Vai bombar em seu celular [2]: Tinashe e Ella Henderson

Finalmente vou cumprir uma de minhas promessas mais repetidas desde que iniciei este blog, há um ano: falar da Tinashe!

Mas essa linda não vem sozinha em mais um “Vai bombar em seu celular” – a seção que eu criei no blog para falar daqueles artistas que estão aí, rondando o mundo pop, seja com álbuns ou featurings, mas se ainda não receberam aquele empurrãozinho para aparecerem, falta isso aqui para que o mainstream o abrace de uma vez. Além da nova princesa do R&B, hoje também vamos falar de uma power vocalist vinda da terra da rainha, em mais uma invasão britânica: Ella Henderson.

Tinashe1. Tinashe

Tinashe Jørgensen Kachingwe tem 22 anos e quem já acompanha a popsfera deve ter pirado quando a moça, ano passado, lançou uma faixa cheia de swag e balanço, “2 On”. A música não chegou ao primeiro lugar das paradas – tampouco um top 10 no Hot 100 (o peak foi de #24, mas nos charts de R&B/hip hop a música chegou à quinta posição), o que colocou os olhos de parte do público e da crítica para o trabalho da moça, que já tinha participado de uma girl band na adolescência, The Stunners, e tinha lançado duas mixtapes antes do álbum debut, “Aquarius”, lançado em Outubro de 2014 com resenhas bem elogiosas de publicações respeitadas como a Pitchfork e a NME.

O álbum, “Aquarius”, é um achado. Com uma ambientação bem especial e uma identidade fortíssima para um debut de uma artista nova, tem toda uma atmosfera sensual, com letras bem diretas e uma musicalidade que remete à Janet Jackson, uma voz doce e aveludada que oscila entre uma Ciara com mais potência e uma imagem visual que me lembra muito a Aaliyah.

Apesar do álbum excelente e das boas escolhas para singles, Tinashe é mais conhecida do público consumidor de urban e dos ouvintes de pop que curtiram “2 On” e foram atrás da moça depois. Eu até pensei que com o remix de “Jealous”, do Nick Jonas, que conta com vocais dela, que seria um grande estouro, mas acho que o caminho para o sucesso da Tinashe está em mesclar a qualidade do material que ela apresentou em “Aquarius” com faixas igualmente interessantes para serem singles e que possam colocar o nome dela na boca do grande público. Por que se com uma música só teve burburinho em relação à moça (que chegou a se apresentar no BET Awards ano passado), imagine se a faixa for lançada em pleno verão, com uma batida viciante e um clipe que possa viralizar?

 

Ella Henderson2. Ella Henderson

A outra moça que merece a sua atenção é uma jovem de 19 anos vinda da Inglaterra. Gabriella Michelle Henderson, ou Ella Henderson, participou da edição de 2012 do X-Factor britânico, mas não chegou a vencer o reality show. Dois anos depois, a moça retorna com o debut, “Chapter One”, estreando em primeiro lugar no chart da Grã-Bretanha e colocando o lead-single em primeiro lugar por lá.

Aliás, “Ghost” – co-escrita por Ryan Tedder, o rei das obviedades – não difere muito em estilo de outros trabalhos do líder do OneRepublic, mas tem uma letra forte e uma batida empolgante, bem adequada para a voz poderosa, mesmo jovem ainda, da britânica. O que é legal na voz da Ella é que ela não chega com um vocal parecido com A ou B, tem uma identidade muito própria – não tão madura, mas também não tão juvenil.

“Ghost” ainda apareceu nos charts americanos, chegando até a 21ª posição na Billboard (e com subidas surpreendentes no iTunes); enquanto os singles seguintes “Glow”, a lindíssima “Yours” e “Mirror Man” não chartearam nos Estados Unidos, enquanto tiveram bons desempenhos na terra natal da moça. É claro que mesmo com todo o praise, quem acompanha o pop britânico sabe que do mesmo jeito que eles elevam os artistas novos ao céu, também podem colocar lá embaixo com um segundo trabalho que não seja satisfatório; mesmo assim, é sempre bom ouvir um álbum de pop puro, de produção simples, que tem pegada Adult Contemporary e é muito gostosinho de escutar – justamente aquele CD que, durante a audição, você vai gostando, se apegando, se identificando com alguma letra e quando vê, já está apaixonado.

Vale a pena torcer por essa moça.


E você, já conhecia o trabalho das duas? Deixe sua opinião sobre Tinashe e Ella nos comentários!

VEM OSCAR 2016! Rihanna eleva o nível com “Towards the Sun”

Eu não sei se vocês estão sabendo que, além do lançamento do #R8 – o álbum ainda sem nome da Rihanna, que conta com “FourFiveSeconds” como primeiro single – a barbadiana ainda vai lançar agora, dia 27 de Março a animação “Home” (em português, “Cada um na sua Casa”), em que ela dubla um dos personagens principais. A história trata de um extraterrestre exilado (dublado pelo Jim Parsons, da série “The Big Bang Theory”) que faz amizade com uma adolescente terráquea (a personagem da Rihanna), e a novidade do filme é que a trilha sonora terá Rihanna como produtora executiva, co-compositora e vocalista em parte das músicas. Uma delas é a belíssima “Towards the Sun”, o primeiro single do álbum do filme.

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Ao contrário de “FourFiveSeconds”, mais acústico, country-folk e quase ao vivo pela simplicidade, “Towards the Sun” tem todo um tom épico, com percussão acompanhando a música, coral etéreo e o vocal da Rihanna no refrão com um falsete que lembra algo da Florence Welch, o que é bem vindo. A letra de caráter libertador é igualmente metafórica, e estou curiosa em saber como a faixa vai se encaixar no filme, que tem um ar mais feelgood e bem-humorado (será a música de abertura? de alguma sequência sem falas?). Além disso, a performance vocal da RiRi é impressionante. A cada era, conhecemos outros traços de sua voz, que talvez as produções mais pop tenham escondido – e já podemos dar adeus à garota que tinha pouca presença de palco e uma voz irregular nos lives e no estúdio. Agora damos oi a uma cantora próxima do amadurecimento, com plena consciência de quem é e do que quer artisticamente; e se a Rihanna conseguiu colocar as expectativas para o #R8 lá em cima com FFS e sua colaboração estelar, com “Towards the Sun”,  o nível é outro. Imagine o resto dos dois materiais.

Imagine o que 2015 reserva para o pop com essa Rihanna.

 

E você, gostou da faixa? Ficou curioso pelo filme?

Design de um top 10 [13] Cinquenta tons de sucesso

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O Design de um Top 10 volta duas semanas após o Grammy com um museu de grandes novidades, alguns peaks bacanas, recordes e possivelmente um dos top 10 da Billboard Hot 100 mais diversos dos últimos anos.

O “museu de grandes novidades” fica por conta da permanência – agora por sete semanas – do smash hit “Uptown Funk”. Mark Ronson e Bruno Mars estão dominando os charts há dois meses, e mesmo com a possibilidade crescente do #1 ir embora na próxima semana (mais detalhes depois), a trajetória da canção é brilhante (afinal de contas, a música sobreviveu até à loucura pós-Grammy). Já “Thinking Out Loud” continua esperando sua chance de abocanhar a primeira posição e “Take Me To Church” estabiliza sua posição como hit constante e com possibilidades de ficar um bom tempo ainda nos charts (prepare-se, “Radioactive”! Suas 87 semanas no Hot 100 estão ameaçadas!).

Os peaks bacanas são evidentemente, cortesia de Rihanna e seus amigos Kanye West e Paul McCartney com “FourFiveSeconds”, que chegou à quarta posição após subir dois lugares; Ellie Goulding com a canção mais bem sucedida da trilha sonora de “Cinquenta Tons de Cinza” – “Love Me Like You Do”, que chegou à sexta posição; e Taylor Swift com sua “Style”, que após o clipe, colocou a música na décima posição, abocanhando um outro feito.

 

Top 10 da Billboard Hot 100 (28/02/2015)

#1 Mark Ronson – Uptown Funk (feat. Bruno Mars)

#2 Ed Sheeran – Thinking Out Loud

#3 Hozier – Take Me To Church

#4 Rihanna, Kanye West & Paul McCartney – FourFiveSeconds

#5 Maroon 5 – Sugar

#6 Ellie Goulding – Love Me Like You Do +3 *new peak* *

#7 Taylor Swift – Blank Space

#8 Sam Smith – I’m Not The Only One

#9 Meghan Trainor – Lips Are Movin

#10 Taylor Swift – Style +8 *new peak* *

 

???????????Com sete semanas em primeiro lugar na Billboard, “Uptown Funk” continua sua trajetória de sucesso nos charts. O grande hit do ano até o momento manteve a primeira posição no chart, apesar de estar em segundo no iTunes e crescendo com menos força nas rádios. A faixa ainda lidera nos streams (em #1 no Spotify Charts e com um novo viral a cada semana), mas o pico da música na sua dominação já passou. Acredito que, se não sair do #1 na semana que vem, dura uma oitava semana e cai em Março.

Mas nem tudo são notícias amargas para os rapazes tão quentes que tem de chamar a polícia e os bombeiros: a sétima semana de “Uptown Funk” deu a Bruno Mars o maior tempo em primeiro no Hot 100, entre os seus seis #1. Antes, “Locked Out Of Heaven” era a faixa com mais tempo em primeiro no chart, com seis semanas entre 2012 e 2013.  E a pergunta é: o que esperar de impacto nos charts quando ele lançar a faixa solo de seu próximo álbum?

Será que você ainda está cansado de ouvir “Uptown Funk”? Dê play!

 

Enquanto isso, na sala de Justiça, “FourFiveSeconds” consegue o peak de quarto lugar. O esforço em grupo da RihannaRihanna com Kanye West e Paul McCartney no violão e no órgão é talvez a faixa mais surpreendente do top 10 (quase acústica, uma produção simples e orgânica, numa faixa meio folk, meio country, meio pop; “Uptown Funk” também é fora da caixinha, mas um funk é algo que você espera de certa forma do Bruno Mars, mas faixa folk não é algo que o mainstream espera da RiRi) conseguiu uma boa subida na última semana por conta do famigerado “efeito pós-Grammy”, conseguindo até mesmo uma primeira posição no iTunes – antes de cair para a quarta posição, onde se encontra hoje. A música vem subindo muito bem nas rádios, mas sofre com os poucos streams do vídeo, que por sua extrema simplicidade e pouco apelo conta com poucas visualizações; além da Rihanna ter feito a Taylor e não lançado ainda FFS no Spotify (o que eu acredito ser um erro estratégico, já que a junção entre vendas digitais + rádio + streams estão colocando muita gente no topo do Hot 100 ultimamente), podem complicar uma maior ascensão.

Mas acredito que a faixa pode crescer um pouco. Um #1 poderia chegar por apenas uma semana, graças a uma apresentação memorável ou “FourFiveSeconds” ser finalmente colocado no Spotify, mas não vejo na Rihanna esse fogo por mais um #1 com essa música, especificamente.

Creio que a parte mais feliz deste trio-parada-dura é Macca: com o #4 na Billboard, o Beatle chega pela primeira vez ao top 5 do Hot 100 pela primeira vez em 31 anos! A última vez em que uma faixa do Paul chegou a este ponto do chart foi com o clássico “Say Say Say” com um tal de Michael Jackson, no final de Dezembro de 1983 e início de Janeiro de ’84 e ainda alcançou o #1 na época. #rihannaeffect

Que tal dar um apoio a RiRi e seus amigos dando play no vídeo de “FourFiveSeconds”?

 

??????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????A faixa que pode tomar o #1 de assalto vem da trilha sonora de “Cinquenta Tons de Cinza”. Entre faixas inéditas, regravações e remixes de faixas conhecidas, a música da britânica Ellie Goulding “Love Me Like You Do” é a que teve o melhor desempenho da trilha – atualmente lidera o iTunes, vem conquistando subidas boas nas rádios e já vem crescendo nos streams (apesar de longe da dominação de UF). Mas ao contrário de FFS, que tem visualizações pequenas no Youtube, as views da faixa só crescem, e com o sucesso do filme nas bilheterias (além de todo o buzz promovido pela presença dos atores em entrevistas e programas) a possibilidade de que LMLYD chegue ao primeiro, marcando um momento histórico para a própria Ellie, é grande.

A música é um pop puro, bem produzido e com um refrão grudento e repetitivo. Aparece no filme numa cena “romântica” entre os personagens Christian Grey e Anastasia Steele (eu vi o filme, e a melhor coisa de “Cinquenta Tons de Cinza”, de longe, é sua trilha sonora, porque como história e romance, tem uma série de erros que incomodam muito). Não considero a melhor faixa do álbum – prefiro “Earned It”, do The Weeknd, que tem uma atmosfera mais sensual, mas entendo o maior apelo de “Love Me Like You Do” – além disso, o nome da Ellie já começou a ficar mais conhecido pelos americanos, já que a loira teve peak de #2 com “Lights” em 2010, além de bons desempenhos com “Burn” (13º em 2013) e “I Need Your Love” (em que fez featuring na faixa do DJ Calvin Harris, 16º em 2013). Ou seja, mais uma briga de conterrâneos no topo do Hot 100.

Ainda não ouviu “Love Me Like You Do”? Confira!

 

Por último, Taylor Swift, que conseguiu mais que a subida boa de “Style” – saltando oito posições após o lançamento Taylor Swiftdo vídeo, chegando à décima posição. Com o (atual) peak, Tay Tay empata com Miss Aretha Franklin na sexta posição entre as mulheres em número de top 10 na Billboard – as duas tem 17 músicas que chegaram a esse ponto do chart. Mas para buscar as outras colegas, ela vai ter que ralar um pouco mais:  a próxima da lista é Whitney Houston, com 23 top 10; logo depois vem Rihanna com 26; Mariah Carey e Janet Jackson com 27; e olhando as amigas com um binóculo, Madonna, que tem 38 top 10. A Rainha do Pop aliás, é a líder entre homens e mulheres.

No entanto, para “Style” conseguir ser #1 na Billboard, Taylor tem que se esforçar ainda mais. O fato de não ter se apresentado com a faixa no Grammy atrapalhou uma possível chance de subir mais rapidamente nos charts; e o clipe, apesar de visualmente bonito e gifável para o tumblr, não tem a potência pop de “Shake It Off” e “Blank Space”, não sendo muito legal de assistir outra vez. Tanto que, apesar do lançamento do vídeo ter ajudado nessa subida (e evidentemente, as boas subidas no iTunes e o desempenho excelente nas rádios, antes mesmo de ter sido anunciada como single), o fato é que, no fim das contas, não ajudou como se esperava – o que todo mundo imaginou era que “Style” voaria para o #1 do iTunes com o lançamento do vídeo, colocando mais de 0.5000 de diferença em relação a”Uptown Funk”. Pelo contrário: a faixa mal se moveu no top 10.

Olha, eu não sei se realmente a Taylor tá preocupada com isso (já que a loira tá vendendo horrores o “1989”), mas se você quiser ajudar nas subidas de “Style”, pode dar o play:

 

E então, o que você achou da disposição do top 10 essa semana?

Fonte: Billboard

Grammy 2015 – as perguntas, as respostas e o humor da premiação

Neste domingo tivemos a 57ª edição do Grammy Awards, premiando o que de melhor teve na indústria americana entre o segundo semestre de 2013 e o primeiro semestre de 2014. Entre apresentações que primaram pela elegância e o comedimento, consagração britânica e uma surpresa que tornou a festa anticlimática, é hora de conhecer os vencedores nas categorias pop e no General Field…

A Great Big World (foto: Associated Press
A Great Big World (foto: Associated Press

Melhor Performance Pop por Duo Ou Grupo

“Fancy,” Iggy Azalea ft. Charli XCX
“A Sky Full of Stars,” Coldplay
“Say Something,” A Great Big World ft. Christina Aguilera
“Bang Bang,” Ariana Grande, Jessie J & Nicki Minaj
“Dark Horse,” Katy Perry ft. Juicy J

Apesar das casas de apostas (aka críticos da gringa) terem apontado o favoritismo de “Dark Horse”, quem levou foram os meninos do A Great Big World com a Christina Aguilera, e sua balada pungente e classuda. Essa premiação foi mostrada no pre-telecast (a cerimônia anterior à premiação televisionada do Grammy), em que também foi anunciada a vitória da Lady Gaga junto com o Tony Bennett pelo álbum “Cheek To Cheek” em Melhor Álbum de Pop Tradicional. Nada de muito novo no reino da indústria fonográfica. Esperamos apenas que os prêmios ganhos por Gaga e Xtina inspirem as duas loiras a lançarem um material mais bacana em seus próximos trabalhos solo – porque “ARTPOP” e “Lotus” deveram muito.

Gravação do Ano

Sam Smith segurando seus quatro gramofones (Foto: Dan MacMedan/USA Today)
Sam Smith segurando seus quatro gramofones (Foto: Dan MacMedan/USA Today)

Iggy Azalea featuring Charli XCX, “Fancy”
Sia, “Chandelier”
Sam Smith, “Stay With Me” (Darkchild Version)
Taylor Swift, “Shake It Off”
Meghan Trainor, “All About That Bass”

Aqui a vitória do Sam era dada como certa. A faixa recebeu praise de crítica e público, o trabalho do Sam tinha indicações tanto no Big Four (incluindo Álbum do Ano) e no field do rapaz, o pop. Sia também merecia o prêmio, mas a noite era do britânico, que apesar de não ter ganho a cereja do bolo, ainda ficou com o prêmio de Artista Revelação.

Pharrell Williams (foto: Kevin Winter/Wire Image)
Pharrell Williams (foto: Kevin Winter/Wire Image)

Melhor Performance Pop Solo

“All of Me (live)”, John Legend
“Chandelier,” Sia
“Stay With Me,” Sam Smith
“Shake It Off,” Taylor Swift
“Happy (live)”, Pharrell Williams

E a trucagem venceu aqui! Nem Pharrell nem o público (e nem eu) acreditaram que “Happy” levaria. Não era a versão de estúdio, a concorrência era difícil e Sam Smith era o favorito. Mas a força do produtor do ano (passado) foi tanta aqui nesta categoria que ele ficou com o gramofone. Merecia? Olha, se fosse a versão do álbum, eu nem me importaria, mas por um live? Só pra ver se conseguia a indicação? Ficou o gosto agridoce no ar… Que se tivéssemos adivinhado pelo pre-telecast, não nos surpreenderíamos tanto, já que o “G I R L” levou o prêmio de Melhor Álbum de Urban Contemporâneo, onde concorria com o “BEYONCÉ”.

Canção do Ano

“Chandelier,” Sia
“All About That Bass,” Meghan Trainor
“Shake It Off,” Taylor Swift
“Stay With Me (Darkchild Version),” Sam Smith
“Take Me to Church,” Hozier

No reino das obviedades, Sam Smith abocanhou mais um Grammy. Deu a lógica mais uma vez, e se tanto os prêmios de Canção e Gravação fossem entregues antes do Álbum do Ano (como é a tradição), a expectativa de um resultado diferente do esperado seria bem maior (e talvez não fosse o tombo que foi com a decisão dos votantes). Apesar dessas duas categorias terem sido anunciadas após a cereja do bolo terem sido num clima anticlimático, pode-se dizer que valeu por ter coroado a noite do britânico, que até agradeceu ao cara que o fez sofrer e agora lhe deu quatro Grammys. Só para quem pode.

Melhor Álbum Pop

Coldplay, “Ghost Stories”
Miley Cyrus, “Bangerz”
Ariana Grande, “My Everything”
Katy Perry, “PRISM”
Ed Sheeran, “X”
Sam Smith, “In the Lonely Hour”

Ainda no reino das notícias óbvias, o britânico levou pelo álbum mais coeso e redondo entre os seis indicados. O Coldplay não tinha um trabalho tão forte para sair vitorioso aqui; o “Bangerz” é bom mas datado; eu teria dado para a Ariana, mas creio que a Academia ainda a considere como artista teen; o “PRISM” é irregular e o “X” é repleto de fillers mesmo. O prêmio ficou em boas mãos.

Álbum do Ano

Beck, o vencedor do Álbum do Ano (foto: Robyn Beck/AFP)
Beck, o vencedor do Álbum do Ano (foto: Robyn Beck/AFP)

“Morning Phase”, Beck
“BEYONCÉ”, Beyoncé
“X”, Ed Sheeran
“G I R L”, Pharrell Williams
“In the Lonely Hour”, Sam Smith

E agora a grande surpresa da noite. Na verdade, de alguma forma meio esquisita, eu tinha comentado que era a safe choice da Academia, por ser um trabalho mais em consonância com que o Grammy curte premiar. Era o vencedor sem riscos, apesar do “Morning Phase” ser sim, um álbum muito bom e merecedor. O grande problema com o álbum do Beck é o momento em que a premiação acontece, com tantas tensões e discussões ocorrendo lá fora, e o CD que mais urgia essas discussões era o “BEYONCÉ”, tanto pelo sentido de ter sido game changer por seu lançamento-surpresa, como pela mensagem das músicas aliada pela qualidade excelente das canções. Soou como anticlimático, e até quixotesca a tentativa do Kanye West de fazer um Kanye West no momento do discurso do Beck – que também declarou, depois, ter se surpreendido com a vitória.

Evidentemente, trata-se de um artista experiente, com indicações a Álbum do ano em três décadas diferentes, o que também conta pontos com os votantes; e outros aspectos também podem ter ajudado nessa vitória (já que o Grammy é também um jogo de lógica).

Um: como pontuou um leitor do blog, o Dayvison Wilson, o “BEYONCÉ” perdeu o prêmio de “Melhor Álbum de Urban Contemporâneo” para o “G I R L” do Pharrell. Na hora eu acreditei que sim, ela poderia levar ainda assim Álbum do Ano porque o trabalho dela poderia superar essa lógica (afinal de contas, ela não tinha sido indicada no Big Four, assim como o Pharrell, e eu sempre considerei o rival da Beyoncé o Sam Smith pelo motivo “BIG FOUR”). Mas o Sam levou Álbum Pop (como esperado) e o Beck levou de Álbum Rock.

Dois: o conteúdo mais sexual do álbum pode ter afetado ouvidos mais conservadores? Acredito que sim, afinal de contas, é uma mulher confiante na própria sexualidade numa posição de poder; e a maioria dos álbuns femininos que alcançaram vitórias em Álbum do Ano tem um tom mais próximo de uma sensibilidade singer/songwriter que o Grammy prefere premiar (a própria Taylor Swift, Carole King, Alanis, Adele, Lauryn Hill e até mesmo as Dixie Chicks). Uma das pistas pode estar aí.

Três: componente racista? Olha, o fato é que a Beyoncé tem suas vitórias essencialmente nas categorias de nicho, como o R&B (apenas uma no pop), e apenas uma vitória no General Field. Num total de 57 vencedores de Álbum do Ano, são nove negros – sendo Stevie Wonder vencedor três vezes, duas seguidas (os outros são Michael Jackson, Lionel Richie, Quincy Jones, Natalie Cole, Whitney Houston, Lauryn Hill, OutKast e Ray Charles). Sinceramente, pode existir um componente que dificulte a presença de artistas negros em categorias que não sejam as de nicho a menos que sejam sucessos estrondosos (e Michael e Whitney quebraram muitas barreiras nesse aspecto dentro da música); mas também creio num desconhecimento por parte de muitos votantes sobre a cultura e a música negras, já que o processo de votação do Grammy dá margem a coisas bisonhas como a vitória do Macklemore sobre o Kendrick Lamar no rap field ano passado.

Quatroe o que eu acho mais próximo da realidade: divisão de votos. Acho que o Beck sobrou. Somado com o fato do álbum ser bom e fazer mais o gênero do Grammy, os indicados a Álbum do Ano eram de pólos similares: Beyoncé e Pharrell tinham os álbuns de urban/R&B; já Ed e Sam eram os cantores e compositores pop com influências de R&B. Os votos dos dois grupos se anularam e ficou sobrando o “Morning Phase”, que cumpria todos os requisitos para ser Álbum do Ano e se tornou Álbum do Ano.

(essa divisão de votos não seria algo incomum, até mesmo nas indicações. Teorias dizem que o “My Beautiful Dark Twisted Fantasy” acabou ficando de fora de Álbum do Ano em 2012 porque os votos dele se chocaram com o “Watch The Throne” do próprio Kanye com o Jay-Z, abrindo vagas para o “Loud”, que é extremamente irregular; e o “Doo-Wops and Hooligans”, que eu amo e tenho em casa, mas não é “Grammy Material” pra Álbum do Ano né)


Agora, hora dos shows – os que considerei mais bacanas.

O humor da premiação fugiu muito das apresentações performáticas, caras e vistosas de anos anteriores – que tornavam o Grammy um VMA mais classudo. Em 2015, senti o Grammy mais throwback-ish, com apresentações mais acústicas, comedidas, meio às antigas; com encontros de gerações que são a marca registrada da premiação que tiveram bons resultado, além de sequências de performances curiosas.

No geral não foi um Grammy ruim; só não foi tão divertido como esperávamos ao ver a line-up de performances. Mas tivemos boas apresentações, no geral.

Aqui vai o meu top 5:

5º: Sam Smith e Mary J. Blige – “Stay With Me”
Os dois já são velhos conhecidos – é com a cantora de soul o remix da premiada “Stay With Me”. Por isso o pareamento foi tão bonito e delicado. A voz angelical que não errava uma nota do britânico casou muito bem com o timbre sempre emocionado e potente da americana. A música aliás, fica tão bem na voz da Mary J. que estamos esperando mais colaborações entre os dois no futuro.

4º: Ed Sheeran – “Thinking Out Loud”

O hino dos casamentos foi apresentado sem muitas novidades – a não ser o acompanhamento de nomes como John Mayer na guitarra e a lenda Herbie Hancock no piano. Mas a graça dessa apresentação, além dessa turminha estrelada junto com o ruivo, é a força dessa música simples e que cativa qualquer um que está apaixonado, ou que um dia deseja viver um amor – por se sentir identificado com uma letra tão universal.

3º: Madonna – “Living For Love”

A performance com mais cara de “vim destruir azotras” foi a mostra de que Madge tá pra jogo ainda. E muito jogo. A música pode não ser a oitava maravilha do mundo, mas a apresentação foi dinâmica e claro, pronta pra causar nas teorias da conspiração. Madonna pode até não ter dançado tanto e deixado o grosso para os dançarinos, mas o fogo nos olhos estava lá, e essa era “Rebel Heart” promete.

2º: Rihanna, Kanye West e Paul McCartney – “FourFiveSeconds”

A primeira apresentação do novo grupo Country* foi mais ou menos como vimos no vídeo de FFS: Rihanna a plenos pulmões com uma roupa simples, Kanye West com um gestual que nada tem a ver com o caráter acústico da música e Paul tocando, ali, na dele, mas animado. O grande diferencial da perfrmance foi o fato da música funcionar muito bem ao vivo – digo muito bem mesmo – especialmente com os vocais on point da barbadiana, que está amadurecendo muito bem vocalmente, além da parte final com o pessoal batendo palmas que combinou com o espirito livre da canção. Sem contar que a música é ótima, o que ajuda bastante.

*essa é uma constatação esquisita, porque a apresentação de RiRi, Ye e Macca foi logo após uma sequência de duas apresentações de artistas country, o que me fez pensar “mas será que o Grammy tá achando agora que a Rihanna é cantora country?”. BRINKS

1º: Hozier e Annie Lennox – “Take me to Church”/”I Put a Spell on You”

A minha preferida em Canção do Ano foi apresentada em sua versão encurtada (o que odeio) com a inclusão elegantíssima do irlandês Hozier à diva Annie Lennox, que logo tomou o palco pra si com o último refrão e logo depois, cantando “I Put a Spell On You” (famosa na voz de Nina Simone) acabou mostrando para todas as novinhas (e consagradas) como se faz uma apresentação. Uma voz impecável, uma presença de palco hipnotizante, uma apresentação tão absurda na sua vibração que eu assistia embasbacada, e até colocando o Hozier como coadjuvante (mas pela expressão dele, não parecia nem um pouco preocupado com isso. Nem eu ficaria, se tivesse no lugar dele).

Dê play e aproveite.

E você? O que achou do Grammy 2015? Ficou surpreso com os resultados? Qual foi o seu top 5 de apresentações?

Previsões para o Grammy 2015 – Álbum do Ano

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Enfim chegamos à cereja do bolo, o grande presente, o bilhete premiado! O prêmio de Álbum do Ano do Grammy é o grande momento na carreira de qualquer pessoa. É a consagração do artista por causa de um grande trabalho (Simon & Garfunkel por “Bridge over Troubled Water”, Carole King com o “Tapestry”, U2 e seu “The Joshua Tree”, Adele e o “21”), a revelação do mito (Michael Jackson e “Thriller”, Whitney Houston com a trilha sonora de “O Guarda Costas”), a chegada de um nome forte (Alanis Morrissete e seu “Jagged Little Pill”, Lauryn Hill com o “The Miseducation of Lauryn Hill”, Taylor Swift e o “Fearless”) ou mesmo o canto do cisne (o homem que ninguém chegará perto de igualar o feito, Christopher Cross e seu debut autointitulado).

Entre os cinco indicados ao prêmio principal da noite, nós podemos ter a chance de elevar um dos artistas indicados à categoria de “mito”, ou consagrar um grande sucesso – ou mesmo dar ao Grammy a famosa “safe choice”, que significa dar o prêmio a um artista mais antigo ao invés de ousar numa escolha mais em consonância com o mercado e a realidade. Primeiro, os indicados:

“Morning Phase”, Beck
“BEYONCÉ”, Beyoncé
“X”, Ed Sheeran
“G I R L”, Pharrell Williams
“In the Lonely Hour”, Sam Smith
Agora as análises (que você confere evidentemente após o pulo)

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