Grammy 2015 – Indicados a Melhor Álbum Pop

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O prêmio de Melhor Álbum Pop tem uma história curiosa dentro da tradição do Grammy. Sua primeira aparição foi no award de 1968, quando tinha o nome de Melhor Álbum Contemporâneo e os primeiros vencedores foram aqueles rapazes de Liverpool com um certo álbum chamado “Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band”. Depois desse ano, a categoria foi excluída e só voltou a partir de 1995, com o nome que conhecemos hoje.

Desde então, grandes trabalhos foram premiados com o gramofone, como a rainha Madonna com o “Ray Of Light”, Norah Jones pelo “Come Away With Me”, Amy Winehouse com o “Back To Black” e, entre os últimos vencedores de Álbum do Ano, estão Adele com o já clássico “21” (2012), Kelly Clarkson com o “Stronger” em 2013 (aliás, uma recordista – já que ela é a única artista a ter dois Grammy nesta categoria, o primeiro sendo o “Breakaway” em 2006) e Bruno Mars com o throwback-ish “Unorthodox Jukebox (2014).

Este ano, seis álbuns disputam a vitória nesta categoria. Seis grandes trabalhos, com impactos distintos no mainstream e entre a crítica, e com elementos cruciais que podem lhes dar o gramofone – ou não.

Primeiro confira os indicados:

Coldplay, “Ghost Stories”
Miley Cyrus, “Bangerz”
Ariana Grande, “My Everything”
Katy Perry, “PRISM”
Ed Sheeran, “X”
Sam Smith, “In the Lonely Hour”

Agora confira as análises!

Cover CD Coldplay Ghost StoriesColdplay, “Ghost Stories”

Uma história de amor que não deu certo compõe as nove canções do mais recente álbum do grupo britânico. Submetido às categorias pop com um trabalho melancólico, mesmo que acessível, com suas letras fáceis, apesar dos repetecos nas onomatopéias, tem momentos poderosos e etéreos (como em “True Love”, onde Chris Martin pede para a amada dizer que o ama, mesmo que minta, com direito a um solo de guitarra bem escolhido no final) assim como momentos de pura perfeição pop, como a monotonia fabulosa de “Magic”, que eu considero uma injustiça da gravadora/banda não ter sido submetida – e entrou a chatinha “A Sky Full Of Stars”. Como tinha lido em alguns fóruns por aí, acredito que o álbum seja uma forma do Chris Martin se purgar da crise no casamento e da separação da Gwyneth Paltrow (podemos pescar isso em “Oceans”, uma faixa meio bluesy que considero uma das faixas mais bonitas do álbum)

No geral, o álbum é bom. É coeso, tem uma storytelling interessante, além das músicas terem uma sintonia de estilo sem parecerem a mesma canção repetida à exaustão (apesar da pegada mais eletrônica de “A Sky Full Of Stars” ficar meio deslocada do contexto do álbum, mas funciona na história contada pelo grupo). A produção é limpa, mais orgânica que sintética. Você consegue ouvir os instrumentos claramente, e tentar diferenciá-los. Mas por que cargas d’água a inclusão do Coldplay no corte final? Só porque era o Coldplay? Particularmente, não consigo ver o “Ghost Stories” como vencedor porque, apesar de tanto “Magic” quanto “A Sky Full Of Stars” terem feito um barulhinho, não foi o suficiente para colocar Chris Martin e seus amigos nas mentes, ouvidos e corações do grande público no ano que passou. Porque o Grammy avalia muitas coisas, incluindo os lucros na indústria e o impacto cultural – e existem outros álbuns que tiveram mais apelo que o “Ghost Stories”. Essa é uma clássica indicação pelo “nome” e não pela “qualidade” + “sucesso” + “impacto.

Repito: o CD é bom. Tem equilíbrio. Teve um dos grandes debuts do ano passado nos Estados Unidos (estreou em #1 com mais de 383 mil cópias) e no Reino Unido foi o segundo maior debut do ano, com 168 mil cópias. Mas em comparação com os concorrentes, o impacto não tem comparação – nem com o movimento que eles fizeram na era ” Viva la Vida or Death and All His Friends” e em menor grau, com o “Mylo Xyloto”. Melhor os rapazes se contentarem com o aplauso na hora em o nome do álbum aparecer na lista de indicados.

Ouça “Magic”:

 

Cover CD Miley Cyrus BangerzMiley Cyrus, “Bangerz”

A lembrança do “Bangerz” foi bem-vinda por parte dos votantes do Grammy – trata-se de um álbum “velho” na lembrança da Academia, cujo grande impacto e boom se deu mais no segundo semestre de 2013 que na primeira metade de 2014. Eu lembro que na época em que ouvi o CD, pensei “nossa, são músicas rejeitadas pela Rihanna”, e não dei muita bola – exceto para algumas canções, como a própria “Wrecking Ball”, “Adore You” e “FU”. Ouvindo hoje, com outros olhos, e com o distanciamento da época de lançamento, dá pra gente estabelecer melhor os prós e os contras do álbum.

Primeiro os prós: a produção impecável. O fato de ser centralizado no Mike Will Made It ajuda a compor uma coesão notável num CD de uma ex-artista teen. Porque o objetivo do “Bangerz” é tirar da Miley o ar de “disney star” e ampliar seu público. Além disso, apesar do álbum girar bastante no pop e no urban, com influência forte do hip hop, dá pra ver quebras de expectativa bacanas dentro do CD, como a ótima “4×4”, um country-pop-rap com a participação do Nelly, a R&B meio funkeada “#GETITRIGHT”, cortesia do midas de 2013 Pharrell (e que já soa meio datadinha quase dois anos depois), a mais pop/rock “Maybe You’re Right”; highlights de peso, como a própria “Wrecking Ball”, “Drive”, “FU” (que já é uma quebra muito boa com a pegada soul e a interpretação desesperada da Miley no seu momento diva soul sofrida), além da variedade de letras – que calam fundo especialmente para um público mais crescido que ela quer alcançar: amor, traição, fim de relacionamento (a coisa com o Liam Hemsworth foi feia, hein), festas e “vamos viver tudo como se fosse o último dia”. Sem contar com a habilidade da Miley como intérprete – como ela consegue flutuar entre a jovem mulher apaixonada, sexy, divertida e debochada dentro do mesmo CD.

Os contras no álbum são de ordem diferente: ao mesmo tempo em que Miley se apresenta como uma pessoa completamente diferente em “Bangerz” em relação aos outros álbuns, a minha impressão pessoal foi de que, para se afastar das origens Disney e de “menininha fofa”, ela foi atrás do que considerava cool pra ser “madura” – e usou de um ritmo que nada tem a ver com suas origens, sua formação até mesmo como artista (eu não me lembrava de que a Miley era tão fã de hip hop assim. Tanto na imagem pública de ratchet, e em algumas letras, como “Love Money Party”, “SMS (Bangerz)” – fraquíssima – e a Miley fazendo “rap” em “Do My Thang” – aliás, quer nome mais “quero ser ghetto” que esse?), ela vai atrás do que acredita ser “hip hop” e acaba colocando para o grande público uma visão estereotipada do que ela acha que seja o estilo. Eu me senti especialmente incomodada, tanto que as minhas faixas favoritas do CD são as que ela foge do estereótipo e entrega algo mais pop (mesmo com pegada hip hop, como em “4×4”) e mostra que pode ser muito mais que uma mímica.

Por fim, se o “Bangerz” tivesse ampliado seu sucesso e impacto pelo ano passado, acredito que a Miley seria favorita. No geral, o álbum é muito bom e mais interessante musicalmente falando, além de ter seguido um caminho que logo depois se tornaria regra no mainstream: o urban/hip hop, que voltou retrabalhado ao top 10. No entanto, a pessoa pública da Miley sofreu críticas pela sexualidade em vídeos, clipes e aparições, além das polêmicas em premiações e na internet, o que pode afastar votantes na decisão final. E toda a tensão em torno da discussão sobre “apropriação cultural” que começou com a Iggy Azalea pode chegar até ao “Bangerz”, o que tira as chances de vitória da Miley. Resumindo: é um álbum divisivo demais para ganhar o Grammy.

Ouça “Wrecking Ball”:

 

Ariana-Grande-feat.-Zedd-Break-Free-iTunesAriana Grande, “My Everything”

O que todo mundo esperava com o “Yours Truly” veio com o “My Everything”: indicação ao Grammy e consagração da jovem ex-estrela da Nickelodeon, que com esse petardo pop, estendeu suas habilidades como R&B diva para uma popstar em ascensão, tudo isso calcado numa bela voz. O mais impressionante no trabalho da Ariana aqui é em como ela conseguiu ter à sua disposição os melhores produtores, os pesos pesados da indústria, que poderiam tirar a identidade R&B dela e, pelo contrário, mantiveram sua essência e ampliaram suas habilidades com músicas fora da zona de conforto pela qual ela foi notada no debut. (no álbum tem o dance-pop refinado de “One Last Time”, cortesia de David Guetta com uma das melhores faixas do CD; o eletropop de “Break Free” de Zedd, em melhor forma aqui que no ARTPOP da Gaga; ) Além disso, trata-se de um álbum em que quase todas as faixas poderiam ser lançadas como single, e são músicas que, além do apelo comercial, são muito boas. Difícil até mesmo falar quais são as melhores (eu acho”Best Mistake” com o Big Sean, a própria “One Last Time”, “Love Me Harder” com o The Weeknd e “Break Your Heart Right Back” com Childish Gambino brilhantes). Em resumo, é um álbum de altíssimo nível para uma artista ainda relacionada com o público teen – e com o “My Everything”, creio que ela tenha conseguido ampliar o seu público.

Possibilidades para o Grammy? O “My Everything” é um álbum mais novo e que trouxe boas críticas (não tão boas quanto o debut, mas pra uma artista ainda nova, é um bom desempenho). Além de ter colocado Ariana para um público crossover, colocou quatro singles no top 10 da Billboard (incluindo “Bang Bang”, onde ela é featuring, mas está na edição deluxe do álbum) e colocou a jovem no olho do furacão pop, com featurings e aparições em awards. A musicalidade pop e R&B, aliada ao dance e com pitadas de urban, fizeram parte do que tocou e dominou o ano (“Problem”, por exemplo, é a prima de “Talk Dirty” e seu saxofone que fez parte dos hits de 2014). O grande contra da Ariana é o tempo de carreira, que ainda está em ascensão, e o fato de ainda estar associada a uma atração juvenil televisiva (o que não é problema para dois indicados aqui). Mas, se não tivessem esses poréns, acho que o “My Everything” seria um favorito mais forte ao prêmio de Melhor Álbum Pop.  Coloco a Ariana como um azarão: o CD é excelente, mas ela só não leva porque não tem um nome ainda consolidado na indústria, e seu currículo ainda é calcado como uma ex-estrela teen (apesar do álbum não ter esse público como alvo principal).

Mais detalhes sobre o CD aqui.

Ouça “Problem”:

 

Cover CD Katy Perry PrismKaty Perry, “PRISM”

A pergunta que não quer calar é: “será que agora vai?”. Katy Perry vem batendo na trave desde a indicação por Melhor Performance Pop Feminina com “Hot N Cold”, em 2010, e entre acertos e erros, o “PRISM”, como um trabalho mais maduro – e teoricamente um fortalecimento dela como artista e compositora – seria um álbum mais bem acabado para concorrer, talvez não em pé de igualdade com outros lançamentos mais brilhantes, mas como um concorrente válido. O problema é que o CD tem problemas. Muito mais que seus concorrentes.

A primeira metade do álbum é muito boa, vindo num crescendo na qualidade das músicas que desemboca num hino. Apesar das músicas não terem a mesma força de prováveis singles – como era no “Teenage Dream”, onde Katy lançou seis singles (sem contar os do relançamento) – elas são excelentes produções e trazem vários lados da cantora, com influências que não tornam o álbum uma “bagunça”. Tem pop puro (“Roar”), pop com influências orientais (“Legendary Lovers”), dance oitentista e noventista (“Birthday” e “Walking On Air”), mid-tempo pop com pegada épica, meio power ballad (“Unconditionally”) e talvez o rompimento mais legal do álbum, “Dark Horse”, com seu urban-pop, break trap e versos de Juicy J pra completar o cenário de um dos melhores singles de 2013/14.

O problema chega quando entramos na segunda metade do “PRISM”, e está nessa segunda metade o calcanhar de Aquiles do CD. Apesar de serem álbuns com propostas diametralmente opostas, o “PRISM” sofre do mesmo mal do “ARTPOP” da Gaga:  uma primeira metade sensacional para uma segunda metade méh, com direito a tentativa de repetir “Last Friday Night” com “This Is How We Do”, fillers esquisitos como “Love Me”, “Double Rainbow” (desculpa Sia) e “By The Grace of God”, além da horrenda “International Smile”. Tem dois destaques bacaninhas nessa segunda metade do CD – “Ghost” e “This Moment”, com seus sintetizadores oitentistas. Quando você termina de ouvir o álbum, chega à conclusão de que estava diante de uma anomalia – parecem dois álbuns em um: uma parte pop e cheia de influências, com músicas sólidas que, se não são petardos pop como a primeira parte do TD, são produções competentes e bacanas. Já a segunda parte é mais hit-or-miss, com canções de certa forma parecidas entre si e uma ambientação meio indie-pop, mas aparentemente mais coerentes entre si – tanto nas letras quanto na sonoridade, quanto o balaio pop da primeira parte do CD. É como se a Katy tivesse que se dividir entre o que poderia hitar e o que representa melhor a pessoa dela. No entanto, o som que melhor representa essa dinâmica, e faz esse trabalho bem melhor é “Unconditionally”, que está na primeira parte do CD.

E é nessa divisão do que ela quer / do que a gravadora (e ela, afinal de contas, Katy co-escreveu todas as faixas do álbum, tem todos os dedos nela nisso) querem que reside a anomalia do PRISM, e em como nós não podemos chamá-lo de coeso para que ele tenha mais chances no Grammy. Se você ouvir bem os outros indicados, a palavra que os assemelha é “coesão”. Por mais que os artistas envolvidos possam flertar com um ritmo ou seguir uma linha de gênero musical durante a produção do álbum, não há uma divisão tão clara dentro do CD como no “PRISM”. E para uma artista com tantos narizes torcidos e resistência como a Katy, que é uma hitmaker bem sucedida mas com uma irregularidade na qualidade geral dos seus álbuns, é um problema que pode lhe tirar o tão sonhado gramofone. Por isso, não vejo esse trabalho nem como um azarão.

Ouça “Dark Horse”:

 

X_coverEd Sheeran, “X”

O “X” (lê-se multiply) talvez seja o álbum mais distinto entre os cinco indicados a Álbum Pop. O som acústico do britânico Ed Sheeran, tendo o violão como base, se mantém em todas as canções desse segundo lançamento, mas com um adicional mais R&B, como nos singles “Sing” e “Don’t”, além de faixas como “Nina” e “Bloodstream”, bem como batidas marcadas, mais percussivas. Outra característica do som do ruivinho é a inspiração no hip hop, principalmente quando ele fala em versos, ou canta quase falando. Você percebe bem em “The Man”, onde a música é praticamente toda um “rap”, com refrão cantado. As letras giram em torno de relacionamentos, break-ups, além de, em alguns momentos, tratar da própria carreira assim como questões alcóolicas. Liricamente falando, o álbum é redondinho, Ed é um ótimo compositor, e musicalmente falando, o “X” também é bem coeso – essa mistura de baladinhas mais acústicas com uma pegadinha R&B (um pouco) mais upbeat que no primeiro CD (o “+”) tornam o trabalho mais pessoal e único em sua categoria.

O meu problema com o álbum é mais pessoal que as possibilidades que ele tem de levar o Grammy. Acho que ele tem muitas chances porque o cara tá muito hypado. Além das críticas positivas na época do lançamento, Ed é um dos queridinhos dos charts e do público. Seu novo single, o hino dos casamentos (e melhor faixa disparado do CD) “Thinking Out Loud”, está em segundo lugar na Billboard, com excelente desempenho nas rádios, no iTunes e nos streams. E com uma indicação a Álbum do Ano, é fato que o britânico está uns bons passos à frente na corrida pelo gramofone (bem mais à frente que a Katy e a Ariana, por exemplo).

Mas como tinha dito, o meu problema com o “X” é que, apesar de redondo nas escolhas de estilo musical e com boas letras, eu não “comprei” inteiramente o álbum. Eu não me senti incomodada, não me senti animada, não fiquei surpresa, não senti nada de bom nem de ruim. É um álbum passável, com boas canções – “Photograph”, “Sing”, “Don’t”, “Runaway”, o hino dos casamentos “Thinking Out Loud” – em meio a um CD com músicas particularmente esquecíveis. Posso dizer que o CD é ruim? Olha, não tem nenhuma música ruim de fato, mas às vezes aquela conexão instantânea não acontece. Até o “Ghost Stories” consegue me pegar – e olha que eu não tenho muita paciência com o Coldplay.

(Aliás, é sério que esse álbum tá indicado a Álbum do Ano?)

Enfim, acho que o Ed Sheeran tem grandes chances por todo o hype em torno do trabalho dele e pelo desempenho nos charts e nas críticas, mas pode ser o vencedor mais sem graça e esquecível dos últimos anos se levar.

Ouça “Thinking Out Loud”:

 

Cover CD Sam Smith In the Lonely HourSam Smith, “In the Lonely Hour”

Eis aqui o principal concorrente ao prêmio de Álbum Pop! A voz cheia de soul e suas letras autobiográficas e confessionais conquistaram o grande público, além de parte da crítica e dos votantes do Grammy, que deram a Sam Smith essa bem-vinda e merecida indicação pelo debut “In The Lonely Hour”.

O álbum é uma espécie de confissão amorosa do Sam, também compositor do CD, com o pop, R&B e soul mesclados em faixas que em sua maioria, são midtempos, com vocais cheios de alma e inspiração nos grandes nomes do soul (alguns exemplos são”Good Thing”, “I’ve Told You”, “Life Support”). Esse equilíbrio entre os gêneros é traduzido no single que fez com que o britânico estourasse, “Stay With Me”, com seu coral gospel. Já “I’m Not The Only One” é mais R&B/soul, “Lay Me Down” tem uma pegada soul e meio jazz, enquanto “Like I Can”, com sua pegada pop/soul a la Rolling in The Deep, é a mais animadinha do álbum. Além das midtempos, “In The Lonely Hour” tem também as baladas corta-pulsos, como “Leave Your Lover”, “Not In That Way”.

Essa mistura consegue tornar o álbum muito mais que um mero álbum de pop e R&B, mas tem uma pegada mais adulto contemporâneo, uma musicalidade que consegue ser timeless, canções que você pode ouvir durante muito tempo, não apenas pelo estilo mais sólido, mas também por suas letras – maduras e sofisticadas sobre relacionamentos – como estar apaixonado e viver esse amor com uma pessoa comprometida, em “Leave Your Lover”, relações fracassadas, como em “Good Thing”; one night stand – “Stay With Me”; traição, como em “I’m Not The Only One”; ou saber que seu amor pelo ex é maior que o amor do atual – “Like I Can”. Ou seja, qualquer um pode se identificar, em qualquer momento da vida, com essas histórias. Todo mundo passou por uma situação dessas na vida – foi traído, teve um namoro fracassado, só quis curtição. Esse é o grande trunfo do Sam, essa identificação crossover com as músicas e as experiências dele. Num sentido mais abstrato, isso é se sentir tocado e afetado por um CD.

Por conta do sucesso de “Stay With Me” e “I’m Not The Only One”, além do acolhimento de parte da crítica e especialmente da Academia, que o colocou no General Field, as possibilidades de vitória aqui para o Sam são muito altas. O impacto nos charts e na esfera pop foi grande  – Sam é considerado uma “Adele de Calças” por seu tom confessional e autobiográfico nas músicas, além do tom mais R&B/soul nas músicas. Além disso, ao contrário de outros concorrentes, todas as músicas são boas (eu não curto muito “Money On My Mind”, mas a música tem muitos méritos), com evidentes highlights ( “Stay With Me”, “I’m Not The Only One”, “Like I Can”, “Leave Your Lover”, além da espetacular “Lay Me Down”) e no geral, a tracklist tem muita força. Você não tem fillers esquecíveis nem músicas que diminuem a qualidade do álbum. Existe um equilíbrio na qualidade que coloca o CD lá pra cima. E creio que a Academia não vá deixar isso passar. É esse equilíbrio, unido ao impacto do “In The Lonely Hour” nos charts e nas mentes do grande público, além da evidente qualidade das músicas e as indicações do britânico no Grammy, que pode dar a Sam esse gramofone.

Mais detalhes sobre o CD aqui.

Ouça “Stay With Me”:


CONCLUSÕES

Quem vai ganhar: Acho que Sam Smith é favorito. Em segundo, o Ed. Mas o Sam está mais à frente pela quantidade de indicações – principalmente no General Field.

Pra quem eu torço: Eu sou #teamSam – adoro o CD, acho um dos mais legais do ano passado e as músicas são incríveis. Merece essa.

O “dark horse” da vez: Acho que seria surpreendente pra mim e todo mundo se a Ariana recebesse o prêmio pelo “My Everything”. Dos outros três indicados, acho o álbum mais redondo e interessante (em comparação à Katy) – e a imagem da Ariana é mais likeable que a da Miley, por exemplo.

A última análise é a cereja do bolo, Álbum do Ano. Acho que tudo indica que as expectativas se confirmam, mas e se? É no se que vai residir a próxima análise. Até lá!

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