Já comece a gravar o refrão: Iggy Azalea – “Beg For It” feat MØ

Cover Iggy Azalea Beg For ItHoje o dia no pop anda bem quente: primeiro, o lançamento do primeiro single do relançamento do “The New Classic”, da Iggy Azalea; e agora no fim da tarde, já podemos ouvir o novo álbum da Taylor Swift. Como tem muita coisa, vamos separar tudo em posts. E o primeiro é pra falar de “Beg For It”, que vai abrir os trabalhos do “The New Classic: ReClassified”, o relançamento do debut da australiana.

Depois de tanto bater na trave, Iggy Iggz finalmente alcançou o sucesso com “Fancy”, hit massivo do verão, e ainda emplacou duas top 10 – uma como artista principal em “Black Widow” e outra como featuring no outro hit massivo do verão, “Problem” com Ariana Grande. Assediada por outros artistas que querem emplacar no sucesso da rapper (oi J-Lo), agora é hora da gravadora lucrar ainda mais com sua it-girl com o relançamento do “The New Classic”, e como em time que está ganhando não se mexe, a ideia é dar ao público o que eles já conhecem: um hip hop/pop com letra “ostentação” + refrão grudento de uma voz desconhecida do grande público.

“Beg For It” tem tudo isso. É pop e cresce a cada ouvida, tanto que na terceira vez já me vi tentando cantar o refrão, que apesar de não ser tão marcante quanto “Fancy”, tem seus méritos – a dinamarquesa MØ, conhecida do público alternativo, consegue em alguns momentos roubar a cena da Iggy (o que falavam da Charli em “Fancy”, aliás). A música é curta e ótima para as rádios, sem a necessidade de cortes. Tem cheiro de sucesso – aposto um top 10 na Billboard – mas ao mesmo tempo, tem aquele ar de “eu já ouvi isso antes”, como se Iggy e sua equipe não quisessem se arriscar – nem em ir atrás do material antigo da australiana, ou sair da zona de conforto, mostrando um outro lado da rapper.

Eu não sei até que ponto isso é positivo, porque Iggy já recebe críticas de outras pessoas do meio hip hop e de uma parte do público (“não compõe os próprios versos”, “não tem flow”, “não tem fôlego”, “é fabricada” etc.), mas para quem quer continuar na crista da onda e mantendo o sucesso, seguir o fluxo é o melhor caminho. Só não sei até quando.


E você, o que achou de “Beg For It”?

Mas menino, o que são esses hinos que o Nick Jonas está lançando hein

Antes da nova moda entre as teen 5 Seconds of Summer, antes de One Direction e um pouco antes de Justin Bieber, só se falavam dos Jonas Brothers. Capas de revista, alvos da atenção das adolescentes, boas vendas de álbuns e com séries e filmes lançados, eles eram a sensação jovem que sempre surge de década em década.

Mas os irmãos Joe, Nick e Kevin cresceram, e como em todo fenômeno teen, acabaram sendo substituídos por outro mais novo e com uma imagem diferente dos garotos que cantavam “rock” com rostinho de bebê. Evidentemente, eles tinham que seguir carreiras diferentes – Kevin acabou estrelando um reality show; Joe tentou com o CD pop/R&B, “Fastlife”, que passou despercebido; e Nick lançou um álbum sob o nome “Nick Jonas and The Administration” como projeto paralelo dos JB.

Após um retorno à cena malfadado em 2013, é hora dos irmãos seguirem definitivamente seus próprios caminhos, e Nick Jonas reapareceu em 2014 numa nova gravadora (sai a horrenda Hollywood Records e entra a tradicional Island Records) com um comeback surpreendente, para acompanhar o futuro lançamento de seu álbum solo “Nick Jonas”, previsto para 11 de novembro.Cover CD Nick Jonas self-titled

 

Digo surpreendente porque ninguém esperava um retorno bem sucedido (o segundo single do CD, “Jealous”, está no top 10 do iTunes) para o cantor e ator, que estava fora do radar tinha algum tempo. E como seu irmão Joe não tinha sido bem sucedido com o trabalho solo (além de toda a fama negativa que ídolos teens em crescimento carregam), ninguém esperava um feedback tão positivo do público com Nick. Principalmente com o nível das canções que ele vem lançando.

Não são apenas singles pop/R&B –  as faixas tem um pé naquele R&B alternativo, maduras, sensuais e com um vocal adulto que lembra nomes como Ne-Yo ou principalmente Trey Songz.

O primeiro single, “Chains“, tem uma atmosfera misteriosa, com a letra meio masoquista e a percussão mais seca. A pegada R&B alternativa entraria facilmente na playlist “Feche a Porta” do Spotify (para quem não conhece, é a playlist da fuck music 😉 ). Uma ambientação meio “ryan-tedderiana”, só que sem a mania do líder do OneRepublic em fazer cópias da própria música. Apesar de não ter feito sucesso, abriu os olhos da crítica e de boa parte do público sobre o que Nick poderia apresentar.

O clipe segue a mesma linha de mistério e um pouco de conceitualidade, com Nick acorrentado a uma cadeira e no meio de um protesto atrás da mulher da sua vida.

 

“Jealous”, por sua vez, é o single da virada para o cantor. Crescendo nas rádios e no top 10 do iTunes, a música é mais “pop” que “Chains”. A pegada é levemente oitentista e o refrão tem um falsetinho no “jealous” que é viciante. A letra não é um dos melhores momentos da música pop (no sentido de que fala sobre um cara que tem ciúmes da namorada, mas pode ir para o lado bom ou do ciúme agressivo, ao mesmo tempo em que no final, ele diz que ele gosta quando ela tem ciúmes dele também), mas a batida é muito boa. É outra canção que não lembra em nada os trabalhos direcionados ao público teen de Nick.

O clipe não é tão bom quanto “Chains”, mas a música equilibra.

Só que a coisa começa a tomar outros níveis com “Numb”, música promocional que Nick lançou com featuring da rapper Angel Haze (da mesma leva de novas rappers femininas de onde vieram Azealia Banks e Iggy Azalea). A música tem a mesma estrutura de “Dark Horse” e “Black Widow”, um pop meio urban com break trap. A diferença é que esse filho consegue se colocar um passo a frente, com uma letra bem estruturada (uma clássica break-up song) e as batidas secas com produção minimalista deixam a música mais misteriosa que a faixa da Iggy, por exemplo. O rap da Angel é muito bom, completando o sentido da música com a perspectiva feminina, e o break é bem legal. Tem cara de single pra ser lançado oficialmente, e pra ontem.

Por conta dessas três canções, meu interesse pelo Nick Jonas, que era próximo ao nulo há anos atrás, cresceu exponencialmente. A qualidade dessas três músicas é superior a de muitos que estão no mercado, e a coesão de letra e arranjo mostra que o CD tem tudo pra ser um dos mais interessantes do espectro pop neste fim de ano. Se a Island conseguir trabalhar bem com o álbum e as músicas, 2015 terá tudo para ser “o” ano de Nick Jonas.

E você, o que achou do que ele lançou até agora?

Momento pop diva – Jessie J e o vídeo de “Burnin’ Up”

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Jessie J não está para brincadeira com a era “Sweet Talker”! Após o clipe girl-power do smash hit “Bang Bang”, a britânica decide deixar as coisas mais quentes com o vídeo de “Burnin’ Up”. Aparentemente, essa era mostra uma Jessie mais confortável numa posição de pop diva, ao invés da garota divertida cheia de atitude das fases anteriores, e este vídeo, que conta com o featuring de 2 Chainz, mostra bem essa faceta sexy e confiante da cantora. Com cenas de coreografia, closes no carão de diva, homens bonitos e sem camisa perto de uma piscina estilosa, Jessie de maiô e agarrada num boy desconhecido, o vídeo tem todos os atributos para hitar.

Ao mesmo tempo, o clima verão em “Burnin’ Up” ficou meio fora de contexto, já que no hemisfério norte, o outono já chegou. E apesar de ser um clipe típico para qualquer cantora feminina que queira ascender ao posto de pop diva,  a impressão final, depois dos quase quatro minutos de vídeo, é de que alguém já fez isso antes – e melhor.

Eu não sei se o clipe fará grande efeito na música (neste momento, “Burnin’ Up” está fora do top 100 do iTunes e mal começou sua carreira nas rádios), só apresentações na televisão e em premiações podem ajudar. Mas mesmo com o desempenho muito fraco, se comparado com “Bang Bang”, Jessie J pode dizer que tem um trabalho bem consistente em mãos.

E que pode atrapalhar as outras pop divas.

 

E você, o que achou do vídeo?