Like You Do – Ellie Goulding
#4 Earned It (Fifty Shades Of Grey) – The Weeknd
#5 Thinking Out Loud – Ed Sheeran
#6 Trap Queen – Fetty Wap
#7 Style – Taylor Swift
#8 G.D.F.R. – Flo Rida feat. Sage The Gemini and Lookas
#9 FourFiveSeconds – Rihanna feat. Kanye West and Paul McCartney
#10 See You Again – Wiz Khalifa feat. Charlie Puth
???????????A velocidade de “Uptown Funk” já vinha diminuindo nas duas últimas semanas. As rádios já estavam diminuindo as audições e alguns grandes lançamentos tinham tirado a força da música no chart digital (leia-se Rihanna). No entanto, a chegada de “See You Again” acabou quebrando de vez a força da música. Apesar dos números em streamings e no airplay ainda serem consistentes, a música do Mark Ronson e do Bruno Mars já perde terreno para outras faixas, como “Sugar” e “Earned It” (a do Maroon 5 mais próxima do peak, já a do The Weeknd ainda tem pra onde crescer). Mesmo assim, os fóruns mundo afora ainda conseguem colocar UF como #1 pela décima-quinta semana, se colocando como a única música da história a chegar a esse ponto. Ou seja, o recorde da Mariah ainda continuaria de pé.
No entanto, com as vendas de “See You Again” crescendo massivamente, divulgação forte e o crescimento em todas as rádios de gênero (já que o apelo da música é bem crossover) há a chance mais forte de UF sair do topo na semana que vem. Se isso acontecer, será o fim de uma bela liderança, que durou três meses e meio. Uma liderança histórica, que coloca a duplinha dinâmica Mark & Bruno ao lado de outras músicas clássicas, inesquecíveis ou que você ama odiar, como:

“I Gotta Feeling,” The Black Eyed Peas (2009)
“We Belong Together,” Mariah Carey (2005)
“Candle in the Wind 1997″/”Something About the Way You Look Tonight,” Elton John (1997)
“Macarena (Bayside Boys Mix),” Los Del Rio (1996)
“I’ll Make Love to You,” Boyz II Men (1994)
“I Will Always Love You,” Whitney Houston (1992)

E se você ainda acha que “Uptown Funk” tem uma chance, é só dar play e ouvir mais uma vez o indefectível DOH DOH DOH DOH

 

Wiz KhalifaMas quem veio a 200 por hora passando pelos rivais como se fossem tartarugas numa fila indiana foi Wiz Khalifa com o auxílio de Charlie Puth na faixa “See You Again“. Eu fiquei acompanhando os movimentos da faixa após a estreia de “Velozes e Furiosos 7” nos cinemas e o final de semana da Páscoa mostrou uma das subidas mais monstruosas e insanas dos últimos anos (a dominação Swift não conta, a gente tá falando aqui de uma faixa de trilha sonora de filme, com um rapper famoso na cena mas com menos apelo crossover e no refrão um carinha relativamente desconhecido). A música chegou em #1 no iTunes atropelando e deixou “Uptown Funk” em segundo com uma diferença histórica. A música conseguiu subir 41 posições no Hot Digital Sales e tirou UF do topo com mais de 168 mil cópias vendidas do single. A faixa também teve uma subida meteórica no Hot 100, saindo da 84ª posição para o décimo lugar, um pulo de 74 posições. Trata-se do sexto top 10 do Wiz desde sua estreia em 2011 com “Black and Yellow” (que ficou em #1 na Bill) e a estreia de Puth no top 10 (Charlie Puth, aliás, surgiu com covers no Youtube, e em 2011 foi contratado pela gravadora da Ellen Degeneres – mas ele saiu do selo e conseguiu um contrato com a Atlantic, onde já tem uma música solo lançada este ano, “Marvin Gaye“, com featuring da Meghan Trainor. Olho no garoto).
Agora, a pergunta que não quer calar é: “See You Again”, com sua melancolia, sua pegada meio “ryan-tedderiana” e letra simples, mas eficiente, vai chegar ao topo? Tudo indica que sim, já que essas 168 mil cópias foram contabilizadas no curto período de crescimento da música no iTunes – e ainda não vão contar as vendas massivas desta semana (a previsão está em 420 mil cópias, em alguns lugares, mas esse número pode crescer); apesar da faixa ainda iniciar carreira tímida nas rádios, os streams estão começando a ajudar (especialmente dos serviços como o Spotify, já que o clipe fora lançado no início da semana),  e acredito que a força das vendas digitais será suficiente para tirar a diferença de UF nas rádios e streamings e colocar a faixa no topo.
Ainda não ficou tocado por “See You Again”? Veja o clipe aqui e recomendo que pegue seus lencinhos…

 

E você? Acha que “See You Again” é o próximo #1 na Billboard ou “Uptown Funk” aguenta mais uma semana?

Design de um top 10 [15] Debutando ao som de “Uptown Funk”

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Mais uma semana, mais um #1 de “Uptown Funk! Essa décima-terceira semana da faixa no topo já era algo que eu esperava, mas eu não sei como as coisas podem acontecer daqui por diante. Como havia dito no Design da semana passada, os números da música estão em queda – e agora, com a nova da Rihanna disputando o topo no iTunes e “Earned It” do The Weekend crescendo um absurdo nas rádios, o caminho natural de UF é sair do topo. Mas outros comentaristas de fóruns ainda acreditam no poder da música, já que os números são tão impressionantes que podem durar mais algumas semanas até o concorrente ao trono do Hot 100 ultrapassar “Uptown Funk”. Não é por nada que a música sempre vem e volta ao topo do iTunes como se fosse brincadeira (é a música dos fins de semana dos americanos) – e volta e meia aparece um viral pra aumentar o número de streams. Ou seja, um rival formidável pra qualquer música.

Por isso, Mark Ronson e Bruno Mars podem continuar comemorando, porque eles já são detentores de um recorde: da música com mais tempo no #1 na década. Os dois superaram a famigerada “Blurred Lines”, que ficou 12 semanas no topo em 2013 e podemos já considerar UF como um dos hits da década (que está na metade). História está sendo feita diante de nossos olhos!

A minha intro foi mais focada nos rapazes porque o foco do Design de hoje não é exatamente “Uptown Funk” (mesmo com o título infame) e sim alguns movimentos bacanas no top 10, que continua meio congelado.

Top 10 Billboard Hot 10 (11/04/2015)

#1 Uptown Funk! – Mark Ronson feat. Bruno Mars

#2 Sugar – Maroon 5

#3 Thinking Out Loud – Ed Sheeran

#4 Love Me Like You Do – Ellie Goulding

#5 Earned It (Fifty Shades Of Grey) – The Weeknd

#6 Trap Queen – Fetty Wap

#7 Style – Taylor Swift

#8 FourFiveSeconds –  Rihanna feat. Kanye West and Paul McCartney

#9 G.D.F.R. – Flo Rida feat. Sage the Gemini and Lookas

#10 Somebody – Natalie La Rose feat. Jeremih

 

The WeekndHora de falar do candidato que está no top 10 e que tem mais força para tirar o #1 de “Uptown Funk” – trata-se da balada sexy “Earned It”, do The Weeknd. A faixa é a que tem o maior crescimento nas rádios (enquanto UF cai com certa lentidão), está muito forte nos streams – mas o problema são as visualizações do vídeo no Youtube. O clipe é interessante, mas com pouco apelo para viralizar. Foram poucas as apresentações televisionadas, o que pode atrapalhar futuras vendas (lembrando que “Earned It” está numa disputa ferrenha pela liderança no iTunes com a própria UF e “Bitch Better Have My Money”, segundo single da Rihanna que está muito bem no chart digital). Mas o futuro reserva coisas positivas à faixa.

A questão é: “Earned It” pode tomar logo o #1 de “Uptown Funk” ou a faixa vai esperar um pouco? Existem duas perspectivas para EI – uma é a positiva: a força de UF nas rádios não será suficiente para manter a música ainda no topo. As subidas de “Earned It” no chart digital e no Spotify podem credenciá-la ao primeiro (especialmente com o “apoio” da música da Rihanna, que já pode ser considerado um viral, e só não coloco como um provável primeiro porque ainda não tem clipe e mal toca nas rádios pop – o single é massivamente urban). Já a perspectiva negativa tem dois ramos: o primeiro é o fato de que os números de “Uptown Funk” são altos demais para serem superados em uma semana; e seria necessário mais algumas semanas para tirar essa diferença; e o fator “Bitch Better Have My Money”, que com uma apresentação certeira ou um clipe bem viral pode pegar carona num foguete e passar na frente dos outros concorrentes -o problema é conseguir isso sem total apoio das rádios e dos streamings – o que é algo bem complicado e só pode fazer efeito a médio/longo prazo.

Está torcendo para “Earned It”? Então pode dar play e colaborar com os streams! 😉

 

Já “Trap Queen“, do Fetty Wap, pode ser carimbado como sucesso – a música, que subiu duas posições na Billboard e agora está na sexta Fetty Wapposição, está subindo muito bem nas rádios, além de crescer nos streamings e estar na quinta posição no iTunes. Música boa, de fácil assimilação e de um rapper novato, é outra faixa mais urban/hip hop chegando nos charts e mostrando uma tendencia de retorno desse estilo que ficou meio longe do topo nos últimos anos da década passada. A música só faz crescer, e acredito que tenha longa vida no top 10 (acho até que será uma das músicas do verão). O que eu duvido ainda é da possibilidade de ser #1, já que tem outros players mais poderoso na jogada. Mas uma apresentação marcante em algum award importante ou algum vídeo viral podem virar o jogo.

(mesmo assim, não acredito muito na primeira posição – e sim em “Trap Queen” fazendo morada no top 10.)

Ainda não conhece? Pois ouça “Trap Queen”!

 

 

Natalie La RoseE por falar em urban, a nova  moradora do top 10 chegou ao seu peak na décima posição: é a deliciosíssima “Somebody“, da novata Natalie La Rose, com featuring de Jeremih. Com interpolações de “I Wanna Dance With Somebody”, da Whitney Houston, e de “Shots” do LMFAO, a música chegou de mansinho – já estava crescendo de forma sólida no chart digital e no Mediabase está no top 10, com ótimas subidas. A tendência é de subir ainda mais (está em 15º no chart semanal do Spotify), e como a música já tem um clipe, streams de vídeos já podem contabilizar uma forcinha pra se manter no top 10. Assim como “Trap Queen”, acho que “Somebody” tem chance de morar no top 10 – mas não vejo como um #1 em potencial.

Agora, sobre a moça: Natalie La Rose é holandesa, contratada do Flo Rida (que aparece no vídeo de “Somebody” e tá na nona posição com “GDFR”) e esse é o seu single debut. Ela tem um estilo meio Ciara, cantora e dançarina, da mesma turma de novatas como a Tinashe, só que ao contrário desta última, a estreia da Natalie é um pouco mais “radio-friendly” que as músicas do “Aquarius” (tirando “2 On” e “All Hands on Deck”). O mais impressionante do desempenho dessa música é que chegou à décima posição sem performances televisionadas (até prova em contrário, eu fucei no Youtube e não vi nada!), o que é um feito (ou seja, a galera tá acompanhando a moça pelo clipe e pelas audições nas rádios, streaming e vendas digitais). Agora, se Natalie La Rose pode ser uma futura estrela ou apenas chuva de verão, só o tempo (ou o segundo single) dirá.

 

E você, o que achou dos últimos movimentos no top 10?

TIDAL – a onda que ninguém quer pegar e o consumo livre de música

Eu gosto de música, desde criança, quando não tinha muito critério sobre o que ouvia e sempre estava escutando tudo. Fui crescendo e mudando o meu gosto – comecei a ouvir músicas antigas, dos anos 70, 80. Tive sorte, porque minha adolescência ocorreu durante a explosão da internet, numa época em que cada vez menos as pessoas compravam álbuns e meus hábitos de consumo de música eram baixar alguma faixa por algum site de downloads, já que um CD antigo do Marvin Gaye ou o material do Chicago não eram coisas que eu conseguiria achar facilmente aqui em Salvador.

Com 15 anos, passei a ouvir de novo músicas mais recentes, e logo descobri realmente do que eu gostava, o que me tocava de verdade e atiçava minha curiosidade: era a música pop internacional, assim como outros gêneros como R&B, soul e hip hop. Mais adulta passei a ouvir um pouco de rock, mas a minha formação foi basicamente pop. Só que, morando numa cidade longe das metrópoles centrais do Brasil e tendo perdido o costume da infância de ouvir álbuns físicos, baixei de forma contínua músicas, álbuns, discografias inteiras pela internet. Colocava um CD que gostava no celular, ou no mp3, e circulava pela cidade ouvindo as músicas que eu queria.

Quando recebi finalmente meu convite para usar o Spotify, no ano passado, foi como se um mundo novo se escancarasse diante dos meus olhos. A minha extensa biblioteca do notebook era pálida em relação ao catálogo de milhões de músicas e artistas, que eu poderia arrumar e catalogar eu mesma em minhas playlists ao meu bel-prazer. E assim, deixei de baixar músicas pela internet, porque as novidades estavam à mão, os álbuns logo sairiam em excelente qualidade pelo Spotify e o aplicativo já estava instalado no meu celular. Eu pago seis dólares pelo serviço, e normalmente aparecem uns 15 reais na minha conta todo mês.

Para alguém que não pagava pela música que consumia, isso é uma evolução.

O Spotify – e os serviços de streaming, de forma geral – revolucionaram a forma de consumo de música de uma forma irremediável. Ter à sua mão, por um preço quase simbólico, um catálogo de músicas que demoraríamos três vidas (and counting) para possuir, em excelente qualidade e podendo escolher o que ouvir, como ouvir, onde ouvir? É brilhante. E alguns desses serviços são grátis, o que significa que você pode ouvir gratuitamente (mesmo com anúncios e algumas limitações de serviço) o que você quiser, servindo-se do mesmo catálogo musical dos planos pagos.

O retorno desse consumo massivo de música já é visto – eu sempre comento aqui que os streamings já contam pontos para decidir se uma música sobe ou desce nas paradas (tanto os streamings de Spotify, Pandora, Rdio e similares quanto as views de vídeos e virais no Youtube) – tanto para os consumidores quanto para os artistas e as gravadoras. Com a decadência das vendas digitais, o streaming é o futuro. E artistas recebem os retornos financeiros de cada play dado por sua música.

TidalNo entanto, alguns grandes artistas reclamaram do preço dado como retorno por essas audições – e contra-atacaram. Primeiro foi Taylor Swift, que retirou todo o catálogo do Spotify por não concordar com o serviço free oferecido pela empresa e queria que apenas usuários premium tivessem acesso ao novo álbum. Depois, o relançamento na última segunda-feira do TIDAL, novo serviço de streaming capitaneado por Jay-Z, com uma proposta de oferecer música e vídeos em alta qualidade, além de uma aproximação maior dos artistas com o público (já que o serviço é comandado pelos artistas como Beyoncé, Rihanna, Jack White, Madonna e Daft Punk) com dois tipos de plano: um premium, por dez dólares; e um HiFi, por 20 dólares, em que o diferencial é a qualidade loseless, som de altíssima qualidade, a mesma de um CD (1411 kbps).

Não há versão free.

E será sobre o TIDAL que vou falar agora.

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