Design de um Top 10 [14] Três meses chamando a polícia e os bombeiros

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Mais uma semana de Hot 100, mais uma semana de “Uptown Funk” no topo! Até agora indiscutivelmente o maior hit do ano (até a chegada do próximo viral de verão), o funk retrô dos BFFs Mark Ronson e Bruno Mars parece imbatível no topo – mesmo com os suspeitos se aproximando da música especialmente nos streamings. Esta semana está especialmente curiosa, já que os SETE primeiros colocados não se moveram – apenas lá embaixo, na entradinha do top 10, a turma começa a aparecer – e os principais suspeitos de serem os próximos hits do verão começam a dar as caras…

Top 10 Billboard Hot 100 (05/04/2015)

1. Uptown Funk! – Mark Ronson feat. Bruno Mars
2. Sugar – Maroon 5
3. Thinking Out Loud – Ed Sheeran
4. Love Me Like You Do – Ellie Goulding
5. FourFiveSeconds – Rihanna feat. Kanye West and Paul McCartney
6. Earned It – The Weeknd
7. Style – Taylor Swift
8. Trap Queen – Fetty Wap
9. Time of Our Lives – Pitbull feat. NeYo
10. GDFR – Flo Rida feat. Sage the Gemini and Lookas

 

???????????Primeiro é hora de falar do sucesso monstruoso de “Uptown Funk“, que chega à sua décima segunda semana na primeira posição. Eu ainda me choco como a faixa já tem três meses liderando o chart sem chance de queda. Quando você pensa que as rádios vão começar a abandonar a música, as atualizações de audiência mostram alguma boa subida. Quando uma música chega ao primeiro lugar no iTunes, normalmente desce logo – porque subiu por conta de algum viral ou performance bacana – e UF volta à liderança. A faixa ainda é lider nos serviços de streaming (aliás, toda semana surge algum viral da música na net) – apesar de “Sugar” estar em primeiro lugar no Spotify. Mesmo assim, os números de “Uptown Funk” são imensos, e para superar esse hit, é necessário que as quedas da música sejam mais contundentes (e não quedas pequenas com subidas intermitentes) e alguém tire a faixa do topo do iTunes (sem contar com o fim dos virais, que parecem brotar da terra).

Agora a pergunta que não quer calar: será que Mark & Bruno vão conseguir chegar às 16 semanas de “One Sweet Day”, que deu a Mariah Carey e ao Boyz II Men um recorde de quase 20 anos? Para chegar a esse número mágico, “Uptown Funk” precisa segurar o topo por mais quatro semanas – o que eu particularmente considero improvável, se não impossível. Pelo menos uma semana no topo pode acontecer, mas a décima-quarta eu duvido. Logo os movimentos das músicas que chegam para bombar no verão americano começam a surgir (se já não surgiram) e sempre tem algum grande lançamento na manga (a Rihanna tem um álbum esperando pra ser lançado).

Quem viver verá né? Enquanto isso, não se acanhe que eu sei que você vai dar play mais uma vez em “Uptown Funk”!

 

No último “Design de um Top 10”, eu comentei aqui sobre as prováveis ameaças a “Uptown Funk” – eu tinha apostado minhas fichas em The Weeknd“Love Me Like You Do”, da Ellie Goulding; mas essa música, que faz parte da trilha sonora de “Cinquenta Tons de Cinza”, está mais próxima mesmo é de morrer na praia. A música com o melhor desempenho nas rádios até agora e que cresce com mais intensidade é “Earned It“, balada soul do The Weeknd que está neste momento na sexta posição. A música é a melhor entre as que fazem parte da soundtrack do filme (que é medíocre, desculpa quem gostou), e tem uma ambientação misteriosa, sexy e perigosa ao mesmo tempo, com os vocais agudos com falsetes do The Weeknd no ponto. Mil vezes ela que a música da Ellie.

A questão aqui é que, apesar dos números positivos de “Earned It”, eles ainda estão muito distantes de destronar UF – acredito que a música ainda vai subir algumas posições, com a decadência dos concorrentes, mas essa subida não será o suficiente para tirar “Uptown Funk” do #1. Como eu tô confiando em que na décima terceira semana UF ainda resiste, a décima quarta pode ser o grande pulo de “Earned It”. O segredo é conferir os charts digitais, de stream e o airplay das rádios pra saber o quanto a faixa pode crescer nos próximos dias – porque, se a música subir pouco ou estabilizar como está sendo essa semana, considerando a diferença nas vendas de UF para as outras, The Weeknd já pode colocar as barbas de molho e esperar a próxima chance de conseguir um novo top 10.

Se você ainda não conhece, dê play em “Earned It”!

 

PitbullJá no final do top 10 a gente pode listar os prováveis #1 do verão americano. Quem acompanha música pop sabe que americano adora aquela farofa pra pular e esquecer assim que entrar setembro; por isso, é hora de listar alguns dos candidatos a serem os próximos summer hits – músicas que a gente vai amar odiar (ou odiar o fato de que gosta): uma delas é “Time of Our Lives“, outra farofa requentada do Pitbull, de novo com Ne-Yo de featuring, e que se encontra na nona posição.  Típico eletropop de verão, com aquele clima de festa e a assistência vocal do Ne-Yo que talvez seja a parte mais bacaninha da música. Momentaneamente, “Time of Our Lives” está na 16ª posição no iTunes; se encontra no top 10 das rádios, mas  teve uma queda considerável nesta quinta-feira; e no Spotify, está em décimo. As views no Youtube estão medianas (cerca de 41 milhões) . Não duvide do poder dessa farofinha, porque vicia.

 

Já a faixa “GDFR“, do Flo Rida com participação especial de Sage the Gemini e Lookas é mais um estouro do rapper. A faixa teve um Flo Ridacrescimento até certo ponto lento, mas o fato é que o Flo Rida sempre consegue emplacar alguma coisa em cada era: “Low” (um hit da década passada marcante também pelo refrão cantado em tom de auto-tune por T-Pain em 2007); “Right Round” (outro hit massivo, recordista em vendas digitais, com participação não creditada da Kesha antes da fama em 2009); além da bizarra “Whistle” (mais um hit pronto de 2012). O homem pode até não vender discos, mas sabe como vender CDs. Neste momento, “GDFR” (que é viciante pra caramba, e bem menos eletropop e EDM que suas incursões anteriores), se encontra na nona posição do iTunes, em nono no Spotify; e subindo de forma consistente nas rádios. As views no Youtube estão em torno de 22 milhões e 400 mil, mas não duvido de que cresça aos poucos. Não duvide da capacidade do Flo Rida em sempre trazer pro pop um hit chiclete que você ama odiar.

 

Fetty WapTrap Queen” é outra história. Na semana passada, o hip hop do novato Fetty Wap entrou no top 10 após uma trajetória meteórica nos charts de R&B/hip hop, chegando na décima posição. Nesta semana, a faixa está em oitavo no Billboard Hot 100 e a expectativa é de melhorar ainda mais. O rapaz ainda está trabalhando na sua primeira mixtape, mas conseguiu uma ajuda boa para o seu big break: Kanye West! Isso mesmo, Yeezus colocou Fetty Wap aka Willie Maxwell pra se apresentar em um de seus shows em Fevereiro e o cara roubou a cena com “Trap Queen” e logo chamou a atenção. Merecidamente, porque a música é bem bacana. Aquele hip hop bem urban, com o cara nos versos e cantando o refrão, uma letra que não inventa muito – ele é apaixonado por uma mulher e dá tudo pra ela, e está sempre com sua namorada – emoldurada por uma batida viciante que dá vontade de mexer os ombrinhos ao som da música. Acho que Fetty Wap tem chances de colocar sua música em posições mais altas – além de estar em segundo lugar nas rádios, está em 12º no Spotify, o vídeo da música tem mais de 26 milhões de visualizações no Youtube (lembre-se: é um artista novato, virtualmente desconhecido do grande público, exceto os ouvintes urban), e em oitavo lugar no iTunes (com barrinhas verdes – ou seja, subindo nas vendas). Com uma apresentação num programa ou premiação de impacto, acho que a música pode explodir.

 

E você, o que achou das movimentações essa semana?

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A difícil busca de Kendrick Lamar por paz interior e igualdade em “To Pimp a Butterfly”

Cover CD Kendrick Lamar To Pimp a ButterflyI remembered you was conflicted
Misusing your influence, sometimes I did the same
Abusing my power full of resentment
Resentment that turned into a deep depression
Found myself screamin’ in the hotel room
I didn’t wanna self destruct
The evils of Lucy was all around me
So I went runnin’ for answers
Until I came home

Quando ouvi o “good kid, m.A.A.d City”, eu fiquei impressionada. Hip hop nunca foi minha área, mas todo mundo comentava sobre o álbum daquele cara de Compton, que tinha trazido um som mais calcado nas origens do gênero, com músicas mais secas sobre a pobreza, violência, sobre a realidade das ruas, tudo de uma forma contundente, direta ao ponto, com raps rápidos, batidas secas e nada easylistening. Não era um álbum pra retirar uns cinco singles pra voar direto ao top 10 – era um álbum pra você ouvir todo e ficar viajando nas letras e na inteligência do cara.

Pois esse cara, Kendrick Lamar, colocou as coisas em outro nível com seu novo álbum, “To Pimp a Butterfly”. Fazer uma continuação bem sucedida de um CD indicado ao Grammy de Álbum do Ano (e injustiçadíssimo em 2014) era difícil, mas ele simplesmente me deixou no chão. Eu imaginava alguma coisa bem interessante julgando pelo primeiro single, a brilhante e positiva “i” (que levou o Grammy, thank God!), mas nada, nada, nada parecido com o que eu ouvi agora. Nada se compara ao que esse cara mostra em 16 músicas que contam uma história tão clara e definida que não dá pra ouvir de forma aleatória. Você precisa acompanhar em ordem, entender o que aconteceu com o Kendrick após o seu grande estouro, como ele lida com seus problemas pessoais e como ele se vê no mundo, como homem negro, como artista, como portador de uma mensagem, como alguém com fé.

Por isso, a resenha de hoje não será track-by-track, como sempre faço, e será mais uma análise mais perceptiva, mais de uma ouvinte, e pode não ter alguns momentos meio lógicos, mas ouça o álbum depois (está no Spotify) e compreenda.

As músicas interligadas são um toque genial. O fade-out não é pra dar pulos na música; está contido dentro da canção, para trocar o humor ou até mesmo indicar o featuring. Mas funciona muito bem, musicalmente falando. As canções realmente estão interligadas liricamente (e através dos samples) de uma maneira muito forte – tanto que esses versos que iniciam a resenha vão sendo descortinados em sequências que explicam o sentimento do Kendrick diante da vida. A gente consegue perceber como ele foi lidando com a fama e o sucesso, em como esses sentimentos de “eu agora sou o cara do hip hop” acaba afetando sua própria saúde mental, levando-o a lidar com a depressão (que ele fala sofrer com isso desde a adolescência em “i”). É como se tudo o que ele ganhou e conseguiu não fosse exatamente algo bom (todo o dinheiro, a respeitabilidade, as mulheres), e sim fosse um peso que nem voltando pra casa, encarando os amigos e suas origens, ele teria como superar. Você percebe como a sanidade dele começa a ser afetada nas canções “Institutionalized”, “These Walls”, “u” e “Alright” (não se esquecendo de que em “King Kuntya” o último verso começa a sequência que eu coloquei lá em cima). Aliás, em “u”, há um trecho em que a voz dele tá embargada, como se ele tivesse chorando durante a gravação. É pesado, e você sente essa dor.

Kendrick redescobre o equilíbrio ao encontrar a fé, encontrando Deus, após lidar com as tentações (“For Sale” é meio isso), tanto que em alguns versos e músicas (como em “Momma”) ele vai se colocando como esse filho que se perde e só se encontra voltando pra casa. Mas o filho pródigo encontra um problema muito maior: e então ele passa a lidar com problemas externos, como o racismo que ganhou uma nova leva de situações extremas pós-morte de Trayvor Martin (Ferguson, Nova York) e acaba se impondo como homem negro com consciência de que existe uma guerra lá fora, e é necessário tomar uma posição – e a posição que ele toma é interessantíssima: ao mesmo tempo em que Kendrick pede união, sabe que existe uma chance de respeito entre negros e brancos nos EUA (a gente pode estender isso pra cá), sabe que através do amor as barreiras são quebradas (como em “Complexion (A Zulu Love)”; ele simplesmente diz que sabe que os outros o odeiam por ele ser negro, ainda o consideram inferior, e quer saber? Ele quer mais que todo mundo se foda.

(agora, se você pegar os comentários no vídeo da música e prestar atenção na letra, vai perceber que Kendrick faz uma crítica ao fato de os próprios negros estão brigando entre si – por isso ele diz “I’m the biggest hypocrite of 2015” – porque ao mesmo tempo em que ele mostra que a sociedade racista o odeia por ele ser negro; os próprios negros estão se matando com as brigas de gangues e não respeitam uns aos outros – é uma lógica beeeem polêmica, porque você pode levar à conclusão do “respeite-se para ser respeitado” no sentido moral do “seja um bom garoto para que os brancos deem ok pra você” ou pode levar à conclusão do “pare de atingir seu irmão, porque isso nos derrota diante deles”. São duas interpretações, cabe a você saber o que o Kendrick realmente pretende aqui)

Por fim, Kendrick está em paz com a mente (“i” é um hino de autoaceitação, mas também de autoaceitação para ter forças e enfrentar o que há pela frente) mas também está pronto para a luta – e para isso, participa de uma entrevista creepy com um sample do 2Pac em “Mortal Man”, que encerra o álbum de uma forma genial.

E genial é a palavra certa para descrever “To Pimp A Butterfly” – todas essas ideias, essas sensações, as reflexões e sofrimentos do rapper estão embaladas por produções sofisticadas, com inspiração no soul e no jazz, com samples muito bem usados. Aquela batida seca e noventista do “good Kid…” pode deixar de lado. A elegância das melodias é notável, e faz um contraponto incrível às letras, tanto as mais pessoais quanto as mais sociais.

Eu ainda estou meio perdida com o CD, sério. Eu ainda preciso ouvir inúmeras vezes, captar as sensações, pegar de novo as letras, porque estou me sentindo além do que eu senti quando ouvi o “good Kid…”: com esse, eu amei pelo choque, pelas letras, pela dureza, por ser um grito na minha mente; com o “To Pimp A Butterfly”, eu fui navegando nesse oceano de incertezas, de sofrimento, de evolução, de empoderamento, e não tem como sair intacta dessa jornada. Ainda foi um grito, mas… Sinceramente, eu sempre vejo os rappers muito invictos, muito intocáveis; nesse álbum, eu me vi pensando em mandar uma cartinha pro Kendrick perguntando se ele está bem. Eu me vi pensando muito na realidade daqui ao ouvir as observações dele sobre a questão racial, sobre o ódio existente quando o negro consegue ascender e isso não é aceito porque o negro sempre tem que ser visto pela sociedade racista como um inferior, ainda como animal, como escravo. Essa dor, essa raiva que passa por ele e por todos nós mesmo que não percebamos. E como a percepção dele é tão on point.

2015 mal começou, mas pra mim, esse já é o álbum do ano. Existem várias formas de captar o espírito do tempo num álbum, seja com uma produção atual, seja com músicas que resistem à barreira cronológica, seja com a união entre música e mensagem, de uma forma que nos afete a alma.

“To Pimp A Butterfly” pra mim é essa união. E não sei que álbum esse ano vai chegar perto desse trabalho de genialidade.

AGORA TEM QUE IR BRASIL: o divertidíssimo clipe de “Dear Future Husband”

Meghan Trainor Dear Future Husband Video

Meghan Trainor surgiu como um furacão no verão americano com seu hit viral “All About That Bass”, o hit de aceitação das gordinhas e todo um estilo vintage sessentista. A garota repetiu a dose (literalmente) com o segundo single, “Lips Are Movin'”, na mesma estrutura do primeiro trabalho, e um clipe que também teve potencial de viral. Com o lançamento do álbum “Title”, a expectativa era de que a Epic lançasse (entre os potenciais singles que a gravadora poderia tirar da ótima estreia da moça) a música “Dear Future Husband”, mais retrô que os outros singles, puxado pro doo wop.

A faixa já era de conhecimento do público, já que tinha sido lançada no EP da Meghan, e já mostrava sinais de força no iTunes. No entanto, a demora na divulgação do single e do lançamento nas rádios acabou tirando um pouco o foco da música, que em qualidade, é bem melhor que os dois primeiros singles e tem uma letra divertida, como todo o material da moça.

Mas agora a Epic resolveu investir de uma vez na cantora – que é quem está dando mais lucro à combalida gravadora – e traz um vídeo que reforça a identidade artística da loirinha e consegue estar de acordo com a música. Adoro o clima colorido e menos pastel que os dois primeiros singles – o que trazia uma ideia de infantilidade fortíssima, enquanto aqui parece que a Meghan cresceu, especialmente porque o budget do vídeo parece bem maior; e a oposição entre a ideia de “housewife dos anos 50/60” e a letra mostrar que ela está bem longe da ideia de “garota reprimida e submissa”. Os “futuros maridos” representados no vídeo são estereótipos masculinos já conhecidos na cultura pop – o fortão, o sofisticado e o sensível – mas no fim, mostra que pra conquistar a Meghan, algumas coisas precisam ser claras: nada de sofisticação pedante, nada de força bruta sem cérebro, e nada de sensibilidade exagerada. Basta um cara comum trazendo uma pizza.

Amiga, te entendo.

Veja aqui o clipe de “Dear Future Husband”:

 

As linhas borradas dos samples

Se tem uma coisa que é mais comum que feuds na música pop é o uso dos samples. O sampling é o ato de usar uma parte de uma música (normalmente o instrumental) e utilizá-la para fazer outra música. Claro que dando os devidos créditos ao cantor/compositor original.

Normalmente, a gente encontra os samples no hip hop, mas algumas músicas pop famosas já se utilizaram desse recurso na construção de suas canções, tanto que muitas vezes, você acaba ouvindo uma música e percebendo que já a ouviu em algum lugar. Ou então achando que artista x plagiou alguma canção desconhecida e ninguém informou isso até agora.

Foi o que aconteceu comigo quando ouvi “Blurred Lines” do Robin Thicke pela primeira vez: eu achei que tinha sample de “Got To Give It Up”, do Marvin Gaye, e fiquei realmente surpresa quando soube que a composição não incluía os créditos do Gaye – ou seja, era apenas uma música parecida. Quando a família do Marvin colocou Pharrell e Thicke na justiça, tentando provar que a música era plágio, não me senti enganada – as duas músicas eram parecidas. Por isso, quando você sentir que “já ouviu aquela música antes” e achar que alguém está sampleando/plagiando um artista anterior, não tenha medo em procurar saber (ou desconfiar) sobre a canção.

E como a decisão já foi tomada nos EUA – declarando que “Blurred Lines” realmente tinha plagiado “Got to Give it Up” e que tanto Robin Thicke quanto Pharrell devem pagar uma soma milionária à família de Gaye, achei interessante fazer um post aqui sobre melodias e batidas emprestadas de forma honesta dos artistas originais – os samples. No caso, samples curiosos e não tão conhecidos de músicas que vocês amam, odeiam ou amam odiar (ou odeiam amar, tudo vale).

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Ainda tentando lidar com Tom Hanks dublando “I Really Like You”

Carly Rae Jepsen I Really Like You Video

Se não dava para tirar o refrão de “I Really Like You” da Carly Rae Jepsen da cabeça, imagine agora, com um dos clipes mais despretensiosos com mais potencial de viralizar do ano, estrelando o ícone do cinema Tom Hanks?

O fato é que o clipe do lead-single do novo álbum da canadense é uma surpresa bem agradável, mesmo que esquisita na primeira olhada – afinal de contas, o que Tom Hanks teria a ver com Carly Rae Jepsen? E por que ele está dublando dessa forma tão esquisita? Que dança awkward é essa que ele faz no final do vídeo? E por que Justin Bieber aparece agachado no final, para logo depois surgir dançando junto da forma mais aleatória possível?

Tantas perguntas, mas apenas uma resposta: veja o vídeo!

Sério, eu não sei o que é melhor nesse vídeo: o Tom Hanks dublando a música, ou dublando em frente à câmera, apontando como se fosse um superstar, a cena em que ele e a Carly dublam com vozes trocadas; ou a dancinha marota do final, com direito a Justin Bieber tentando se enturmar. É tão simples, sem pretensão e divertido que até levanta a canção- e olha, jogada de mestre colocar fucking Tom Hanks pra segurar seu vídeo de retorno à música pra deixar de ser chamada de “one hit wonder”.

Mas será que funcionou?

Em 42º no iTunes e ainda começando uma trajetória tímida nas rádios, “I Really Like You” não aconteceu como a Carly imaginava – e parte da crítica, até mesmo pelos motivos que eu citei na resenha do single (no caso, a relação público x imagem x faixa etária) – mas acredito que o clipe pode aumentar a visibilidade em torno da moça. Ainda tem muita divulgação pela frente e creio que a música pode subir mais nas rádios e nos streams – afinal de contas, o clipe tem muito potencial de viral, e quem não quer ver Tom Hanks sendo o cara mais cool do mundo com dancinhas engraçadas e um lip sync igualmente engraçadinho?

E você, ainda com “I Really Like You” na cabeça?

Carly Rae Jepsen e a síndrome de “guilty pleasure” em I Really Like You

Carly Rae JepsenEm 2012, num pop que se rendia ao indie e ao alternativo, um hit chiclete grudou na cabeça dos americanos e, em consequência, do mundo inteiro, com um refrão simples e juvenil – além de um clipe divertido com um belo twist no final. A pegada juvenil não foi problema, porque apesar das críticas, “Call Me Maybe” se tornou um clássico daquele ano e uma das músicas que mais serão lembradas nos flashbacks daqui a uns dez anos. Mesmo que você odeie a música.

Foi essa faixa contagiante que colocou a canadense Carly Rae Jepsen no mapa da cultura pop e fez com seu segundo álbum, “Kiss”, tivesse uma estreia mundial e grande divulgação. No entanto, após o sucesso de “Call Me Maybe”, os outros singles do CD não tiveram o mesmo apelo e jogaram na cantora a pecha de “one hit wonder”. Buscando retornar aos píncaros da glória, Carly lançou o novo single do seu álbum, a faixa “I Really Like You” – e será que desta vez, ela pode alcançar um sucesso duradouro?

Trata-se de um pop meio dance-pop oitentista, de letra simples e eficiente um refrão que consegue ser mais pegajoso ainda que “Call Me Maybe”. A temática é igualmente simples – um relacionamento em que ela não sabe se ama o boy, mas pelo menos gosta dele – e a julgar pelo que já ouvimos da Carly anteriormente, não é exatamente uma evolução no som, mas pelo menos é competente e redondinho, aquele pop despretensioso que, numa primeira ouvida, a gente até estranha, mas depois fica com aquilo na cabeça.

Apesar dos 30 anos já batendo na porta, Carly Rae Jepsen ainda continua com uma pegada mais juvenil, o que pode gerar narizes torcidos e ódios, mas ao mesmo tempo, “I Really Like You” é a típica música que você vai se pegar cantando sem querer, mesmo dizendo que odeia a canção. É um caso clássico de “guilty pleasure”, que eu acredito se aplicar de forma clara a toda a carreira da Carly desde o estouro de “Call Me Maybe” – do tipo: já que o pessoal me acha despretensiosa, eu vou ser despretensiosa mesmo.

O que, para quem deseja ter uma carreira longeva, pode ser ruim (especialmente se você não canta as experiências da faixa etária que tem – nada contra, mas fica uma pergunta no ar: pra que público eu tô vendendo meu trabalho? será que a garotada vai me aceitar?), mas para a própria Carly, que já lança seu novo trabalho com a marca de “one hit wonder tentando crescer”, “I Really Like You” pode ter sido um golaço.

Porque ó, eu tô com o refrão na cabeça até agora.

Kelly Clarkson sabe o que quer em Piece by Piece

Cover CD Kelly Clarkson Piece by PieceEnfim, o “Piece by Piece” da Kelly Clarkson já está rodando pela internet, e a gente não poderia deixar de ouvir o sexto CD da primeira vencedora do American Idol.

Apesar do desempenho moderadíssimo (pra não dizer apagado) do lead-single “Heartbeat Song”, o álbum ainda tem algumas cartas na manga (como uma composição da Sia e o featuring do homem do momento, John Legend). O que esperar desse novo trabalho da Kellyzinha? Confira a resenha da versão standard após o pulo!

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