Um problema bem sessentista e divisivo – Ariana Grande feat. Iggy Azalea, “Problem”

Ariana Grande Problem Video

Nesta sexta-feira, fãs e não-fãs da Ariana Grande acompanharam o lançamento do clipe “Problem”, lead single do novo CD ainda sem título, parceria com a rapper Iggy Azalea, e teve muita gente que não gostou do vídeo – choveram críticas à edição, ao cenário, ao rabo-de-cavalo da Ariana que nunca muda, à pouca presença da Iggy no single, à produção pobre e à semelhança quase idêntica do clipe com as performances live da música.

Bem, existem coisas aqui que devem ser criticadas, e outras que devem ser levadas em consideração de forma positiva. Primeiro, hora de ver o clipe (ou rever):

Agora, a análise: o fato é que, vendo em retrospectiva, os clipes da Ariana Grande realmente não são famosos pela super produção. “The Way” era quase amador, enquanto “Baby I” e “Right There” tiveram mais orçamento – mesmo assim, pouco em comparação a vídeos de outras estrelas teen. Não era pra se esperar uma superprodução, e pelas imagens e teasers que ela já tinha mostrado no instagram, era de se imaginar um vídeo 60’s inspired, de acordo com as apresentações dela ao vivo desde que o single foi lançado (e até mesmo as primeiras fotos promocionais da Ariana). Nesse caso, eu gostei do vídeo porque realmente manteve a identidade que ela mostrou em todas as apresentações desde o lançamento de “Problem”. Como esse ar vintage sempre me atrai, gostei mesmo. Ficou um mix de Austin Powers meets filme do James Bond meets live perdido nos anos 60. E a Ariana combina bem com esse estilo retrô (eu não consigo imaginá-la num clipe moderninho), com essa inocência que ela sempre passa, mesmo quando tenta soar adulta e madura.

A participação da Iggy ficou bacana, mas o que eu gostei mesmo foi da boca do Big Sean sussurrando “I got one less problem without ya” e acho que deveria ter mais cenas dele, de preferência de corpo inteiro (e sem camisa hahahaha).

Já o que eu não gostei vem da própria atitude da Ariana no vídeo. Não dá exigir que ela rebole até o chão, mas a garota parecia realmente desconfortável no vídeo, dançando e fazendo caras e bocas que nada condiziam com a coreografia – e pior, o rosto dela não expressava absolutamente nada do que cantava. E ela ainda tem problemas sérios com a dublagem – Ariana dublava os agudos como se estivesse listando o que ia comprar no mercado, e não como quem interpretasse a canção (e a gente sabe que, ao vivo, ela tem essa capacidade). Isso incomoda quando você é a figura principal de um clipe.

Entre prós e contras, acho que Ariana Grande e seu “Problem” passam raspando no teste. A fã-base da moça é grande, e vai fazer com que o clipe cresça muito em visualizações no Youtube, e a música é boa o suficiente pra prosseguir sua busca pelo primeiro na Billboard, mesmo que o clipe não venha a apoiar essa música da forma como se espera de um vídeo.

JLo descobriu o potinho da juventude (e um homem lindíssimo) em “First Love”

Jennifer Lopez First Love Video
Confesso que o novo (lead?) single da Jennifer Lopez não me empolgou nem um pouco. Ao vivo, a música não tem muita força (principalmente por conta dos vocais limitados da bombshell), e a faixa em geral soa levemente datada, como se JLo quisesse retornar os áureos tempos do R&B urban da primeira metade da década, mas com um refrão “moderninho” – só que sem graça. Mas o clipe me fez mudar de ideia por bons cinco minutos.

Todo em preto e branco e dirigido por Anthony Mandler (um dos diretores de videoclipes mais conhecidos do meio), o clipe tem uma intro com monólogo da Jennifer Lopez a la “We Found Love”/”I Knew You Were Trouble” e cenas da diva latina num deserto ao lado de um homem lindíssimo com um peitoral dos sonhos (o modelo britânico David Gandy). Muita pegação, closes da Jennifer e seu bumbum famoso, além de sensualização em frente à câmera – tudo bem característico da Jennifer Lopez.

O vídeo me lembra muito “I’m Into You”, do “Love?” (outro clipe sensual, com Jennifer se agarrando com outro bonitão, desta vez o cubano William Levy – aliás, bom gosto dessa mulher pra escolher par romântico em clipe, hein?), só que sem o break quebração. Apesar da aparente monotonia, a interação da JLo com o lover dela mantém o bom ritmo do vídeo – bem casado com a música, que talvez não pedisse outro tipo de clipe.

O grande detalhe é que, depois de ter visto uma vez, você perde a vontade de ver de novo 😉 E duvido que o clipe viralize a ponto de fazer a música hitar.

Agora vai (ou não)? Nicole Scherzinger retorna com Your Love

scherzinger-your-loveNicole Scherzinger, desde que saiu das Pussycat Dolls em carreira solo, nunca conseguiu alcançar o mesmo nível de sucesso que obteve dentro do grupo. O primeiro álbum, “Her Name Is Nicole”, jamais foi lançado, os singles tiveram desempenho pífio no mercado americano – e a cantora tornou-se motivo de piada dentro da internet. O segundo CD, “Killer Love”, surgiu em outro momento da carreira de Nicole, agora estabelecendo suas atividades na Inglaterra, terra do namorado, o piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton. O álbum teve melhor desempenho, assim como os singles, mas Nicole não conseguiu emplacar nos Estados Unidos. Agora, com a nova empreitada, o pop com batidas tribais”Your Love”, a pergunta é: será que agora vai?

A depender da música, pode até fazer um barulho no mercado britânico, onde podemos dizer que Nic ja está consolidada. Já nos EUA, a situação é bem diferente. A canção tem produção de Tricky Stewart e The-Dream, que até se reciclaram em relação ao passado, mas a música, apesar das boas sacadas – como referências a Mike Tyson e MC Hammer (talvez o verso mais bacanudo da canção) – e um do do do do feito pra viciar, não é chance clara de hit. A canção é um pop bem pop, com uma viradinha da bridge meio sintetizada que quebra completamente o ritmo da canção (de uma forma negativa), e a batida no final pronta pra coreô no clipe, mas é meio complicado pensar nisso como um smash hit em 2014. Eu esperava um batidão urban R&B ralação bem forte, e um pop equilibrado demais, mas sem grandes momentos, sem um momento de explosão, não é exatamente o lead-single destruidor de carreiras que pode colocar a Nicole dentro do mercado americano com força.

É um single com cara de terceiro single de CD, não de primeiro single que abre os trabalhos de uma era. Queria muito ter gostado, mas acho que ficou só na expectativa.

E você, o que achou do novo trabalho da Nicole?

 

Design de um top 10 [5] Hits do ano em #1 e #2

Se tem um top 2 que todo mundo já sabia que ia acontecer (incluindo este humilde blog, que estava antecipando o sucesso das músicas), é “Fancy” em #1 na Billboard, com “Problem” em #2. As duas músicas tem participação da rapper australiana Iggy Azalea, seguramente um dos nomes (se não o nome) do verão americano. Além disso, o segundo lugar de “Problem” no Hot 100 coloca Ariana Grande, que já tinha obtido um top 10 com “The Way”, seu single de estreia, como um dos nomes mais quentes da esfera pop em 2014.

Mas nem só de meninas extravagantes e problemáticas vive este “Design de um Top 10”.

Top 10 Billboard Hot 100 (04/06/2014)

#1 Iggy Azalea – Fancy (feat. Charli XCX)
#2 Ariana Grande – Problem (feat. Iggy Azalea)
#3 John Legend – All Of Me
#4 Pharrell Williams – Happy
#5 DJ Snake & Lil Jon – Turn Down For What
#6 Katy Perry – Dark Horse (feat. Juicy J)
#7 Jason Derulo – Talk Dirty (feat. 2 Chainz)
#8 Nico & Vinz – Am I Wrong
#9 Justin Timberlake – Not a Bad Thing
#10 Jason Derulo – Wiggle (feat. Snoop Dogg)

Iggy AzaleaPrimeiro vamos falar dos recordes: “Fancy” é um marco pra carreira de Iggy Azalea, já que ela se iguala aos Beatles como os dois únicos artistas que alcançaram a primeira e a segunda posição com os dois primeiros hits no Hot 100 (os quatro garotos de Liverpool fizeram isso com “I Want To Hold Your Hand” e “She Loves You”). Iggy também é a quarta rapper a chegar à primeira posição no Hot 100, seguindo os passos de Lauryn Hill com “Doo Wop (That Thing)”, Lil Kim e o girl power em “Lady Marmalade” e Shawnna com Ludacris em “Stand Up”). Além disso, é o primeiro #1 da australiana, que chegou de mansinho aos Estados Unidos, com clipes bem elaborados e músicas pop/hip-hop extremamente comerciais, chegando à viral “Fancy”, com o clipe mais cool do ano, inspirado em “As Patricinhas de Beverly Hills”. Podemos questionar a profundidade de seu som, ou o quanto o hip-hop dela tem jeitão de hip-hop de butique, pra gente que não entende nada do gênero, mas Iggy trabalhou quieta e mansamente pra chegar a esse nível, e merece o retorno.

(sem contar que “Fancy” é o primeiro #1 da Charli XCX! Parabéns!)

Se Iggy Azalea neste momento é a rainha dos charts, podemos dizer que Ariana Grande é a princesinha, né? ¯\_(ツ)_/¯ Piadas de Ariana Grandequinta categoria à parte, “Problem” surgiu como um hit pronto, e está fazendo por onde. O chart-run da música é impecável (só para ter uma ideia, o debut do single foi #3, e nunca saiu do top 5 desde a estreia. Ariana já divulgou a faixa em awards e programas de TV, e toda essa performance incrível do single aconteceu sem um clipe, esperadíssimo por fãs e admiradores da garota vinda da Nickelodeon, e sem outras formas de buzz sobre o álbum, que ainda não tem nome nem tracklist. Imagina na copa?

Jason DeruloOutro single que eu andei vendendo o sucesso – e que alcançou a décima posição no Hot 100, pulando dez posições, é o urban “Wiggle“, do principal nome do R&B em 2014, Jason Derulo. A música, que tem featuring de Snoop Dogg, é uma das que mais cresce nas rádios e está no top 10 do chart digital. E para quem não sabe, Derulo não é um estranho no ninho do top 10 – esta é a quinta vez que o americano aparece entre os dez mais do Hot 100, após a sequência de hits do primeiro álbum (“Whatcha Say”, que foi #1; “In My Head” – em quinto; e “Ridin’ Solo”, que peakou em 9º) e o smash “Talk Dirty”, que ainda resiste nas primeiras posições (na sétima posição). Este realmente é o ano do Derulo, que voltou com um ótimo CD – eu recomendo!

Agora, a grande surpresa do top 10 é a oitava posição da dupla norueguesa Nico & Vinz (antes denominados Envy) com a música Nico & VinzAm I Wrong“, que alcançou a oitava posição. A faixa, um pop polido com percussão marcada e uma guitarra charmosa, meio vintage, e uma letra cheia de filosofia, não é exatamente o que os americanos andam ouvindo ultimamente, mas eles às vezes acertam no gol de uma forma bem inteligente. O chart digital mostra o sucesso da faixa, que está em quarto no iTunes, e as rádios abraçaram a música, que já está na fila das vinte músicas mais tocadas nas rádios – e apesar de não ser urbanzão batidão quebração, tem algo solar que vale a pena dar uma ouvida.

Fontes: Billboard

Boyband is great for a throwback – “The Secret”, do Austin Mahone

Cover Austin Mahone The Secret EPA gente ouve milhares de músicas num ano, seja porque gostamos dos artistas, seja porque precisamos ficar inteirados do que está tocando por aí, ou até mesmo pra criticar. Um dos casos em que eu ouvi só pra “me inteirar” foi do Austin Mahone. Vendido e formatado como uma versão “clean” de Justin Bieber, surgiu do mesmo jeitinho que o pop star canadense: fazendo covers no Youtube e logo depois conseguindo um contrato com uma grande gravadora. Após o primeiro EP, com alguns singles que fizeram pouco barulho, e outras músicas de trabalho que mostraram o trabalho do jovem para o mercado, Mahone lança o EP “The Secret”, onde ele mostra estar bem longe de um Bieber – nada de pegada R&B/pop. O teen pop do jovem cantor de 18 anos bebe da fonte mais improvável possível: o pop inocente e noventista das boybands. Ouvir “The Secret” é em sua maioria, voltar ao passado onde Backstreet Boys e NSync dominavam – só que ao invés de cinco caras bonitinhos, a conversa aqui é apenas um cara bonitinho.

Pra quem viveu a época, o EP parece um compilado de músicas gravadas por boybands do período que eles descartaram. Até que ponto isso é ruim? Como vivemos um throwback dos anos 90, e tudo que foi consumido naquela época é moda hoje, ir atrás desse filão é uma boa jogada dos produtores envolvidos neste álbum, principalmente se pensarmos que a boyband mais bem sucedida atualmente – One Direction – bebe de outras fontes para compor o seu som. Além disso, Mahone era um bebê de colo quando BSB estourou, por exemplo. Para o mercado, a imagem dele cantando esse tipo de música para as adolescentes tem mais potencial que um “recordar é viver” dos nossos ídolos dos anos 90.

E que bate uma saudade esquisita, isso dá… O que torna “The Secret” o meu guilty pleasure do ano.

Confira num track-by-track o motivo dessa sensação.

OBS: as músicas resenhadas aqui serão da edição standard do EP, mas vou deixar aqui o vídeo da melhor música dele – e a mais throwback do repertório dele, “What About Love”, que só está na edição europeia, como bônus. QUE PECADO.

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Mais um viral à vista? “Wiggle”, do Jason Derulo feat. Snoop Dogg

Jason Derulo Wiggle VideoJason Derulo está num ano daqueles. Estourado na Inglaterra com o “Tattoos”, capitaneado pelo smash hit “Talk Dirty”, um dos responsáveis pelo retorno da tendência urban do momento, a gravadora nos Estados Unidos decidiu relançar o álbum com outro nome (“Talk Dirty”) e com mais músicas no estilo da música que colocou Derulo de volta na boca do povo. O novo single do relançamento americano é “Wiggle”, faixa urbanzão/R&B com batida trap e featuring de Snoop Dogg (e seu verso eloquente, pra dizer o mínimo) com um break quebração e cheirinho de hit do verão, que pode vingar o não-#1 de TD.

Acompanhando a extensa divulgação do Jason, foi lançado nesta semana o clipe da música, dirigido pelo Collin Tilley, especialista em vídeos de astros do R&B, e com cara de verão. Situado num cenário bem tropical, com piscina, sol, mulheres bonitas e pegação, o clipe mostra – aparentemente – Jason acordando ao lado de belas mulheres numa cama, após uma provável festança non-stop, com direito a uma estátua feminina com uma “big fat butt”, Snoop Dogg de olho no derrière das moças com um binóculo e o cameo inexplicável do Ne-Yo.

O single já é hit – está no top 10 do iTunes e está crescendo nas rádios (nada monstruoso como “Fancy” da Iggy Azalea e “Problem” da Ariana Grande), o que pode colocá-lo como um dos candidatos a um #1 neste verão. O vídeo é mais padrãozão que “Talk Dirty”, que tinha uma paleta de cores fortes, coreografias com cenários menos poluídos e referências menos óbvias à letra da música – o que pode ser uma dificuldade pra viralizar. Mas como o próprio Derulo já tinha lançado um pré-vídeo de “Wiggle” com pessoas aleatórias pirando no break da música (e ele pode repetir o que fez com TD, botando famosos pra dublar a música), o single pode crescer muito mais no coração das pessoas.

Mas de uma coisa é certa: isso é um hit pronto.

Nicki Minaj – Pills N Potions

Cover Nicki Minaj Pills n PotionsNicki Minaj volta mais reflexiva em seu lead-single do “The Pink Print”, a midtempo “Pills N Potions“. Após o sucesso estrondoso de Onika Maraj (nome real da rapper) nos últimos três anos, a artista se desfez das perucas, das roupas esquisitas e até mesmo das músicas catchy, mas duvidosas (oi “Starships”, oi “Pound The Alarm”)  e anda aparecendo por aí com um visual mais “clean”. E a depender do primeiro single do novo CD, o material parece vir menos pop e mais hip hop/R&B e urbanzão.

Mas Nicki poderia ter escolhido um batidão destruidor, já que a tendência nas rádios é essa mesmo. O que Nicki oferece para o verão americano é mais relaxante, uma produção com piano e batidas secas, lembrando um mix de Alicia Keys e Lorde, para os ouvidos mais apressados. O trabalho surpreende: tem produção do “farofado” Dr. Luke, num de seus dias mais inspirados. Nicki cantando é muito afinada, com um vocal suave e doce no qual ela poderia investir mais vezes, e os versos dela no rap são bem legais, falando das dificuldades numa relação – seja com alguém que se ama, seja com os fãs ou amigos – mas que o amor sempre supera esses problemas. Aliás, perceba a diferença em temas de uma rapper com selo “hip hop” de qualidade e uma rapper com os dois pés no pop – “Pills N Potions” não é tão fácil de fruição e aceitação para um grande público como o que ela alcançou em “Superbass” e “Starships”, mas eu acredito que o público urban/R&B/hip hop deve ter levado muito bem essa novidade.

O sucesso é uma faca de dois gumes. Como eu disse, essa música não é tão fácil quanto outros club smashes lançados pela própria Nicki anteriormente, mas o hook é grower e com 1) um bom vídeo; e 2) uma divulgação decente, Nicki pode fazer um bom retorno aos charts. Não conto com um #1, mas top 20, talvez top 10 (se ela se apresentar em alguma grande premiação), pode acontecer. Se ela deixar a música ao Deus-dará, no entanto, ela pode ter problemas, já que dá pra perceber o que o mercado quer só em observar as músicas que mais sobem nas rádios e no iTunes – são justamente os batidões urban que ela não lançou desta vez.

 

Será que a Minaj vai hitar com uma midtempo? Ouça “Pills N Potions”: